Ministério CACP - Procurar no site :
Ministério Apologético CACP
  Estudos Bíblicos // Diversos 
2 Imprima este artigo + Envie por E@Mail ? Comentários
C Classifique este artigo N Informações deste artigo R Artigo Revisado
  A idéia de Deus e a liberdade humana
Autor : Artigo enviado por email. Publicado em : Sexta, 05/10/2007

O texto que segue abaixo foi enviado em uma lista de discussão dos alunos da FATEC-ZL, ocasião em que tive a oportunidade de refutar a argumentação do autor no texto seguinte.

Mikhail Bakunin

Todas as religiões, com os seus deuses, os seus semideuses e os seus profetas, os seus messias e os seus santos, foram criadas pela fantasia crédula de homens que não atingiram ainda o pleno desenvolvimento e a plena posse das suas faculdades intelectuais. Em conseqüência disso, o céu religioso não passa de uma miragem na qual o homem, exaltado pela ignorância e pela fé, reencontra a sua própria imagem, mas dilatada e invertida, isto é, divinizada.

A história das religiões, a história do nascimento, da grandeza e da decadência dos deuses que se sucederam na crença humana, não é mais que do que o desenvolvimento da inteligência e consciência coletiva dos homens. À medida que na sua marcha historicamente progressiva descobriam, em si mesmos ou na natureza exterior, uma qualquer força, qualidade ou mesmo grande defeito, atribuíam-no aos seus deuses, depois de os ter exagerado e ampliado desmedidamente, como o fazem normalmente as crianças, num ato da sua fantasia religiosa.

Graças a essa modéstia e a essa piedosa generosidade dos homens crentes e crédulos, o Céu enriqueceu-se com os despojos da Terra e, por conseqüência, quanto mais rico se tornou o Céu, mais miserável se tornou a Terra. Uma vez instalada a divindade, foi naturalmente proclamada a causa, a razão, o árbitro e o dado absoluto de todas as coisas: o mundo passou a ser nada, a divindade tudo. E o homem, seu verdadeiro criador, depois de tê-la extraído do nada, sem disso se dar conta, pôs-se de joelhos perante ela, adorou-a e proclamou-se sua criatura e seu escravo.

O cristianismo é precisamente a religião por excelência, porque expõe e manifesta, na sua plenitude, a natureza, a própria essência de todo e qualquer sistema religioso, que é o empobrecimento, a submissão, o aniquilamento da humanidade em benefício da divindade.

Sendo Deus tudo, o mundo real e o homem são nada. Sendo Deus a verdade, a justiça, o bem, o belo, a força e a vida, o homem é a mentira, a iniqüidade, o mal, a fealdade, a impotência e a morte. Sendo Deus o senhor, o homem é o escravo. Incapaz de encontrar por si mesmo a justiça, a verdade e a vida eterna, a elas não pode chegar senão mediante uma revelação divina. Mas quem diz revelação diz reveladores, messias, profetas, sacerdotes e legisladores inspirados pelo próprio Deus; e, uma vez reconhecidos como representantes da divindade na Terra, como os santos pastores da humanidade, eleitos pelo próprio Deus para dirigir pela via da salvação, devem necessariamente exercer um poder absoluto.

Todos os homens lhes devem uma obediência passiva e ilimitada, porque contra a razão divina não há razão humana, e contra a justiça de Deus não há justiça terrena que lhes valha. Escravos de Deus, os homens devem sê-lo também da Igreja e do Estado, na medida em que este último é consagrado pela Igreja. Foi isso que o cristianismo compreendeu melhor que todas as religiões que existem ou existiram, sem excetuar a maioria das antigas religiões orientais (que, aliás, só abarcaram determinados povos, enquanto que o cristianismo tem a pretensão de abarcar a humanidade inteira); foi isso que, entre todas as seitas cristãs, só o catolicismo romano proclamou e realizou com uma conseqüência rigorosa.

É por isso que o cristianismo é a religião absoluta, a última religião, e a Igreja apostólica e romana a única conseqüente, a única coerente. Agrade ou não aos metafísicos e aos idealistas religiosos, filósofos, políticos ou poetas, a idéia de Deus implica a abdicação da razão humana e da justiça humana; é a negação mais decisiva da liberdade humana e leva necessariamente à escravidão dos homens, tanto em teoria como na prática.

