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Ellen White na Mira da Verdade – Final

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - seg mar 05, 11:40 pm

Resposta ao artigo “A Profetisa que não Falhou”

“Ellen White previu a entrada da Inglaterra na Guerra Civil Americana?”

Esta parte final do artigo tem por objetivo analisar a seguinte declaração de EGW:

Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.” – (Testemunhos para a Igreja Vol. 1, p. 269)

O artigo lidará com dois dos principais argumentos usados pelos adventistas para negarem o caráter preditivo da declaração, a saber: o contexto literário e a questão gramatical.

Minha resposta lidará com as principais objeções levantadas pelos estudiosos adventistas e se dividirá em três momentos: no primeiro momento farei uma análise das acusações de Leandro Quadros, num segundo momento analisarei o contexto histórico-literário da declaração e por último voltarei minha atenção ao argumento gramatical.

Nossa finalidade é simplesmente demonstrar duas questões básicas:

1) Que a declaração de EGW era de caráter preditivo, portanto, profético;

2) Que a profecia falhou.

BREVE RESUMO DA GUERRA CIVIL OU DA SECESSÃO

Para que o leitor entenda melhor o assunto, farei uma breve exposição contextual histórica. Uma das declarações mais polêmicas de EGW diz respeito à Guerra Civil Americana ou Guerra da Secessão que durou de 1861 a 1865, no governo do presidente Abraham Lincoln. Essa foi a guerra mais sangrenta que os EUA já tiveram. Os protagonistas dessa guerra foram os Estados do Sul (Confederados) e os Estados do Norte (União). As causas da guerra podem ser explicadas pela junção de diversos fatores, dentre eles: políticos, econômicos e culturais, todos permeados direta ou indiretamente pela questão da escravidão. Enquanto o Norte desejava manter a União dos Estados e abolir a escravidão, o Sul, por sua vez, lutava para manter a escravidão e se apartar da União. Havia uma expectativa, ainda que remota, de que a Inglaterra e outras nações entrassem na guerra também.

Foi em meio a essa guerra que EGW recebeu as suas visões para “orientar a igreja”. Posteriormente essas visões foram publicadas nos periódicos e livros da igreja, principalmente no livro “Testemunhos para a Igreja” volume 1. Foi em uma destas visões que ela vaticinou a entrada da Inglaterra e de outras nações na guerra.

A INGLATERRA E A GUERRA AMERICANA: CERTEZA OU POSSIBILIDADE?

Para os críticos, as declarações que EGW fez em Testemunhos para a Igreja Vol. 1 a respeito da declaração de guerra da Inglaterra são provas irrefutáveis de que: 1) ela fez uma profecia, e 2) a profecia falhou, já que a Inglaterra NUNCA participou dessa guerra.

Entretanto, os adventistas contestam a primeira afirmação dizendo que EGW jamais fez uma predição sobre a entrada da Inglaterra nesta guerra, antes, tudo não passou de mera especulação.

Sendo assim, Leandro Quadros acusou o pastor Natanael Rinaldi de má fé, pois, segundo ele, Rinaldi citou parcialmente a declaração de Ellen White” e “não moveu uma palha para refutar a explicação que A. B. Christianini deu a essa suposta ‘profecia’.” E conclui: “Dá para perceber a nítida tendenciosidade e a falta de argumentos do articulista.”

Então Quadros passa a contra-argumentar reproduzindo a resposta que Christianini deu lá na década de 60 que é praticamente a mesma usada até hoje por todos os adventistas.

Christianini, numa suposta refutação aos críticos, alega que a declaração de EGW “Foi escrita durante a primeira parte da guerra civil, e apenas expressa condições e temores existentes na ocasião, referindo-se aos movimentos de opinião que agitavam nações de outros continentes, em relação à Inglaterra.” E mais “Bastará uma simples leitura do mesmo para excluir-se qualquer caráter preditivo, pois o contexto mostra claramente que se tratava de uma hipótese, quanto à Inglaterra declarar ou não a guerra. O Parágrafo imediatamente anterior, diz: ‘Se a Inglaterra pensa que poderá fazê-lo [declarar guerra], não hesitará um só momento em alargar suas oportunidades de exercer seu poderio e humilhar a nossa nação.” (Christianini, 1965, pp. 47/8 – grifo nosso)

Entretanto, longe da tendenciosidade, longe de ser falto de argumentos, longe de ter uma atitude mentirosa, como acusa gratuitamente Quadros, veremos que o pastor Natanael tinha boas razões para denunciar essa declaração desastrosa de EGW como mais uma falsa profecia que, diga-se de passagem, os adventistas fazem de tudo para esconder.

Christianini, para limpar a barra de EGW, sai com o argumento de que suas declarações nada mais eram do que a reprodução das opiniões populares da época sobre a guerra. E por mais contraditório que isso possa parecer, cremos que em certo sentido ele estava corretíssimo, porém, ao tentar socorrer sua profetisa partindo desta opinião, ele choca-se com a lógica interna do adventismo e dá um tiro no próprio pé. Sabe por quê?

