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Mario (espírita) X Paulo Cristiano (CACP)

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - sáb set 15, 8:46 pm

Prezado sr. Mário!

Já faz algum tempo que nós trocamos alguns comentários por e-mail pertinentes ao tema reencarnação. Como já havia lhe avisado em e-mail anterior não pude lhe responder prontamente, devido aos inúmeros e-mails que preciso responder, além de trabalhos de cunho secular. Todavia, agora me sobrou tempo para debruçar-me sobre a questão em debate. É o que proponho a fazer neste e-mail. Li suas considerações ao meu e-mail anterior e gostaria de comentar suas respostas levando em conta a autoridade das escrituras sagradas. Minhas respostas estarão em preto enquanto que as suas deixei destacado em cor azul.

Amigo Paulo Cristiano, que Deus continue te abençoando. Quando começamos a trocar informações a partir de um artigo no vosso informativo, já sabíamos que não concordaríamos sobre o tema Reencarnação.

Prezado Mário, a doutrina da reencarnação não pode ser substanciada nas escrituras sagradas – a Bíblia. Levando-se em conta que toda a minha filosofia de vida e crença se baseia única e exclusivamente nela, nunca poderíamos chegar a um denominador comum. Creio que o senhor percebeu a dificuldade em coadunar as duas proposições, visto que se excluem mutuamente. Partindo deste enfoque lógico, percebe-se que uma delas deve ser necessariamente falsa.

Mas através de suas expressões, passei a compreender mais os argumentos contrários a esta doutrina, que, aliás, não foi criada por Allan Kardec. Kardec, nasceu católico e depois foi estudar num país protestante, a Suiça, tornando-se aluno do grande educador Pestalozzi. Fico contente em saber que você tem consultado o Livro dos Espíritos, mesmo que, procurando nele discrepâncias doutrinárias.

O senhor tem toda razão quando diz que a doutrina da reencarnação não foi criada por Allan Kardec, isso eu já lhe havia informado de maneira sobeja em meu penúltimo e-mail, e volto a reiterar: a doutrina da reencarnação não foi criada por Kardec, o papel de Kardec foi dar um sabor distinto e colorido ao gosto ocidental nesta crença. A reencarnação remonta aos tempos primitivos dos Hindus, dos brâmanes de onde Buda a tomou emprestada e adaptou-a aos costumes chineses criando assim o seu “nirvana”. Na Grécia, parece que Pitágoras foi quem introduziu-a primeiramente depois de ter recebido de seu mestre Ferécides. Já em Roma ela não teve muita aceitação, haja vista, quase nenhum escritor famoso tê-la ensinado. Depois de Kardec difundir tal teoria, apareceram vários grupos com tipos diferentes de teorias reencarnacionistas, mesclando uma ou outra concepção provindas do budismo, hinduismo, taoísmo e cristianismo. Neste último, temos os chamados “reencarnacionistas cristãos” e os adeptos da Nova Era. Kardec foi discípulo de Pestalozzi (o tal instituto era de tendência protestante liberal) e dele absorveu o naturalismo de Rousseau no qual Pestalozzi tanto se afundara. É interessante salientar que Pestalozzi desiludido com a carreia religiosa foi influenciado por este último e descambou para o naturalismo. Era normal que Kardec absorvesse as idéias naturalistas de seu tempo aplicando-as posteriormente em suas concepções religiosas. Não cabe aqui comentar, mas a suma das doutrinas kardecistas refletem apenas o conhecimento da época e não tem quase nada a ver com doutrina dos espíritos.

