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Juízo Investigativo – O Sistema Sacrificial

por Pr. Natanael Rinaldi - qua out 14, 9:29 am

Ellen G. White interpreta o sistema sacrificial de modo incorreto quando ensi­na que “Por esta cerimônia (o sacrifí­cio diário), o pecado transferia-se, mediante o sangue, em figura, para o santuário.” (O Conflito dos Séculos, p.418). “Esta era a obra que, dia após dia, se prolongava por todo o ano. Os pecados de Israel eram assim transfe­ridos para o santuário, e uma obra especial se tornava necessária para a sua remoção”; “ Uma vez por ano, no grande dia da expiação, o sacerdote entrava no lugar santíssimo para a purificação do santuário. ” (idem, 418)

O erro consiste na suposição de que o aspergir do sangue diariamente no lu­gar santo (Nm 28.3) poluía o lugar, en­quanto que o sangue do bode aspergido no dia da expiação (Lv 16.1-23) purifi­cava o santuário. Se o sangue pela oferta pelo pecado, aspergido sobre o altar, servia para transferir a culpa do pecado do ofertante para o altar e as­sim contaminava o altar, por que o san­gue do bode expiatório no dia da expia­ção purificava o lugar santíssimo?

Por outro lado, se a purificação do lugar santíssimo se fazia com o aspergir o sangue do bode expiatório sobre a tampa do propiciatório, por que o sangue derramado diariamente sobre o al­tar não purificava o altar do sacrifício? “Uma vez por ano, no grande dia da expiação, o sacerdote entrava no lugar santíssimo para a purificação do santuário.”( Ibidem,p. 418)

Depois de proibir comer sangue, Deus deu a razão dessa proibição “Porque a alma da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o san­gue que fará expia­ção pela alma.”(Levítico 17.11).

Uma pergunta pode surgir por parte dos defensores dessa doutrina: se os sacrifícios diários removiam os pecados do santuário, por que as cerimônias do dia da Expiação? A resposta é simples: a expiação, no dia da Expiação, era fei­ta por aqueles que durante o ano não ti­nham oferecido sacrifícios pelos seus pecados (Seventh-Day Adventism, p. 76,77, Anthony A Hoekema, 1976).

PECADOS PERDOADOS E NÃO CANCELADOS

Diz EGW: “A obra do juízo investigativo e extinção dos pecados deve efetuar-se antes do segundo advento do Senhor. Visto que os mor­tos serão julgados pelas coisas es­critas nos livros, é impossível que os pecados dos homens sejam cancela­dos antes de concluído o juízo em que seu caso deve ser investiga­do. “(ibidem, p. 488,489).

O livro doutrinário da Igreja Adventista torna esse ensino de EGW mais claro, na procura da distinção entre pecados perdoados e não cancelados, como se fossem situações diferentes no seu significado: “Todos aqueles que verdadeiramente se arrependeram e pela fé reclamaram o sangue do sacrifício expiatório de Cristo, terão assegurado o perdão. Quando seus nomes forem chamados a julgamento e se constatar que eles estão revestidos pelo manto da justiça de Cristo, seus pecados serão apagados e eles serão considerados dignos da vida eterna.” (Nisto Cremos, p. 418).

É de se indagar: como admitir que quando alguém aceita a Cristo como Sal­vador único e pessoal – se esse é o caso que ocorre com os adventistas – tenha assegurado o perdão, mas, ao mesmo tempo, admitir que seus pecados não fo­ram apagados e que isso só se dará por ocasião da conclusão desse juízo investigativo? Quando Jesus disse ao pa­ralítico: “Filho, tem bom ânimo; perdo­ados te são os teus pecados.” (Mt 9.2) ele queria dizer apenas: teus pecados são perdoados, mas não cancelados? Isso se parece muito com o ensino católico do purgatório, porque, depois de cumprir to­das as exigências da confissão auricular e fazer penitências, ainda devem os católi­cos ir ao purgatório para satisfazer a justi­ça de Cristo.

O adventismo, como não crê no pur­gatório, admite que a alma do crente adventista ao morrer, dorme no pó da terra. E o chamado sono da alma. Não podem afirmar com Paulo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Fp 1.21). Toda essa distin­ção entre pecados perdoados e peca­dos cancelados, é essencial para o en­sino do juízo investigativo. Pode um cristão verdadeiro ter pecados perdoa­dos e não cancelados? “…o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” (1 Jo 1.7). “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para, nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a in­justiça. ” (1 Jo 1.9). “Aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados.” (Ap 1.5).

JESUS – JUIZ OU INTERCESSOR?

Diz EGW: “Quando se encerrar o juízo de investigação, Cristo virá, e Seu galardão estará com ele para dar a cada um segundo a sua obra. ” (Ibidem, p. 489). Como aceitar o ensino segundo o qual Jesus está ocupado no céu com a obra do juízo investigativo e simultaneamente aceitar que ele é o nosso intercessor e mediador junto ao Pai?. “ Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (hb 7.25). Como julgar e interceder ao mesmo tempo? Jesus é atualmente nosso advogado e não juiz (1 Jo 2.1).

Diz mais a Bíblia: “ Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus ,e também intercede por nós. “(Rm 8.34). “Por­tanto, pode também salvar perfeita­mente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interce­der por eles? ” (Hb 7.25).

