Esqueceu a senha?

Ligação social do novo homem

por Artigo compilado - qui mar 27, 12:15 am

home_school_main

Até um estudo superficial da vida de Jesus revela que Ele se interessou pela reação do homem diante dos problemas sociais com que se defrontava. Desde que Jesus Cristo andou pela terra, o pensamento mundial a respeito das questões sociais passou por transformação radical. Devido a Ele o mundo testemunhou uma nova reverência pela vida humana e aprendeu alguma coisa sobre a dignidade e o valor do homem. Dos cinco homens pelos quais Paulo passou nas ruas de Roma, três eram escravos. A afirmação de Cristo de que todos os indivíduos possuem valor incomensurável aos olhos de Deus, foi a imagem que veio mais tarde ajudar na libertação dos escravos. Jesus disse: “Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha?” (Mateus 12:12). Foi Jesus quem nos ensinou que existe em cada homem, potencialmente, um filho de Deus. Quando viveu na terra, ninguém foi Seu companheiro predileto, fosse por ser rico ou por ser pobre. A patente e a distinção social nada significavam para Ele e era pelo homem, como homem, que Cristo se importava. Tomando em Si a nossa natureza humana, mostrou o que poderíamos ser, o que Deus pretendia que fôssemos.

Devido a Jesus, a mulher se viu erguida à sua posição atual. Em grande parte da literatura antiga, a mulher era encarada como pouco mais do que um animal. Eis um extrato das Leis de Manu: “Dia e noite as mulheres devem ser mantidas na dependência pelos elementos masculinos da família. Elas jamais estão preparadas para a independência, e são tão impuras quanto a própria falsidade.” A vinda de Jesus modificou tudo isso. Ele elevou a condição da mulher para sempre, quando nasceu de Maria. O cântico de Maria, o “Magnificat”, é a carta magna da liberdade da mulher. Alguns de Seus seguidores mais fiéis foram mulheres, e Ele as incluía entre Seus amigos mais íntimos, tais como Maria Madalena, Maria e Marta.

A vinda de Jesus Cristo modificou a conduta de grande parte do mundo. Os cristãos, dedicam a vida a ajudar o próximo, socorrer a pobreza, cuidar dos doentes. Muitos hospitais, orfanatos, instituições de caridade e asilos têm sua origem em Cristo. A consciência social do homem viu-se aprofundada pela vinda de Jesus. A história da igreja cristã, ao correr dos séculos, com seus triunfos, e fracassos, prova o fato de que Cristo veio sensibilizar a vida do mundo, indicando ao homem uma nova direção.

Por que motivo, então, o mundo se encontra em transe tão desesperado? A resposta está em que ele não quer ir ter com Cristo, e assim receber a vida. O mundo O rejeitou. É bem verdade que parte de sua consciência está ainda com Jesus, mas não sua conduta. Cristo só pode salvar o mundo estando vivo nos corações de homens e mulheres. Falamos displicentemente sobre o estabelecimento de uma ordem cristã de sociedade por meio de leis e providência de construção social, como se a pudéssemos trazer dos céus, ainda que para isso fosse preciso trabalhar bastante. O Reino de Deus jamais nos virá desse modo. Se a raça humana se voltasse repentinamente para Cristo, teríamos imediatamente a possibilidade de uma nova ordem cristã e poderíamos abordar os nossos problemas dentro dos quadros da compreensão e da fraternidade cristãs. É bem certo que os problemas continuariam, mas a atmosfera para a sua solução se veria inteiramente mudada.

Jesus andava no meio da multidão, e não tinha receio de entrar em contato com ela, com seus melhores e piores elementos, os doentes e os sadios, os grandes e os pequenos. “Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos… Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o. . . ” (Marcos 1:40, 41). A pessoa mais suja, mais solitária e mais abandonada naquele mundo era o leproso. Imaginemos o que deve ter significado, para ele, Jesus estender a mão e tocá-lo, com amor e compaixão. Provavelmente nenhuma outra mão o tocara, desde que a doença se manifestara.