A Reencarnação á apenas um dos pilares em que está apoiada a Doutrina Espírita. Os outros são a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos. Todas as doutrinas espiritualistas concordam que o corpo morre, mas a alma ( para nós, espírito encarnado ), viverá sempre, eternamente. Poderia aqui dizer a você que biblicamente isto está manifestado na transfiguração de Jesus e das aparições de Elias e Moisés a seu lado, de maneira tão forte que os discípulos perguntaram ao Divino Mestre sobre a possibilidade de se fazer tendas para os visitantes. Sei que o texto oferece campo imenso para outras interpretações teológicas e a discussão seria infindável. E antes que você argumente que, se Elias era a reencarnação de João Batista, por que não foi ele a se materializar, respondo que há uma possibilidade do espírito se apresentar de maneira que melhor lhe agradar. Chama-se ideoplastia, isto é, o espírito age pela força do seu pensamento e agrupa o ectoplasma da forma desejada. Isso funciona também para os maus espíritos, que podem apresentar-se em formas horrendas, pois essa é a qualidade dos seus pensamentos perversos.

Conquanto, sabemos deste leque nos fundamentos da teoria reencarnacionista do kardecismo, não quero, entretanto, me alongar nos outros dois, isto é, na imortalidade da alma e a comunicação com os espíritos.

Pretendo me limitar ao primeiro pilar do espiritismo – a reencarnação.

O senhor alega que o episódio bíblico da “transfiguração” é uma suposta base bíblica para a doutrina espírita. Permita-me mostrar onde se encontra o equívoco deste argumento. O que caracteriza uma sessão espírita clássica? Não é a comunicação entre pessoas vivas com espíritos dos que partiram? Se tal for o caso, o episódio da Transfiguração, registrado em Mateus 17:1-8 se caracterizaria exatamente como isso-uma sessão espírita. Afinal, ali estariam dois que há muito partiram desta vida, Moisés e Elias, entrevistando-se com Jesus, na presença de três de Seus discípulos de maior confiança Pedro, Tiago e João. Mas o que diz a Bíblia? Primeiramente queremos deixar claro que o assunto tem de ser entendido dentro do seu contexto. Sair fora dele é falsificar a mensagem, dando a ela uma conotação errônea.

Darei aqui algumas poucas razões do porquê da Transfiguração.

1º – A transfiguração de Jesus revela a grandiosidade da glória do seu reino. Ele havia prometido na semana anterior, que alguns de seus discípulos que ali estavam não morreriam antes que vissem a glória do seu reino:

“Mas em verdade vos digo: Alguns há, dos que estão aqui, que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus. Cerca de oito dias depois de ter proferido essas palavras, tomou Jesus consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte para orar.” (Lucas 9:27-28).

Como era essa glória? Vejamos o depoimento das testemunhas “in loco”;

“e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz..” [Mateus 17:2 – Mc. 9:3; Lc. 9:29]

Apesar de Jesus estar em forma de homem, em estado de humilhação, antecipou aos seus discípulos ver a glória do pós-ressurreição como aparece em Apocalipse:

“E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete candeeiros de ouro, e no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma roupa talar, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro; e a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente que fora refinado numa fornalha; e a sua voz como a voz de muitas águas.” [Apocalipse 1:12-15]

Esta é aquela mesma glória que Ele reclamava ter tido antes de vir ao mundo:

“Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.” [João 17:5]

2º – Outra razão foi a de sancionar o seu ministério.

Ora, Jesus manifestou-se com o testemunho da lei e dos profetas (Jo. 5:46; Rm. 3:21 etc…] Nada mais justo que os principais representantes da lei e dos profetas – Moisés e Elias – viessem pessoalmente legitimar seu ministério!

3º – A declaração de Deus. No verso 5 Deus confirma o ministério de Cristo da seguinte maneira:

“Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.”

Legitimava-se desta maneira o Filho de Deus como superior a Moisés e Elias. Para entendermos melhor isso teremos de voltar oito dias antes, quando então Jesus perguntava aos seus discípulos: “… Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou?Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” [Mateus 16:13-16]

Veja que Jesus pedia uma clara declaração formal de seus discípulos sobre sua identidade e autoridade. Mais tarde porém, no episódio do monte, o próprio Deus atesta pessoalmente esta identidade aos seus discípulos v.5.

Agora vamos à mais algumas considerações:

É impossível conceber que João Batista seja Elias reencarnado.
Dentre as muitas razões porque cremos que João Batista não era Elias, queremos citar apenas quatro:

1) – Os judeus criam que João Batista fosse Elias ressuscitado, não reencarnado (Lucas 9:7,8).

