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Evangélicos pró-Lula: o tempo passou…

por Julio Severo - qua abr 20, 10:27 am

Em 2002, estava havendo as eleições presidenciais no Brasil, com disputa entre Lula e Serra. Como líder de uma igreja evangélica, recebi do diretório do PT um pacote via SEDEX enviado por orientação da sede nacional da minha ex-denominação. O pacote trazia milhares de folhetos pró-PT, e disponibilizo aqui cópia do folheto:

Evangélicos de Lula 1

Evangélicos de Lula 2

O que fiz? Queimei todos, sem me importar com os pensamentos da liderança nacional. Só guardei algumas cópias como testemunho da tolice evangélica. Além disso, contrariando a postura oficial da minha ex-denominação, não recomendei que minha congregação votasse em Lula.

Conversei com o presidente da denominação, alertando-o que não apoiasse Lula. O presidente me disse que não me preocupasse porque Lula havia garantido a eles que não permitiria que seu futuro governo promovesse o aborto e o homossexualismo. Respondi que Lula estava mentindo, mas de nada adiantou: era minha palavra contra a palavra de Lula.

Conversando com um líder pró-vida nacional sobre a tristeza de ver os líderes evangélicos apoiando um candidato pró-aborto, ele fez alguns contatos e em poucas horas recebi ligação telefônica da secretária pessoal do candidato José Serra. Queriam mais detalhes sobre os evangélicos pró-Lula, pedindo também que eu apoiasse Serra. Não, não, não. Nem Lula, nem Serra. Os dois eram pró-aborto. Eu preferia anular meu voto a dá-lo a um abortista.

Pouco depois, um dos pastores denominacionais pregou uma hora inteira contra George Bush, retratando-o como Anticristo. Embora Bush não fosse perfeito, ele era pró-vida e pró-família e, de longe, muito melhor do que FHC, Serra ou Lula. Bush tinha meu apoio; Lula não. Por isso, não resisti e repreendi, como líder também, esse pastor em plena pregação. Cobrei: Por que não pregar contra Lula como um anticristo? Lula era contra os cristãos. Por que mirar em Bush, um conservador? Bush era a favor dos cristãos.

Ainda na mesma época, ouvi ao vivo, na sede denominacional em Brasília, uma pregação de quase uma hora do senador Magno Malta elogiando Lula, que foi feito centro de uma mensagem política num púlpito que deveria centralizar Jesus Cristo.

Ficou impossível permanecer na denominação, que usava suas pregações para exaltar Lula e retratar Bush como anticristo.

Durante as eleições de 2002, a maior parte dos líderes evangélicos pró-Lula estava mostrando os efeitos vindos da década de 1990 da influência pró-Lula e pró-PT de Caio Fábio, que era um homem extraordinariamente dotado de persuasão, sedução e filosofia terrena, que serviram muito mais para o mal do que para o bem.

Minha mãe, que era uma simples serva do Senhor, havia tido uma visão em 2002 do PT vencendo as eleições e mergulhando o Brasil em trevas. Esse mesmo Senhor de revelação e alerta estava plenamente acessível a todos os grandes líderes, mas eles estavam já enfeitiçados pelos anos passados ouvindo o canto-da-sereia e o conto-do-vigário de Caio Fábio, que mesmo caído e totalmente desmoralizado, tinha uma influência sedutora que persistia, consciente ou inconscientemente, nos líderes evangélicos.

Para desgraça do Brasil, o PT fez triunfar as trevas, e mostrou que falta muita, muita visão para líderes evangélicos que se dizem proféticos e ouvem a voz de Deus.

Receio que mesmo hoje, com a queda do PT, a cegueira espiritual desses líderes permaneça quase intacta.

Muitos deles, que antes acompanhavam a CNBB no apoio a Dilma, se voltaram contra a apoiada e seu poderoso chefão, Lula, não porque entenderam o profético de Deus, mas porque quando o barco começou a afundar, todos decidiram cair fora. Quando um barco começa a afundar, ninguém precisa de dom de profecia para ver o óbvio. Até os ratos pulam fora.

Contudo, por que nenhum desses líderes viu o profético de Deus quando o barco estava bem? Ou mesmo antes do barco ser lançado. Cadê a visão? Cadê a abertura para ouvir do Espírito de Deus, em 2002, que o PT seria ruína para o Brasil?

Hoje, o único grande líder evangélico pró-Lula e pró-Dilma é Ariovaldo Ramos. No catolicismo, a CNBB, cujos bispos foram vitais na fundação do PT, continua apoiando sua cria. Pelo visto, nem todos os ratos saem do barco que está afundando…

Fonte: www.juliosevero.com


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