A menos que se queira a escravidão e o envilecimento dos homens, como o querem os jesuítas, como o querem os pietistas ou os metodistas protestantes, não podemos nem devemos fazer a menor concessão, quer ao Deus da teologia quer ao da metafísica. Porque, nesse alfabeto místico, quem começa por Deus deverá acabar fatalmente acabar em Deus, e quem adorar a Deus deve, sem ilusões pueris, renunciar corajosamente à sua liberdade e à sua humanidade. Se Deus existe, o homem é escravo. Porém, o homem pode e deve ser livre - por conseguinte, Deus não existe. Desafio quem quer que seja a sair deste círculo; agora escolham.

RESPOSTA

Permita-nos em tantas e várias linhas responder aos argumentos deste texto. Por ser acusado de, como crente, não ter plena posse das faculdades intelectuais, temos o direito de responder.

Primeiramente, recorrer à ofensa para defender uma idéia, seja ela qual for, é prova da inconsistência dos argumentos. Aquele que grita para impor sua razão, conseqüentemente não tem razão, pois se tivesse não teria de impô-la.

Todavia deve-se reconhecer que a religião é uma invenção humana, aliás, uma peculiaridade que nos faz humanos. Se perguntarmos o que o ser humano tem em comum em toda e qualquer cultura, a qualquer tempo, em qualquer lugar, eis a religião.

A única coisa que este fato prova é que existe no interior do ser humano uma busca incessante por um deus, seja ele uma vaca, um trovão, o amor, um espírito, Alá, Jeová, sei lá.

Mas a busca não só é prova da necessidade, como também indício da existência do que se busca. A sede não só é prova de uma necessidade orgânica, mas também é o indício de que há algo no mundo que pode saciá-la, a água, não adianta beber coca-cola, só água sacia a sede. Um exemplo mais subjetivo é o desejo. Se não há objeto de desejo o desejo desaparece, se não houvesse desejo não haveria objeto de desejo, só existe desejo se houver objeto de desejo.

Essa necessidade por um deus faz com que o ser humano invente diversos paliativos, invente mentiras e acredite nelas, tudo para minimizar sua necessidade intrínseca pelo divino, tudo para calar seu desejo, cauterizar sua consciência. Como o sedento que, por estar preso em um poço sem água, bebe sua própria urina.

Como conseqüência tem-se a invenção de deuses tão mais humanos que seus inventores. Os deuses gregos são a maior representação disso: são deuses poderosos, imortais (em alguns casos), mas cheios de inveja, malícia, ira, paixões, como qualquer humano mortal. Bastou-se observar isso para desbancá-los. Deus, por definição, é perfeito.

É possível que muitas religiões tenham se desenvolvido com o passar dos tempos: Os gregos tinham coleções de deuses, de cada povo eles traziam mais uma centena de deuses e adaptavam às suas crenças e tradições.



Contribui para isso o fato de que, apesar do ser humano ter necessidade de Deus, não suporta Deus. Ele quer ser seu próprio Deus. É como o homem que precisa de uma mulher, mas não consegue se adaptar à vida a dois, não sabe dividir coisas e decisões, então vive solteiro, na leviandade, ou casa, descasa, casa, descasa num ciclo interminável – ele quer a mulher, mas não tolera a mulher.



Assim o ser humano cria deuses que se amoldem à suas necessidades, que não lhe façam exigências, que possam ser carregados nos ombros, que dependam do ser humano, que possam ser colocados de castigo, que estejam sob o controle humano. Por isso surgiu a chamada Teologia da Prosperidade, infelizmente tão pregada nos púlpitos de algumas igrejas, pela qual o ser humano determina que Deus o abençoe, como se pudesse mandar em Deus.



Sempre foi assim. O ser humano tem necessidade pelo divino, mas resiste às suas exigências. Na verdade ele não quer Deus, ele quer ser Deus. Então inventa um deus que possa dominar, ou nega a existência de Deus para ficar sozinho, no lugar do Todo-Poderoso.



A religião revelada é diferente da religião inventada. Ela traz até nós a revelação de um Deus que faz exigências. Deus diz: “Sede santos, porque eu sou santo”.

E diz, também:

Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.

Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.

Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.

Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

Não matarás.

Não adulterarás.

Não furtarás.

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.



Esta é a diferença entre religião revelada e religião inventada. Na religião revelada Deus fala ao ser humano, na religião inventada o homem é que fala o que deus deve dizer.