2) – Se a reencarnação é o ato ou efeito de reencarnar, pluralidade de existência com um só espírito, é evidente que um vivo não pode ser a reencarnação de alguém que não morreu. Fica claro assim que João não era Elias já que este não morreu, tendo sido arrebatado vivo para Deus (II Crônicas 2:11). A lei reencarnacionista é bem clara, que inclusive está escrita no túmulo de Allan Kardec: “Nascer, morrer, renascer e progredir sempre, esta é a lei”. Logo, é preciso morrer para poder renascer. Com isso, desfaz-se em definitivo o argumento espírita que João Batista foi a reencarnação de Elias.

3) – Elias disse abertamente, sobre essa questão, quando lhe perguntaram: “És tu Elias?”, ele respondeu desembaraçadamente: “NÃO SOU” (João 1:21). Parece que, se a doutrina da reencarnação existiu entre os judeus, Elias e João Batista nunca creram nela!

4) Se João Batista fosse Elias, no momento da transfiguração de Cristo teriam aparecido Moisés e João (que já que por esse tempo Herodes já tinha mandado degolá-lo) e não Moisés e Elias (Mateus 17:1-8), pois segundo afirmam os espíritas, o espírito aparece com a forma da última reencarnação, o que não se deu naquele momento.

Vamos nos deter aqui um pouco e comentar sua objeção quanto a este fato; segundo o senhor mesmo diz:

“E antes que você argumente que, se Elias era a reencarnação de João Batista, por que não foi ele a se materializar, respondo que há uma possibilidade do espírito se apresentar de maneira que melhor lhe agradar. Chama-se ideoplastia, isto é, o espírito age pela força do seu pensamento e agrupa o ectoplasma da forma desejada. Isso funciona também para os maus espíritos, que podem apresentar-se em formas horrendas, pois essa é a qualidade dos seus pensamentos perversos.”

Ora este argumento levanta algumas dificuldades para a teoria espírita, vejamos:

Afirma AK; “A reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição. A reencarnação é a volta da alma, ou espírito, a vida corporal, mas em outro corpo…” (Livro: O Evangelho Segundo e Espiritismo – pág.24-25).

Vou passar por cima dos erros grosseiros de AK em confundir reencarnação com ressurreição e chamar apenas a atenção para o fato de que ele mesmo confessa que é em “outro corpo” e não “no mesmo” que o espírito volta. Querer justificar esta incoerência espírita debaixo de eufemismos tais como “…há uma possibilidade do espírito…” e frases afins, não salvará esta tese do seu fracasso lógico. Suposições são suposições e nada mais! Mas, suponhamos que houvesse essa tal “possibilidade”, quem pode afirmar com certeza que ele a usou realmente? Este episódio não deixa quaisquer vestígio de que ele tenha procedido desta maneira.

Pergunto ainda: Moisés também teria usado este recurso espírita de ideoplastia? Moisés naquela ocasião havia falecido há dezenas de séculos. Imagina quantas reencarnações supostamente não houvera passado até aquele momento! Quantas vidas, quantos corpos… não seria correto ele seguir fielmente a tal lei esposado por AK? Seria justo ele quebrar uma lei da reencarnação assim? E como sabem os espíritas que ele usou deste artifício, ou seja, manipular o ectoplasma? Não há a mínima razão (se isto de fato fosse possível) deles terem procedido assim. Este argumento é no mínimo gratuito. Demais disso, Elias nunca poderia ter usado este recurso chamado de ideoplastia, simplesmente por que ele não havia morrido conforme vimos na narrativa bíblica acima descrita. Portanto, esse argumento não procede.

