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Ex-Muezim se converte a Cristo

por Artigo compilado - seg set 03, 7:51 pm

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Azzad* é curdo, nascido na Turquia, e vive na Alemanha. Desde que se converteu a Cristo ele prega o Evangelho na Alemanha e em sua pátria.

Norbert Lieth: Antes de sua conversão a Jesus Cristo você era um muezim muçulmano. Quais são as funções de um muezim?

Azzad: Muezim é uma palavra árabe que designa a pessoa que, a partir dos minaretes (torres) das mesquitas, cinco vezes ao dia, anuncia em alta voz a hora das preces. Ele também celebra casamentos e todos os rituais da religião islâmica. É, por assim dizer, o pastor e conselheiro espiritual de sua comunidade religiosa.

– Quando e como você encontrou Jesus?

– Lendo o Novo Testamento, que antes odiava; eu estava convicto de que os malvados cristãos o haviam falsificado. Quando fui preso na Alemanha por assalto a mão armada, comecei a orar pedindo a Deus que me mostrasse o caminho até Ele. Aí ganhei um Novo Testamento de presente e passei a lê-lo. Através dele reconheci que sou pecador e que Jesus Cristo morreu pelos meus pecados. No dia 9 de novembro de 1987 dobrei meus joelhos diante de Jesus aceitando-O como meu Salvador e Senhor.

Antes disso, para mim Alá já tinha-se tornado um Deus cruel por duas razões:

1. Comecei a cumprir minhas obrigações de muçulmano com sete anos de idade, prostrando-me diante de Alá cinco vezes ao dia, num total de trinta e cinco vezes por semana. Porém, em algum momento cheguei à frustrante conclusão de que através desses exercícios religiosos eu não obtinha certeza da salvação e que meu destino era o inferno. Essa é uma doutrina do Corão: “Perante o Senhor está definitivamente estabelecido que não há ninguém, entre vós pessoas ou demônios, que não vá ao inferno e que, caso Alá queira, ele o tirará de lá.” Fiquei decepcionado com o islã.

2. Além disso, comecei a achar que Alá, chamado de criador, era cruel por ordenar que se mate as pessoas que pensam ou crêem de forma diferente do islã. A sura 9, verso 29, traz a ordem de guerra contra judeus e cristãos: “Dos adeptos do Livro, combatei os que não crêem em Deus [Alá] nem no último dia e não proíbem o que Deus [Alá] e Seu Mensageiro proibiram e não seguem a verdadeira religião – até que paguem, humilhados, o tributo”. De repente passei a me sentir mais bondoso que o próprio Alá. Já não podia participar dessas coisas. Deixei minha função de muezim e parti em busca do Deus vivo. Só existe uma única maneira de um muçulmano ter certeza da salvação: dar ouvidos às brutais ordens do Corão, matando pessoas para Alá.

– O que você considera sua tarefa na edificação do Reino de Deus?

– Meu povo [os curdos] foi muito negligenciado no que diz respeito à divulgação do Evangelho. Por isso, meu ministério é falar do amor de Deus aos meus compatriotas turcos e ao meu povo, tão subjugado pelo islã. Faço isso apesar das ameaças de morte que recebo, pois o amor de Deus derramado em nossos corações é muito mais forte – e o amor de Cristo me constrange (veja 2 Co 5.14). Mais um aspecto de meu trabalho para o Senhor consiste em esclarecer as pessoas, principalmente os cristãos da Europa, sobre o que realmente é o islã. Outra coisa que considero importante é visitar os presídios, ou seja, ir ao lugar onde eu mesmo encontrei a Jesus, trabalhando voluntariamente junto aos presos, aconselhando e falando do Evangelho de Jesus para eles. Mas minha tarefa maior e mais significativa é a tradução da Bíblia para a língua curda. Já trabalho nesse projeto há bastante tempo e, graças ao Senhor, em breve ele estará concluído.

– Conte-nos um pouco mais sobre essa tradução.

– Eu e meu amigo Haran, que pela misericórdia de Deus, através da leitura da Bíblia, também reconheceu que Jesus é seu Senhor e Salvador pessoal, começamos com a tradução há catorze anos. Antes de se converter, ele havia lido a Bíblia durante doze anos. Deus fez de nós dois uma equipe muito unida. Ele é um escritor reconhecido, e se o Senhor permitir, em 2004 teremos em mãos toda a Bíblia na língua curda. Agora estamos finalizando as notas de rodapé, com que me ocupo diversas horas por dia.

