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Idolatria Islâmica

por Pr. João Flávio Martinez - dom set 02, 9:59 pm

O Dr. Halley, em seu Manual Bíblico, nos informa que Maomé, quando moço, visitou a Síria e entrou em contato com os cristãos daquela região, onde se encheu de horror pela idolatria que os tais seguidores de Cristo praticavam (9, p. 679). Parece que o profeta estava à procura de um Deus mais singular e único. Cansado da idolatria e paganismo existentes em suas terras, esse conflito espiritual gerou em seu coração a sensação heróica de querer ser o “profeta da restauração” – “Eis aqui a religião de Deus! Quem melhor que Deus para designar uma religião? Somente a Ele adoramos!” (Surata 2.138).

Os historiadores Knigth e Anglin também comentam sobre o zelo do islamismo contra a idolatria – “No ano 726 d.C., Leão III, imperador do Oriente, assustado com o progresso dos maometanos, cujo fim conhecido era exterminar a idolatria e afirmar a unidade de Deus, começou, por interesse próprio, uma cruzada animada contra as adorações das imagens, e zelo que mostrou nessa nova empresa logo lhe criou o nome de Iconoclasta, que significa quebrador de imagem” (8, p. 97).


As Imagens e a Igreja Católica Apostólica Romana

Quando o catolicismo começou a aderir às imagens de esculturas e aos desenhos de fatos bíblicos e de santos, a idéia não era de ir contra aos ensinamentos da Palavra de Deus, mas implantar uma didática pragmática para que o povo da Idade Média, leigo e analfabeto, pudesse aprender mais sobre as histórias bíblicas. O difícil foi conseguir manter apartado a imagem da veneração idolatra, o que o catolicismo romano falhou miseravelmente dando plena evasão a uma prática tão condenada pela Bíblia Sagrada. Até os livros apócrifos condenam tal prática, por exemplo, no primeiro Livro de Macabeus é nos contado que os judeus preferiram enfrentar a morte e ir contra ao decreto de Rei Sírio Antíoco Epifânio a ter que adorarem as imagens do panteão mitológico grego – “Erigissem altares, templos e ídolos… a obrigarem-nos a esquecer a lei e a transgredir as prescrições” (I Macabeus 1.47-49). Ou seja, a problemática católica começou de uma boa intenção, da intenção de instruir os incautos usando as imagens. É como dizem – “de boas intenções o inferno está cheio”. Nesse ínterim os bárbaros convertidos ao cristianismo já tinham achado os representantes dos seus ídolos em imagens católicas. O comércio dessas imagens e ídolos já gerava enormes recursos para a Igreja, o clero vivendo nas trevas da ignorância sem muito se preocupar com o que realmente ensinava a Bíblia e toda a conjectura dos acontecimentos mostrava que a idolatria seria a marca registrada da Igreja Romana. No livro “As Brumas de Avalon” o autor Marion Zimmer Bradley relata que a “Deusa Mãe”, adorada pelos Teutões e Saxões (germanos), tinha sobrevivido à cristianização na pessoa da mãe de Deus – a Virgem Maria. Esses povos não tiveram dificuldades em assimilar a deusa Virgem Maria, pois viam nela a sua adorada “Deusa Mãe”. Por fim, só restava ao Papa Adriano I decretar o que já era fato, o que ele fez em 787 d.C., no segundo Concílio de Nicéia, disciplinando a veneração das imagens.

Bem, você deve estar se perguntando por que eu estou explicitando algo sobre o catolicismo quando falo do islamismo. É que pra minha surpresa o islamismo passou e está passando por uma transformação parecida! Do zelo iconoclasta maometano ao desvio para a idolatria, é isso que descobri em várias leituras feitas sobre o mundo islâmico. Sempre tive no islamismo, devido a minha cultura ocidental, uma religião um tanto paradoxal e composta de doutrinas bem exóticas, mas não imaginava como o Islã tinha tamanhas tendências às práticas idolatras. Acredito que ídolo e analfabetismo seja a mistura perfeita para a incubação do misticismo popular e, como em países muçulmanos, a taxa de analfabetismo sempre foi muito alta é possível que o mesmo caminho que a Igreja Católica Romana tomou na Idade Média esteja sendo trilhado pelos muçulmanos no decorrer dos séculos. Isso não é de se admirar, pois como veremos, o islamismo nasceu no meio e do meio do paganismo idolatra – a Caaba.


O Alcorão Condena a Idolatria?