Porque este argumento colide frontalmente não só com a opinião da própria EGW, mas com as afirmações de outro apologista whiteano, Herbert E. Douglass, que escreveu um livro com mais de 300 páginas para defender sua profetisa.[1] Neste livro Douglass afirma que as declarações de EGW não eram mera opinião de terceiros, mas “revelações divinas”, observe: ela viu claramente os planos secretos por detrás das ditas causas ou objetivos do Norte” e “forneceu à jovem Igreja Adventista do Sétimo Dia contexto e vislumbres adicionais a respeito do terrível conflito e seu iminente custo em vidas e em recursos – uma representação que nenhuma outra pessoa possuía àquela altura (Douglass, 2003, pp. 486/7 – grifo nosso)

Em nenhum momento EGW, nas muitas páginas que dedica em “Testemunhos para a Igreja”, para tratar sobre o assunto da guerra, declara que suas palavras eram meras opiniões de terceiros; ao contrário, repetidamente encontramos a expressão “foi-me mostrado” e seus correlatos[2] como podemos verificar nos fragmentos textuais abaixo relacionados:

 “No dia 4 de Janeiro de 1862, foram-me mostradas algumas coisas com respeito a nossa nação(Testemunhos para a Igreja, p. 264)

“Do modo como essa guerra me foi mostrada, parecia a mais incerta e estranha jamais ocorrida.” (Ibidem, p. 266)

O anjo relator escreve com respeito a eles: “Eis que, para contendas e debates, jejuais e para dardes punhadas impiamente.” (Ibidem, p. 267)

Foi-me mostrado como nossos principais dirigentes trataram os pobres escravos que vieram a eles em busca de proteção. Os anjos registraram esse fato.” (Ibidem, p. 267)

 Foi-me mostrado que se o objetivo dessa guerra tivesse sido eliminar a escravidão, se o Norte o desejasse, a Inglaterra se disporia a ajudar.” (Ibidem, p. 268)

Foi-me mostrado que estão diante de nós terríveis cenas” (Ibidem, p. 272)

Foi-me mostrado que muitos não compreendem a extensão do mal que tem vindo sobre nós.” (Ibidem, p. 274)

“Mais uma vez os habitantes da Terra me foram apresentados (Ibidem, p. 277)

Essa sequência de citações deixa claro que as declarações dela estão baseadas em “revelações divinas”, sobre aquilo que supostamente lhe foi mostrado em visão.

De 1861 a 1862, ela teve três visões específicas sobre os acontecimentos da guerra: a primeira em 12 de janeiro de 1861, outra em 03 de agosto do mesmo ano e, finalmente, em 04 de janeiro de 1862.

Declarações colhidas de outros livros confirmam que ela se enxergava como uma vidente original. Nada de dependência de terceiros como pretendia Christianini. Observe:

“Vocês sabem como o Senhor Se tem manifestado por meio do espírito de profecia. Passado, presente e futuro têm passado perante mim” (Testemunhos para a Igreja Vol. 5, p. 64 – grifo nosso)

 “Nessas cartas que escrevo, nos testemunhos que apresento, coloco diante das pessoas exatamente aquilo que o Senhor me apresentou. Não escrevo um artigo sequer, na revista, expressando meras ideias minhas. Correspondem ao que Deus me revelou em visão — os preciosos raios de luz que brilham do trono.”( Ibidem, p. 67 – grifo nosso)

“Minhas visões foram escritas independentemente de livros ou opiniões de outros(Manuscritos, 1867, p. 27 – grifo nosso)

Para EGW, as visões sobre a guerra civil, eram revelações inéditas da parte de Deus.

Entretanto, para Leandro Quadros e seus amigos, a declaração sobre a entrada da Inglaterra na guerra não passaria de mera possibilidade.

Douglass (2003, p. 487), citado por Quadros, alega o seguinte: “Quando esta frase é lida no contexto, inserida no mesmo parágrafo em que se encontram todas as outras afirmações condicionais a respeito da Inglaterra, o sentido muda de uma predição para uma possibilidade. ‘Se a Inglaterra declarar guerra …’ Na página anterior, Ellen White usou a mesma construção gramatical: ‘Quando nosso país observar o jejum que Deus escolheu, então Ele aceitará suas orações. …’ A Sra. White não estava fazendo uma predição, mas uma afirmação condicional. Este uso do ‘when’ [quando] pelo ‘if’ [se] é prática comum no inglês.”[3]

É claro que essa é uma tergiversação passível de contestação, levando-se em conta a exatidão da linguagem, especificidade e pormenores das visões.

Nas palavras de Douglass: “ela viu claramente os planos secretos por detrás das ditas causas ou objetivos do Norte” , também disse que “registrou por escrito uma constante análise dos motivos e intriga que caracterizavam tanto os líderes sulistas quanto os nortistas.” , depois disso  “teve outra visão que revelava aspectos adicionais das facções pró-escravistas no Norte, até mesmo nos altos escalões do governo.” (pp. 486/7- grifo nosso)

Ora, o Deus que revelou pormenores importantíssimos sobre o Norte e o Sul não saberia revelar exatamente a intenção da Inglaterra com respeito a atacar ou não os EUA? Por que Deus deixou EGW jogar com possibilidades sendo que o autor das visões era supostamente o Deus onisciente que revelou “exatamente” outras coisas sobre a guerra? Seria porque as coisas nacionais concernentes aos dois partidos antagônicos faziam parte do cotidiano do país e as internacionais não eram tão acessíveis assim? É uma grande possibilidade, se partirmos da premissa de que essas supostas visões nada mais eram que o repisar do conhecimento popular da época como insinuou Christianinim nas que a profetisa dos adventistas faz questão de creditar a Deus.