OBRA DA REDENÇÃO INCOMPLETA

Diz EGW: “O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda per­maneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do ho­mem, há também uma ex­piação para tirar o pe­cado do santuário. Este é o serviço iniciado quan­do terminaram os 2.300 dias. Naquela ocasião, conforme fora predito pelo profeta Daniel, nos­so sumo Sacerdote en­trou no lugar santíssimo para efetuar a última parte de Sua solene obra — purificar o santuário.” (Ibidem, p. 420). “Pela sua morte iniciou essa obra, para cuja terminação ascendeu ao Céu, depois de ressurgir.” (Ibidem, p. 492). “’Remissão, ou ato de lançar fora o pecado, é a obra a efetuar- se.”(Ibidem, p. 417).

Um erro puxa outro erro. Se a expi­ação de Cristo não está completa pois lemos: “antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem” – perguntamos: quem pode ter certeza de salvação? A Bíblia declara que, des­de o sacrifício de Cristo no Calvário, os pecados de todo aquele que pôs sua confiança em Cristo foram apagados por completo. Não tiveram que esperar até 22 de outubro de 1844 para recebe­rem o princípio do perdão, nem até o regresso de Jesus para que se complete a obra da redenção.

A redenção é declarada completa e acabada na cruz de uma vez por todas.

Em Hb 9.11,12 declara: “ Quando, porém, veio Cristo como sumo sacer­dote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de san­gue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. ” (o grifo é nosso)

Isso é repetido em Hb 1.3 “… ha­vendo feito por si mesmo a purifica­ção dos nossos pecados, assentou-se à dextra da majestade nas alturas. Repetido também em Hb 10.12-14: “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pe­los pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam pos­tos por estrado dos seus pés. Porque com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. ”

CONCLUSÃO

A Sra. EGW declara que: “os úni­cos casos a serem considerados são os do povo professo de Deus. O jul­gamento dos ímpios constitui obra distinta e separada, e ocorre em oca­sião posterior. ” (Ibidem, p. 484) “Co­meçando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresen­ta os casos de cada geração suces­siva, finalizando com os vivos. Todo o nome é mencionado, cada caso minuciosamente investigado. Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes. ”(Ibidem, p. 486). Diz então que o julgamento tem a ver com os casos “do povo professo de Deus” e isto desde “cada geração sucessiva”.

Se o juízo está relacionado com o povo professo de Deus e isto desde cada geração sucessiva, então seria o caso de relacionarmos alguns dos santos de Deus que primeiro passaram por este mundo e cujo registro está na Bíblia.

É só examinar em Hebreus 11.4 o que se lê acerca de Abel: “Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala. ”

Perguntamos: Abel necessita ser investigado? Agora vamos ver um se­gundo caso, o de Enoque embora saibamos que ele foi arrebatado para não provar a morte (Gn 5.24):“Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o tras­ladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. ” (Hebreus 11.5).

É preciso acrescentar outros nomes como Abraão, de quem se diz que Deus já lhe preparou uma cidade celestial? (Hebreus 11.8-10). Os heróis da fé ja­mais passarão por esse “juízo investigativo” inventado pela Sra. EGW e defendida pela Igreja Adventista do Séti­mo Dia. É só ler Hb 11.13,39: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as pro­messas; mas vendo-as de longe, e crendo- as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. ” “E to­dos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa. ”

Cristo mesmo falou sobre este assunto. Ele avisou aos judeus incrédulos que eles veriam Abraão e Isaque e Jacó e todos os profetas no reino Deus, sendo eles mesmos seriam lançados fora: “ Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas, no reino de Deus, e vós lança­dos fora. ”

E virão do oriente, e do ocidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-ão à mesa no reino de Deus. (Lucas 13.28,29). “E Jesus disse- lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.” (Mt 19.28).

Poderia Jesus ter assim falado, se an­tes eles tivessem de passar pelo “juízo investigativo” que se iniciaria em 22 de outubro de 1844? Paulo falou com confi­ança referente ao seu futuro, dizendo: “‘Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará na­quele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem sua vinda.” (2 Timóteo 4.7,8).

Se Paulo admitisse esse “juízo investigativo” ele teria escrito: “A coroa da justiça me esperará depois que eu tiver passado pelo ‘‘juízo investigati­vo” que se iniciará em 22 de outubro de 1844. ” Quanto aos outros apóstolos, seus nomes estão inscritos no fundamen­to da Nova Jerusalém: “E o muro da ci­dade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.”(Apocalipse 21.14).

Perguntamos: Nomes tão gloriosa­mente adornados irão para revisão no julgamento investigativo? Terão que passar por um martírio?

Certamente que não. O caso se tor­na pior quando sabemos que os adventistas admitem a doutrina da Trin­dade e, consequentemente, aceitam a deidade absoluta de Jesus e daí reco­nhecem que ele possui todos os atribu­tos de Deus. Um desses atributos é a onisciência. Mas essa onisciência é ne­gada quando Jesus pode ser compara­do a um professor que, primeiro, deve corrigir as provas dos seus alunos para, em seguida, saber os que serão ou não aprovados.

O Jesus da Bíblia é realmente onis­ciente: ‘‘Eu sou o bom Pastor, e co­nheço as minhas ovelhas, e das mi­nhas sou conhecido.”(Jo 10.14). “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem. E dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. ”(Jo 10.27,28). “To­davia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhe­ce os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.”( 2Tm 2.19).


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