As religiões inventadas sofrem adaptações conforme o tempo, mas a religião revelada é a mesma, desde Abraão (c.2000 a.C.), Moisés (1600 a.C.), Davi (1000 a.C.), Jesus e Paulo (30-80 d.C.), até os dias de hoje. A Bíblia que temos hoje, seguramente, e comprovado por estudos e achados arqueológicos, é a mesma que os primeiros cristãos tiveram em suas mãos.



Estima-se que o texto bíblico tenha-se corrompido em menos de 1%, o que seria de se esperar de um livro tão antigo. Estas corrupções dizem respeito a erros de grafia, numerais e outras coisas sem importância para a doutrina bíblica. O Alcorão, que surgiu no século VII d.C., sofreu um processo de corrupção muito maior, de forma que em vinte anos após sua produção já existiam sete modos de se ler o texto. A diferença? Deus é o maior interessado em fazer-se conhecido, por isso preserva a verdade.



O Deus da Bíblia é o mesmo Deus crido e pregado até os dias de hoje. É o Deus da liberdade, que libertou o povo que era escravo de Faraó no Egito, que liberta o ser humano escravo de vícios e pecados, que liberta do medo da morte e de forças espirituais. É o Deus da verdade, que preserva a sua palavra, que diz: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Ele é o mesmo Deus de ontem e de hoje. Deus perfeito é imutável.



Diferentemente do que diz o autor do texto em tela, no mundo de hoje prevalece premissa filosófica diz que o “eu” é que existe – Deus não, a menos que ele sirva ao eu – o ser humano tornou-se materialista, seja o comunista ou o capitalista, todos são materialistas, o que existe é o que se vê, o que se sente, o que se toca, o que serve ao “eu” e nada mais. Comunista é ateu, capitalista é deísta (não acredita na interferência de Deus no mundo natural).



Essa premissa é a razão de tanto egoísmo: “sou eu que existo. E o somali, e o etíope, e o palestino, ora, quem se importa? O que os olhos não vêm o coração não sente”, e o pior de tudo é que esta existência se traduz em termo de posses: “um homem vale aquilo que tem”. Assim é melhor roubar, seqüestrar, matar do que passar o vexame de não ter nada, não representar nada, não ser nada. Também, por causa do tal “penso, logo existo” que colocou o ego como juiz de tudo o que deve existir ou não, é que vivemos para experimentar a vida e extrair o maior prazer possível, sexo (conforme a preferência do freguês), drogas (álcool, assim como a inofensiva maconha, café, chocolate e tudo o que provoca sensações físicas), e música (conforme seu estilo), ou como disse o Maluf: estupra, mas não mata!



Quem quer que seja, ainda que não concorde que existe um Deus, perfeito, imutável, capaz e competente para julgar todos os seres. Deve concordar que, a luz de tantos exemplos, que há muita maldade no ser humano. Tanta que às vezes é difícil dizer que aquilo que executa o mal é humano. Como disse o Renato Russo: a humanidade é desumana.



A religião revelada não vem para envilecer o ser humano, mas para evidenciar o que o pecado pode fazer, corrompendo o ser humano e fazendo com que este se torne animal, desumano, subumano.



Deus criou o ser humano à sua imagem, e quer que ele seja humano, mas o ser humano não se contenta, quer ser Deus por não se conformar às leis divinas, então age com maldade. Coloca-se no lugar de Deus, decide sobre o direito de viver e morrer de seu semelhante, e há aqueles que querem decidir o que os outros devem pensar, usando agressivas acusações de inferioridade intelectual, para envergonhar os que pensam diferente, ou usam a própria religião para condenar os discordantes. É o que fez a santa inquisição católica, num momento em que a religião estava sendo sutilmente utilizada por enganadores que se colocavam no lugar de Deus.



Infelizmente o autor mostrou o mesmo preconceito que é encontrado na argumentação de muitos ateus. Critica o que não conhece com base na prática de alguns segmentos da religião.

Dizer que Deus tem representantes na terra revela total desconhecimento da Bíblia, a única revelação autorizada de Deus. Há igrejas que dizem que seus líderes são representantes de Deus, até aquelas que dizem que esses representantes são infalíveis (para o catolicismo o Papa não falha, para o Moonismo infalível é o Rev. Moon). A Bíblia, entretanto, deixa claro que o único representante de Deus é o próprio Espírito de Deus, e ninguém mais.