Qualquer pessoa que deseje levar bênçãos à vida dos outros deve, de algum modo, “sentar-se onde elas se sentam”. Wilfred Grenfell tornou-se o anjo do Labrador, no Canadá, porque foi para lá viver com a gente do lugar. David Brainerd viveu com os índios da América Colonial. William Booth viveu no famoso East End de Londres. William Seagrave tornou-se o famoso e amado “Cirurgião da Birmânia” porque viveu toda a sua vida, quer doente ou em bom estado de saúde, numa aldeia da Birmânia. Recusou-se a voltar a seu lar, que amava, para que não morresse de doença ou por acidente quando afastado do povo birmanês, e foi lá que faleceu em 28 de março de 1965, numa pequenina aldeia não muito distante da fronteira com a China Comunista.

Se pretendemos tocar a gente de nossas coletividades, deveremos também conhecer os seus sofrimentos, sentir-lhe as tentações, fazer-lhe companhia em seus transes. Jesus Cristo entrou na arena de nossos problemas, e chorou com quem chorava, rejubilando-se com quem se alegrava.

É por isso que me interesso pelas pessoas que trabalham nas igrejas dos bairros pobres. Trata-se, provavelmente, do ministério religioso mais cheio de frustrações dos Estados Unidos, entre gente que mora em casas inadequadas e de que grande parte não tem emprego. As idéias religiosas não têm grande sentido para essas pessoas, cujas vidas estão totalmente desorganizadas. O pastor enfrenta todas as frustrações delas e tenta compassivamente penetrar-lhes nos problemas. Por outro lado, nos últimos quinze anos, houve tantas modificações que há necessidade de novas atitudes, novas e audaciosas técnicas de evangelização e orientação cristã.

 

A  MISSÃO  DA  IGREJA

É nesse ponto que a tensão na igreja se torna aguda. Qual a missão principal da igreja? É redentora, social, ou ambas? Há quem sustente que até o evangelismo devia ser reinterpretado conforme as linhas da construção social e na pressão política. Estamos hoje testemunhando o grande destaque conferido às organizações eclesiásticas e as suas resoluções, pronunciamentos, entendimentos e à própria lei, no sentido de criar e aplicar as transformações sociais antevistas pelos dirigentes da igreja como uma parte do mundo onde ela será a influência dominante.

Quando a maioria das denominações protestantes efetua seus concílios, assembléias ou convenções anuais, pronuncia-se em questões relativas ao desarmamento, ao auxílio do governo federal à educação, ao controle de natalidade, às Nações Unidas e a toda uma série de questões sociais e políticas. Muito raramente são aprovadas resoluções que se refiram ao testemunho redentor do Evangelho.

Existem os que pensam sempre em termos de ação de massas. As massas, as massas de grupo, têm obrigações, deveres e responsabilidades. Acham que deve haver leis que obriguem o grupo a honrar essas responsabilidades e que isso é a parte principal da missão cristã. Existem outros na igreja que julgam que a missão da mesma não é por orientação à sociedade. Existe certamente um sentido no qual a igreja deve orientar, alertar e apresentar a sua orientação, proclamando os critérios absolutos pelos quais Deus julgará a humanidade – tais como os Dez Mandamentos e o Sermão da Montanha, proclamado o propósito divino de Deus por meio do governo numa sociedade caída, e pregando todo o conselho de Deus, que diz respeito ao ambiente e ao ser físico do homem, bem como à sua alma. Ainda assim, existem os que discordam violentamente dessa posição. Não resta dúvida que a igreja se acha em perigo de abandonar a estrada real e perder-se num atalho.

Temos tentado resolver todos os males da sociedade como se esta se compusesse de homens regenerados, a quem tivéssemos obrigação de apresentar a orientação e conselho cristãos. Estamos começando a perceber que, embora a lei deva garantir os direitos humanos e exercer restrições sobre aqueles que os violam, sempre que aos homens faltar acatamento à lei, deixarão de respeitá-la, ainda que não a possam revogar. Desse modo, o governo poderá tentar legislar a conduta cristã, mas logo descobrirá que a mesma continua inalterada.

A transformação dos homens constitui a missão principal da igreja e o único modo de consegui-lo é fazer com que se convertam a Jesus Cristo. Depois disso é que eles terão a capacidade de corresponder à ordem cristã de “Amar o próximo”.