A mim, a Reencarnação é a única forma de acreditar na Justiça Divina. Nós nos prendemos apenas a avaliar detalhes reencarnacionistas como pobreza, doenças, sofrimentos, dívidas etc. Poderia responder pontualmente as suas explicações, mas sei que elas não te satisfariam. Eu mesmo, quando saí do protestantismo, demorei muito a apreender o tema, fiz muitas perguntas, li vários livros até me convencer. Mas a Lei da Reencarnação não funciona apenas como uma chance de resgates. Reencarnamos para evoluir intelectual e moralmente. Sem esta Lei, fica também difícil entender a enorme disparidade intelecual e moral existente entre as criaturas. Se esta disparidade for consequência de herança genética, tudo passaria a ter esta explicação e assim, somos marionetes e não seres pensantes com liberdade de raciocinar. Mas há tantos gênios filhos de pais, avós e bisavós ignorantes. E há tantos ignorantes cujos genitores são intelectualmente avantajados! Não podemos ser apenas neurônios soltos ao acaso, ou comandados pelos nossos avoengos. Temos que ser nós mesmos os responsáveis por tudo o que somos e fazemos. Isso me parece justo, e creio que você concorda com isso.

O senhor disse há pouco na introdução de sua réplica, que nós “não concordaríamos sobre o tema Reencarnação”. De fato eu não posso enxergar a justiça divina procedente de uma doutrina erigida à margem da Palavra de Deus.

Nossos pressupostos determinam nossa cosmovisão; o senhor parte de pontos de vistas humanísticos, baseados nas idéias e filosofias de um homem, que nem ao menos conhecia o básico da Palavra de Deus. Mesmo assim procurou mesclar ensinamentos pagãos com cristianismo. O senhor por “N” motivos “se convenceu” de que existe reencarnação, ao invés de deixar que a Palavra de Deus lhe trouxesse a última Palavra às suas perguntas; foi embebedar-se em vãs filosofias. Isto é uma pena!

A mim a reencarnação nunca convenceu, mesmo quando não era evangélico. Por outro lado devo admitir que a filosofia da reencarnação é bem atraente, e isto por diversos motivos: ela pois elimina o acerto de contas que todos terão de fazer no juízo final; exime o pior dos pecadores do inferno de fogo; aparentemente resolve o caso do sofrimento. O senhor diz: “Mas a Lei da Reencarnação não funciona apenas como uma chance de resgates.

Reencarnamos para evoluir intelectual e moralmente”. Realmente AK deixou isso explícito no “Livro dos Espíritos – pergunta nº167”. Mas isto corresponde aos fatos?

Estamos de fato vendo este “progresso” em nossos dias? Ora, após milênios de reencarnações, será que o mundo não deveria apresentar-se, mais humano, mais desenvolvido moralmente? E o sucesso deste constante processo de melhora não deveria aparecer de forma mais visível?

E se todos os seres humanos desde o início do mundo, estão dentro deste ciclo reencarnacionista, elas deveriam ser visíveis em massa. Mas onde estão elas? A reencarnação oferece apenas um consolo moral, sempre adiando o problema.

Existe uma máxima em filosofia que diz: “O que se explica por menos dispensa o mais” é o princípio da economia filosófica. Assim o que se explica empiricamente não necessita de outras explicações ainda que estas pareçam razoáveis. Todas essas questões trazidas a baila pelo senhor não necessita da reencarnação para explicá-la.

Sobre as disparidades da vida gostaria de citar Anatole Barthe, um espírita contrário à reencarnação, diz ele: “Para desenvolver as desigualdades humanas os espíritas ensinam a reencarnação. Não sabem estes que não há dois seres, duas coisas perfeitamente iguais na natureza…Não é precisamente na diversidade que nasce a harmonia do universo?”.

Realmente não existe uma impressão digital igual à outra. O universo inteiro é feito de diversidades. Tudo ao nosso redor testifica do bom gosto de Deus pela variedade. Os gênios são casos que se pode explicar através das circunstâncias. Os gostos das pessoas são diferentes, assim como a inteligência. Não existe um homem com inteligência igual ao outro. Os sociólogos demonstram que o meio influencia na revelação dos gênios, o gênio seria a junção da capacidade de lastro hereditário e o de meio favorável. Seja como for, não é preciso complicar o assunto com vidas sucessivas, que aliás não poderiam explicar tantos gênios que se notabilizaram pelas novidades de suas concepções e não pelo acúmulo do seu conhecimento e experiência do passado adquirida em outras vidas. Mesmo por que, isso seria supérfluo e até impossível já que AK admiti que das vidas passadas não há recordação alguma [conf. O Livro dos Espíritos, pág. 167 perg. 608]. E se não há recordação que proveito há nisso?!