– Você encontra empecilhos em seu trabalho ou recebe ameaças?

– Sim, de maneira maciça. A última foi há dois dias atrás. Eu estava evangelizando em Detmold (na Alemanha), quando alguns compatriotas chegaram perto de mim e disseram: “Nós vamos atirar em você!” Mas para os irmãos alemães que estavam comigo e não entendem turco eles disseram: “Vocês são muito queridos, Jesus mora nos seus corações”. Em nossa língua eles continuaram me dizendo: “Você é mentiroso. Você ofendeu nossa religião e nosso profeta. Nós vamos matar você!” Tenho recebido inúmeras cartas com ameaças de morte, que apresentei à polícia. Mas ela não me ajuda, pois parece que agirá apenas quando eu tiver sido morto.

– Na sua opinião, qual a diferença fundamental entre a Bíblia e o Corão?

– A Bíblia é claramente a Palavra de Deus. Através da Bíblia, Deus me mostra o meu próprio coração, o plano de salvação para Seu povo terreno, Israel, e para as demais nações. A Bíblia mostra claramente que sou um pecador perdido. Mas ela também revela o Salvador, que me livra dos pecados, e através da Bíblia também recebo certeza de salvação. Essa é a grande diferença entre a Bíblia e o Corão. Na Primeira Epístola a João está escrito, por exemplo: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1 Jo 5.13). Mas o Corão diz na sura 66, verso 8: “” vós que credes, pedi o perdão de Deus [Alá] com sinceridade. Talvez absolva os vossos pecados e vos introduza nos jardins onde correm os rios num dia em que Deus [Alá] poupará a humilhação ao Profeta e aos que crêem com ele…” Na Bíblia, porém, está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).

– Qual a situação atual dos cristãos na Turquia?

– Desde a proclamação da república turca, existe liberdade religiosa no papel, mas na prática a situação é bem diferente. Voltei da Turquia há duas semanas. Enquanto estive lá, a polícia civil seguiu todos os meus passos. Depois que eu tinha partido, eles perguntaram a meus irmãos que vivem lá: “O que ele veio fazer aqui? O que ele contou para vocês?” Na Turquia, os cristãos vivem sob intensa pressão, mesmo que as aparências sejam de convivência pacífica e de liberdade religiosa.

– Você contou que é de descendência curda. Qual a sua avaliação da situação dos curdos na Turquia?

– Acho que não existe outro povo no mundo que compartilhe do destino dos curdos, pois trata-se de um povo de 40 milhões de pessoas que não pode falar a própria língua. Na Turquia, quando os curdos publicam alguma coisa em sua língua, sofrem sanções e penalidades. O que isso significa? Trata-se de uma violação dos direitos humanos, dos mandamentos de Deus, de uma barbaridade. Mas, apesar disso, amo os turcos porque o amor de Deus foi derramado em meu coração através do Espírito Santo (veja Rm 5.5). Antigamente, eu os odiava. Agora, desde que sou cristão, oro todos os dias pela Turquia.– É certo dizer que os curdos descendem dos medos?

– Não, certamente não. Tenho certeza de que os curdos pertencem às duas e meia tribos de Israel (Rúben, Gade e a meia tribo de Manassés) que permaneceram na margem oriental do Jordão. Essas também foram as primeiras tribos de Israel levadas para o cativeiro. Eu me considero integrante do povo de Israel. Segundo a carne, sou e continuarei sendo um filho de Abraão.

– Qual o tratamento dispensado a Israel pelos políticos e meios de comunicação turcos?

– É um tratamento bastante bom. A Turquia e Israel são amigos em nível governamental. Eles cooperam mutuamente, por exemplo, na área militar. Mas na população existe um grande ódio contra Israel.

– Como muçulmano praticante, qual era sua postura em relação a Israel? E como cristão, o que você pensa do judaísmo?

