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Entrevista com o Pr Natanael Rinaldi em 2006

Entrevista com o Pr Natanael Rinaldi a Revista Resposta Fiel em 2006

O pastor Natanael Rinaldi, 78 anos, é sem dúvida um dos maiores apologistas cristãos brasileiros. É impossível falar de apologética cristã-evangélica em nosso país sem se lembrar de Esequias Soares. Paulo Romeiro e Rinaldi, o mais antigo dos três, inclusive na labuta apologética.

Mesmo há mais de 30 anos envolvido com apologética, Rinaldi conta que só teve o privilégio de se dedicar totalmente a essa área em 1983, ano em que foi fundado no Brasil o Instituto Cristão de Pesqui­sas (ICP), braço do Christian Research Instituto, dos Estados Unidos. Rinaldi esteve no ICP desde a primeira equipe, formada em 1983. No final dos anos 90, liderou por quatro anos o Instituto, antes de sair de lá. Mas as ativida­des apologéticas continuam.

Casado com Paulina Camargo Rinaldi e pai de três filhos, ele também é um dos fundadores da Igreja Evangélica da Paz em Santos (SP), a qual liderou por oito anos. A igreja hoje é liderada por um de seus filhos. Sua nova paixão é o programa diário Consultando a Bíblia, de duas horas e meia de duração, na Rádio Life FM 89.3, em Santos, onde continua fazendo apologética com a mesma intensi­dade de décadas atrás.

Nesta entrevista, Rinaldi fala sobre sua dedicação por apologia e os principais desvios doutrinários no Brasil nos últimos anos.

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RF Quando o senhor começou a tra­balhar como apologista?

NR Comecei a trabalhar intensamen­te na área de apologia em 1983, quando o Instituto Cristão de Pesqui­sas chegou ao Brasil. O primeiro es­critório foi aberto em São Paulo, e na época participei como secretário. Fui presidente do ICP por quatro anos. Hoje, estou em Santos. Mas, antes do ICP, eu já fazia apolégita par­ticularmente. Anos antes, já vivia es­tudando, debatendo com adventistas, mórmons, testemunhas de jeová e espíritas, toda essa gama de seitas.

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RF Qual a área em que o senhor se considera mais especializado?

NR No adventismo. O que me obrigou a estudar esse grupo religioso foi o fato de, como dirigente de igreja, ficar in­comodado com as visitas de adven­tistas nas casas dos crentes. Havia até alguns crentes que, por desconheci­mento, convidavam os adventistas para debater com eles e depois me chamavam para participar. Então, pre­cisei aprofundar-me no estudo do adventismo. Aliás, mesmo depois de tantos anos, até hoje estudo o adven­tismo. Depois, com o tempo, passei a estudar as testemunhas de jeová, em seguida o espiritismo e mais tarde os mórmons. Hoje, posso dizer que te­nho conhecimento sobre quase todas as seitas. E continuo fazendo apolo­gética. Tenho um programa de rádio diário, de duas horas e meia na Rá­dio Life, em Santos. O nome do pro­grama é Consultando a Bíblia. Nele, esclareço questões doutrinárias e res­pondo a perguntas sobre seitas.

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RF Alguns críticos dizem que, porque o novo sempre assusta, os apologistas deveriam ser mais precavidos ao ana­lisar modismos. O senhor concorda com isso?

NR Não. Para esclarecer isso, é preci­so diferenciarmos os modismos na área de costumes dos da área doutrinária. Cada igreja tem sua forma de agir. Como afirma o pastor Antonio Gilber­to (consultor doutrinário da CPAD), o modismo ou costume é local e tempo­rário, não é algo permanente. Por isso, cada igreja tem sua forma cultural de atuar. Não prendo-me aos modismos de costumes. Agora, a doutrina é per­manente, geral, universal. Por isso, de­vemos nos apegar ao estudo das dou­trinas fundamentais da Bíblia e defendê-las. Os modismos teológicos não têm nada de novo e são práticas supersticiosas. Por exemplo: a busca de bênçãos pelo azeite do Monte das Oli­veiras, a água do Rio Jordão, a Foguei­ra Santa de Israel no Monte Sinai, a trombeta de Jerico, a areia da praia da Galiléia, a varinha de Jacó, o túnel do amor, a pulserinha, a unção de rou­pas, o tapete ungido, o uso de enxo­fre, a aliança ungida, a corrente da meia-noite, a corrente dos setenta após­tolos, a corrente dos filhos de Deus, a corrente da família sagrada, a corrente da libertação, a corrente das grande­zas de Deus, que são tidas como chamativas de riquezas; a corrente do encontro com Deus etc. Isso tudo aí já são práticas ocultistas que entram na igreja disfarçadamente. É uma supersti­ção camuflada. Esse é um problema muito sério! É uma calamidade, por­que é uma repetição do princípio das indulgências na Idade Média. “Você quer alcançar um favor de Deus’? Vai ter que pagar por ele!” Quanto maior o sacrifício, maior é a bênção.

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RF O que provoca esse fenômeno do modismo teológico?