Se as reivindicações que ela fez, linhas acima, fosse verdade, ela teria visto a vitória final do Norte sobre o Sul, teria visto o fim da escravidão, teria visto o sucesso financeiro dos EUA após a guerra, teria vista que a Inglaterra não entraria na guerra, teria previsto a morte de Lincoln antes de acabar a guerra e outros pormenores importantes.

ANÁLISE DO CONTEXTO LITERÁRIO

As declarações que EGW deu sobre a Inglaterra podem ser divididas em duas partes:

1) O que a Inglaterra sabia;

2) O que a Inglaterra faria de posse desse conhecimento.

Segue na íntegra o contexto das declarações que EGW forneceu sobre a Inglaterra.

 “Foi-me mostrado que se o objetivo dessa guerra tivesse sido eliminar a escravidão, se o Norte o desejasse, a Inglaterra se disporia a ajudar. Mas a Inglaterra bem sabe das intenções existentes no governo; e que a guerra não é para acabar com a escravidão, mas somente preservar a União, o que não é de seu interesse […] Esta nação ainda será humilhada até o pó. A Inglaterra está estudando se é melhor tirar proveito da presente condição do país, guerreando contra ele. Examina a questão e sonda outras nações. Teme que, se ela iniciar uma guerra no Exterior, enfraquecer-se-ia e outras nações poderiam tirar proveito da situação. Outros países estão fazendo preparativos silenciosos, todavia diligentes, para a luta armada e esperando que a Inglaterra combata os Estados Unidos, para então terem a oportunidade de vingar-se da exploração e injustiças de que foram vitimas no passado. Uma parte dos países sujeitos à rainha está esperando por uma chance favorável para quebrar seu jugo; mas se a Inglaterra pensar que isso valerá a pena, não vacilará um momento para aumentar as chances de exercer o poder e humilhar nosso país.” (pp. 268/9)

Vamos parar por um momento e verificar o que, segunda ela, a Inglaterra sabia:

1) Sabia do objetivo da guerra que era preservar a escravidão;

2) Sabia das intenções do governo que era manter a União;

3) Sabia dos planos de outras nações que era tirar proveito do “enfraquecimento” da Inglaterra contra os EUA.

De posse desse conhecimento a Inglaterra deveria fazer uma escolha, se era conveniente ou não atacar os EUA, aumentando as chances de “exercer o poder e humilhar” o país.

 É aí que entra a declaração polêmica que para nós se configura em nítida profecia. EGW parece assegurar que a Inglaterra, de posse desse conhecimento, toma a decisão de declarar guerra aos EUA. Veja a continuação do parágrafo:

“Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.”

Por que ela acreditava tão fortemente que a Inglaterra declararia guerra aos EUA? Porque segundo o que Deus lhe “mostrou”, a Inglaterra sabia das péssimas condições nas quais os EUA se encontravam. Observe o que ela diz imediatamente após o trecho citado acima:

“A Inglaterra está familiarizada com a diversidade de sentimentos havidos por aqueles que estão buscando acabar com a rebelião. Ela bem sabe das perplexas condições de nosso governo e olha com expectativa ao prosseguimento da guerra, para a movimentação lenta e ineficiente de nossos exércitos e as nocivas despesas acarretadas ao país. A fraqueza de nosso governo está patente as outras nações” (p. 269)

E para concluir ela profetisa a derrocada final dos EUA nos seguintes termos: “Se o país tivesse permanecido unido, seria forte, mas dividido, tem de desmoronar-se.” (Ibidem, grifo nosso)

Quero abrir um parêntese aqui e evidenciar mais dois erros cometidos pela “profetisa” dos adventistas em suas visões. O primeiro está em dizer que Deus lhe mostrou que a guerra não é para acabar com a escravidão, mas somente preservar a União” (Ibidem, grifo nosso).

Ela repetiu o mesmo pensamento um pouco antes ao dizer: “Milhares foram induzidos a alistar-se com a ideia de que essa guerra era para eliminar a escravidão. Agora, porém, veem que foram enganados e que o objetivo desta guerra não é abolir a escravidão, mas preservá-la exatamente como é.” (p. 265)

Se a “profetisa” adventista tivesse apenas dito que, além da escravidão, também o objetivo era preservar a União, não estaria longe da verdade. Mas ela foi além, argumentou que o objetivo da guerra era SOMENTE preservar a União. Absurdo! A história desmente EGW e aponta que a escravidão foi o principal fator dessa guerra, ainda que estivesse em jogo também preservar a União dos Estados. Aliás, a Carolina do Sul (dezembro de 1860), seguida pela Flórida, Texas, Alabama, Georgia, Mississipi e Louisiana, resolveram romper com a União depois da eleição de Abraham Lincoln em 1860 – um candidato declaradamente abolicionista. A questão política girava em torno de saber se o Governo Federal tinha o direito de regulamentar ou mesmo abolir a escravidão dentro de um Estado individual. A famosa série “A Cabana do Pai Tomás” de Harriet Elizabeth Beecher Stowe, escrita entre 1851 e 1852, alastrou o sentimento abolicionista nos EUA e foi o estopim da guerra nas palavras do próprio Abraham Lincoln. Portanto é um absurdo dizer que o objetivo da União era preservar a escravidão “exatamente como é” (sic).

