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Agredidos e Agressores
Vittorio Messori
Corriere dela Sera, 26 de julho de 1999
Quem foi o agredido e quem é o agressor?
Quando em 638 o califa Omar conquista
Jerusalém, esta era, há mais de três séculos, cristã. Pouco depois,
sequazes do Profeta invadem e destróem as gloriosas igrejas, primeiro
do Egito e, depois, de todo o norte da África, levando à extinção
do cristianismo em lugares que tinham tido bispos como santo Agostinho.
Depois foi a vez da Espanha, da Sicília,
da Grécia, daquela que será chamada Turquia e onde as comunidades
fundadas pelo próprio São Paulo tornaram-se montes de ruínas.
Em 1453, depois de sete séculos de assalto, capitula e é islamizada
a própria Constantinopla, a segunda Roma. O rolo islâmico atinge
os Bálcãs, e, como por milagre, é detido e obrigado a retirar-se
das portas de Viena.
Entretanto, até o século XIX, todo
o Mediterrâneo e todas as costas dos países cristãos que ficam
em face, são "reservas" de carne humana: navios e países serão
assaltados por incursões islâmicas, que retornam às covas magrebinas
cheios de butins, de mulheres e jovens para os prazeres sexuais
dos ricos e de escravos obrigados a morrerem de cansaço ou para
serem resgatados a preços altíssimos pelos Mercedários e Trinitários.
Execre-se, com justiça, o massacre de Jerusalém em 1099, mas não
se esqueçam de Maomé II, em 1480, em Otranto, simples exemplo
de um cortejo sanguinolento de sofrimentos.
Ainda hoje: quais países muçulmanos
reconhecem aos outros que não aos seus, os direitos civis ou a
liberdade de culto? Quem se indigna com o genocídio dos armênios,
ontem e dos sudaneses cristãos, hoje? O mundo, segundo os devotos
do Corão, não está ainda agora dividido em "território do Islam"
e "território de guerra", todos os lugares, ainda não muçulmanos,
mas que devem se tornar tais, por bem ou por mal? Não é esta a
ideologia subentendida por muitos na imigração maciça rumo à Europa?
Uma simples revisão da história, mesmo
nas suas linhas gerais, confirma uma verdade evidente: uma Cristandade
em contínua posição de defesa em relação a uma agressão muçulmana,
desde o começo até hoje (na África, por exemplo, está em curso
uma ofensiva sanguinolenta para islamizar as etnias que os sacrifícios
heróicos de gerações de missionários tinham levado ao batismo).
Admitido que alguém, na história, devesse pedir desculpa a outro,
deveriam ser os católicos a pedir perdão por um ato de autodefesa,
pela tentativa de ter pelo menos aberto o caminho da peregrinação
aos lugares de Jesus, como foi o ciclo das cruzadas?
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