É verdade que a revelação foi dada por meio de homens escolhidos por Deus, os profetas, mas chegou o tempo que tudo que devia ser revelado para o homem conhecer a Deus já havia sido revelado, não tendo mais necessidade de outros profetas. A Bíblia não diz tudo, e não pretende dizer tudo, mas diz tudo o que é necessário para que o ser humano conheça seu Criador e Seu plano maravilhoso para a sua vida.



Há então os que não acreditam na Bíblia porque ela foi escrita por homens. Se não acreditam que Deus usou homens para trazer sua revelação, acreditariam se a Bíblia tivesse sido escrita por anjos, ou quem sabe por jumentos?



Deus não tem representantes na terra. Assim também não defendo a Deus... ele já é bem grandinho e sabe como se defender, na verdade a Bíblia diz que o néscio diz em seu coração: Não há Deus... mas Deus, no céu, ri. Defendo o meu direito de crer e não ser por isso ofendido. Tanto é assim que não me atenho à tarefa de convencer ninguém da verdade, porque a Bíblia diz que o Espírito (ÚNICO REPRESENTANTE DE DEUS) convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.



Por último desafio qualquer um a pensar sobre a falácia da discussão quanto à liberdade.



O que é a liberdade? Quem é livre? Liberdade é encher a cara, viver na dependência de álcool ou drogas, ou sexo? Liberdade é sair e não ter hora para chegar ou isso é desordem? Liberdade é o poder de decidir sobre sua vida?

Veja: ainda que alguém seja completamente livre para decidir, independente de regras (faróis inteligentes e multas, linha de impedimento, art. 171), esse tal é escravo da sua liberdade. Pois sempre terá de decidir, e ainda que decida não decidir já decidiu por não decidir. Assim ninguém pode se livrar da obrigação de decidir. Ou decide pelo sim, ou decide pelo não, ou não decide, mas quem não decide está decidindo pela inércia, pela continuidade, se sim, sim, se não, não.



Agora está posto diante de você Jesus Cristo, o filho de Deus, que morreu pelos seus pecados, para te livrar do pecado e da punição.

Você, como eu, tem que decidir: ou aceita o sacrifício de Jesus em seu lugar (isso significa que você reconhece ter pecado, ofensa ao Deus que existe e à sua lei), ou rejeita e tenta remediar do seu jeito. Aceitando você tem entrada garantida para o céu, rejeitando resta-lhe as opções de (1) negar a existência de Deus e de pecados, (2) criar para si um deus mais ameno, mais obediente e menos exigente, (3) manter uma prática de sacrifícios tentando obter o favor de Deus.



Tudo isso se resume da seguinte forma: ou se diz sim a Cristo ou se diz não a Cristo.



Sou livre e afirmo minha liberdade quando escolho servir a Cristo em sua igreja. O outro é livre e afirma sua liberdade quando escolhe não crer. Mas cada um dará conta de si (assim diz a Bíblia).



Em matéria de fé, assim como em qualquer tipo de coisa, permanece a possibilidade de erro ou acerto, neste caso de variáveis desconhecidas há 50% de chances de acerto e 50% de chances de erro. Depois da morte pode ser que tudo o que a Bíblia revela exista, como pode ser que nada exista. Aquele que escolheu a Cristo está seguro, pois se estiver errado nada perdeu. E quem decidiu pelo não a Cristo? Se estiver certo nada perdeu, se, do contrário, estiver errado em sua escolha terá de assumir as conseqüências de não crer.



Liberdade é não estar preso as coisas passageiras desta vida, liberdade é não estar preso a sistemas filosóficos venham de onde vierem. Liberdade é decidir e arcar com as conseqüências de suas ações e decisões. Você é livre?



Mas eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia.



Um abraço!

Agradeço por chegar até aqui e suportar estas linhas.

Permita-me dizer: “Deus te abençoe”, isso se não faz bem, também não faz mal.


NOME: Haroldo Tavares de Sá

ENDEREÇO: Rua Antonio Barbieri, 145 - Jardim Colorado - São Paulo - SP - CEP 03387-140

IGREJA: Primeira Igreja Batista em Vila Guarani

CARGO: Missionário

E-MAIL: haroldots@ig.com.br



Este artigo foi enviado por email. Depois avaliado pelo CACP e aprovado para publicação. Lembrando que cada autor é responsável pelo seu artigo. Os artigos não expressam necessariamente a opinião do CACP.