Como Deus poderia revelar para EGW em visão algo que vai contra os fatos da história? Ora, Deus não é Deus de confusão! (1 Co 14.33) Essa pode ser apropriadamente chamada de a mentira histórica de EGW.[4]

Outro erro cometido pelo deus de EGW foi “revelar” a ela que os EUA seriam humilhados: “Esta nação ainda será humilhada até o pó.” (Ibidem)

Alguém aí do programa “Na Mira da Verdade” pode dizer quando foi que os EUA estiveram humilhados até o pó? Foi durante ou depois da guerra? Não vale apelar para uma pretensa humilhação “espiritual” ou trocar as expressões: “esta” por “talvez” e “ainda” por “quem sabe”, para dar um toque de condicionalidade na coisa. Nem jogar essa profecia para daqui a 50 ou 100 anos. Esses argumentos já estão mais do que manjados! Como dizem por aí “não cola”.

Muito pelo contrário, por causa da guerra (como acontece hoje), os EUA prosperaram a tal ponto que dobraram suas exportações para a Europa e por volta de 1890, já despontavam como a maior potência industrial. Ah, e até hoje a Inglaterra é uma aliada fortíssima dos EUA em praticamente todas as guerras.

Mas, fechando o parêntese, voltemos ao assunto anterior para resumirmos a questão.

A visão que EGW teve mostrava que a Inglaterra atacaria os EUA. As evidências textuais constantes no livro “Testemunhos para a Igreja” nos levam à seguinte conclusão:

1) A Inglaterra tinha conhecimento da situação política e econômica do país;

2) Ela estava estudando as possibilidades de uma possível declaração de guerra: os prós e os contras;

3) Sabendo das condições precárias dos norte-americanos, ela toma uma decisão;

4) EGW afirma que a Inglaterra declarará guerra, seguida por outras nações, então haverá confusão geral;

5) Como consequência da vitória da Inglaterra sobre os EUA, ela havia dito que este seria “humilhado até o pó” e agora tinha de “desmoronar-se”.

Ela chegou a dizer: “Como pode Deus avançar com tal exército corrupto? Como pode Ele, de acordo com Sua honra, derrotar seus inimigos e conduzi-los à vitória?” (p. 370)

A GUERRA DA SECESSÃO COMO SINAL DA VOLTA DE CRISTO

Outro fator que corrobora com nosso ponto de vista de que a expressão “Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.”, era verdadeiramente uma predição sobre a declaração de guerra da Inglaterra, é que EGW via a guerra civil como um sinal do fim dos tempos.

O contexto traz declarações enfáticas e inequívocas de EGW a esse respeito. O fim era esperado para aqueles dias, pois Jesus estava voltando e Deus já estava derramando sua ira. Portanto, o tempo logo findaria. Deixemos que ela mesma fale sobre isso:

“O povo de Deus deve despertar. Suas oportunidades de disseminar a verdade devem ser melhor aproveitadas, pois não durarão muito […] Os sinais da vinda de Cristo são demasiado claros para deles se duvidar […] As cenas da historia terrestre estão em rápido desfecho. Achamo-nos entre os perigos dos últimos dias;” (p. 270 – grifo nosso)

“A seara da Terra esta quase madura(p. 271)

 “olhando, porém, ao mundo, verificaremos que todo o refúgio nos há de faltar em breve, e todo o bem brevemente passará(p. 272)

“e ao espirito das profecias que se estão cumprindo nestes últimos dias.” (p. 272)

“Foi-me mostrado que estão diante de nós terríveis cenas; Satanás e seus anjos estão reunindo todas as suas forças para oprimir o povo de Deus […] Advirto a todos os que professam o nome de Cristo a que se examinem rigorosamente, e façam plena e cabal confissão de todos os seus erros, a fim de que os mesmos vão antecipadamente a juízo, e o anjo relator possa escrever ao lado de seus nomes o perdão.” (p. 272)

“Meu irmão, minha irmã, caso estes preciosos momentos de misericórdia não sejam aproveitados, vocês serão deixados sem desculpa. Se não fizerem especial esforço para despertar, se não manifestarem zelo em arrepender-se, esses áureos momentos em breve passarão.(pp. 272/3)

Mais uma vez os habitantes da Terra me foram apresentados; e novamente tudo se achava na maior confusão. Lutas, guerras e derramamento de sangue juntamente com fome e peste imperavam por toda parte. Outras nações se achavam empenhadas nesta luta e confusão. A guerra ocasionou a fome. A miséria e o derramamento de sangue deram lugar à pestilência” (p. 277)

O texto acima é digno de nota, haja vista ele configurar como desdobramento do primeiro, onde EGW menciona a entrada da Inglaterra e de outras nações na guerra. Esta última declaração parece ser o cumprimento em andamento da guerra que ela há pouco havia profetizado. Não é  mera coincidência que a palavra “confusão” é usada para as duas sentenças, observe: “Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.”

