|
Publicidade
|
Matéria |
|
CENTRO
APOLOGÉTICO
CRISTÃO
DE
PESQUISAS
- CACP
Os
Estigmas
de Cristo fato ou mitologia religiosa?
Por João Flávio Martinez, do CACP
A Igreja
Católica Romana quase mandou o renomado cientista Italiano Galileu
Galilei (Século
xvi)
para a fogueira, arvorando que o heliocentrismo1 era uma heresia
contra os desígnios divinos e que o geocentrismo2 não deveria ser
questionado. Bem da verdade, não foi esse o grande motivo de
quererem mandar Galileu para a fogueira da inquisição, mas suas
conclusões científicas de que a teoria da transubstanciação era
impossível e improvável. Esse mito da transubstanciação, criado na
Idade Média, ainda vive hoje como um dos pilares doutrinários da fé
católica (Ler matéria de capa). A Idade Média ou Idade das Trevas
foi uma ótima oficina para que mentes alucinadas criassem e
desenvolvessem doutrinas extremamente exóticas e totalmente
anticristãs, entre elas, iremos questionar nesta matéria os estigmas
de Cristo.
|
O que é a doutrina dos estigmas de
Cristo?
Estigmas: do grego stigmata,
significa “picada dolorosa”. Trata-se de feridas que,
supostamente, aparecem em várias partes determinantes do corpo
do devoto católico: na cabeça, devido à coroa de espinhos; nas
costas, devido às chibatadas; nas mãos e nos pés, devido aos
cravos; e na parte lateral do corpo, devido ao corte da lança
do soldado romano.
Portanto, ser estigmatizado é receber no próprio corpo as
chagas ou os ferimentos de Cristo, e isso literalmente. Além
disso, parece que o estigmatizado passa a sofrer terríveis
perseguições espirituais, tornando-se uma pessoa
afligida. |
A "estigmatização" de São
Francisco retratada por El Greco (1590-1595). Segundo a
tradição católica, lhe aparecem nas mãos, nos pés e nas costas
chagas semelhantes às de Cristo na cruz. São Francisco foi o
primeiro a manifestar o fenômeno |
|
|
Na maioria das vezes, os
estigmatizados estão em profundo transe quando “agraciados” com esse
fenômeno. Alguns param de comer e outros ainda passam a ter
freqüentes alucinações.
A Igreja Católica Romana entende que a
paixão de Cristo está sempre viva entre os cristãos, sendo mesmo
causa de conversões, e que, através dos séculos, Cristo quis
reproduzir, em pessoas privilegiadas, as marcas ou estigmas de sua
paixão.
O primeiro estigmatizado
Conforme os parâmetros católicos, o
primeiro estigmatizado da história foi São Francisco de Assis, no
ano de 1224. A “estigmatização” de São Francisco fez aparecer-lhe
nas mãos, pés e costas chagas semelhantes às de Cristo na cruz.
Essa íntima comunhão de Deus para com
o estigmatizado, segundo a Igreja Católica, levaria o indivíduo a um
processo de santificação e de certa contribuição para a salvação do
mundo. Devido a isso, São Francisco foi canonizado em 1232 e é
festejado no dia quatro de outubro.
No livro Milagres, de Scott Rogo3 ,
são relacionados aproximadamente 312 estigmatizados até o final do
século xix,
isso levando em consideração os estigmatizados sem as chagas, ou
seja, aqueles que sentiram as dores, mas não manifestaram as
feridas. O livro informa também que, até agora, somente uns sessenta
estigmatizados foram beatificados e canonizados. Depois de São
Francisco, os mais famosos foram a alemã Therese Neumann (1898-1962)
e o italiano Francesco Forgione (1887-1968), mais conhecido como
Frei de Pietralcina ou Padre Pio. Outras figuras reconhecidas como
estigmatizadas: Catarina de Sena (1347-1380), Verônica Giuliana
(1660-1727), Gema Galgani (1878-1903), entre outras.
Segundo
o Dicionário do cético, de Robert Todd Carroll4 ,
traduzido por Antônio Inglês e Ronaldo Cordeiro, um dos
estigmatizados mais recentes é o frade James Bruce “que não só
afirmou ter as feridas de Cristo, como também que estátuas
religiosas choravam em sua presença”. De acordo com o dicionário,
este fato ocorreu em 1992, em um subúrbio de Washington,
d.c.,
“onde coisas estranhas são comuns. Nem é preciso dizer que ele
(James Bruce) lotou os bancos da igreja. Atualmente, administra uma
paróquia na região rural da Virgínia, onde os milagres cessaram”.