Pelo que já lemos do Alcorão, tudo indica que sim. A luta contra a adoração de imagens e ídolos parece ter sido uma das maiores empreitadas do profeta. Abaixo irei relacionar alguns textos que condenam a prática da idolatria, quero que o leitor observe que para o islamismo acreditar em Trindade é também pecado de idolatria.

Vejamos:

E quando viu despontar o sol, exclamou: Eis aqui meu Senhor! Este é maior! Porém, quando este se pôs, disse: Ó povo meu, não faço parte da vossa idolatria! (Surata 6.78)

Porém, se Deus quisesse, nunca se teriam dado á idolatria. Não te designamos (ó Mohammad) como seu defensor, nem como seu guardião. (Surata 6.107).

Porventura, enviamos-lhes alguma autoridade, que justifique a sua idolatria? (Surata 30.35)

Ó filho meu, não atribuas parceiros a Deus, porque a idolatria é grave iniqüidade. (Surata 31.13)

E permanecei tranqüilas em vossos lares, e não façais exibições, como as da época da idolatria; observai a oração, pagai o zakat , obedecei a Deus e ao seu Mensageiro, porque Deus só deseja afastar de vós a abominação, ó membros da Casa, bem como purificar-vos integralmente. (Surata 33.33)

A Trindade como prática idolatra – São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias disse: Ó israelitas, adorai a Deus, Que é meu Senhor e vosso. A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o fogo infernal! Os iníquos jamais terão socorredores. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade!, portanto não existe divindade alguma além do Deus Único. Se não desistirem de tudo quanto afirmam, um doloroso castigo açoitará os incrédulos entre eles. (Surata 5.72-73).

A sentença do Idolatra: “Mas quanto os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo”. (Surata 9.5)

O ISLAMISMO E A IDOLATRIA

Maomé – Um profeta vaticinado por pagãos idolatras

Encontramos no livro “A Vida do Profeta Maomé” traduzido por Ibn Ishaq, a seguinte declaração sobre o profeta – “Rabinos judeus, monges cristãos e adivinhos árabes prevêem o advento de um profeta…” (1, p.33).

A Bíblia diz – “Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?” (Tg. 3:11). Ou seja, de acordo com os ensinamentos de Deus, de uma mesma fonte não pode jorrar dois tipos de águas – ou a fonte é boa ou má. Se o que foi dito sobre o profeta Maomé, com relação a ele ter sido profetizado por árabes pagãos, for fidedigno, isso o coloca em uma condição de ilegitimidade profética desqualificando sua mensagem como arauto de Deus.


Caaba – A Veneração a Pedra Negra

A Caaba é o Santuário islâmico localizado no centro da Grande Mesquita, em Meca. Lugar sagrado dos muçulmanos, guarda a Pedra Negra, que teria sido dada a Adão depois de sua expulsão do Paraíso. Levada pelo dilúvio, a Caaba teria sido reconstruída por Abraão e seu filho Ismael, que teriam embutido no ângulo sudeste do cubo de pedra que formava a casa de Deus a Pedra Negra trazida pelo anjo Gabriel. “Os muçulmanos contornavam a Caaba sete vezes, tocando ou beijando a Pedra Negra ao passarem por ela” (1, p. 161).

A Peregrinação para Meca ou Hajj, é um dos pilares do islamismo. Essa peregrinação ao lugar do nascimento de Maomé deve ser feita por todo muçulmano pelo menos uma vez na vida desde que dotado de condições físicas e econômicas.

Mantran comenta o seguinte sobre a Caaba: “A partir do século V, Meca ficou sob o domínio da tribo de Qoraysh, quando um de seus membros, Qosayy, vindo do norte, eliminou a tribo de Khozaa e teve a habilidade para transformar Meca em um grande centro de peregrinação, reunindo em um só santuário, a Caaba, as principais divindades dos Árabes… Entre os árabes, essa Pedra Negra, provavelmente um meteorito, era (e é) objeto de veneração… reunindo ali as grandes divindades árabes, permitindo assim aos homens das caravanas satisfazerem sua crença numa ou noutra divindade” (6. p.55). O prêmio Nobel de Literatura, o Doutor Naipaul, corrobora nesse sentido: “… A peregrinação a Meca é mais velha do que o Islã, enraizada no antigo culto tribal árabe e incorporado pelo Profeta às práticas islâmicas: a essa cultura, camada após camada de história”(3, p.145).