Foi-me apresentada a profecia de Isaias 3 como se aplicando a estes últimos dias; e suas reprovações são feitas às filhas de Sião que só pensam em aparência e exibição. Leia o verso 25: ‘Teus varões cairão a espada, e teus valentes, na peleja.’ Isaías 3:25. Vi que essa escritura será estritamente cumprida.” (p. 279)

  “A importantíssima pergunta que deveria agora ocupar a mente de cada um é: ‘Estou preparado para o dia do Senhor? Posso suportar a penosa prova que esta diante de mim?”’ – (p. 360)

“Pois a escuridão em breve passará e a verdadeira luz brilhará para sempre.” (p. 360)

 A profecia nos mostra que o grande dia de Deus está às portas e se apressa grandemente” – (p.360)

 Tudo está se preparando para o grande dia de Deus. O tempo durará um pouco mais até que os habitantes da Terra tenham enchido a medida de sua iniquidade, e então a ira de Deus, que por tanto tempo tem estado dormitando, se despertará, e esta terra de luz beberá da taça de Sua ira sem mistura. O devastador poder de Deus está sobre a Terra para despedaçar e destruir. Os habitantes da Terra estão destinados à espada, à fome e à pestilência” (p. 367)

Para melhor concatenar as ideias apresentadas, vou resumir todas essas declarações para que o leitor possa confrontá-las com a afirmação de que Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.”

1) A guerra era um sinal claro da volta de Jesus;

2) As profecias dos últimos dias estavam se cumprindo;

3) A expressão “últimos dias” se aplicava àquele contexto;

4) O tempo está curto, apressa-se, breve passará, a terra está quase madura, terá um breve desfecho, etc;

5) O dia de Deus é chegado e Ele derramará as taças com espada, fome e pestilência (isso não lembra Apocalipse cap. 15 e 16?);

6) A Inglaterra e outras nações entrariam na guerra e haveria confusão geral;

7) As pessoas deveriam estar preparadas para o Dia do Senhor e fazer confissões de seus pecados.

Contrariando todas as evidências apresentadas até aqui, Douglass (2003) tenta despistar a questão concluindo equivocadamente que todas as declarações acima citadas dizem respeito não à Guerra Civil Americana, mas ao mundo em geral.  Veja o frágil argumento usado por ele para tentar livrar EGW do malogro profético:

“Ellen White também é acusada de pensar que a Guerra Civil era um sinal de que Jesus estava prestes a voltar do Céu: ‘Os sinais da vinda de Cristo são demasiado claros para deles se duvidar… Todo o Céu está alerta. As cenas da história terrestre estão em rápido desfecho. Achamo-nos entre os perigos dos últimos dias.’11 Em primeiro lugar, esses pensamentos não tratam da Guerra Civil especificamente, mas do mundo em geral. Comentando posteriormente sobre a guerra, ela escreveu: ‘Tudo está se preparando para o grande dia de Deus. O tempo durará um pouco mais até que os habitantes da Terra tenham enchido a medida de sua iniquidade, e então a ira de Deus, que por tanto tempo tem estado dormitando, se despertará, e esta terra de luz beberá da taça de Sua ira sem mistura.’12  (p. 487 – grifo do autor)

 Isso simplesmente não é verdade, pois todas essas declarações estão dentro do contexto da Guerra Civil americana. Sabendo disso, não restou alternativa a não ser utilizar o velho truque de generalizar o que é específico e ampliar, jogando para o futuro, o que é local e imediato.

É bom esclarecer que Douglass selecionou o verso citando apenas a parte que lhe convém. Veja na íntegra o que ela disse e tire suas próprias conclusões:

O povo de Deus deve despertar. Suas oportunidades de disseminar a verdade devem ser melhor aproveitadas, pois não durarão muito […] Os sinais da vinda de Cristo são demasiado claros para deles se duvidar […] As cenas da historia terrestre estão em rápido desfecho. Achamo-nos entre os perigos dos últimos dias;” (p. 270 – grifo nosso)

Ela se coloca entre aqueles que estão nos últimos dias da volta de Jesus quando usa a expressão “achamo-nos”. Diz ainda que neste contexto dos sinais da volta de Jesus que são “demasiadamente claros para deles se duvidar”, deve ser umaoportunidade” para os adventistas “disseminar a verdade”, pois em breve não terão mais oportunidades.

Agora, observe a expressão “terra de luz” usada no final do parágrafo que Douglass citou: “e esta terra de luz beberá da taça de Sua ira sem mistura.”. Esta expressão não pode se referir ao planeta Terra, a uma guerra indefinida no futuro como pretende nos convencer, com muita dificuldade, Douglass. Ao contrário, a expressão aponta inequivocamente para a terra onde ela estava – os EUA. Em outro lugar ela usa a mesmíssima expressão para referir-se à sua localidade – os EUA:  Nesta terra de luz se aprecia um sistema que permite que uma parte da família humana escravize outra, rebaixando milhões de seres humanos ao nível dos animais.” (p. 268 – grifo nosso)

Outro pormenor que não pode passar despercebido é o fato de que, pelo menos indiretamente, outros religiosos contemporâneos de EGW viam a guerra como um sinal da volta de Jesus, por exemplo, os mórmons. Muitos desconhecem, mas o tão conhecido hino evangélico “Vencendo vem Jesus” é uma versão do hino “Battle Hymn Of The Republic” (Hino de Batalha da República) feito durante essa guerra, cuja letra original traz a seguinte mensagem escatológica:

