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Ellen White na “Mira Da Verdade” 2

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - qua mar 23, 4:25 pm

Resposta ao artigo “A Profetisa que não Falhou”

Quem está acompanhando minha tréplica percebeu que não estou seguindo corretamente o artigo do senhor Leandro Quadros. Estou dividindo-o de acordo com minha conveniência, sendo que este segundo artigo que elaboro ainda é a refutação do final de seu primeiro artigo “A profetisa que não falhou”, que foi uma tentativa de resposta ao pastor Natanael Rinaldi.[1]

Neste segundo artigo, portanto, me deterei nas argumentações simplórias de Quadros e no trabalho hercúleo em prol de sua profetisa – a luz menor.

Aqui ele não só coloca sua reputação como cristão em jogo, mas extrapola todos os limites da sensatez na sua explicação ao propor três motivos pelos quais o pastor Rinaldi supostamente errou ao criticar sua profetisa, os quais reproduzo abaixo em itálico, acompanhados com meus comentários:

1) O grau de qualidade ou de inspiração dos escritos dela não podem ser diferentes da Bíblia porque o mesmo Espírito Santo é o autor de ambos. Não existem “graus de inspiração”. Uma pessoa não pode ser parcialmente inspirada pelo Espírito. O profeta é usado por Deus ou pelo diabo (nesse caso, falso profeta).

Comentário: Quem disse que não existem graus de inspiração? Qual a fundamentação bíblica, filosófica ou histórica para essa declaração? Além de ser um argumento circular, ele peca em não levar em consideração a experiência histórica da Igreja. Ora, um cantor cristão pode ser legitimamente inspirado por Deus a compor lindos hinos sem, contudo, ter o mesmo grau ou qualidade de inspiração dos Salmos das Escrituras, mesmo sendo o Espírito Santo o autor de ambos. Até a revista adventista parece assumir essa perspectiva a respeito de seus hinos como mostra esse fragmento de 1939:

“A breve exposição da Palavra de Deus e o cântico de nossos hinos inspirados interessaram o auditório de tal maneira que instaram conosco para que fôssemos todas as semanas a Tarumã, afim de dirigir reuniões e cantar hinos.” ( Rev. Adv. Setembro de 1939, p.12 – grifo nosso)[2]

Contudo, nem esse é o caso com Ellen White!

2) Mesmo acreditando que a qualidade da inspiração de Ellen White seja a mesma da Bíblia, nunca afirmamos que os escritos dela são mais importantes que a Palavra de Deus. Uma coisa é ter a mesma origem (Espírito Santo); outra, ter a mesma função e aplicação.

Comentário: Aqui, Quadros e, de resto, todos os seus antecessores, os quais ele apenas reproduz, nem se dão conta da totalidade da falácia em que estão se metendo. Ora, o erro não está em admitir uma hierarquia, mas em sustentar a igualdade. O conceito de idolatria não é tanto uma questão de hierarquia, pois ídolo não é apenas aquilo que colocamos acima de Deus, mas também o que colocamos em pé de igualdade com Ele. Portanto, ao contrário do que pensa o senhor Leandro Quadros, a heresia adventista não consiste tanto em considerar os escritos dela superiores à Palavra de Deus (só um louco procederia assim), mas pelo fato de admiti-los no mesmo patamar. Isso é apropriação indébita! A horizontalidade de importância é tão perniciosa quanto a sua verticalidade.

Outra: quem disse que os escritos dessa mulher têm alguma função ou mesmo participação por menor que seja no plano pedagógico de Deus? Essa afirmação é gratuita e fica por conta e risco da imaginação dos adventistas aqui representados por  Quadros. Teriam seus escritos a função de “corrigir os que se desviam da verdade bíblica” e nos levar à Palavra de Deus em época de apostasia como erroneamente ensinam os adventistas? Claro que não. O apóstolo João, esse sim, verdadeiramente inspirado, desmente o argumento de Quadros quando nos aponta não supostos profetas modernos, mas o Espírito Santo como instrumento cuja função é fazer exatamente aquilo que os escritos de Ellen White querem usurpar: desviar-nos do erro e nos ensinar a Palavra de Deus. Observe: “Eu estou escrevendo isso a vocês a respeito dos que estão tentando enganá-los. 27 Mas sobre vocês Cristo tem derramado o seu Espírito. Enquanto o seu Espírito estiver em vocês, não é preciso que ninguém os ensine. Pois o Espírito ensina a respeito de tudo, e os seus ensinamentos não são falsos, mas verdadeiros. Portanto, obedeçam aos ensinamentos do Espírito e continuem unidos com Cristo.” (I Jo 2.26,27 – NTLH)

Mas o truque adventista consiste exatamente em despistar a contradição com argumentos dissimuladores de pretensa fidelidade à ortodoxia. Mas o truque já é manjado, e outras seitas também o empregam: os mórmons não afirmam explicitamente que a revelação de seu profeta (as escrituras mórmons) seja superior à Bíblia, tampouco os católicos em relação à sua tradição, o álibi é mais sutil, sempre recai na horizontalidade da igualdade.