O Dr Salim Almahdy também faz a seguinte observação sobre a Caaba e a Pedra Negra: “… Também já existia em Meca a pedra negra, por causa da qual as pessoas peregrinavam para Meca. Os peregrinos beijavam a pedra, prestando culto a Alá por meio dela”.

Todas as evidências fidedignas mostram que esse lugar foi o centro do paganismo na Arábia, adaptado ao islamismo pelos fiéis muçulmanos e mantido até hoje na essência de sua idolatria, onde a Pedra Negra recebe tanta veneração quanto Alá!

Alá – Mais um ídolo adorado na Caaba?

Para o Historiador Libanês Albert Hourani, Alá não passava de mais um dos deuses e ídolos do paganismo – “O nome dado a Deus era Alá, já em uso para um dos deuses locais, e hoje usado por judeus e cristãos de língua árabe como o nome de Deus…”(1, p. 33).

Escritores e historiadores que corroboram que Alá era mais um deus entre o panteão pagão da Arábia:

O escritor e ex-islâmico Dr Salim Almahdy, diz o seguinte a respeito de Alá – “O islamismo, Alá e grande parte do Alcorão já existiam antes de Maomé. O pai de Maomé chamava-se Abed Alá, que significa escravo de Alá… A Enciclopédia do Islamismo nos fala que os árabes pré-islâmicos conheciam Alá como uma das divindades de Meca… Segundo a Enciclopédia Chamber’s, ‘a comunidade onde Maomé foi criado era pagã, com diferentes localidades que tinham os seus próprios deuses, freqüentemente representados por pedras’. Em muitos lugares havia santuários para onde eram feitas peregrinações. Meca possuía um dos mais importantes, a Caaba, onde foi colocada a pedra negra, há muito tempo um objeto de adoração… Alá era o deus lua. Até hoje os muçulmanos usam a forma do quarto crescente sobre as suas mesquitas. Nenhum muçulmano consegue dar uma boa explicação para isso. Na Arábia havia uma deusa feminina que era a deusa sol e um deus masculino que era o deus lua. Diz-se que eles se casaram e deram à luz três deusas chamadas ‘as filhas de Alá’, cujos nomes eram Al Lat, Al Uzza e Manat. Alá, suas filhas e a deusa sol eram conhecidos como os deuses supremos. Alá, Allat, Al Oza e Akhbar eram alguns dos deuses pagãos…”(10).

Rushdie, autor de Versos Satânicos: “Pensai também em Lat e Uzza, e em Manat (filhas de Alá)… Elas são os pássaros exaltados, e sua intercessão é de fato desejada (pelos muçulmanos)…” (5, p.114 – parênteses do autor).

Mantran: “… Os árabes do Norte tinham crenças mais realistas: espíritos, djinns representados por árvore, pedras. Acreditavam também em divindades, muito numerosas, mas algumas eram veneradas pela maioria das tribos; as mais importantes entre essas divindades eram três deusas – Manat, Ozza e al-Lat, por sua vez subordinadas a uma divindade superior, ALÁ…”(6, p.52).

Mather e Nichols: “… Alá era uma divindade suprema já conhecida dos povos do Norte da Arábia” (7, p. 231).

O que Maomé realmente fez foi substituir o paganismo politeísta por um paganismo monoteísta, afinal todas as evidencias comprobatórias e históricas nos deixam elucidados de que Alá nunca foi mais do que um ídolo tribal!


A Purificação da Caaba e a manutenção de ícones católicos

Em 11 de Janeiro de 630 d.C., Maomé e seu exército penetram na cidade de Meca; dirigi-se à Caaba, em torno da qual da sete voltas, toca a Pedra Negra com seu bastão, manda derrubar os ídolos lá erguidos e apagar os afrescos que representavam os profetas bíblicos, entretanto, poupa as imagens de Abraão, de Jesus e da Virgem Maria. Com isso declara o recinto do santuário sagrado” (6, p. 69).

O que teria acontecido com o profeta para poupar resquícios do catolicismo? A reflexão dessa questão por si só pode trazer luz à mente aberta e disposta a encarar os fatos!


Os Amigos de Deus

No catolicismo romano é comum à reza aos “santos” mortos. Os católicos acreditam que esses cristãos, que em vida fizeram grandes obras de piedade, possam, depois de mortos, terem acesso a Deus para realizarem intercessões espirituais em favor dos vivos. Estranhamente, algo parecido acontece com os muçulmanos, na teologia islâmica esses santos especiais são chamados de “Amigos de Deus” com poderes interventores diante de Deus em prol dos muçulmanos vivos.