Em adendo a tudo isto, embora sem que seja argumento contrário à reencarnação é preciso deixar patente a discrepância em suas idéias quando expõe, “Temos que ser nós mesmos os responsáveis por tudo o que somos e fazemos. Isso me parece justo, e creio que você concorda com isso.”

Sim, concordo plenamente com o senhor. E por que nós somos responsáveis pelos nossos atos pessoalmente, é que não posso crer nesta teoria.

AK explica as causas do carma dizendo que “Deus criou os espíritos simples e ignorantes” [O Livro dos Espíritos parte II, nº 115], de modo que a partir daí todos os espíritos lançam-se na senda da evolução e do progresso espiritual, enfrentando todo tipo de testes e provações.

De início já percebemos uma nítida diferença entre a doutrina espírita e a Bíblia. Esta afirma que tudo que Deus (que é um ser perfeito e bom) criou, inclusive o homem, era bom em sua perfeição [Gênesis 1:37; Eclesiastes 7:29], enquanto que a doutrina espírita parte de um Deus bom para criar espíritos inferiores e ignorantes.

A reencarnação pretende explicar o mal no presente mediante o mal no passado. Mas, de onde vem esse mal no passado? Onde está o mal primeiro que causou o mal segundo? O mal e o sofrimento têm de ter sua causa. E a doutrina reencarnacionista afirma que essa causa é o mal cometido numa vida anterior. Mas como foi na primeira vida?

Se nessa primeira vida já existia o mal e o sofrimento, então deve ter havido antes nessa primeira vida, algo que era a causa do mal na primeira vida.

E o que havia antes?

Havia Deus?

Então seria Deus a causa do mal? Isto é o que propõe a filosofia de Kardec levada às suas últimas conseqüências. Seria justo um Deus perfeito e bom criar espíritos ignorantes e deixá-los sofrer seus carmas adquiridos justamente por essa ignorância? Que Deus é este que o espiritismo apresenta? Esta doutrina poderia ser chamada de justa, levando-se em conta que a culpa recai sobre o próprio Deus? Esse Deus do Espiritismo mais me parece um daqueles deuses da mitologia grega do que o Deus da Bíblia.

Se não bastasse, essa doutrina tem mais um agravante: segundo ela, o espírito comete faltas em uma existência unida a um corpo, e deve pagar essas faltas unida a outro corpo em outra existência. Ora, a Bíblia diz que o homem é formado por espírito, alma e corpo. Não somos somente almas desencarnadas. O homem é uma unidade indivisível. Quando eu peco, peco como um todo, todo o meu ser pecou e não somente uma parte dele. Toda a minha história é a história do meu corpo. Se porventura o homem reencarnasse em outro corpo, formaria uma outra pessoa e não a mesma. Todavia, Deus jamais faria uma pessoa pagar pelos pecados de outra. Quem pecou foi o homem todo, portanto, é o homem todo que deve se arrepender. Parece-me que na própria Constituição está escrito que nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente. Se o homem deve passar da prova dessa vida à outra, é preciso que esta se realize no mesmo corpo. Por exemplo: quando “João” morre com suas faltas e pecados e reencarna em outra vida como “Luiz”, este Luiz já é outra pessoa e não mais o velho João que se foi. É injusto pensar que Deus faria o Luiz pagar por pecados que ele não cometeu em vidas anteriores e que nem ao menos se lembra. Lembra-se: “Temos que ser nós mesmos os responsáveis por tudo o que somos e fazemos.”.

