Esqueceu a senha?

Entrevista com Jerry Walls

por Artigo compilado - seg out 26, 2:43 pm

Jerry Walls

Jerry Walls – Conversa sobre “Arminianismo no Brasil”

Wesleyan Accent: Você recentemente esteve na América do Sul para palestrar em uma conferência sobre arminianismo. Talvez minha visão do Brasil seja grandemente formada por seu alcance no turismo, mas Jacó Armínio é popular no Rio?

Jerry Walls: Sim, fui convidado pela Editora Reflexão, que publicou a tradução do livro que escrevi juntamente com Joe Dongell, Por que não sou calvinista, para fazer uma série de palestras pelo Brasil em agosto passado. Falei nove vezes em oito dias em cinco cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá, Natal e Recife. A semana terminou com a Conferencia sobre Teologia Arminiana, na qual eu fui o palestrante. A conferência foi a primeira do que os organizadores esperam que seja um evento anual. E Armínio realmente tem um crescente fã clube no Brasil, conforme descobri há poucos anos. Há um grupo de discussão no Facebook chamado “Arminianismo” que tem mais de 7.300 membros. A comunidade arminiana brasileira é tanto bem informada quanto vigorosa e enérgica.

WA: Qual foi sua noção da dinâmica de se “tentar” realizar uma conferência sobre Armínio para cristãos no Brasil? A perspectiva de alguns pode ser a de que o país seja amplamente católico.

JW: Bem, o Brasil certamente é tradicionalmente um pais católico romano, mas isso está mudando rapidamente. As estimativas variam, mas o Brasil conta agora com aproximadamente 25% ou mais de protestantes, a grande maioria dos quais é pentecostal de algum tipo, principalmente da igreja Assembleia de Deus. Cerca de 65% dos brasileiros ainda é católico romano, mas a grande maioria dos católicos é nominal. Portanto, em realidade, entre os brasileiros que levam a fé a sério, há provavelmente mais protestantes evangélicos do que católicos romanos.

O pentecostalismo, claro, é oriundo dos movimentos wesleyanos e de santidade, portanto, a teologia pentecostal é naturalmente armínio-wesleyana em termos de seus instintos. Contudo, os calvinistas estão ativos na publicação de livros em português, então eles parecem estar fazendo incursões no pentecostalismo brasileiro. Um dos lugares em que palestrei foi um seminário das Assembleias de Deus, e a livraria do seminário tinha mais livros sérios de calvinistas do que livros de arminianos.
A boa notícia é que a comunidade arminiana nos últimos anos tem trabalhado arduamente no sentido de ter obras arminianas de peso traduzidas e publicadas em português. A Editora Reflexão, em especial com o encorajamento de Wellington Mariano, que foi um dos tradutores de nosso livro, tem aberto o caminho na publicação de obras arminianas relevantes. Enquanto estive no país, eles lançaram a tradução em português da biografia de Armínio escrita por Carl Bangs. As Obras de Armínio também foram lançadas por outra editora.
Portanto, em síntese, eu me envolvi quando eles publicaram Por que não sou calvinista, e um número de pessoas no Brasil também descobriu meu vários vídeos no YouTube criticando o calvinismo. Uma vez que isso aconteceu eu comecei a receber vários pedidos de “amizade” no Facebook de brasileiros! Portanto, todos estes fatores me levaram a ser convidado para palestrar no Brasil.

WA: Como você descreve o clima no Brasil em termos de interesse na intersecção da teologia e filosofia da religião?

JW: É difícil dizer, mas um dos lugares que palestrei foi uma das maiores livrarias [evangélicas] do Brasil, e um grupo de pessoas no evento conversou comigo acerca de questões apologéticas e filosóficas. Também é digno de nota que Richard Swinburne, o grande filósofo de Oxford da área de religião, recentemente palestrou em algumas cidades brasileiras. Então, há certamente um interesse em filosofia e apologética.

WA: Para você como um metodista, quando você viaja pelo mundo, o que você observa acerca da ponte do apelo da noção de livre-arbítrio e o apelo da teologia wesleyana?

JW: Penso que o principal apelo da teologia wesleyana é que ela fortemente afirma um Deus que é verdadeiramente bom e que sinceramente ama a todas as pessoas. Deus não determina, ele concede força, ele capacita, encoraja. E a mensagem de que Deus nos ama e quer nos capacitar a amá-lo de volta, assim como amar uns aos outros, é uma mensagem de grande esperança. Ninguém é “ignorado” ou determinado por Deus para a miséria ou condenação eterna. Pelo contrário, há esperança para todos, e os recursos da graça estão disponíveis para transformar mesmo aqueles que, aos nossos olhos, parecem mais sem esperança.

WA: O apelo multicultural de Por que não sou calvinista escrito por você e o Dr. Joe Dongell te surpreendeu? Por que acha que ele tem ganhado cada vez mais interesse?

JW: Bem, a questão do calvinismo não irá desparecer em um futuro próximo. Ao passo que movimentos evangélicos como os do Brasil crescem para alcançar maturidade teológica, eles precisarão definir suas convicções teológicas de maneira mais clara e explícita. E como observei acima, os calvinistas estão tentando persuadir os pentecostais de que o calvinismo é a teologia que eles devem adotar. A propósito, recentemente eu fiquei surpreso de ver um estudo do Grupo Barna que apontou que 31% dos pastores pentecostais nos Estados Unidos se identificaram como “Reformados” em comparação com os apenas 27% deles que se identificaram como wesleyanos/arminianos. Eu duvido que estes 31% sejam calvinistas puro-sangue, mas ainda assim é impressionante que tantos deles façam uso do rótulo Reformado.

WA: O que mais te surpreendeu acerca de sua visita ao Brasil?

JW: Eu diria que foi ver o grande número de livros calvinistas nas duas maiores livrarias que visitei.

WA: Por que você acha que o distintivo armínio-wesleyano ainda é muito potente e crescente em todo o mundo?

JW: Além do que eu disse acima, o cristianismo armínio-wesleyano está florescendo na forma de pentecostalismo. A teologia pentecostal representa o dinamismo dos primeiros movimentos wesleyanos e de santidade, particularmente com sua ênfase na realidade de um Deus que está ativamente presente em nossas vidas, nos guiando, falando conosco, nos confortando, nos curando e assim por diante.

A vida é certamente difícil para muitas pessoas em lugares ao redor do mundo onde o cristianismo pentecostal está crescendo rapidamente. É a realidade dinâmica de um Deus que se preocupa conosco e está ativamente presente conosco, que nos concede poder para viver cheio de esperança, independente das circunstâncias difíceis. O cristianismo wesleyano precisa recapturar, ou melhor, ser recapturado por essa espécie de dinamismo.

Extraído do Facebook via Wellington Mariano em 26/10/2015


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

Deixe seu comentário

Advertisement