É o que nos conta o Dr. Hourani:

“A idéia de um caminho de acesso a Deus implicava que o homem não era só criatura e servo dele, mas também podia tornar-se seu amigo (wali). Essa crença encontrava justificativa em trechos do Alcorão: Ó vós, Criador dos céus e da Terra, sois meu Amigo neste mundo e no próximo (surata 12:101). Aos poucos, foi surgindo uma teoria de santidade (wilaya). O amigo de Deus era o único que sempre estava perto dele, cujos pensamentos estavam sempre nele, e que havia dominado as paixões humanas que afastavam o homem dele. A mulher, tanto quanto o homem, podia ser santa. Sempre houvera e sempre haveria santos no mundo, para manter o mundo no eixo. Com o tempo, essa idéia adquiriu expressão formal: Sempre haveria certo número de santos no mundo; quando um morria, era sucedido por outro; e eles constituíam a hierarquia que eram os governantes desconhecidos do mundo, tendo o qutb, o pólo sobre o qual o mundo girava, como seu chefe… Os amigos de Deus intercediam junto a ele em favor de outros, e Sua intercessão tinha resultados visíveis neste mundo. Trazia curas para a doença e a esterilidade, ou alívio nos infortúnios, e esses sinais de graça (karamat) eram também provas da santidade do amigo de Deus. Veio a ser largamente aceito que o poder sobrenatural pelo qual um santo invocava graças para este mundo podia sobreviver à sua morte, e podia-se fazer pedidos de intercessão em seu túmulo. As visitas aos túmulos dos santos, para tocá-los ou orar diante deles, passaram a ser uma prática complementar de devoção, embora alguns pensadores muçulmanos encarassem isso como uma invocação perigosa, porque interpunha um intermediário humano entre Deus e cada crente individual. O túmulo do santo, quadrangular, com um domo abaulado, caiado por dentro, isolado ou dentro de uma mesquita, ou servindo de núcleo em torno do qual surgia uma zawiya, era uma feição conhecida na paisagem rural e urbana islâmica… Do mesmo modo como o Islã não rejeitou a Caaba, mas deu-lhe novo sentido, também os convertidos do Islã trouxeram-lhe seus próprios cultos imemoriais. A idéia de que certos lugares eram moradas de deuses ou espíritos sobre-humanos estava generalizada desde tempos muito antigos: pedras de um tipo incomum, árvores antigas, nascentes que brotavam espontaneamente da terra, eram encaradas como sinais visíveis da presença de um deus ou espírito ao qual se dirigia pedidos e faziam oferendas, pendurando-se panos votivos ou sacrificando-se animais. Em todo o mundo onde o Islã se espalhou, tais lugares se tornaram ligados aos santos muçulmanos, e com isso adquiriram um novo significado… Alguns dos túmulos dos santos tinham-se tornado centros de grandes atos litúrgicos públicos. O aniversário de um santo, ou um dia especial ligado a ele, era comemorado com uma festa popular, durante a qual muçulmanos do distrito em torno ou de mais longe ainda se reuniam para tocar o túmulo, rezar diante dele e participar de vários tipos de festividades… Esses santuários nacionais ou universais eram os de Mawlay Idris (m. 791), tido como fundador da cidade de Fez; Abu Midyan (c. 1126-97) em Tlemcem, na Argélia Ocidental; Sidi Mahraz, santo padroeiro no delta egípcio, objeto de um culto em que os estudiosos viam uma sobrevivência em nova forma do antigo culto egípcio de Bubastis; e ‘Abd al-Qadir, que deu nome à ordem qadirita, em Bagdá… Com o decorrer do tempo, o Profeta e sua família passaram a serem vistos na perspectiva da santidade. A intercessão do profeta no Juízo Final, acreditava-se comumente, atuaria para a salvação daqueles que tinham aceito a missão dele. Maomé passou a ser encarado como um wali, além de profeta, e seu túmulo em Medina era um local de prece e pedidos, a ser visitado por si ou como uma extensão do hadj. O aniversário do profeta (mawlid) tornou-se uma ocasião de comemoração popular; essa prática parece ter começado a surgir na época dos califas fatímidas no Cairo, e estava generalizada nos séculos XII e XIV… O santo, ou seus descendentes e os guardiões de seu túmulo, podiam lucrar com sua reputação de santidade; as oferendas dos peregrinos davam-lhe riquezas e prestígios… Alguns exemplos disso foram observados nos tempos modernos: na Síria, o khidr, o misterioso espírito identificado com São Jorge, era reverenciado em fontes e outros lugares santificados; no Egito, coptas e muçulmanos comemoravam igualmente o dia de santa Damiana…”
 (1 – p.167, 168, 169 e 197).

