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Nosso conhecimento futuro no céu

por Artigo compilado - ter mar 28, 9:28 am

Este assunto tem sido objeto de muita especulação, suposição e imaginação. Muitas pessoas que encaram este assunto, quase sempre o fazem partindo de pressupostos à base do nosso vivenciamento aqui na terra. Neste particular, o que de fato pode nos ajudar é deixarmos primeiro a Palavra de Deus falar, uma vez que praticamente tudo muda com a nossa passagem desta vida para a outra, com Cristo.

O céu é um lugar real, e não somente um bem-aventurado estado ou esfera de vida espiritual. Ver Filipenses 1.21-23 e IICoríntios 5.1-8.

Como será o nosso futuro conhecimento no céu? Nós nos conheceremos lá, e conheceremos também os outros que para lá foram antes de nós? Aqui vão algumas respostas sobre o assunto de que se ocupa o título deste estudo, tendo como base as Sagradas Escrituras, a infalível e eterna Palavra de Deus.

  1. João 20.16 “Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Rabôni (que quer dizer, Mestre)”.

Aqui, Maria Madalena reconheceu Jesus ressurreto pelo timbre da sua voz. No verso 14 ela viu Jesus, mas não o reconheceu, mas através da sua voz tão familiar o reconhecimento foi imediato. A voz de Jesus não mudara.

Ora, a Bíblia declara que na glória seremos semelhantes a Jesus (Lucas 24.39 e IJoão 3.2). Portanto, na outra vida de bem-aventurança vamos conservar a nossa individualidade, porém, é evidente que isso será noutro plano – um plano superior, espiritual.

  1. João 1.29-31 “No dia seguinte, João viu Jesus, que vinha para ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! Eu mesmo não o conhecia, mas para que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água”.

João Batista, pelo Espírito Santo, reconheceu Cristo como a pessoa chamada Cristo e também como o Redentor do mundo. João era primo de Jesus, segundo a carne, mas não o conhecia pessoalmente, pois João viveu no deserto da Judéia, ao sul do país (Lucas 1.28), enquanto Jesus viveu em Nazaré, na Galileia, ao norte, até a época do seu batismo, pouco antes dos trinta anos de idade. Esse mesmo Espírito divino nos capacitará a reconhecer uns aos outros no céu, se bem que noutro tipo de relacionamento, onde não haverá lembrança do pecado, nem do mal (Isaías 65.17).

  1. IICoríntios 5.16 “Agora conhecemos segundo a carne”.

Isso significa que no céu nos conheceremos noutro plano, noutra esfera. A frase “segundo a carne” significa, ao pé da letra “segundo a nossa atual natureza humana”. Portanto, no céu, conhecer-nos-emos segundo a nossa natureza espiritual, celestial (ICoríntios 15.44). Disso falaremos mais adiante.

  1. Lucas 10.20 “Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus”. Significa que somos conhecidos lá como pessoas, como indivíduos, uma vez que o nosso nome aqui é algo pessoal, individual. É verdade que teremos novos nomes no céu, mas seja como for, serão nomes (Apocalipse 2.17).
  2. Mateus 22.30 “Na ressurreição (…) serão como os anjos de Deus, no céu”.

Na ressurreição seremos como os anjos. Não seremos anjos, mas como anjos. Ora, os anjos se conhecem muito bem uns aos outros, apesar de serem inumeráveis; se eles têm a capacidade de se conhecerem tão bem, o mesmo ocorrerá conosco, que seremos como eles. Esta é uma analogia importante.

  1. Mateus 8.11 “Mas eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos céus”.

Seria inconcebível estarmos nessa sublime festa celestial como participantes desconhecidos uns dos outros. Impossível! E inconcebível imaginarmos o céu como um perfeito lugar de felicidade celestial, porém repleto de desconhecidos e estranhos!

  1. ITessalonicenses 2.19 “Pois qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa, na presença de nosso Senhor Jesus na sua vinda? Não sois vós?”

Pelo exame desta referência bíblica, vemos que o apóstolo Paulo esperava reencontrar no céu, com gozo, aqueles que ele ganhara para Cristo aqui na terra. Ora, tal coisa só será possível mediante um reconhecimento mútuo entre Paulo e eles, no céu, quando ali se encontrarem.

  1. Mateus 17.4 “Pedro disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui. Se queres, façamos aqui três tabernáculos – um para ti, um para Moisés, e um para Elias”.

