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‘Nobel do mal’: Chávez, Castro e Kim Jong-un

‘Nobel do mal’: Chávez, Castro e Kim Jong-un serão homenageados por fundação

O ditador norte-coreano foi indicado a receber o prêmio por seus trabalhos pela “paz, justiça e humanidade”. Castro e Chávez promoveram a “autossuficiência” em seus países

Imagem divulgada pelo governo da Coreia do Norte mostra o ditador Kim Jong-Un durante inspeção em um orfanato em Wonsan, na província de Kangwon
Imagem divulgada pelo governo da Coreia do Norte mostra o ditador Kim Jong-Un durante inspeção em um orfanato em Wonsan, na província de Kangwon (KCNA/AFP)

Os ditadores norte-coreano Kim Jong-un e cubano Fidel Castro, e o já falecido ex-presidente venezuelano, Hugo Chávez, serão premiados devido ao espírito “anti-imperialista” pela Fundação indonésia Sukarno. Rachmawati Soekarnoputri, a presidente da instituição, louvou a luta dos premiados para alcançar a “autossuficiência” em seus países. Faltou explicar melhor o conceito de “autossuficiência” a que ela se refere.

O nome da fundação se deve ao pai de Rachmawati, Sukarno, o político que liderou o movimento para a independência da Indonésia e depois se tornou um ditador. As delegações diplomáticas de Cuba e Venezuela na Indonésia confirmaram que receberam o convite para a cerimônia de entrega dos prêmios, que ocorrerá no dia 27 de setembro na capital indonésia. A embaixadora de Cuba na Indonésia, Nirsia Castro Guevara, receberá o prêmio concedido a Fidel Castro e afirmou, em encontro com Rachmawati na sexta-feira passada, que a condecoração representa um prêmio “para todo o povo cubano”. Certamente o povo cubano, que nunca é consultado sobre o próprio destino, tem outra opinião sobre o prêmio.

O ditador norte-coreano foi indicado a receber o prêmio por seus trabalhos pela “paz, justiça e humanidade” (sic), segundo descreveu Rachmawati ao jornal Jakarta Post, prêmio que em edições anteriores foi concedido a Mahatma Gandhi e à vencedora do prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi – estes sim dignos de reconhecimento. A presidente da fundação evitou confirmar a possível visita do ditador norte-coreano à Indonésia, mas antecipou que uma delegação o representará no evento. Rachmawati classificou como “falsas” as acusações contra o regime de Pyongyang por violação dos direitos humanos. Em 2001, a fundação também honrou de maneira póstuma Kim il-Sung, avô do atual ditador da Coreia do Norte, com quem Sukarno tinha uma relação de amizade.

Extraído da Revista Veja em 24/09/2015

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