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Livro “O Único Deus Sábio”

por Artigo compilado - seg jun 20, 11:42 am

Livro Unico Deus Sabio

“Historicamente, o fatalismo dominou o pensamento da Grécia antiga, e os pais da igreja primitiva tiveram que argumentar vigorosamente contra ele para apoiar o conceito da liberdade humana. Mais recentemente, o filósofo de Oxford Michael A. E. Dummett relembra que durante a Segunda Guerra Mundial, nos dias negros da Batalhada Inglaterra, quando mísseis e bombas nazistas martelaram Londres todas as noites, muitas pessoas perderam suas vidas, porque elas se recusaram a se refugiarem nos abrigos antiaéreos. Eles argumentaram: “Se eu vou ser morto, então vou ser morto, tomando precauções ou não. Já que serei morto ou viverei, por que me preocupar tomando precauções?”.

O ÚNICO DEUS SÁBIO. A compatibilidade entre a presciência divina e a liberdade humana. William Lane Craig, p.16: Editora Sal Cultural.

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PREFÁCIO

Se há uma questão que tem atormentado a mente de filósofos e teólogos ao longo dos séculos, esta diz respeito à possibilidade ou não de conciliação entre a presciência divina e a liberdade humana. Será que estes dois importantes pólos podem ser conciliados sem que haja prejuízo a qualquer um deles? Poderia Deus prever ações humanas futuras sem necessariamente determiná-las? Ou ainda, pode o ser humano agir livremente diante de um Deus que conhece prévia e plenamente a cada um de seus pensamentos, decisões e ações futuras? Tal dilema sempre esteve presente no pensamento judaico-cristão. Contudo, algumas vozes levantaram-se a favor da confluência entre a presciência divina e a liberdade humana. No contexto judaico, mais especialmente nos Pirkê Avot (Capítulos dos Pais) 3:15, nos deparamos com a seguinte célebre frase atribuída ao Rabi Akiva: hakol tsafuy, weharshut netunah, que literalmente quer dizer: “tudo está previsto, mas a permissão foi dada”. Pode-se traduzir ainda tal expressão como “tudo está previsto (no alto), entretanto, nos foi dado o livre-arbítrio”. Já no contexto cristão, Agostinho de Hipona, em sua obra De Libero Arbitrio (O Livre-Arbítrio), declarou: “[…] ainda que Deus preveja as nossas vontades futuras, não se segue que não queiramos algo sem vontade livre”. Assim, amparado nesta tradição judaico-cristã de longa data, mas sem apelar para o mistério, William Lane Craig argumenta com a erudição que lhe é peculiar a favor da compatibilidade entre a presciência divina e a liberdade humana. Para ele, esses dois conceitos não são mutuamente excludentes, mas se complementam e, portanto, podem e devem conviver em perfeita harmonia.

Carlos Augusto Vailatti
Biblista, Hebraista Teólogo


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2 Comentários

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  1. Adão quando pecou culpou dizendo: ” – a mulher que tu me deste.” (seria mesma coisa que dizer “a culpa é sua Deus ! pois você me deu está mulher.”

    o fatalismo e o determinismo é o mesmo pecado antigo de Adão, isto é, é a tentativa pífia de por a culpa em Deus de tudo.

    1. É só lembrar de Jó, mesmo sendo alvo de discussão entre Deus e o Diabo, e foi submetido a uma terrível provação, e Jó não pôs a culpa e nem falta a Deus. “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”; (Jó 1.22).

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