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Nicodemus precisa se informar melhor, Leandro Quadros?

por Artigo compilado - seg dez 30, 5:25 pm

Eu já estou acostumado com a apologética adventista de duas vias – todo crítico adventista, que os classificam como seita, ou é 1º) desinformado, ou é 2º) desonesto. Quem mais tem popularizado essa defesa entre os adventistas é o apresentador da TV Novo Tempo, Leandro Quadros. Infelizmente, podemos dizer que nem toda crítica é livre de erros da natureza indicada por ele, afinal ninguém domina um assunto plenamente, porém, Leandro Quadros já popularizou isso de forma tal, que quando ele começa dizer “se o fulano tivesse lido tal e tal coisa” soa como que uma solução irrefutável para os seus fãs contra os críticos adventistas.

Sabemos que o reverendo Nicodemus deu uma aula sobre a o adventismo em uma igreja que pastoreava, ele apontou que o adventismo crê que Jesus tinha uma natureza pecaminosa – com base em uma afirmação em uma obra adventista, intitulada Estudos Bíblicos. Como lhe é peculiar, Leandro Quadros assumiu a defesa da IASD diante de Nicodemus em um vídeo (AQUI) em que seleciona informações desse debate, que não é unanimidade no arraial adventista, e dá a entender que tal afirmação do Dr. Nicodemus, foi parcial e sem base em uma pesquisa profunda. Daí, Quadros diz que Ellen White, não ensinava isso. Claro, isso é significativo, já que essa autora é considerada profetisa, inspirada, nos burgos adventistas. No entanto, será mesmo que Ellen White não ensinava que Jesus uma natureza pecaminosa? Será que não estamos diante do fato que o Pr Natanael alertava, que ‘o adventismo fala com os dois lados da boca’?

Vejamos se respeitado historiador adventista, George R. Knigh autor de livros adventistas e autor das notas do badalado livro adventista Questões sobre Doutrina, tem nos a dizer sobre isso. É curioso, que no vídeo que Quadros diz que Nicodemus selecionou informações limitadas, mas ele próprio fez o mesmo que os autores de Questões, na entrevista que deram ao evangélico W. Martin, fizeram. Omitiram deliberadamente algumas afirmações de Ellen White sobre o tema:

“A desconfiança de que os delegados adventistas podem ter ocultado a verdade da posição tradicional adventista é aparentemente confirmada na seção do apêndice do livro Questões Sobre Doutrina sobre “A Natureza de Cristo Durante a Encarnação”. No apêndice das citações de Ellen White, os autores do livro acrescentam um título afirmando que Cristo “Assumiu a Natureza Humana Sem Pecado”. Esse título é problemático, pois implica que essa era a ideia de Ellen White, quando de fato ela foi bem enfática em declarar repetidamente que Cristo tomou a “nossa natureza pecaminosa” e que “tomou sobre Si a natureza humana caída e sofredora, degradada e contaminada pelo pecado”.12 (Ver as anotações históricas ampliadas sobre esse tópico nas páginas 437-445 do livro impresso [Apêndice B, III], 277, 278 [Cap. 33, IX].)”

“Dessa maneira, de acordo com Ellen White, na encarnação Cristo de fato, em vez de vicariamente, tomou sobre Si a “nossa natureza pecaminosa” (Review and Herald, 15 de dezembro de 1896, p. 789).”

“Vestido com as roupagens da humanidade, o Filho de Deus desceu ao nível daqueles a quem desejou salvar. NEle não havia engano ou pecaminosidade; Ele foi sempre puro e incontaminado; embora tenha tomado sobre Si a nossa natureza pecaminosa” (Review and Herald. 15 de dezembro de 1896, p. 789).”

“Pensemos na humilhação de Cristo. Ele tomou sobre Si a natureza humana caída, sofredora, degradada e contaminada pelo pecado. Ele tomou as nossas dores, carregando as nossas aflições e humilhações. Suportou todas as tentações com as quais o homem é assediado. Uniu a Sua humanidade com a divindade: um espírito divino habitou em um templo de carne. Uniu-Se com o templo. ‘O verbo Se fez carne e habitou entre nós’, porque ao assim fazer poderia associar-Se com os pecaminosos e aflitos filhos e filhas de Adão” (The Youth’s lnstructor, 20 de dezembro de 1900, p. 394).”

