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Legalismo – A Doutrina da Salvação pelas Obras

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - qua set 05, 3:42 pm

Geralmente os adventistas do sétimo dia são tachados pelos demais evangélicos de legalistas devido a ênfase exagerada que dão à lei. Muitos entendem que a salvação para os adventistas não está desassociada da guarda da lei. A lei de certa forma é imprescindível para a salvação. Em contrapartida os teólogos adventistas se defendem de tais acusações da seguinte maneira:

Fica reafirmado: jamais pregamos a salvação por obras da lei...” (Subtilezas do Erro, pág. 14)

Quem está com a razão afinal? Os adventistas que acabaram de negar que sua salvação não se baseia nas obras da lei, ou os evangélicos que vêem nisso nada mais que argumentos sutis?

Mas analisando a literatura adventista veremos que entre a confissão de fé e a prática existe um imenso abismo. Aliás, esta é uma das características das seitas – a semântica enganosa. Ora, não fazem a mesmíssima coisa os católicos romanos? Eles defendem-se da mesma maneira quando são acusados de idólatras e legalistas. Nenhum evangélico daria crédito a um apologista católico somente pelo fato de negar que sua igreja seja idólatra! Assim são os mórmons, as Tjs e as demais seitas. Logo abaixo faremos o teste, analisaremos as literaturas adventistas a este respeito. Mas antes…

DEPOIMENTO DE UM EX-LEGALISTA 

Ubaldo Torres de Araújo ex-adventista, expressou de modo preciso este problema no meio adventista:

“A literatura legalista, ao contrário da evangélica, está impregnada de justificação pelas obras. Mas é justo o legalismo que procura um meio de classificar a atitude legalista que supõe existir nos outros. No livro Fé que Opera, do pastor Morris Venden, podemos ler, à página 348: “A relação com Deus não se baseia em nossa conduta, e sim, em nossa comunhão com Ele. Todo aquele que pensa que sua relação se baseia em sua conduta, cedo ou tarde acabará desistindo. E todo aquele que abandona sua relação devido sua conduta é LEGALISTA” (destaque meu). A quem o autor está aplicando o termo “legalista”? Aos evangélicos? Espero que não, porque estes, ao que se sabe, buscam a comunhão divina pela luz que vem do Espírito de Deus, independentemente da Lei. Agora mesmo, posso exigir de minha memória uma relação das teologias que têm a Lei como base ou fundamento, e enxergo o adventismo, seguido de todas as suas filhas igualmente legalistas. Pelo que sei e pratiquei, é exatamente o legalismo que busca o relacionamento com Deus pela sua conduta, isto é, pelas obras.

Durante mais de um quarto de século procurei relacionar-me com Deus pelos mandamentos do Decálogo. E esta é a atitude inerente a todos quantos estão ligados à Lei. Nestas condições, a Igreja, ao usar o termo “legalista” não pode aplicá-lo a ninguém, senão a si mesma.

A literatura adventista é um somatório de justificação pela fé e justificação pelas obras. Veja como fala o pastor Francis D. Nichol, em seu livro Objeções Refutadas, à página 21 “Embora não haja salvação em guardar a Lei, há condenação em não guardá-la.” Desta sentença tiro, com toda clareza, esta conclusão: guardar a Lei não salva; não guardar a Lei também não salva, antes condena. Então, qual é a vantagem da Lei? Por que lutar tanto por algo que não salva, antes nos condena? Além do mais, é de se presumir que todos estamos irremediavelmente condenados à perdição, pois quem conseguiu, até hoje, guardar a Lei, além de Jesus?

Acerca do sábado há uma versão moderna, muito difundida atualmente. Costuma-se dizer: “O sábado não salva; ninguém, todavia, pode ser salvo se não o guardar.” Como fiel legalista que sempre fui, meus lábios se abriram, e incontáveis vezes, para pronunciar esta impropriedade. Ela encerra um significativo erro de colocação, por ser exclusivista e arrogante, já que considera perdidos todos os não guardadores do sábado.” (“Pecador Eu Sou. Transgressor, Não.” pág. 29)

O GRANDE CONFLITO

“Os adventistas não crêem na salvação pelas obras da lei.” (Revista Adventista 4/2001 – pág. 10)

Veremos agora de fato se esta declaração resiste ao teste. Veja estas declarações logo abaixo e compare com a negativa da Revista supra citada.