Meus olhos viram a glória

Da vinda do Senhor

Ele está passando sobre as colheitas de vinho

Onde as uvas de fúria estão armazenadas

Ele liberou a luz fatal

Da Sua terrível e rápida espada

A verdade Dele está marchando

Glória, Glória, Aleluia

Glória, Glória, Aleluia

Glória, Glória, Aleluia

A verdade Dele está marchando

A verdade Dele está marchando

Não há por onde fugir, as declarações são claras, inequívocas. Ela acreditava que quando a Inglaterra atacasse os EUA, outras nações entrariam na guerra, alastrando-se a peleja a partir das terras norte-americanas para todo o mundo, causando “confusão total”. Para ela (e alguns de seus contemporâneos) isso era um sinal evidente da volta de Jesus e do fim do mundo para aquela época. Quando os textos são colocados juntos, dentro do contexto verdadeiro, não há como negar. As evidências são fortes o bastante e depõem contra qualquer tentativa pueril de defesa. Portanto, não há necessidade de interpretações mais sofisticadas; os textos falam por si.

Mas por que EGW acreditava que a Inglaterra e outras nações entrariam na guerra? Simplesmente porque todos sabiam que a Inglaterra, a França e o Canadá (colônia da Grã Bretanha) eram parceiros comerciais dos Estados Confederados do Sul, portanto, dependentes destes. Havia uma desconfiança de que os Confederados pressionariam a política externa forçando-os a entrarem na guerra contra o Norte. Houve até um mal-estar internacional entre a Inglaterra e a União, quando esta descobriu que aquela estava dando apoio tecnológico ao fabricar dois navios de guerra para o Sul. A Inglaterra então se dispôs à mediação diplomática, mas nem ela e nem outro país reconheceram a independência do Sul e não entraram na guerra.

A suspeita da entrada da Inglaterra na guerra ao lado do Sul, junto com outros países aliados, era facilmente deduzível a partir do conhecimento político-econômico.

No frigir dos ovos, o que Ellen White fez foi uma predição apostando nas especulações políticas da época, caso típico de “profeta do óbvio”.

Mas isso parece não incomodar seus defensores, porque o mais importante é dizer algo a favor de EGW.

ANÁLISE DO ARGUMENTO GRAMATICAL

“Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.”

Como vimos, os adventistas dizem que a predição na verdade era mera possibilidade. A frase deveria ser lida assim: “Se a Inglaterra declarar guerra”.

O truque é simples: consiste basicamente em confundir os mais incautos usando a tática da generalização apressada: apanham-se textos claramente condicionais, misturando-os com um trecho não condicional, até diluir e transformar tudo num contexto homogêneo. Para reforçar ainda mais a falácia, transformaram “Quando” em “Se”. Observe novamente o argumento gramatical usado por Douglass: “A Sra. White não estava fazendo uma predição, mas uma afirmação condicional. Este uso do when [quando] pelo if [se] é prática comum no inglês.”

Para provar a troca do “quando” pelo “se”, citam outro parágrafo onde ela diz: Quando nosso país observar o jejum que Deus escolheu, então Ele aceitará suas orações…”. Dizem que aqui a palavra “quando” está sendo usada no lugar do “se”: deveria ser lido então “Se nosso país observar o jejum…”. Rapidamente fizeram com que esta fosse sinônima daquela. É claro que isto é uma conversão indevida!

É bom ressaltar que essa interpretação dada pelos seus defensores é totalmente a posteriori.  Ela não saiu da pena de EGW, que teve praticamente quatro anos (1861-1865) para desfazer o mal-entendido gramatical.

Se EGW tivesse a intenção de condicionar sua frase sobre uma “possibilidade” da Inglaterra declarar guerra, ela teria usado uma das conjunções subordinativas condicionais, tais como: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc. Como ela usou, por exemplo, no mesmo contexto ao dizer: Se o país tivesse permanecido unido, seria forte, mas dividido, tem de desmoronar-se.” (Testemunhos para a Igreja, Vol. 1, p. 269 – grifo nosso)

A frase acima é inequivocamente condicional, não há como titubear. Mas quanto à Inglaterra não, ela usou conscientemente a palavra “quando”, uma conjunção subordinativa temporal. A conjunção aponta para o tempo futuro, por isso toda a estrutura gramatical da frase é construída assim: “haverá guerra”.

Concordo que no inglês é possível trocar o when [quando] pelo if [se], mas isso é uma mera possibilidade. Não quer dizer que ela o tenha feito.

Já vimos que uma leitura do contexto, desprovida de preconceito, corrobora com nosso ponto de vista gramatical. Senão, vejamos: ela cria que a Inglaterra, de posse de algumas informações privilegiadas, tomaria a decisão de atacar os EUA, vendo que este havia se enfraquecido. Neste instante outras nações também entrariam na batalha e haveria guerra e confusão total. Ela também cria que a guerra era um dos sinais evidentes da volta de Jesus; que estavam em pleno cumprimento as pragas do Apocalipse, que Deus estava selando o seu povo e que restava pouco tempo para o fim.

