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Moloque ou moleque?

Há poucos dias fui interrogado por um aluno de teologia sobre a relação da palavra portuguesa moleque com o nome hebraico moloque. Este aluno me citou o Dicionário Bíblico Universal que usa o verbete moloque e moleque de modo intercambiável.

Pesquisando o assunto achei um blog onde o autor defende a tese da influencia de moloque em moleque: “Muitos servos do Deus Vivo, homenageiam esse demônio, sem querer e sem saber, ao chamarem suas crianças de Moleque ou ainda cantando “boi… boi… boi… boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta…”

Esse exemplo não é caso isolado no universo evangélico. Reflete o tipo de hermenêutica que muitas vezes impera nas igrejas evangélicas. É o que eu chamo de hermenêutica do senso comum. Acontece que fora à semelhança fonética, moloque, semanticamente falando, não tem nada a ver com a palavra portuguesa moleque. Estão separados histórica e linguisticamente um do outro. Moloch ou Moloque, também conhecido como Malcã era uma divindade pagã do povo amonita em cujo altar era oferecido sacrifício infantil (Lv 18.21). O significado mais provável para este nome era “rei”. Muitas seitas já utilizaram este recurso semântico para criar heresias em cima de palavras semelhantes, a título de ilustração o nome IE-SUS que segunda a seita Testemunhas de Iehoshua vem da palavra pagã “deus porco”.

Já a palavra portuguesa moleque vem da palavra mu’leke no idioma Quimbundo que é uma das línguas bantus mais faladas em Angola, e seu significado é “filho pequeno”. A Wikipédia afirma: “Originalmente era usado apenas em referência à criança negra. Hoje já não se reconhece mais este significado. Durante a escravidão do Brasil, tratar um branco por “moleque” era uma grande ofensa, uma vez que este termo referia-se sempre ao escravo. Atualmente, além de indicar qualquer garoto (às vezes, utilizado para designar a criança levada, travessa, seja ela branca ou negra), também pode ser utilizado (quando em relação a um adulto) para designar um individuo sem vergonha, sem palavra, sem responsabilidade, cujas atitudes são iguais a de uma criança”.

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