NR Há uma ansiedade por despertamento e avivamento. Então, à medida que chegam as novidades vindas da outra América, elas são logo aceitas aqui, sem filtro. Quando chegam es­ses pastores dos EUA com seus mo­dismos, fazem aquelas reuniões com líderes, congregam a maioria dos pas­tores locais e aí, para espalhar isso, é como fogo, porque cada pastor leva a novidade para sua igreja e tudo se es­palha. Eu costumo ler sempre o jornal Mensageiro da Paz. Em uma edição de 1997, o MP publicou um excelente artigo que tem o título Ecos contra a nova unção, onde diz que “em sua forma de pregar e dirigir cultos, os movimentos estranhos, as inovações, o artificialismo e todas essas técnicas importadas da outra América são erroneamente interpretadas como sinô­nimo de avivamento, poder e autori­dade de Deus, deixando uma herança negativa e satânica para os jovens bra­sileiros, que representam a continui­dade da direção da igreja no Brasil”. Isso é uma verdade que me choca. Não é questão apenas de modismo, mas são cultos estranhos que vêm sendo realizados, pregando quebra de mal­dição, o poder do assopro, as danças espirituais. Até igrejas tradicionais es­tão se deixando levar por isso! Mor­mente esse caso do G12. O G12 é es­cabroso! O que tem provocado de divisões na igreja é alarmante, tanto em igrejas tradicionais no pentecostalismo como nas igrejas históricas. Há igrejas se quebrando ao meio!

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RF Dentre os modismos citados, quais o senhor destacaria, além do G12, como os que provocaram mais mal a igreja brasileira nos últimos anos?

NR A Teologia da Prosperidade. Há dois erros básicos nela. Primeiro, a ideia de que uma das características do crente de bem com Deus deve ser a riqueza material. Segundo, o crente de bem com Deus não pode ter enfermidade. Quer dizer: qual­quer tipo de doença que um crente tenha é maldição, e ser pobre ou é falta de fé ou é maldição. O pior de tudo é que os pregadores desse tipo de doutrina a propagam pela televi­são e o rádio, e muitos crentes acabam sendo envolvidos. Até a cristologia é comprometida por essa doutrina. Ora, como é que você pode, à luz da Bíblia Sagrada, dizer que Jesus era rico, que andava em uma espécie de Cadilac da época, usava roupas finas etc? E essa histó­ria de dizer que Jesus pagou o preço de nossa Redenção no inferno a Sa­tanás, e não na cruz? Colossenses 2.14 diz o contrário. Outros ainda dizem que Jesus tinha uma natureza peca­minosa e teria morrido espiritualmen­te. Com essa Teologia, não o glorifi­cam como Deus verdadeiro e para­lelamente pregam a deidade do ho­mem, o homem como um deus. São doutrinas fundamentais da Bíblia Sa­grada que estão sendo atacadas! É uma heresia de perdição pregar que a nossa Redenção foi paga a Sata­nás, quando Efésios 5.2 diz que Ele a pagou a Deus, o Pai!

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RF Até onde é bíblica a cura interior?

NR Em uma edição da antiga revista Seara (CPAD), de janeiro de 1999, li um artigo do pastor da Assembleia de Deus em Curitiba, José Pimentel de Carvalho, que tem como título Ves­tígios da alma sobre a cura interior. Ele diz nesse texto algo que concor­do plenamente: “O que está sendo ensinado hoje como cura interior é uma forma cristianizada da alquimia mental, que é o próprio centro do xamanismo, isto é, feitiçaria pura”. Ele cita Filipenses 3-13-14, quando o apóstolo Paulo diz “esquecendo-me das coisas que para trás ficam”. Ora, quando a pessoa aceita Cristo, é uma nova criatura, as coisas velhas pas­saram (2Co 5.17). Mas o que vemos hoje é a maldição hereditária. Quem defende isso cita Êxodo 20:5, quan­do Deus diz “visito a maldade dos pais e dos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborre­cem”. Nem nesse particular os adep­tos dessa cura interior atentam! Eles não observam que o texto diz “da­queles que me aborrecem”. Ora, nós aborrecíamos a Deus com as nossas práticas, mas agora somos novas cri­aturas, somos filhos adotivos de Deus e, portanto, não temos mais essa con­dição de aborrecermos a Deus com nossas práticas. Abandonamos a fei­tiçaria e a idolatria, então como é que se pode admitir que ainda hoje um crente que nasceu de novo, abando­nou todas as práticas do passado, tenha a necessidade de quebrar mal­dições? E ainda mais fazer regressão hipnótica para apagar um erro do passado? O manual de instrução des­ses encontros do G12, por exemplo, que aderem a isso, declara que pre­cisamos perdoar até Deus! Isso é um absurdo! De criatura passamos a cri­ador! Jesus ensinou o contrário na Oração do Pai Nosso: “…perdoa as nossas dividas”. Mas estão inverten­do: estão perdoando a Deus!

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RF Que conselho o senhor deixaria para os apologistas de hoje?

NR Há uma frase que costumo repetir: “Estamos fazendo pela verdade o que as seitas fazem pela mentira”. Infeliz­mente, muitos estão adotando a teoria de Gamaliel. Dizem: “Deixa crescer, não se importe com eles, nossa missão é pregar o Evangelho”. O conselho de Gamaliel, em Atos 5, deve ter outro sentido para nós hoje. Se você tem uma Bíblia, e a Bíblia é a Palavra de Deus, e encontra uma pessoa que nega a dei­dade absoluta de Jesus e fala que Jesus é o arcanjo Miguel, você vai ficar passi­vo, deixar ele ensinar isso porque Deus depois vai acabar com isso? Ora, você tem uma base bíblica para poder refu­tar, então não pode ficar simplesmente passivo e deixar o negócio como está! Tem que agir e amar a verdade como eles se apegam à mentira. Precisamos estar preparados.

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FONTE: REVISTA “RESPOSTA FIEL” ANO 5 – N° 19

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