É óbvio que a crença no fim dos tempos levaria à predição de uma guerra geral com a participação da Inglaterra.  Para não restar dúvidas ela utiliza expressões tecnicamente escatológicas, veja:

No tempo de angústia e perplexidade das nações, haverá muitos que não se entregaram inteiramente às influencias corruptoras do mundo e ao serviço de Satanás, os quais se humilharão perante Deus, e a Ele se volverão de todo o coração, e serão aceitos e perdoados” (Testemunhos para a Igreja, Vol. 1, p. 278)

Agora, compare o que ela disse com este versículo bíblico que fala sobre o fim dos tempos: E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem. E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados. Então verão vir o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória. Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima.” (Lucas 21. 24-28)

Voltando à questão gramatical, é certo que ela usou em outras obras uma estrutura gramatical semelhante. Observe nas frases abaixo como a palavra “quando” é conscientemente utilizada para apontar um cumprimento profético futuro:

Quando as nações se reunirem diante dEle, não haverá senão duas classes, e seu destino eterno será determinado pelo que houverem feito ou negligenciado fazer por Ele na pessoa dos pobres e sofredores. (O Desejado de Todas as Nações, p. 560 – grifo nosso)

“Mas quando for expedido o decreto que impõe o sábado espúrio, e o alto clamor do terceiro anjo advertir os homens contra a adoração da besta e de sua imagem, será traçada com clareza a linha divisória entre o falso e o verdadeiro.” (Evangelismo, p. 234 – grifo nosso)

“Quando, porém, a observância do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido relativamente à obrigação do verdadeiro sábado, quem então transgredir o mandamento de Deus para obedecer a um preceito que não tem maior autoridade que a de Roma, honrará desta maneira o papado mais do que a Deus. Prestará homenagem a Roma, ao poder que impõe a instituição que Roma ordenou. Adorará a besta e a sua imagem.” (O Grande Conflito, p. 449 – grifo nosso)

Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apoie as instituições, a América do Norte protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a aplicação de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável.” (O Grande Conflito, p. 388 – grifo nosso)

Será que os adventistas aceitariam uma troca do when [quando] pelo if [se] nestas frases?

Outro argumento utilizado para dar certa credibilidade para a troca gramatical é citar a frase que se encontra no contexto: Quando nosso país observar o jejum que Deus escolheu, então Ele aceitará suas orações…”. Dizem que as duas frases são semelhantes, e se aqui EGW usa a conjunção de forma condicional, logo a conjunção sobre a Inglaterra também é condicional.

Vamos dar crédito por um momento ao argumento adventista sobre a condicionalidade da frase. Mesmo que assim fosse, não advém necessariamente daí que a frase sobre a Inglaterra também seja. Isso é mera suposição!

Todavia, se a conjunção aqui também não for condicional, mas temporal, então a frase sobre a predição quanto à Inglaterra ganha mais força ainda e temos boas razões para acreditar nisso.

Segundo os historiadores adventistas, nessa época os chamados pioneiros criaram uma campanha de jejum e oração com propósitos diferentes dos solicitados pelo presidente Lincoln dois anos antes.[5] Enquanto o presidente pedia que as igrejas jejuassem e orassem para o arrependimento da nação, os adventistas faziam seus jejuns para o término da guerra, muito por conta de interesses puramente financeiros. Mas isso já é outra história… Observe:

“Muitas foram as orações sinceras que ascenderam em favor da nação. Os dias 11 de fevereiro e 1-4 de março de 1865 foram designados como dias de jejum e oração. Poucas semanas depois desse tempo chegava a almejada notícia de que a guerra terminara.” (Ema E. Howell. Grande Movimento Adventista, CPB, p. 152 – grifo nosso)

Se o fato acima estiver se referindo ao jejum e a oração que Deus supostamente escolheu, então a conjunção na frase “Quando nosso país observar o jejum que Deus escolheu, então Ele aceitará suas orações…” deve ser encarada não como condicional, mas como temporal, projetando a questão para o futuro, transformando-se em predição.

A dedução não é difícil: Deus não estava aceitando as orações e os jejuns dos cristãos sobre a guerra, mas haveria um tempo em que Deus aceitaria o (verdadeiro) jejum e oração. Para isso os adventistas lançaram uma campanha de jejum e oração para o término da guerra. É possível que na concepção deles este (o jejum adventista) fosse o que Deus escolheu e a oração que Ele aceitara.

Seja como for, o caso é que nenhuma das duas possíveis interpretações desta frase sobre o jejum e a oração dá base para sustentar o argumento sobre a condicionalidade em relação à entrada da Inglaterra na guerra.

Pense bem, uma pessoa que abandona os estudos aos nove anos de idade terá a capacidade de argumentar gramaticalmente como os adventistas estão fazendo, tentando justificar a falsa profecia da Guerra da Secessão nos Estados Unidos?
Sabemos que o esposo dela (Thiago White) e suas secretárias, corrigiam as partes gramaticais. Observe o que diz um importante periódico adventista:

Nossa dificuldade repousa especialmente sobre dois pontos. Um é a infalibilidade e o outro é a inspiração verbal [dos escritos de Ellen White]. Acho que o irmão Thiago White previu as dificuldades lá atrás, no início. Ele sabia que a ajudou [Ellen White] a escrever os testemunhos, e que os tornou claros e gramaticalmente corretos…Ele [Thiago White] sabia que estava fazendo o que era certo […] Ele sabia que as secretárias que eles [Thiago e Ellen] contrataram tomaram [os testemunhos] e os puseram em condições gramaticais, transpuseram sentenças, completaram sentenças, e usaram palavras que a própria irmã White não escreveu em sua cópia original. Ele ainda viu que alguns irmãos que não sabiam disso, e que tinham grande confiança nos testemunhos, creem e ensinam que estas palavras bem como os pensamentos foram dados à irmã White…” (Spectrum,Vol.10, Nº1,p.50,51 [maio de 1979])