“O título número III tem sido visto como problemático porque implica que Ellen White acreditava que Cristo “tomou a natureza humana sem pecado”, quando de fato ela reivindicava o oposto. Por exemplo, em 1896 ela escreveu que Cristo “tomou sobre Si a nossa natureza pecaminosa” (Review and Herald, 15 de dezembro de 1896, p. 789). Novamente em 1900, ela registrou que “Ele tomou sobre Si a natureza humana caída, sofredora, degradada e corrompida pelo pecado” (The Youths histructor, 20 de dezembro de 1900. p. 394). Essas citações, como se poderia esperar, foram deixadas de fora da compilação em Questões Sobre Doutrina. Assim, o livro não apenas supriu um título equivocado, mas também negligenciou a apresentação da evidência que teria contestado aquele título. O resultado foi que o livro Questões Sobre Doutrina vem sendo difamado por muitos adventistas e provavelmente tem feito mais para criar divisão teológica na Igreja Adventista do que qualquer outro documento, nos seus mais de 150 anos de história.”

“Dessa maneira, eles estavam usando ambas as definições de natureza humana sem pecado. Com essa compreensão em mente, o título da página 437 (do livro impresso) [III. Assumiu a Natureza Humana Sem Pecado] e a não inclusão das declarações de Ellen White reivindicando que Cristo possuía uma natureza pecaminosa foram menos que honestos e transparentes.”

“Não é totalmente surpreendente que os autores de Questões Sobre Doutrina procurassem evitar aquelas declarações de Ellen White reivindicando que Cristo possuía uma natureza humana pecaminosa e também deixar a impressão de que ela sustentava que Ele tinha uma natureza humana sem pecado.”

“Como resultado, ao que parece, os autores de Questões Sobre Doutrina foram tentados a evitar algumas das fortes declarações de Ellen White em sua compilação e prover títulos equivocados. O resultado foi paz com os evangélicos, mas problemas dentro do acampamento adventista.”

Primeira, contrário às claras declarações de Ellen White sobre o assunto, adicionaram um título inferindo que ela cria que Cristo “tomou a natureza humana sem pecado”.  Segunda, providenciaram uma visão unilateral de Ellen White sobre o tópico da natureza humana de Cristo ao apresentar em Questões Sobre Doutrina a evidência mais forte que puderam de que Cristo não era semelhante aos outros seres humanos, enquanto negligenciaram aquelas declarações nas quais Ellen White inferia ou reivindicava que Ele possuía uma natureza humana pecaminosa.”

Terceira, deliberadamente levaram Barnhouse e Martin a crer que a posição dos autores do livro Questões Sobre Doutrina acerca da natureza humana de Cristo tinha sido sempre sustentada pela denominação, “a despeito do fato de que alguns dos seus escritores ocasionalmente têm impresso material com pontos de vista contrários, inteiramente repulsivos à igreja de maneira geral”.  É nesse contexto que os autores do livro se referiram àqueles que sustentavam a posição antiga como “extremidade lunática” e como sendo “pessoas irresponsáveis de visão extravagante” (Eternity, setembro de 1956, p. 6; ver nota 11 da Introdução Histórica e Teológica). Da perspectiva dos autores de Questões Sobre Doutrina, o principal entre os que compunham a “extremidade lunática” aparentemente não era outro senão M. L. Andreasen, o mais preeminente teólogo da denominação no final dos anos de 1930 e durante a década de 1940, mas agora relegado a segundo plano.”

“Andreasen não deixou escapar o fato de que LeRoy Froom e os seus associados no diálogo com os evangélicos não haviam contado a verdade acerca do ensino de longa data da denominação sobre a natureza humana de Cristo…”

“Para Andreasen, a mudança sobre a natureza humana de Cristo não foi nada mais do que uma traição a fim de ganhar o reconhecimento dos evangélicos. Infelizmente, parece haver elementos de uma traição na manipulação de dados e nas inverdades que foram transmitidas a Barnhouse e Martin sobre o tópico. Froom e seus associados estavam corretos em sentir, a partir do material que tinham sobre o tópico da natureza humana de Cristo, que a interpretação básica da denominação sobre o assunto precisava ser mudada, mas eles, ao que parece, não viram como poderiam ser completamente abertos com todas as declarações de Ellen White e ao mesmo tempo ganhar a aceitação dos evangélicos sobre esse ponto crucial de diferença. Como resultado, algumas fortes citações de Ellen White afirmando claramente que Cristo possuía uma natureza humana pecaminosa foram deixadas fora da compilação sobre o tópico no Apêndice do livro Questões Sobre Doutrina, enquanto um título equivocado implicando que Ellen White sustentava que Cristo tinha uma natureza humana sem pecado foi suprido.”