Creio também que a igreja está tentando falar sobre um número demasiado de questões que, na realidade, não lhe dizem respeito. Há certas questões que sabemos estarem erradas – a injustiça racial, o crime, a jogatina, a desonestidade e a pornografia. Nesses setores, devemos falar como os profetas de Deus, Não tenho tanta certeza, no entanto, de que o conjunto da igreja tenha o direito de tomar decisões políticas. Não tenho certeza de que os dirigentes da igreja tenham o direito de falar sem consulta, exprimindo-se em nome de todos os seus membros. Não resta dúvida que a igreja protestante norte-americana esteve perigosamente perto de envolver-se em política durante as eleições de 1960 e 1964. Muitos órgãos dela se opuseram a Kennedy, e quatro anos mais tarde muitos outros grupos aprovaram resoluções contra Goldwater.

Como resultado do afastamento da igreja do caminho principal de seu ministério, muitos de seus fiéis mostram-se inquietos e insatisfeitos. Alguns se recusam a dar mais dinheiro, muitos estão procurando alimento espiritual em outra parte. Um dos grandes dirigentes trabalhistas deste país disse recentemente a um amigo meu: “Vou à igreja nos domingos, e tudo quanto ouço é conselho social, quando meu coração está faminto de alimento espiritual.”

Certo presidente dos Estados Unidos da América me disse que estava farto de ouvir pregadores falarem sobre questões internacionais, sem o conhecimento dos fatos reais. É perfeitamente correto um pastor apresentar as suas opiniões pessoais sobre qualquer assunto, na sua qualidade de cidadão, mas a coisa se torna diferente quando a igreja fala, como igreja, sobre todas as questões sociais e políticas, principalmente quando as mesmas, resolvidas deste ou daquele modo, não constituem problemas morais ou espirituais. Muitas vezes homens devotos e espirituais tomam posições contrárias.

Estou convencido de que, se a igreja voltasse à sua tarefa principal de pregar o Evangelho e levar as pessoas ao conhecimento de Crista, isso teria um impacto muito mais poderoso sobre a estrutura da nação do que qualquer outra coisa que estivesse a seu alcance fazer.

 

O  MINISTÉRIO  DE  CRISTO

Há um episódio interessante registrado no Evangelho de Lucas, a respeito do ministério de Cristo. “Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós? Então lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lucas 12:13-15).

Aí temos um caso decisivo. Um homem levava o seu problema econômico a Jesus. Naquele tempo, se um homem tinha dois filhos, a propriedade paterna ia na proporção de dois terços para o mais velho cabendo o terço restante ao mais novo. Nesse caso, talvez o filho mais novo estivesse pedindo mais do que a sua terça parte ou talvez o mais velho se houvesse apoderado de mais do que os seus dois terços. Não é provável que esse homem se apresentasse a Jesus com uma exigência injusta ou irrazoável, pelo que lhe concedemos o benefício da dúvida. A sua exigência era justa. E que disse Jesus? Replicou: “Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?” Que resposta decepcionante! Lá estava um homem com um problema econômico razoável, e se via rejeitado por Cristo. Foi provavelmente para casa, onde disse aos amigos que Jesus não se interessava pelas questões sociais. É provável que tenha dito que Jesus se mostrava frio e indiferente às suas necessidades materiais.

Tratava-se de autêntico problema econômico, sobre o qual a igreja se manifesta muitas vezes, e em nossos dias aprova muitas resoluções sobre tais questões. Cristo examinou o caso e aprovou uma resolução? Estudou essa questão econômica? Não! Replicou com aparente indiferença: “Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?” Em outras palavras, Jesus disse que não fora designado para essa função de árbitro em questões econômicas. As declarações e pretensões daquele que O inquiriu podem ter sido perfeitamente justas, ou não. Jesus achou que essa questão devia ser resolvida pelas autoridades.

Depois disso, Ele se voltou para o tema principal de seu ministério e disse: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” Aqui vemos Jesus recusando-se deliberadamente a se envolver num problema econômico, indicando coisa muito mais profunda. Havia uma queixa mais sutil, um problema mais profundo em jogo.

 

INJUSTIÇAS  SOCIAIS

Não há a menor dúvida de que hoje a injustiça social campeia por toda a parte. Examinando o nosso cenário norte-americano, Jesus veria fato ainda mais profundo e diria: “Guardai-vos e acautelai-vos da cobiça, do espírito de eterno descontentamento com o que a vida oferece, sempre querendo mais, sempre olhando as condições de vida de outrem e jamais se contentando.” Nisto consiste a doutrina social de Jesus.