Nas suas observações contrárias à Reencarnação não há nenhuma objeção nova. Permito-me porém dizer o seguinte; Sobre os animais, ele possuem apenas um princípio inteligente, não uma alma. Quando os pais agem intencionalmente e prejudicam seus filhos biologicamente, fazendo-os nascer com graves anomalias, a culpa também é deles e serão cobrados por isso. Se os pais não agiram com conhecimento, não há porque serem responsabilizados, pois Deus “julga” segundo as intenções. Se o filho que, por causa disso, nasceu aleijado e não tinha dívidas de outras existências, onde encontrar a misericórdia de Deus, o amor de Deus em fazer com que ele venha a esse mundo dessa maneira, e provavelmente ao lado de irmãos sadios, fortes, inteligentes?

Quanto aos animais, é claro que eles não possuem alma, se bem que existe um seguimento espírita que realmente acredita nesse absurdo! Eu introduzi a questão dos animais para mostrar-lhe o quanto é inconsistente a alegação de que o sofrimento, as doenças e as vicissitudes da vida nesta velha terra é resultado de carmas passados. Se fosse assim, por que então os animais apresentam essas mesmas mazelas sendo que não possuem alma? Se não possuem alma, portanto, não podem pecar, não adquiri carma correto?

Ao contrário do que muitos pensam, Deus não é o responsável por enviar espíritos em corpos previamente determinados. Mesmo por que, a alma é criada no momento da concepção, ficando um véu de mistério de como se dá esse processo. Quando então uma criança nasce defeituosa numa família saudável, não devemos buscar as causas fora do que já conhecemos. Não precisamos buscar explicações obscuras para as coisas passiveis de explicações nesta vida. Não podemos pensar em Deus como um exportador de espíritos, preocupado em qual corpo irá encaixar tal e tal espírito. Isso não condiz com a idéia bíblica de Deus. O homem está colhendo apenas as conseqüências de seus erros. Nada tem a ver o amor e a misericórdia de Deus com crianças que nascem desta maneira tão ingrata. O homem escolheu seu modo de vida fora da presença de seu criador, agora deve colher as conseqüências. A misericórdia e o amor de Deus é bem mais nítido quando tais pessoas são curadas, como se deu com o episódio bíblico do cego de nascença.

No caso de Adolf Hitler, sem um ascendente espiritual que justifique o sofrimento do povo judeu, ficam as mesmas interrogações a respeito das virtudes divinas. Ainda mais em se tratando do povo escolhido, como está no Velho Testamento.

Nada justifica essa asseveração. Isso dá a entender que a lei “divina” da reencarnação resolveu fazer um arrastão de carmas? Ela então conseguiu reunir todos aqueles judeus para pagarem juntos seus carmas passados? Desculpe-me, mas isso é até hilariante. Demais disso, não há uma só palavra no AT que ensine que o povo escolhido por Deus devesse passar por este tipo de processo purificador. Os pecados, as faltas e os erros dos judeus eram resolvidos de outra maneira – através dos sacrifícios de animais que apontavam para a obra redentora de Cristo – e não pela reencarnação. Os judeus nunca creram em reencarnação. Se formos levar isso adiante, teríamos de admitir que Hitler, ao invés de ter sido um monstro megalomaníaco, foi apenas um instrumento nas mãos de Deus para aplicar a justa pena nas dívidas carmáticas que aqueles judeus haviam adquirido numa suposta vida pregressa. O que aconteceu com os judeus é facilmente explicado no AT. Quando Deus fez um concerto com seu povo, este jurou fidelidade para com Deus. A partir do momento que este povo se desviasse de seguir os seus mandamentos, Deus iria permitir que eles (os hebreus e seus descendentes) fossem levados por outras nações para serem castigados [Deut. 4:27]. Este fato ocorreu diversa vezes na História bíblica, vindo culminar no terrível holocausto de Hitler. Não precisamos buscar explicações reencarnacionistas para esse fato tão bem explicado biblicamente.

Mais, na parábola de Rico e Lázaro, o que é mais importante: o fato do cara ser rico, ou de usar mal a riqueza, pela falta de caridade O pobre foi direto para o seio de Abrahão por ser pobre, ou por ter suportado a provação com dignidade?