O porquê dos estigmas
Segundo o padre Tito Paolo Zecca, um
dos maiores especialistas do assunto, professor de teologia pastoral
e espiritualidade na Universidade Pontifícia do Latrão, e o Ateneu
Pontifício Antoniano de Roma, os estigmas são “um sinal do que
Cristo sofreu durante a Paixão [...] Este fenômeno mostra a eficácia
da salvação de Cristo na cruz, e permanece de modo especial no sinal
dos estigmas, tornando-se um fato distintivo da eficácia redentora e
salvadora da fé”. Padre Zecca ainda conclui que “é uma experiência
de alegria e dor [...] estas chagas podem ser purulentas e nunca se
curar, mas podem ajudar a curar os outros”. Apesar do sofrimento que
as chagas podem vir a causar nos santos “privilegiados”, o padre
acredita piamente que tais ocorrências são sinais de graças
benditas: “os recipientes dos estigmas consideram isso uma imensa
graça”.
A Idade Média e os estigmas
Durante quase toda a Idade Média a
Europa esteve mergulhada em um profundo misticismo que geraram
muitas coisas vãs. Tais coisas, para as pessoas, tinham grande valor
espiritual. Havia, por exemplo, uma pena da asa do anjo Gabriel, um
bocado da arca de Noé, a camisa da bendita virgem, os dentes de
Santa Apolônia (segundo as pessoas, isso proporcionava cura
infalível para as dores de dentes) e muitas outras relíquias
sagradas e milagrosas! Além disso, era generalizada a crença absurda
de que o arcanjo Miguel celebrava a missa na corte do céu todas as
segundas-feiras. A este período pertence a instituição do rosário e
da coroa da virgem Maria, da invenção da doutrina da
transubstanciação e de muitas outras mitologias católicas. É nesse
contexto sociológico que surge a doutrina dos estigmas.
É
interessante notar que não se conhece nenhum caso de estigmas que
tenha acontecido antes do século
xiii, quando “Jesus
crucificado” se tornou um símbolo do cristianismo no Ocidente. Para
alguns, isso indica que os estigmas provavelmente foram feitos pelos
próprios estigmatizados, e ainda há aqueles que acreditam que tais
fenômenos vieram a ocorrer de maneira psicossomática, devido à
veneração extremada de católicos devotos à cruz.
|
|
Sobre Giorgio Bongiovanni se
afirma que, após visitar a imagem de Fátima (Portugal) em
1989, lhe brotaram nas mãos hematomas que sangravam e logo as
feridas se abriram. Dois anos depois, Giorgio recebeu os
estigmas nos pés e, em 1992, apareceram também nas costas e,
em 1993, brotou o estigma na testa, em forma de cruz: único na
história dos estigmatizados. Afirma em suas peregrinações que
sua missão é divulgar o Terceiro Segredo de Fátima ao mundo.
Em 1999, visitou o Brasil onde deu entrevista no Programa do
Ratinho.
Opinião médica
sobre os estigmas
Atualmente, fica difícil coletar
opiniões médicas sobre o polêmico assunto, pois há muitos anos
não se tem notícia de qualquer pessoa que tenha sobre si essas
marcas. Também não se tem notícia de qualquer estigmatizado no
Brasil. Não haveria, pois, como submetê-las a exame científico
conclusivo, usando-se de técnicas modernas e aplicando o
conhecimento atual, seja médico ou psicológico.
|
|
|
Um especialista em estigmas, Herbert
Thurston, argumenta cinco pontos contra a natureza desses fenômenos:
1. Os estigmas eram desconhecidos
do cristianismo até o século
xiii,
quando São Francisco de Assis os exibiu pela primeira vez. Todos os
casos ocorridos a partir dessa data devem, por isso mesmo, ser
imitados em sua natureza, eis a razão por não serem autênticos.
2. As feridas dos estigmas não
aparecem em local, tamanho e forma consistentes. Tal fato sugeriria
que não passam de efeito auto-sugestivo.
