CENTRO
APOLOGÉTICO
CRISTÃO
DE
PESQUISAS
- CACP As
Igrejas Ceifeiras (Sátira
evangélica) por
Mary Schultze,
abril 2003.
D. Mariquinha foi convidada por
uma jovem simpática para ir a um culto na “igreja” que ela freqüenta. Essa é uma
das igrejas “ceifeiras”, entre as dezenas de outras que existem nesta cidade.
Mal o culto começou, depois de
uma oração decorada e feita em voz altíssima, a fim de impressionar os
analfabetos bíblicos que ali se encontravam, o pastor da “igreja”, um “afro”
gordo e suado, foi gritando:
“Quem quiser ficar rico, venha
congregar nesta igreja porque aqui Deus é mais generoso do que em qualquer outra
dessas que existem por aí...”
A maioria dos presentes estava,
de um certo modo, acreditando nos méritos daquele pastor, diante de Deus. O
homem orava em voz alta, pedindo que o Senhor abençoasse todos os que ali
estavam e, principalmente, os que fossem “generosos”, dando o que podiam e até o
que não podiam dar. Curioso é que ele falou que Deus o “dono de todo o ouro e
de toda a prata do universo” e que é um absurdo o seu povo não usufruir
plenamente desse tesouro. Ele só esqueceu de acrescentar que, como Deus é dono
de toda a riqueza do universo, Ele não precisa do dinheiro dos crentes e,
portanto, ninguém deve fazer sacrifício financeiro para agradar a Deus. Quem
quiser pode ler em Hebreus 13:15 que “o sacrifício de louvor a Deus é o dos
lábios que confessam o seu nome”. Aqui não se lê que o crente precisa dar
sequer um centavo para agradar a Deus.
Quando ele disse que a
miséria é obra do diabo, até que não mentiu tanto. Realmente, o diabo (da
cobiça) é quem promove no coração dos políticos e dos empresários a desmedida
ambição de lucros, impedindo-os de serem honestos nas Casas do governo e nas
empresas que pagam mal os seus empregados. Para afastar o poder do diabo, o
pastor conclamou os presentes a formar um “túnel de fogo”. Imediatamente, os
obreiros de ambos os sexos, vestidos a caráter, dispuseram-se em duas filas,
uma de frente para a outra, entrelaçando as mãos, como numa quadrilha junina. Os
crédulos presentes, na esperança de dias melhores, começaram a atravessar o
túnel de fogo, enquanto o pastor, acompanhado por um órgão eletrônico, gritava,
na maior exaltação: "Senhor, manda logo uma resposta. Lembra que nós não
estamos invocando Baal aqui, não! Estamos Te invocando para receber saúde e
prosperidade para essa gente boa, que está dando o seu último Real pra tua
glória!”
Aqui ele esqueceu que esse
dinheiro não será empregado para a glória de Deus, mas na conta dele, pois as
obras de sua mansão, num bairro de luxo da cidade, estão inacabadas e ele está
precisando ainda de uns 100 mil Reais para o acabamento final.
“Senhor, tu tens obrigação de dar
tudo que a gente pedir porque Tu és Deus e Deus pode tudo!”
Aqui ele esqueceu que Deus não
tem obrigação de dar-nos coisa alguma. Ele já nos deu o maior presente do
universo, que é a salvação em Cristo. O resto a gente tem de fazer por onde
conseguir. Quem leva uma vida reta diante de Deus e da comunidade, claro que
prospera mais do que quem anda gastando dinheiro com futilidades. Quem não
bebe, não fuma e nem freqüenta discotecas e outros antros de perdição, não gasta
o dinheiro da comida com os vícios e, por isso, prospera, mesmo que seja em
câmera lenta.
Após a “dança macabra” dentro do
túnel, os crédulos presentes foram comandados a escrever setenta vezes o
próprio nome numa folha de papel. Depois os obreiros passaram pelos bancos,
“ungindo” a testa de cada membro da “igreja” com óleo de soja barato. O pastor
garante que esse óleo é de oliva, é ungido e veio diretamente de Jerusalém. A
“festa” de baboseiras prosseguiu com o pastor gritando:
“Quando vocês passarem em frente
a uma casa bonita, olhem para ela e digam:
Deus vai me dar uma casa melhor do que essa!”
Em seguida, para convencer os
presentes, ele contou uma história mais melosa dos que as histórias de santos
católicos, tipo a de Sta. Tereza, que conversava com Deus, quando estava em
êxtase, etc. Só que ele não sabe, ou faz que não sabe, que crente nenhum pode
entrar em êxtase, pois isso é doutrina do ocultismo e a Bíblia proíbe totalmente
qualquer envolvimento com o mesmo.
Uma coisa é certa. Pode ser que
os pobres membros daquela “igreja” não tenham conseguido melhorar de vida... Mas
o pastor da “igreja”, sim. Apurou uma nota preta, naquela noite, e comprou logo
uma cozinha americana na loja de material mais próxima de sua casa. E ficou
pensando: “Como Deus é bom! Há cinco anos eu não tinha onde cair morto. Hoje
tenho um carro de luxo, um apartamento de dois quartos, uma boa grana no banco e
agora estou quase terminando uma casa maravilhosa, pois um pastor não pode viver
na pobreza, senão desabona o nome de Deus!”
O próximo passo desse pastor
vigarista vai ser uma viagem a Miami, pois pastor que nunca foi a Miami não é
muito respeitado pelos “confrades”. De Miami poderá trazer umas torneiras de
inox douradas, iguais àquelas de outros pastores (estes abriram suas “igrejas”
há mais de vinte anos), que vivem no maior luxo na Flórida, à custa dos
analfabetos bíblicos, que acreditam mais em lorotas de pastor “evangélico” do
que nas verdades bíblicas. Eles pensam ingenuamente: “Ora, se o pastor falou
então é porque Deus disse. A Bíblia é muito complicada. Melhor a gente não ler
para não se confundir”.
Essa é a maneira pela qual,
durante dezesseis séculos, a Igreja de Roma tem enganado o seu povo. Ela ensina
que somente a hierarquia romana pode interpretar a Palavra de Deus. Por isso os
seus hierarcas deitam e rolam sobre as verdades divinas, acrescentando,
subtraindo, “interpretando” e fazendo tudo que for proveitoso para explicar os
seus dogmas fraudulentos. Os papas romanos são, de fato, infalíveis na
disseminação da mentira religiosa.
Por outro lado, os tais
“evangelhos” da fé e da prosperidade são um vômito aos olhos de Deus e é
provável que, brevemente, Ele dê um basta na exploração que esses “legionários”
estão fazendo em o Seu Santo Nome!
(Inspirado em artigo da revista “Veja”, edição 1.794, de 19/03/03).
Gentilmente cedido ao CACP por Mary Schultze.
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