Na igreja, devíamos começar a examinar a raiz de nossos problemas, que é a doença da natureza humana! No entanto, tentamos ser médicos sociais canhestros e errados, aplicando remédios aqui e passando ungüento ali, nas feridas do mundo, mas as feridas irrompem outra vez em outras partes do corpo doente. A grande necessidade é que a igreja chame o grande Médico que pode, somente Ele, diagnosticar adequadamente a doença. Ele virá por baixo das meras erupções cutâneas e pronunciará a causa de tudo – o pecado.

Se, na igreja, queremos uma causa para lutar por ela, combatamos o pecado, revelemos sua hediondez. Mostremos que Jeremias estava certo, ao dizer: “Enganoso é o coração, mais do que todas as causas, e desesperadamente corrupto” (Jeremias 17:9). E então, quando o centro do problema humano for tratado, quando essa doença for erradicada, só então o homem viverá com o homem, como irmão com irmão.

Não desejo ser mal interpretado. Acredito que se deve tomar posição quanto às questões morais, sociais e espirituais de nossos dias. Fazia pouco tempo que eu pregava, quando resolvi que jamais pregaria a uma assistência racialmente segregada, em qualquer situação da qual tivéssemos conhecimento. Isso aconteceu muito antes da decisão do Supremo Tribunal, em 1954. Perdi muitos seguidores, recebi muitas cartas ameaçadoras. Fui chamado de radical, liberal, comunista. Certas igreja deixaram de desejar que eu me apresentasse em seus púlpitos, mas achei que era essa a posição cristã e não podia assumir outra.

Em minhas cruzadas, tenho pregado sobre todas as questões sociais concebíveis. Utilizei meu programa radiofônico The Hour of Decision (A Hora de Decisão) para pregar sobre todas as questões sociais de nossa época, e tenho falado de tudo, desde a habitação deficiente até à segurança das rodovias. As questões sociais de nossos dias, no entanto, não foram o tema principal de minha pregação, pois este tem sido o mesmo dos primeiros Apóstolos: “Que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (I Coríntios 15:3, 4).

Quando Filipe, o evangelista, pregava ao nobre etíope na quente estrada do deserto, dizem as Escrituras: “Ele lhe pregou Jesus.” O nobre africano provavelmente estava sendo puxado por escravos e a escravidão constituía a maior das injustiças sociais daquela época, mas não temos qualquer notícia de que Filipe o recriminasse pelo escravagismo. Ele lhe pregou Jesus.

Aos famintos, Jesus disse: “Eu sou o pão da vida.” Aos sedentos, disse: “Eu sou a água da vida.” Aos cansados, disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” À pessoa sobrecarregada de culpa, Ele disse: “Vossos pecados estão perdoados.” Até aos mortos Ele falou: “Eu sou a ressurreição.”

Existe outro problema que se relaciona com a preocupação de natureza social. Disse o Apóstolo Paulo: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4:11).

Quando escreveu isso, o Apóstolo estava numa prisão romana. Trata-se de afirmação espantosa, partida de alguém que estava tão insatisfeito com sua própria vida espiritual que chamava a si mesmo o maior dos pecadores, e em outra ocasião declarou não ter alcançado a meta, mas estar-se ainda esforçando para isso. Que queria dizer? Queria dizer que descobrira o segredo de estar perfeitamente satisfeito com qualquer condição de vida na qual aprouvesse a Deus colocá-lo.

Não dependia das circunstâncias para ser feliz, não apresentava qualquer reclamação contra a vida ao lhe faltar dinheiro ou conforto, ou quando se via exposto a críticas injustas. Pensava mais no que podia dar do que no que podia receber ou obter. Podia dizer sinceramente: “Para mim o viver é Cristo” (Filipenses 1:21). Em outras palavras, para Paulo a vida significava apenas Jesus Cristo, Cristo para amar e servir, Cristo para pregar e adorar.

 

VALORES  VERDADEIROS

Embora Cristo dissesse que a vida do homem não consiste nas coisas que ele possui, na igreja achamo-nos perigosamente perto de ensinar às pessoas que as “coisas” são as posses mais importantes da vida. Vivo nos Montes Apalaches, onde conheço famílias que não têm tanto quanto outras, residentes em Nova York e Filadélfia. Apresentam no entanto, uma alegria, um contentamento e uma paz fundados em sua fé espiritual, que lhes proporciona satisfação e tranqüilidade. Conheço milionários em Nova York, Texas e Califórnia que estão a caminho de estourar os miolos, por não poderem resistir às pressões da vida.