Se Ellen White foi inspirada para nos reconduzir de novo às verdades da Bíblia, então ela falhou grandemente, pois nem mesmo ela e os adventistas se entendem quanto às muitas revelações do “espírito de profecia”. É uma verdadeira babel! Ora, se aquilo que era para clarear ofusca, qual a sua utilidade?

Reza a lenda que os tais “testemunhos” apontariam exclusivamente para a Bíblia, mas na prática, o negócio é diferente; eles usurpam da mente do devoto a fidelidade à Palavra de Deus. A maioria dos adventistas vai à Bíblia para provar o que Ellen White falou; assim a Bíblia se transforma apenas em texto-prova. Um exemplo disso foi o influente líder adventista A.T Jones, não é mesmo, Leandro Quadros? Mas para quem acha que isso é coisa do passado, observe a vergonhosa declaração que o senhor Juan Carlos Viera, diretor do Centro de Pesquisas Ellen White, deu para a revista adventista Ministério, quando perguntado sobre as críticas feitas “mais frequentemente, hoje, aos escritos de Ellen White?”. Sem pestanejar, saiu com o seguinte disparate:

“A principal crítica, feita durante os últimos anos, refere-se ao uso que ela fez de outras fontes. A ideia que um profeta recorra a outros escritos e utilize frases de outros autores tem sido muito questionada. De modo que a Igreja tem sido obrigada a fazer uma profunda investigação para ver se não ocorreu a mesma coisa com os profetas bíblicos. Felizmente, a conclusão é afirmativa…” (Revista Ministério – Edição 6 – Novembro/Dezembro de 1999 – grifo nosso)
Atitudes como essas são irracionais do ponto de vista teológico, típicas de mentes alienadas pela religião. Mas toda essa obtusidade é explicável à luz do modus operandi e da cosmovisão assumida pelas seitas. Primeiro, elas criam um modelo, depois medem tudo o mais por meio desse modelo. Ficam confusas e procuram negar as evidências que as pessoas (de fora da sua bolha) apontam: as inconsistências e as contradições do modelo. A lógica sectária é unilateral; o método é tanto viciado como viciante, pois pretende mensurar a realidade pelo esquema fabricado e não concertar o esquema pela concretude das evidências; depois vira lei e é generalizado, consagrado e repetido por gerações. É impossível estarmos errados, dizem. Veja que é preciso chegar ao ponto de negar a verdade ou qualquer realidade que ameace perfurar a bolha e por fim destruir o seu mundo artificial teológico. Ora, não foi assim com o famigerado “Grande Desapontamento”, que de falsa profecia se transformou em uma doutrina? Agora a história se repete com os plágios literários de EGW. À luz destes fatos é compreensível a posição destes “doutores” quando preferem seguir a lei do menor esforço psicológico, isto é, é mais fácil tentar achar supostos erros na Bíblia do que encarar e assumir os erros concretos de sua profetisa. Em outras palavras: é imprescindível não deixar quebrar o ídolo, mesmo que esse socorro custe arranhões na credibilidade da Bíblia.

3) Cremos que tanto os autores bíblicos quanto os que não têm livros na Bíblia (1 Crônicas 29:29) como o a Sra. White tiveram o mesmo grau de inspiração, mas que a função dos escritos deles jamais foi “complementar” as Escrituras ou servir de norma suprema de doutrina.

Comentário: a comparação é improcedente pelos seguintes motivos:

1) Acreditar que EGW foi uma profetisa já é de uma simploriedade absurda, mas equipará-la aos profetas bíblicos coloca em dúvida a sanidade de tal pessoa.  É um insulto ao bom senso cristão e um abuso à inteligência alheia. É mais fruto da crendice pura e simples originada em torno do mito de origem – EGW;

2) Desde quando o texto bíblico citado diz que Gade, Natã e Samuel escreveram livros inspirados fora da Bíblia? Ademais, eram “crônicas” e não livros doutrinários (Conselhos) como escreveu EGW;

3) Além disso, Natã e Gade nunca foram reconhecidos como profetas literários inspirados. O fato de um profeta escrever um livro não coloca automaticamente este livro na categoria “inspirado”, portanto igual aos do cânon inspirado.

