ENTREVISTA COM O PR.
JOÃO FLÁVIO MARTINEZ SOBRE O G-12
Entrevista Eleborada Pelo Jornalista Joel Silva da Revista ENFOQUE
GOSPEL
“Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo”. II Cor. 11:3.
E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se
disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se
disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.
II Cor. 11:14-15
1)
O
senhor ainda é presidente do CACP? A qual igreja pertence?
Sim, eu ainda sou o
presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas. Pertenço à Igreja
Batista.
2) Como o senhor define o G-12?
Seria uma adaptação
do movimento em células do Pr. David Y. Cho.
O G-12 carrega em seu bojo muitas doutrinas
controvertidas e nada ortodoxas, e isso para mim é um problema sério. Diante
disso, poderíamos definir esse movimento como um movimento cheio de boas
intenções, entretanto não podemos nos esquecer que de boas intenções
o inferno está cheio!
3) O G-12 é um movimento neopentecostal ou uma heresia?
Aí que está a
problemática! Eu diria que isso depende de quem pratica o estilo em células,
pois tudo depende da adequação do modelo. Conheço muitas
igrejas que possuem o sistema em células e até o chamam de G-12, mas que na
íntegra se parecem muito com o movimento coreano e é muito ortodoxo e bíblico.
Agora, há outros que, segundo informações que nos foram passadas, fazem
absurdos: sessão espírita - estilo regressão espiritual; pedem perdão pelos
entes mortos da família; praticam o auto flagelo;
matam galinha e usam o sangue para fazer expiação; praticam o encontro
denominado "tremendo" e "secreto"; fazem certas unções bem
engraçadas, como - "unção peniana" e "unção vaginal";
soltam rojões para impressionar as pessoas que estão enclausuradas nos
encontros; usam cruzes enormes... Enfim, são essas coisas que realmente fogem
completamente da ortodoxia cristã e adentram para a heresia!
Entretanto, o
trabalho de grupos familiares, em si, é bíblico e, como já foi provado pelo Pr.
Cho, poder ser praticado com ordem e decência.
4) Há igrejas em sua denominação que
aderiu o G-12?
Não que eu saiba,
mas nossa sede está implantando um modelo em células, estilo do Pr. Warren,
autor do Livro “Igreja com Propósito”. As demais igrejas, se o movimento
der certo em nossa sede, receberá o modelo para ser implantado em cada
localidade. Acreditamos que isso será uma benção de crescimento espiritual para
nossa denominação!
5) O senhor concorda com este modelo?
Bem, jamais
concordarei com um modelo que tira a autoridade pastoral. O G-12 faz com que
cada célula se torne uma micro igreja, onde o líder
batiza, serve a santa ceia, opina na vida dos demais... E pra mim, tais funções
são de nível pastoral e outras até impraticáveis em questões de liderança,
como, por exemplo, dominar a vida dos chamados “12 discípulos”. Pastor nenhum
tem o direito de tirar a liberdade particular de cada cristão. Eu, como ministro do evangelho, posso orientar, mas nunca
exigir e obrigar; o domínio mental sobre o discípulo é uma atitude anticristã e
totalmente sem respaldo bíblico!
Temos visto muitas
igrejas se esfacelarem devido a esse movimento, pastores sendo depostos, muita
confusão e um certo ambiente propício para que muitas
heresias frutifiquem. Geralmente o líder de células possui pouco conhecimento
teológico. O pastor Cho, em seu livro “Grupos Familiares e o Crescimento da
Igreja”, comenta justamente esse problema que ele teve na Coréia. Para resolver
isso o pastor Cho teve que padronizar as mensagens ministradas nos grupos e
centralizar os cultos dominicais.
Espero que haja bom
senso da liderança evangélica brasileira nessa e em outras questões, caso
contrário poderemos estar entrando em um processo de degeneração espiritual
irreparável. Precisamos extirpar essa pseudo-euforia de avivamento e
crescimento e buscarmos um autêntico crescimento coletivo para a vida
eclesiástica do cristianismo brasileiro. Que Deus nos ajude nesse propósito e
que a liderança consiga se livrar dos comichões
nos ouvidos! Que nunca nos apartemos da simplicidade que há em Cristo Jesus
e sua Palavra!
João Flávio Martinez;
é pastor evangélico,
professor de religião, graduado em História pela Faculdade Dom Bosco de Monte
Aprazível - SP e presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP.
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