É claro que ninguém é condenado por ser rico, mas por colocar o dinheiro em primeiro lugar em sua vida, destronando Deus do seu lugar de direito; e ninguém vai para o céu por ser pobre. Há muitos pobres que estão afundados neste pecado, em contrapartida existem tantos ricos que são liberais! A questão é que o texto que o senhor me apresentou é um duro golpe na doutrina de AK, pois mostra que após a morte há somente dois destinos: céu ou inferno. Pois diz a Bíblia que ao homem está ordenado morrer uma só vez (não muitas) vindo depois disso o juízo [Hebreus 9:27]. Ao passar a barreira da eternidade não há uma nova chance de se arrepender; o arrependimento é tomado nesta única vida aqui na terra, é aqui que precisamos optar. Do ponto de vista bíblico fica descartada a reencarnação.

Sobre abandonarmos um espírito encarnado em condições difíceis, sob pena de, ajudando-o de forma caridosa, atrapalharmos a sua expiação, digo o seguinte: o espírito em prova ou expiação, além de estar se reajustando com as leis divinas, está aprendendo também a amar, a perdoar e tendo esses exemplos ao seu lado, ele apenas cresce. A caridade, além de tudo, é boa para quem pratica, antes de ser boa – embora seja – para quem recebe.

Compreendo o que o senhor quer dizer, todavia, o fato permanece: pois na doutrina espírita quem quiser ser fiel às exigências reencarnacionistas não deve prestar assistências aos doentes, nem dar esmola ou socorrer alguém que sofre, pois assim estaria impedindo o progresso do próximo, diminuindo ou anulando o sofrimento necessário e merecido. Se está sofrendo é porque mereceu! Desta maneira é irreconciliável a filosofia de Kardec de: “fora da caridade não há salvação” com a da punição para pagamento de dívidas (O céu e o Inferno pág. 64). Salientando ainda que a primeira entra em flagrante contradição com a Bíblia que afirma categoricamente que nós somos salvos pela fé e não por boas obras [Efésios 2:8-10].

Finalmente, Deus não permite a doença sem que exista o remédio. Um espírito que compreende o seu estado reencarnatório sem discutir a Justiça Divina, com certeza vai aliviar as suas dores morais, normalmente mais pesadas que as dores físicas, passageiras e na verdade, quase nada na eternidade.

Sim, novamente concordo com o senhor na questão da doença e o remédio, com uma pequena mas substancial diferença: o antídoto para os nossos pecados é Jesus Cristo e não a reencarnação.

É muito mais fácil e justo acreditar que o sacrifício de Cristo na cruz, nos liberta de uma vez por todas nessa vida de nosso pecados do que ficar esperando dezenas de reencarnações para alcançar tal fim. A tão almejada purificação da alma é obtida unicamente em Jesus Cristo através de sua obra redentora. Ele tomou sobre si nossas faltas e culpas para que nós pudéssemos tomar sua justiça. O evangelho segundo Jesus é tão simples, porque então complicá-lo com um evangelho segundo o espiritismo?!

Paulo, obrigado pela sua paciência.
Mário Luiz

Mário, aprouve a Deus que por intermédio de debates havidos entre nós, chegasse até você o que acabara de ler. Não se esqueça: um dia, todos nós teremos de comparecer diante DELE, de DEUS, o que tudo vê e perscruta, então você jamais poderá alegar que não sabia, que o verdadeiro evangelho nunca lhe fora anunciado.

Interessante notar que o homem, com toda a sua natureza pecaminosa, tem o péssimo hábito de criar uma determinada filosofia de vida para si e pretende que Deus, o Todo Poderoso, se enquadre nela. Agora, não deseja o homem, em hipótese nenhuma, enquadrar-se no modo de pensar de Deus, externado em sua Palavra, na Bíblia Sagrada. Daí, com devaneios e sofismas buscam por intermédio da religião, criar situações convenientes, com o fito a justificar-se perante Deus. Por isso a Bíblia diz:

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” [I Co. 2:14]

Continuo orando por você, um forte abraço.


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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