3. Os estigmas surgem em conexão
com a histeria.5
4. Em geral, as feridas só surgem
depois que o indivíduo teve várias doenças purgativas que parecem
ser distúrbios do sistema nervoso central.
5. Embora os supostamente
estigmatizados sejam pessoas visionárias6 ,
uma comparação de suas visões mostra pouca consistência. A maior
parte delas não deixa de ser “reencenações” de histórias
tradicionais da paixão, não apresentando nenhuma evidência de sua
natureza divina.7
O Dicionário do cético ainda
afirma: “os ferimentos auto-infligidos são comuns entre pessoas com
certos tipos de distúrbios mentais, mas afirmar que as feridas são
milagrosas é raro, e se deve mais provavelmente à religiosidade
excessiva do que a um cérebro doente, embora ambos possam estar
atuando em alguns casos”. A explicação preferida é de que estas
feridas tenham sido auto-infligidas, uma vez que nenhum estigmático
manifesta seus ferimentos do princípio ao fim na presença dos
outros, só começando a sangrar quando não estão sendo observados.
A questão teológica sobre
os estigmas de Cristo
Não nos deteremos no mérito se tais
manifestações são possíveis ou não, mas se são teologicamente
corretas. Mas, pelo que já lemos acima e temos constatado em nossa
pesquisa sobre o assunto, essa doutrina não aparenta ser nem um
pouco bíblica.
O apóstolo Paulo relata: “... porque
eu trago no meu corpo as marcas [do grego stigmata] de Jesus”
(Gl 6.17). Então, segundo o texto bíblico, Paulo traz em seu corpo
as marcas ou os estigmas de Cristo.
No contexto geral da epístola de
Gálatas, Paulo está refutando os defensores da circuncisão. Esses
pseudo-apóstolos arvoravam que todos os cristãos deveriam ter o
estigma ou a marca da circuncisão judaica. Paulo usa sua autoridade
eclesiástica para declarar que tal doutrina não era vinda da parte
de Deus e devia ser considerada como anátema (Gl 1.9). Ele queria
que os crentes de Gálatas tomassem conhecimento da eficácia de seu
apostolado, já que esse apostolado estava alicerçado no evangelho da
graça. Para o apóstolo, o evangelho vivido não é notado com estigmas
(leia-se marcas) externos, mas no coração: “Todos os que querem
mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos,
somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo [...]
As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção
voluntária, humildade fingida, e em disciplina do corpo, mas não é
de valor algum senão para a satisfação da carne” (Gl 6.12; Cl 2.23).
A palavra grega stigmata traduz
perfeitamente o que ocorria com os escravos marcados ou
estigmatizados a ferro com os nomes de seus senhores. Possivelmente,
era o que Paulo queria transmitir, isto é, que ele já estava marcado
pelo sofrimento da obra de Cristo, que pertencia ao seu Salvador e
não precisava ser circuncidado para tornar-se fiel a Deus. Além
disso, estava assinalado pelo selo do Espírito Santo (Ef 1.13) e
comprado pelo preço do sangue de Jesus (1Co 6.20). É bom notarmos
também que a Bíblia não fala que Paulo tinha furos nas mãos ou nos
pés, nem que seus estigmas eram literalmente idênticos aos de Jesus
na cruz, tudo é dito de maneira ilustrativa e não literal.
O estigma do cristão não é feito do
que é externo, mas, sim, por meio de uma vida reta e santa diante de
Deus: “Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor
Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também
nos nossos corpos; e assim nós, que vivemos, estamos sempre
entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se
manifeste também na nossa carne mortal [...] Já estou crucificado
com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida
que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me
amou, e se entregou a si mesmo por mim” (2Co 4.10,11; Gl 2.20).
“Manifestações
diabólicas e satânicas”
O sofrimento de Jesus na cruz foi
único e singular. Somente as chagas de Cristo têm o poder de abrir
as portas da salvação para o homem: “Tendo, pois, irmãos, ousadia
para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo
caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, da sua carne” (Hb
10.19,20). O prazer do Senhor é que sejamos felizes e livres de toda
a dor: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e
as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito,
ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas
transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo
que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos
sarados” (Is 53.4,5).