Ela mesma desmente seus pretensos defensores  ao afirmar em carta o seguinte:

“A ajuda do Espírito na escolha de palavras apropriadas — Estou procurando captar as próprias palavras e expressões que foram feitas no tocante a este assunto, e, quando minha pena hesita por um momento, me vêm à mente as palavras apropriadas. — Carta 123, 1904. [52] Ao escrever estes preciosos livros, se eu hesitava, me era dada a própria palavra de que necessitava para expressar a idéia. — Carta 265, 1907. Escolhendo cuidadosamente as palavras — Estou muitíssimo ansiosa de usar palavras que não dêem ensejo para que alguém mantenha sentimentos errôneos. Preciso usar palavras que não sejam tomadas em mau sentido, atribuindo-se-lhes um significado oposto àquilo que tencionavam indicar. — Manuscrito 126, 1905.” (Mensagem Escolhidas 3, 2007, p.52)

Conclusão

 Nenhuma das predições que EGW fez a respeito da guerra se confirmou, pois, ao contrário do que ela disse, o pivô da guerra foi de fato a escravidão; preservar a União era consequência da controvérsia e não o único objetivo da guerra como ela afirmou; a Inglaterra NUNCA entrou na guerra e muito menos outras nações; Jesus não voltou e o fim não chegou como acreditava EGW; a abolição se espalhou por todo o EUA e não permaneceu como “exatamente era”.

Portanto, diante das evidências factuais expostas até aqui, concluímos que o saudoso pastor Natanael Rinaldi estava certo: EGW continua sendo a profetisa que falhou – também sobre a Guerra Civil. E, Leandro, você falhou novamente!

[1] DOUGLASS, Herbert Edgar. Mensageira do Senhor: o ministério profético de Ellen G. White. 3ª. Edição. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2003. Um livro escrito com o objetivo de defender Ellen G. White da acusação dos críticos. Douglass é um ardoroso defensor de EGW. Ele chegou a escrever um livro inteiro para “provar” a veracidade das profecias de EGW. Ele faz a introdução do capítulo que fala sobre a “profecia” sobre a guerra civil da seguinte maneira: “Las visiones de Elena de White sobre la Guerra Civil Estadounidense constituyeron, talvez, las más chocantes de sus muchas predicciones. Estas visiones ciertamente fueron las más dramáticas e impresionantes vislumbres del futuro que Dios le diera, dadas las horribles calamidades que tan rapidamente validaron sus predicciones, hechas muchos meses antes de que alguien más pudiera predecir lo que ella vio en visión.” (Douglass, Herbert Edgar. Profecías dramáticas de Elena G. de White : acontecimientos históricos predichos divinamente. 1ª ed. – Florida : Asociación Casa Editora Sudamericana, 2009, p. 9)

[2] “Através dos anos, a Sra. White usou as expressões ‘vi’ e ‘foi-me mostrado’ quando relatava seus sonhos ou visões.” (Douglass, 2003, p.175)

[3] Em 2007 ele lançou o livro Dramatic Prophecies of Ellen White, onde selecionou algumas supostas predições de Ellen G. White com o objetivo de “provar” a validade de suas predições. Ele parece ver a questão da guerra civil americana como uma predição muito importante, pois dá destaque a ela na contracapa do livro chamando-a de “Uma predição surpreendente”. Entretanto Douglass não mencionou a parte sobre a Inglaterra e outras declarações polêmicas de sua “profetisa”.

[4] É alegado que ela estaria falando sobre a permissão da escravidão que a União tolerou nos Estados recém-formados como, por exemplo, o Arkansas. Todavia, desde 1850 havia uma lei dando opção aos novos Estados a decidirem sobre a permissão ou a proibição da escravidão. O Partido Republicano do Norte era terminantemente contra expandir a escravidão pelos EUA.

[5] Proclamação de Lincoln – “Considerando que, é dever das nações, bem como dos homens, ter obrigações de dependência para com o poder dominante de Deus, confessar os seus pecados e transgressões, em humilde contrição, ainda que com a esperança certa de que o arrependimento genuíno levará à misericórdia e perdão, e reconhecer a sublime verdade anunciada nas Sagradas Escrituras e comprovada por toda a história, de que só são abençoadas as nações cujo Deus é o Senhor […] Convém-nos, então, humilharmo-nos perante a Divindade ofendida, confessarmos os nossos pecados nacionais, e orarmos ao Deus que nos criou. Agora, portanto, em conformidade com a petição, e totalmente concordando com os pontos de vista do Senado, eu, com esta minha proclamação, designo e distingo a Quinta-feira, dia 30 de Abril de 1863, como um dia Nacional de Humilhação, Jejum e Oração.”-  Proclamado na cidade de Washington no dia 30 de Março, no ano de Nosso Senhor de 1863. Assinado / Abraham Lincoln.

 


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