4) Mas, suponhamos que fossem inspirados, mesmo assim, não se segue daí que isso sirva de analogia para algum suposto profeta moderno. Não há passagem lógica e muito menos bíblica de uma linha de pensamento à outra.

Segundo Quadros ainda,Se Natanael Rinaldi compreendesse a função dos testemunhos dela (noutra ocasião poderei me deter nisso), não faria tais acusações contra a doutrina adventista que segue de perto o princípio protestante “Sola Scriptura” (podemos provar todas as nossas doutrinas na Bíblia. Basta ele conversar com algum membro nosso, estudioso, e verá)”

Mas que argumento ingênuo é esse, meu amigo! É claro que ele conhecia a declaração dela sobre a “função” dos seus escritos, por isso escreveu muito sobre o engano que está por trás desse truque de linguagem. Uma coisa é a teoria, e outra bem diferente a prática. Não basta “provar” suas doutrinas utilizando textos da Bíblia simplesmente, todas as seitas utilizam do mesmo expediente para “provar” suas heresias. Foi por isso que os bispos no Concílio de Niceia optaram por usar frases técnicas da filosofia grega enquanto tentavam exprimir a divindade de Cristo, em vez de apelar apenas para versos bíblicos, já que os arianos podiam fazer o mesmo: “provar” a heresia ariana (negar a divindade de Cristo) pela Bíblia, assim como os pioneiros adventistas – James White, Uriah Smith, Joseph Bates e outros – faziam. O jargão utilizado pelo senhor de “provar todas as nossas doutrinas pela Bíblia” mostra apenas que os adventistas não se desvencilharam ainda da herança do fideísmo bíblico ingênuo. É resquício do restauracionismo da “conexão cristã” do qual faziam parte três dos fundadores da IASD. Foi usando esse fideísmo que eles rejeitaram a Trindade.

Não basta usar apenas uma das regras da hermenêutica, é necessário que os versículos bíblicos estejam em harmonia com todo o resto das outras doutrinas e que estejam também refletidos na tradição da história da Igreja Cristã. Mas é justamente esse o problema das tais “doutrinas distintivas” dos adventistas; elas não passam nem mesmo nestes míseros critérios descritos acima.

O que a IASD chama de doutrinas distintivas nada mais são do que o resultado de uma visão teológica distorcida (originada na herética Conexão Cristã), amparada pelo desejo mórbido de “restaurar” supostas doutrinas negligenciadas pelo cristianismo. Esse princípio, admito, não é exclusividade dos adventistas, pois todas as seitas forjadas no contexto daquele século (XVIII) sofriam do mesmo mal e compartilharam do mesmo erro. A título de ilustração, podemos citar: os Mórmons com sua restauração do sacerdócio; as Testemunhas de Jeová com sua restauração do nome Jeová; o Espiritismo Kardecista com sua restauração da reencarnação e tantas outras.

Mas, se o primeiro ponto foi sofrível, o segundo é de dar dó. Desde quando a IASD segue o lema Sola Scriptura ? Quando e que tipo de Sola Scriptura é essa? Com certeza não a dos reformadores, pois o lema foi forjado justamente em oposição às novas revelações da tradição católica, que, curiosamente, a Igreja de Roma estava equiparando ao cânon sagrado. Isso o faz lembrar-se de alguma coisa, senhor Leandro? Então, só para constar, o termo Sola Scriptura não se limita apenas ao significado “de única regra de fé e prática”, vai além, indica que fora da Bíblia não há nenhuma outra revelação inspirada igual à Bíblia dada por Deus. A expressão consagrada “única regra de fé e prática” só faz sentido à luz de “única e exclusiva revelação”. Portanto, o senhor só pode estar falando de outro sola scriptura, bem ao gosto do adventismo, forjado na seguinte aritmética: Bíblia + escrito de sua profetisa = sola scriptura. Só pode ser!

No próximo artigo iremos analisar as supostas profecias de EGW (defendidas por Leandro Quadros), aquela que não gostava de ser chamada de profetisa, mas que aceitava numa boa quando a ela se dirigiam assim!

[1] A tréplica original do pastor Natanael Rinaldi a este mesmo artigo do Leandro Quadros, você pode conferir aqui http://www.cacp.org.br/pr-natanael-rinaldi-refuta-adventista/

[2]http://acervo.revistaadventista.com.br/cpbreader.cpb?pesquisa=434&words=hinos+inspirados&s=2185815452

 

Clique aqui e leia o 1° artigo da série

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1 Comentário

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  1. o vídeo deste artigo fala por si só, qualquer um que estude a palavra de Deus com empenho e entendimento protestante nunca iria aceitar uma ideologia dessa. 

    http://www.cacp.org.br/oracao-para-aceitar-a-profetisa-adventista/

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