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II Pe 2.20-22 e a questão do “caminho da justiça”

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“Se, tendo escapado das contaminações do mundo por meio do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encontram-se novamente nelas enredados e por elas dominados, estão em pior estado do que no princípio. Teria sido melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, depois de o terem conhecido, voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido. Confirma-se neles que é verdadeiro o provérbio: ‘O cão voltou ao seu vômito’ e ainda: ‘A porca lavada voltou a revolver-se na lama’” (2ª Pedro 2:20-22)

Este texto de Pedro descreve com perfeição a realidade de que é possível que alguém que foi uma vez regenerado volte aos pecados de outrora. Ele diz que certas pessoas escaparam das contaminações do mundo por meio de Jesus Cristo (v.20), o que descreve com perfeição a regeneração que ocorre no pecador que crê. Mais uma vez devemos observar que é um ponto comum entre calvinistas e arminianos que a santificação é um processo de sucede a regeneração, no seguinte esquema:

Chamado 

                       Regeneração  

                                                         Santificação

                                                                                       Glorificação

Mas note que essas pessoas já tinham escapado das contaminações do mundo (2Pe.2:20), e através de Jesus Cristo. Isso obviamente significa que elas já tinham passado pelo estágio da regeneração e estavam em processo de santificação. Se elas já tinham escapado da contaminação do mundo, é porque não estavam mais contaminadas nem estavam mais no mundo. Se não estavam mais contaminadas então estavam santificadas, e se não estavam mais no mundo então estavam em Cristo.

De outra forma, teríamos que sustentar que pessoas não-eleitas e não-regeneradas podem mesmo assim escapar das contaminações do mundo de alguma forma, o que afundaria todo o conceito de depravação total (que inclui a contaminação da carne e o apego ao mundo), que é crido tanto por calvinistas como por arminianos.

É somente pela regeneração que o homem que estava completamente depravado e afundado no pecado pode “escapar das contaminações do mundo por meio de Jesus Cristo”, e, se é assim, segue-se logicamente que aquelas pessoas já tinham obtido a regeneração e, consequentemente, estavam salvas, naquele momento.

A continuação do verso exemplifica isso muito bem, ao se citar o exemplo da porca que foi lavada, mas voltou ao vômito (v.22). A porca sendo lavada é uma figura do homem pecador sendo purificado pela graça. Mas o texto mostra que é possível voltar ao vômito, que é o pecado. Mais uma vez, o conceito de voltar ao pecado depois que foi uma vez salvo é claro e evidente. R. C. Sproul é um dos que lutam contra a clareza do texto bíblico, dizendo:

“Pedro também fala da porca lavada voltando a revolver-se no lamaçal e do cão que volta a seu vômito, comparando-os a pessoas que se desviaram depois de serem instruídas no caminho da justiça. Há falsos convertidos cujas naturezas nunca foram mudadas (2 Pe.2.22)”[1]

Como vemos, ele afirma que aquelas pessoas nunca foram regeneradas. Mas, se elas não foram regeneradas, como haviam escapado das contaminações do mundo? E como haviam sido lavadas? Deus lava sem regenerar? Ele tira do mundo sem trazer para Cristo? Ele santifica quem ele não salva? Sproul apenas afirma que aqueles “porcos” continuavam sendo “porcos”, o que não resolve em nada a questão.

Era óbvio que porcos continuariam sendo porcos, da mesma forma que pessoas continuam sendo pessoas, estando elas no pecado ou não. O que determina se aquelas pessoas foram regeneradas não é por continuar possuindo a mesma natureza, que é impossível que se mude, e sim se essa natureza foi purificada do pecado ou não.

Todos nós somos homens pecadores que continuaremos sendo homens pecadores estando regenerados ou não. O que muda no homem regenerado é que ele é limpo destes pecados ao invés de continuar vivendo neles. Pedro nos diz que aqueles porcos foram limpos, que é uma figura do homem que é purificado do pecado. O fato de a porca ter voltado à lama só prova que é possível um regenerado voltar a viver no pecado, e não que ele nunca foi regenerado!

Da mesma forma que uma porca lavada pode voltar à lama, um homem regenerado pode voltar ao pecado. Era isso o que estava sendo ensinado ali. Presumir que a porca teria que mudar sua natureza e se tornar outro animal na analogia de Pedro é algo completamente ridículo. O que determina é o estado da porca e não o fato dela ser uma porca, da mesma forma que o que determina a salvação do homem é o estado do homem (de regenerado ou não-regenerado), e não o fato dele ser um homem!

Tais pessoas que voltam ao pecado depois de terem sido santificadas perdem a salvação porque se encontram em pior estado do que no princípio, quando ainda não eram salvas (2Pe.2:21). Se quando elas não conheciam o caminho da justiça elas não eram salvas, então depois de terem se desviado do caminho elas também não são salvas, pois se encontram em pior estado do que no princípio. Consequentemente, elas não podem permanecer como salvas.

Se a salvação não pudesse ser perdida e elas continuassem salvas, elas obviamente estariam em estado melhor do que quando elas ainda não conheciam a verdade, pois antes elas não eram salvas, e agora são. Se elas estão em pior estado, é porque caíram ao estado de não-salvas e tem ainda menos chances de recuperar aquilo que perderam.

[1] SPROUL, Robert Charles. Eleitos de Deus. Editora Cultura Cristã: 1998, p. 135.

Extraído do livro “Calvinismo X Arminianismo: quem está com a razão?”, cedido pela comunidade de arminianos do Facebook

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