Legalismo nos escritos de Ellen G. White – 

“As condições de salvação são sempre as mesmas. A vida, vida eterna, é para todos os que obedecem à lei de Deus.” (EGW, SDABC, vol.7, p. 931, citação da Revista da Escola Sabatina, 6 de janeiro de 1980, p. 16)

“Mostrai a necessidade dessa expiação, e dizei aos homens e mulheres que se se arrependerem e se tornarem leais à lei de Deus, podem ser salvos” (Evangelismo, p. 187)

“A salvação é uma obra progressiva; não se pode alcançá-la em uma hora ou um dia para então permanecer nela sem esforços especiais de nossa parte.” (Lar Ideal pág. 137)
Salvação pela guarda do sábado

“E, se alguém cresse e guardasse o sábado, e recebesse a bênção que o acompanha, e depois o abandonasse e transgredisse o santo mandamento, fecharia a porta da Santa Cidade a si próprio, tão certo como haver um Deus que governa em cima no Céu.” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p.66, CASA)

“Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna.” (Testemunhos Seletos, vol. III, p. 23)

Eis o que ela declara no livro “O Conflito dos Séculos”: “…. verificando-se estar o seu caráter em harmonia com a Lei de Deus, seus pecados serão riscados, e eles próprios havidos por dignos de vida eterna” (pág. 487, CPB-1971).

Aqui estão alguns exemplos das mensagens de Ellen White que procuram anular completamente o Evangelho da graça de Cristo: “Já vi que não é fácil ser cristão. E muito fácil apenas professar o nome de cristão, mas é uma coisa maravilhosa viver a vida cristã. Todos serão julgados de acordo com as suas palavras e ações e não de acordo com a sua profissão de fé.” (Testemunhos I pág. 454)

“Suas palavras e atos o julgarão no último dia. Por eles você será justificado ou condenado.” (Testemunhos II pág. 315)

“Todo membro do corpo deveria sentir que a salvação de sua alma depende dos seus próprios esforços.” (Ibid. pág. l21)

“Ele (Jesus) tornou possível aperfeiçoar o caráter cristão através do seu nome e pelo seu próprio valor, dando-nos como exemplo a sua própria vida, ensinando-nos a conseguir tal aperfeiçoamento.” (Testemunhos III pág. 365)

“O homem deve agir com o seu próprio poder, auxiliado pelo poder divino de Cristo a resistir e a conquistar a perfeição. Resumindo, o homem deve se esforçar como Cristo se esforçou… Isto não poderia ser o caso, se Cristo sozinho já fez tudo. O homem deve também fazer a sua parte. Deve ser um vencedor pela sua própria força e pela que Cristo lhe dá. Ele deve ser um co-trabalhador com Cristo no labor da conquista.” (Testemunhos IV pag. 32-33).

“Jesus abriu as portas da cidade de ouro, e nos fez entrar. Ali fomos bem-vindos pois havíamos guardado ‘os mandamentos de Deus’, e tínhamos o direito à arvore da vida”. (Vida e Ensinos, pág. 95)

“Todos, quantos guardarem os mandamentos de Deus, entrarão na cidade pelas portas e terão direito à arvore da vida…” (ibdem pág. 107)

O que dizem os escritores adventistas?

“Não Estabelecemos como regra a guarda dos mandamentos de Deus para ser salvo; todavia não seria errado afirmá-lo, pois que Jesus mesmo foi quem, explicitamente, a ensinou. Mat. 19:16-19.” (Assim Diz o Senhor, pág. 34)

“Embora não haja salvação em guardar a lei, há condenação em não guardá-la.” (Objeções Refutadas, Francis D. Nichol – pág. 21)

Esta funesta teologia legalista leva as pessoas a duvidarem da sua própria salvação. Isto ficou explícito pelo menos em duas declarações de Ellen White:
“Nunca se deve ensinar aos que aceitam o Salvador, conquanto sincera sua conversão, que digam ou sintam que estão salvos. Isto é enganoso.” (Parábolas de Jesus, p. 155, citado no livro 95 Teses, p. 133)

“Quando, ao labutardes pela salvação de pessoas, pecadores são convencidos de seus pecados e tendes indicações de que Cristo teve compaixão deles e de que nova esperança está irrompendo em seu coração, não é correto dizer:

“Oramos por eles, e eles entregaram o coração a Deus e foram salvos.” Isso é desconcertante. É seu privilégio dizer alegre e solenemente: “Creio que Jesus Cristo perdoou meus pecados.” Encorajai toda pessoa a ter esperança e fé, mas nunca… digais de alguém: ‘Está salvo.'” (Meditação Matinal de 1980, p. 258)

UMA GRANDE ADVERTÊNCIA

“porquanto, pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.” Romanos 3.20

“pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.” Gálatas 2.16

“Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” Gálatas 3.10


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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