No livro “Entre os Fiéis”, trabalho que rendeu o prêmio Nobel de literatura ao Dr. Naipaul, ele comenta da veneração que um paquistanês desenvolveu por um desses santos: “… Disse ele: ‘Existem categorias de fiéis. Alguns querem dinheiro, outros desejam uma boa vida no além… Eu desejo encontrar Alá. Você só pode fazer isso através de um médium. Meu murshid é o meu médium. Eu desejo amar meu murshid em meu coração. Alá está com meu murshid. E quando meu murshid entra em meu coração, Alá está comigo… Só posso conhecer Alá através do meu médium’ O murshid não era o pir ou chefe da comunidade, como eu pensei….era o santo cuja tumba havia visitado” (3, p.196).

A Bíblia desaprovada tanto; a intercessão dos santos católicos, a dos Amigos de Deus muçulmanos e de qualquer outra entidade que se coloque como intercessora. Somente Jesus Cristo, o filho de Deus, tem outorgado esse direito de interceder pelos homens – “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem…” (I Tm. 2:5).


A Veneração aos Imãs

“…Maomé, Fátima (filha do profeta) e os imãs eram vistos como encarnações das inteligências por meio dos quais o Universo foi criado. Os imãs eram vistos como guias espirituais no caminho do conhecimento de Deus: para os xiitas, vieram a ter a posição que os ‘amigos de Deus’ tinham para os sunitas” (1, p.191).


As Procissões

Algo comum no catolicismo é uma romaria ou procissão em devoção a algum santo canonizado pela Igreja Romana. O que poucos sabem é que no islã os tais “Amigos de Deus” também recebem a mesma homenagem, principalmente entre os xiitas (*). O dr. Naipaul, em uma de suas viagens de pesquisas, fez uma observação a esse respeito, isso na ocasião em que visitava o Irã. Essa visita ocorreu no auge da Revolução Islâmica impetrada por Khomeini em 1979. Revolução que, devido ao rigor religioso, punia qualquer pessoa, mesmo estrangeiro, que desrespeitassem as normas do Alcorão. Vejamos o que nos informa o dr. Naipaul – “O islamismo tem seus próprios mártires. Uma vez por ano, desfilam seus mausoléus alegóricos pelas ruas; os homens ‘dançam’ com pesadas luas crescentes, ora balançando as luas de um jeito, ora de outro; os tambores batiam, e às vezes havia combates rituais usando varas. As brigas de vara eram uma simulação de uma antiga batalha, mas a procissão era de luto e comemorava a derrota naquela batalha… A cerimônia – da qual participavam tanto hindus como muçulmanos – era essencialmente xiita, e a batalha tinha a ver com a sucessão do Profeta, que fora travada no Iraque, que o homem especificamente pranteado era o neto do Profeta” (3, p. 21).

A Teologia Bíblica, nesta questão de procissões, só tem uma resposta, tanto para católicos como para Islâmicos – “Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar” (Is. 45:20).


Superstições Islâmicas

“Mais difundida, na verdade praticamente universal no islamismo, era a crença em espíritos e a necessidade de descobrir um meio de controlá-los. Os jinns (demônios) eram espíritos com corpos de vapor ou chama que apareciam aos sentidos, muitas vezes sob forma de animais, e podiam influenciar as vidas humanas; às vezes eram maus, ou pelo menos travessos, e portanto era necessário controlá-los. Também podia haver seres humanos com poderes sobre as ações e vidas de outros, ou devido a alguma característica sobre a qual não tinham controle – o olho mau – ou pelo exercício deliberado de certas artes, que podiam despertar forças sobrenaturais. Era um reflexo distorcido do poder que os virtuosos, os amigos de Deus, podiam adquirir por graça divina. Mesmo o cético (escritor islâmico) Ibn Khaldun acreditava na existência da bruxaria, e que certos homens podiam descobrir meios de exercer poder sobre outros, mas achava isso repreensível. Havia uma crença geral entre os muçulmanos em que tais poderes podiam ser controlados ou contestados por encantos e amuletos colocados em certas partes do corpo, disposições mágicas de palavras e figuras, sortilégios ou rituais de exorcismo ou propiciação, como o zar, um ritual de propiciação, ainda difundido no vale do Nilo” (1, p.211, 212)

Segundo o historiador Mantran, o próprio Maomé quando começou a receber a revelação de Alá e do Alcorão acreditou estar possuído por jinns e até pensou em cometer suicídio (6, p.59). O que percebemos com todas essas conjecturas e colocações é que o Islã, além de ter adotado práticas idolatras do paganismo, abraçou pra si também as superstições dos povos nômades da Arábia e isso ainda permeia a religião do Profeta com toda a sua força mística!