Essa doutrina católica parece mais um
malfazejo, pois os estigmatizados sofrem terríveis flagelos e
padecem de tormentos espirituais, contrariamente à vontade de Deus
revelada em sua Palavra. A própria Igreja Católica, em alguns casos
de estigmas, declarou que tais manifestações eram diabólicas e
satânicas!
Podemos afirmar categoricamente que
não há precedentes bíblicos para corroborar com a doutrina da “estigmatização”.
Nunca houve um caso na época apostólica ou mesmo depois, pois, como
vimos, tais ocorrências só começaram a se manifestar em uma época em
que o misticismo imperava na mente das pessoas.
Verdadeiramente, não é da vontade de Deus que vivamos essa terrível
experiência, esse cálice só o Senhor poderia beber e suportar (Mt
26.42)!
|
“Stigmata, o
filme”
SINOPSE
“Stigmata” conta a história em que Frankie Paige (Patrícia Arquette), uma mulher sem
nenhum tipo de crença religiosa, começa a sofrer os “Estigmas,
as cinco chagas que Cristo sofreu antes de morrer. Baseado nos
manuscritos do evangelho apócrifo de Tomé encontrados em 1945.
O caso chega aos conhecimentos do Padre Kierman (Gabriel Byrne),
um investigador do Vaticano, responsável por investigar casos
como a veracidade de milagres e de supostos santos).
O
filme começa numa fictícia cidade brasileira chamada “Belo
Quinto” que, supostamente, ficaria no Sudoeste do Brasil, onde
todos os habitantes se
|
|
|
|
parecem com
índios peruanos ou andinos, em geral, e onde todos falam uma mistura
do português de Portugal com uma língua nativa qualquer, que torna
tal idioma completamente indecifrável.
Como muitas
outras produções de Hollywood, o filme é chocante pelas cenas de
extrema violência, blasfêmias a Deus, exorcismos e provocações à fé
cristã. No entanto, é um material de pesquisa interessante, por
levantar questões como a existências de manuscritos, a formação do
cânon bíblico, o comportamento da Igreja Católica sobre temas de fé
e misticismo.
Diferente
de um filme que vale tudo, na vida real nenhum estigmatizado
apresentou as feridas do início ao fim na presença de terceiros,
apenas sangram quando não são observados.
Bibliografia e sites pesquisados:
Kinigth & Anglin, História do
cristianismo, 2.ed., CPAD;
Nascimento, Luiz A., Carta aos
gálatas, CPAD;
Mather & Nichols, Dicionário de
ocultismo, Editora Vida;
Rodo, Scott; Milagres, 1994,
Editora Ibrasa, São Paulo.
http://www.hipnologia.hpg.ig.com.br/Artigos/estigma.html
Notas
1 A hipótese heliocêntrica sobre o
sistema solar sustentava ser o sol o centro do universo, girando a
terra e os demais planetas ao seu redor.
2 Teoria que afirma que a terra está
no centro do sistema solar e que os demais corpos giram ao redor
dela. Pressupõe que a terra é imóvel e que o sol se desloca em
círculos em torno dela, dando origem aos dias e às noites.
3 Médico considerado um dos mais
renomados especialistas em parapsicologia e autor do maior número de
livros sobre o assunto já publicados no mundo, documenta e examina
centenas de exemplos impressionantes de levitação, Estigmas que
sangram, imagens e visões milagrosas, imagens que choram, e vários
outros casos menos conhecidos, mas igualmente notáveis.
4 Professor de Filosofia do Sacramento
City College e autor do Dicionário do cético (Skeptic’s
Dictionary), obra que traz definições, argumentos e ensaios
relacionados ao sobrenatural, oculto, paranormal e
pseudocientífico.
5 Psicopatia cujos sintomas se baseiam
em conversão. É caracterizada por falta de controle sobre atos e
emoções, ansiedade, sentido mórbido de autoconsciência, exagero do
efeito de impressões sensoriais e por simulação de diversas doenças.
6 Relativo a visões. Que tem idéias
extravagantes, excêntrico. Aquele que tem visões ou acredita em
fantasmas.
7Adaptado do livro Milagres,
Scott Rogo, Editora Ibrasa, 994, p.111-2
CENTRO APOLOGÉTICO
CRISTÃO DE PESQUISAS
Fale Conosco
Voltar
©
Copyright CACP 2003
Pr.
João Flávio & Presb. Paulo Cristiano
|
|