Se dizer que Jesus tinha uma natureza pecaminosa é uma heresia, e é, como afirma enfaticamente Leandro Quadros, então Ellen White a ensinou. Mas, como para tudo se dá um jeito, a tentativa de se justificar tais declarações é; versando que as afirmações de Ellen White devem ser entendidas como sendo uma natureza degradada pelo pecado, mas não a presença do mal moral na natureza de Jesus. Essa explicação não é obtida da pena de Ellen White, mas no cruzamento de afirmações dela a respeito da impecabilidade de Jesus, e de quem ela geralmente plagiava que fazia uma certa distinção.

“Poirier enfatiza que o sermão de Melvill intitulado “The Humiliation of the Man Christ” é especialmente útil em capacitar-nos para compreender e reconciliar o aparente conflito nas declarações de Ellen White sobre a humanidade de Cristo. De acordo com Melvill, a queda teve duas consequências básicas: (1) “debilidades inocentes” e (2) “propensões pecaminosas”. Por “debilidades inocentes”, Poirier escreve, “Melvill quer dizer coisas como fome, dor, fraqueza, tristeza, morte. ‘Há consequências da culpa que são perfeitamente inocentes. O pecado introduziu a dor, mas a própria dor não é pecado.’ Por ‘propensões pecaminosas’, […] Melvill se refere à inclinação ou ‘tendência’ para pecar. Em seu sumário da discussão, Melvill argumenta que, antes da queda, Adão não possuía ‘debilidades inocentes’ nem ‘propensões pecaminosas’, que nascemos com ambas e que Cristo tomou as primeiras mas não as segundas” (Ministry, dezembro de 1989, p. 7, 8).”

Porém, a explicação de G. Knigh não logra êxito, e é flagrantemente falha, pois a tal distinção entre degradação do estado físico resultado da presença do pecado na natureza humana, já estava incluído nas afirmações de Ellen White, e acrescentava a natureza pecaminosa. O fato é que, a compreensão que julgo correta é que Ellen White ensinou sim que Jesus tinha natureza pecaminosa – no sentido comum dos termos, mas não tinha tendências pecaminosas, muito menos pecou.

Mas, o ponto aqui não é avaliar esse assunto em si, mas a forma que Leandro se comporta ao defender o adventismo. Concordo com o incansável apologista João Flávio do CACP, em um vídeo tratando do assunto (AQUI), – se a IASD dissesse, ‘olha erramos’, essa expressão não é feliz, Ellen White deveria usar outra expressão, ela errou, etc’ assunto encerrado. Mas não, como sempre precisam manter a imagem de que Ellen White jamais errou em matéria de doutrina, daí precisam ficar fazendo esses remendos.

Embora o rev. Nicodemus não expandiu a pesquisa – nem era o momento e ambiente para uma longa e exaustiva explanação, mas se ele o fizesse, teria muito mais combustível para queimar tal assunto nessa floresta de heresias que são os escritos de Ellen White. Tal como o caso do Bode Azazel, é Ellen White que é culpada, não os críticos com suas legítimas conclusões, em sua cadeia de sistemas doutrinárias.

Encerro aqui com um recado a Leandro Quadros, mais uma vez. Você diz que os críticos devem ler livros como o Questões sobre Doutrina, e curiosamente você não recomendou esse livro ao Nicodemus, não é? Para ser mais informado! Mas como seremos bem informados com tal livro sendo que o que norteou boa parte foi a dissimulação dos autores adventistas – [mais] desonestos e desinformados?

“Naturalmente, Questões Sobre Doutrina não está livre de erros. Os autores às vezes forçam um pouco mais os fatos em tais questões como a compreensão histórica do adventismo em relação à Trindade, e mesmo apresentam seus dados de maneira a criar uma falsa impressão sobre a natureza humana de Cristo. Mas, tendo em vista o desejo de agradar e a importância das respostas, o livro todo é uma declaração notavelmente corajosa da compreensão doutrinária tradicional adventista.”

Você apenas aproveitou-se dos emaranhados históricos que a seita possui – afinal, negavam a trindade, a divindade de Cristo – dizer que Jesus tinha natureza pecaminosa, não era um grande problema na época, e nessa celeuma apontou pontos que são compensadores ao peso final do produto.

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VEJA O VÍDEO DO CACP

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Postado por Luciano Sena do blog  https://mcapologetico.blogspot.com/ em 30/12/2019


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2 Comentários

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  1. “Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ENTE SANTO que nascer de ti será chamado Filho de Deus.”
    Lucas 1:35

    1. o adventismo blasfema de réu imperdoável quando chama o ENTE SANTO gerado pelo Espirito Santo de natureza pecaminosa …. o sr L.Q tagarelando suas costumeiras falacias nem se deu conta que está blasfemando de maneira perigosa defendendo essa tese diabólica de E.G.W.

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