– Naquela época eu odiava os israelenses e judeus, sem jamais haver conhecido pessoalmente um único judeu sequer. Naturalmente isso vinha do veneno que o islã havia instilado dentro de mim. Na Bíblia, porém, está escrito: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Quando comecei a crer e a entender, pela Palavra de Deus, que Israel é o povo terreno de Deus, arrependi-me e pedi perdão pelo ódio que eu nutria. Hoje não passa um dia sem que eu ore por Israel e pela paz de Jerusalém, e sem que eu abençoe o povo judeu em nome de Jesus.

Quando ainda estava aprisionado pelo islã, sem esperança e sem certeza da minha salvação, mesmo sendo religioso mas padecendo sob o jugo do pecado, às vezes era meu desejo realizar um atentado suicida em Israel. Eu era impelido por Satanás a dar um fim à minha vida e a levar comigo na morte algumas pessoas do povo que Deus ama. Quando estava na prisão, esses pensamentos continuaram me atormentando. Mas o Senhor me protegeu. Louvado seja Seu nome!

– Como você vê a evangelização de estrangeiros que vivem na Europa? Eles são alcançados com o Evangelho? O que poderia ser feito de maneira diferente ou melhor? Qual deveria ser a ênfase na hora de falar de Jesus para eles?

– Penso que essa é uma área negligenciada. Desde minha conversão, evangelizo os estrangeiros que vivem na Alemanha. Muitos estão à procura de Deus, do sentido da vida. É obrigação nossa, dos cristãos, amá-los e demonstrar a eles, através da nossa vida, que Jesus é nosso Senhor. Devemos ser amáveis, mas também é preciso que tenhamos a coragem de convidá-los a ouvir a mensagem. Na Europa existem muitos muçulmanos abertos ao Evangelho. É muito importante não falar com eles como se fôssemos superiores. Ao invés de levantarmos barreiras, deveríamos tentar construir pontes entre eles e o Senhor. Deveríamos evitar dizer, logo de início, que Jesus é Deus. É mais importante falar primeiro do pecado, da queda do homem, e então conduzi-los à conversão. Não podemos explicar para um cego como é a cor vermelha. Primeiro, ele precisa ter seus olhos abertos. Só então ele poderá reconhecer quem é Jesus. Todo o restante virá automaticamente.

– Você tem mais alguma dica para ganhar um muçulmano para Cristo?

– Muitas vezes os muçulmanos me disseram: “Os cristãos falam contra nós”. Em outras palavras, quando pregamos o Evangelho, eles logo pensam que somos contra eles. Mas os muçulmanos reconhecem que nós, cristãos, temos algo que eles não têm, a certeza da salvação. Eu tenho a mais absoluta certeza de que Jesus Cristo veio “buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). Quando nos aproximamos dos muçulmanos com essa mensagem maravilhosa, cheia de esperança, eles vêem e sentem isso. Porém, se mesmo assim me amaldiçoam, eu os abençôo. Oro por eles, choro por eles e choro com eles. Eles o percebem e me dizem: “Nós não conseguimos agir assim!” Quando nos aproximamos deles com coração ardente, movido pelo amor de Cristo, eles reconhecem que temos o que lhes falta.

– O que você pensa sobre o nosso tempo – levando em consideração a profecia bíblica? Você acha que estamos vivendo nos tempos finais (antes do Arrebatamento e da volta de Cristo)?

– Sim. Desde 1948 Deus voltou a reunir Seu povo, exatamente como diz Sua Palavra. Para mim, esse é o primeiro sinal de que Jesus virá em breve. Outro sinal são os acontecimentos atuais e a falta de amor entre os cristãos. Em Seu sermão profético, o Senhor disse que “…o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24.12). Se alguém não consegue ver que tudo isso está acontecendo, é cego. O amor entre nós cristãos é muito importante; infelizmente, há essa falta de amor até entre verdadeiros cristãos. Se meu fundamento não fosse a Palavra de Deus, certamente eu já teria me afastado deles. Mas isso também é profético, pois o Senhor Jesus afirmou: “quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.8). Estou convicto de que estamos vivendo nos últimos dias.

– Nós lhe agradecemos muito por essa conversa e desejamos-lhe as mais ricas bênçãos de Deus.

– Eu também agradeço e lhes digo: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co 15.57-58). E mais: “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.29-31).

* O nome foi alterado por questões de segurança.

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