CONCLUSÃO

Não queremos aqui desqualificar o Islã como mais uma religião monoteísta, apenas estamos fazendo um exame de maneira generalizada sobre pontos comuns no seio teológico muçulmano. O que descrevemos e compilamos acima é uma acoimar contra uma religião que, apesar de levantar uma bandeira contra a idolatria e as superstições, de certa forma se condena em algumas de suas práticas religiosas.

Sabemos que Idolatria refere-se à adoração ou veneração aos ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido elementar. Mas também pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, santo, pessoa, instituição, ambição etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos prestar. Assim, idolatria consiste na adoração a algum falso deus, ou a prestação de honras divinas a certas entidades. E quando o islâmico venera a “Pedra Negra”, peregrina a Caaba, reza ao pé de um túmulo de um “santo” e pede a sua intercessão, e até mesmo na sua adoração a Alá, ele está praticando a idolatria, invocando um deus que não é o Deus revelado na Bíblia. A própria recitação, na qual o indivíduo tem que declarar para se tornar muçulmano, já é idolatra em si mesma – “Não há outro Deus além de Alá e Maomé é o mensageiro de Alá”. Se Alá fosse o Deus Bíblico não haveria necessidade de invocar um outro nome junto com o seu – “E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos” (At. 4:12), pois salvação é só para aquele que invoca o nome do Único Senhor – “Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo” (Rm. 10:9). Por isso, quanto o muçulmano coloca Maomé e Alá em sua declaração de Fé, ele está se excluindo dos padrões bíblicos para alcançar a sua redenção.

Diante do exposto acima só nos resta deixar a seguinte mensagem aos islâmicos: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (I Cor. 10:14)

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Bibliografia Sugerida

Gostaria de recomendar a todos cristãos, principalmente os missionários, os seguintes livros sobre o Islã:

1. Uma História dos Povos Árabes, Hourani, A., Ed. Cia das Letras, São Paulo – SP, 2000;

2. O que Deu Errado no Oriente Médio, Lewis, B., Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro – RJ, 2002;

3. Entre os Fiéis, Premio Nobel de Literatura Dr. Naipaul, Ed. Cia das Letras, São Paulo – SP, 2001;

4. Além da Fé, Premio Nobel de Literatura Dr. Naipaul, Ed. Cia das Letras, São Paulo – SP, 2001;

5. Versos Satânicos, Rushdie, S., Ed. Cia das Letras, São Paulo – SP, 2000;

6. Expansão Muçulmana, Mantran, R., Editora Pioneira, São Paulo – SP, 1977;

7. Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo, Mather e Nichols, Editora vida, São Paulo – SP, 2000;

8. Knigth e Anglin, “História do Cristianismo”, Editora CPAD, Rio de Janeiro – RJ, 2001;

9. Halley, “Manual Bíblico”, Editora Vida Nova, São Paulo, 1991.

10 . fonte site: www.ictus.com.br

OBS: Com exceção do Dicionário de Religiões, todas as obras são de autores seculares e sem nenhum envolvimento religioso.

* xiitas – Seita islâmica que prega a paixão e a ressurreição de um senhor onipotente que fará reinar a justiça divina. Decretada religião oficial na Pérsia a partir do século XVI, presente hoje no Irã, Iraque, Paquistão e sul do Líbano.


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2 Comentários

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  1. Como o articulista muito bem diz no texto o islam condena a idolatria. No islam ensinado por Muhammad não ha idolatria. Nenhum santo intercede a favor de outrem. Agora, o facto de existerem certos grupos q se consideram islamicos não faz do islam uma religião idolatra.

    1. “não faz do islam uma religião idolatra”

      certos grupos islam adoram a “violência” e os grupos chamados “moderados” adoram o sectárismo (só eles estão certos ou julgam a 3ª revelação ultima.) e outros adoram “72 huris olhos como gazela, ou o céu de mulheres a dispor).

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