Quem é mais rico? Quem possui mais bens? Paulo podia dizer na prisão: “Estou contente.” Que coisa poderia ser pior do que um cárcere romano, frio e infestado de ratos? Na igreja, estamos em perigo de inverter o caso do filho pródigo. Jesus disse que o filho pródigo voltou a si, deixou o país distante e regressou a seu pai. Ao invés de tentar tirar o filho pródigo do campo distante, estamos na igreja tentando levar-lhe o conforto material e a felicidade no chiqueiro do mundo.

É certo que Paulo sentia um descontentamento espiritual que o impetra a todos os sofrimentos concebíveis a fim de poder conquistar os homens para Cristo. Decerto nós, como cidadãos cristãos, não temos o direito de estar contentes com nossa ordem social enquanto os princípios de Cristo não se vejam aplicados a todos os homens. Enquanto houver na escravidão um homem que devia estar livre, enquanto existirem favelas e guetos, enquanto qualquer pessoa for dormir sem ter comido, por falta de alimento, enquanto a cor da pele de uma criatura for a sua prisão, deverá haver descontentamento divino.

 

RESPONSABILIDADE  CRISTÃ

Isso parece paradoxo, mas não é. Como cristãos, temos duas responsabilidades. Uma é proclamar o Evangelho de Jesus Cristo como solução única para as necessidades humanas mais profundas. Outra é aplicar tão bem quanto possamos os princípios do cristianismo às condições sociais em redor de nós.

Jesus ensinou que o cristão é “o sal da terra” (Mateus 5:13). Falou em sal, porque essa substância confere sabor à comida e, além disso, conserva. Há alimentos que se deteriorariam sem ele. Nossa sociedade nacional se tornaria corrupta, a cobiça e concupiscência, juntos ao ódio, levariam a nação a verdadeiro inferno, se não fosse o sal cristão. Basta tirar todos os cristãos da América e ver o caos que se formaria da noite para o dia. É, em parte, porque a igreja perdeu a sua qualidade de sal que temos agora necessidades morais e sociais tão grandes. Uma pitada de sal apresenta valor inteiramente fora de proporção com a sua quantidade.

Ele disse também: “Vós sob a luz do mundo” (Mateus 5:14). A escuridão de nosso mundo é cada vez mais tenebrosa e só resta uma luz verdadeira, a de Jesus Cristo, refletida por aqueles que nEle confiam e crêem. O próprio Jesus viera trazer luz para que os homens pudessem ver a Deus por Seu intermédio. Os que O seguem devem fazer brilhar e irradiar Sua luz. Ele disse: “Brilhe a vossa luz diante dos homens” (Mateus 5:16).

Cristo indica que o mundo é a esfera da luz e do sal. Os problemas atuais em nossa vida nacional são graves e todos os cristãos possuem uma responsabilidade definida. O cristão é cidadão de dois mundos e, diante dessa cidadania dupla é-lhe dito nas Escrituras não só que ore pelos que ocupam a autoridade política mas também que participe e sirva ao seu governo. O cristão é o único e verdadeiro portador de luz no mundo. Assim como existe o perigo de que o sal perca a sua qualidade, há também o de que a luz se perca nas trevas se não tiver a oportunidade de brilhar. As vidas dos primeiros cristãos foram seu testemunho invencível e o mundo pode argumentar contra um credo, mas não contra vidas transformadas.

É o que faz o simples Evangelho de Jesus Cristo, quando pregado sob o poder e a autoridade do Espírito Santo.

O cristão não apenas segue Cristo e aprende com Ele, mas também tem de agir. O mundo julga o cristão por sua vida, não por sua crença, e seus atos são indicação de sua fé. Disse o Apóstolo Tiago: “Mas alguém dirá: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras te mostrarei a minha fé” (Tiago, 2:18).

Perguntaram certa feita a um evangelista se ele não achava que o mundo estava ficando pior, e ele respondeu: “Se estiver, nesse caso estou decidido a que o seja a despeito de mim.” Podemos parafrasear, e dizer: “Se o mundo está ficando pior, então, o será a despeito do Evangelho de Cristo e dos que nEle confiam.”

Extraído do livro “MUNDO  EM  CHAMAS”, BILLY GRAHAM


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

Deixe seu comentário

Comentários fechados neste artigo.

Advertisement