No momento ao qual se refere esta passagem, Pedro não conhecia o profeta Elias nem Moisés, mas, pelo Espírito Santo, os reconheceu imediatamente. Não foi preciso Pedro ser apresentado formalmente a Moisés para poder conhecê-lo. Trata-se aqui da gloriosa cena da transfiguração de Jesus. Moisés, falecido há cerca de 1.500 anos, e Elias, a uns 900, continuavam mantendo a mesma individualidade. Ver Lucas 20.37-38.

  1. ICoríntios 13.12 “Agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido”.

Ora, esta declaração da Bíblia nos mostra que no céu nossa capacidade de conhecer, reconhecer e compreender será incomparavelmente maior do que agora nesta vida – nunca menor.

Esta mesma passagem afirma: “Então veremos face a face”. Teremos então uma face reconhecível como sendo a nossa. Significa que apesar de na vinda de Jesus experimentarmos uma maravilhosa transformação, continuaremos a preservar uma individualidade reconhecível. Ver ICoríntios 15.52 “Nós seremos transformados”.

  1. ITessalonicenses 4.14-15 “Assim, também, cremos que aos que dormem em Jesus, Deus os tornará a trazer com ele. Nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem”. A Bíblia fala da morte física do crente, comparando-a a um sono. Durante o sono natural a pessoa não está morta, basta um chamado de alguém para acordá-la. À sua vinda, Jesus nos chamará com um brado sobrenatural seu para nos ressuscitar. Ora, nesta vida, conhecemos muito bem uns aos outros antes de dormir, e por sua vez, quando acordamos, os reconhecemos normalmente. É justo supor que seremos menos capazes no céu, para reconhecer uns aos outros, após “acordar” num lugar incomparavelmente melhor do que tudo aqui?
  2. ICoríntios 15.44 “Semeia-se corpo animal, é ressuscitado corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual”. Aqui, nesta vida natural e mortal, o princípio de vida e ação que rege o ser humano é o do corpo-alma. A Bíblia de Almeida traduz a expressão corpo-alma por “corpo animal”. No original é somma psuchikon, que significa literalmente “corpo-alma”.

Nesta vida, o princípio vivificante e predominante do ser humano é o do corpo-alma, mas após a ressurreição esse princípio mudará (no caso dos salvos) para corpo-espírito, como traduz a Bíblia de Almeida aqui. O original diz somma pneumatikon, que literalmente significa “corpo-espírito”. Isto é, o nosso novo corpo ressurreto será vivificado pelo espírito, não pela alma, como agora.

Se agora, na ordem corpo-alma, conhecemos e reconhecemos tão bem uns aos outros, é evidente que na nova ordem celestial corpo-espírito, conheceremos ainda melhor. Deus não iria alterar o binômio corpo-alma para corpo-espírito, para pior, e sim para melhor.

  1. Lucas 16.19-31. Esta passagem trata de um homem ímpio e rico, e outro pobre, mas salvo, chamado Lázaro. O homem rico (que a tradição chama de Dives) conhecera bem a Lázaro nesta vida. Ambos morreram, e na outra vida o homem ímpio reconheceu-o imediatamente. Se uma alma perdida foi capaz de reconhecer alguém na outra vida, muito mais nós, os salvos, reconheceremos nossos amados irmãos em Cristo no céu. É evidente que seremos mais capazes e mais inteligentes no céu do que os perdidos no Hades; é o caso daquele ímpio da passagem em foco.

É também esclarecedor observar como Abraão, neste mesmo relato de Jesus, menciona Moisés, apesar deste ter morrido sem conhecer aquele (pois Abraão morreu antes de Moisés nascer). Agora Abraão fala de Moisés como bem conhecidos entre si. Certamente eles se encontraram no céu, e lá se conheceram.

Apocalipse 21.4 “As primeiras coisas são passadas” está dito aqui. Certamente isso abrange nosso novo relacionamento de uns para com outros no céu.

  1. Efésios 3.15 “Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome”. Aqui se nos fala de “toda família, tanto no céu, como sobre a terra”. A expressão “família no céu” implica haver conhecimento e reconhecimento entre seus membros (isto é, da família de Deus; o seu povo no céu). Esse novo relacionamento no céu será em uma nova esfera espiritual de comunhão.
  2. Filemom v. 15 “Bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre”. Este é um dos textos que nos assegura que a nossa comunhão cristã com os santos aqui continuará para sempre no céu, numa outra dimensão infinitamente superior a tudo aqui. Tal comunhão só será possível se nos conhecermos bem e pessoalmente no céu; do contrário, seríamos eternos estranhos e desconhecidos lá, e isso não seria céu como a Bíblia nos revela.
  3. Gênesis 25.8 “Abraão morreu (…) e foi congregado ao seu povo”. “Congregado ao seu povo”, aqui, não significa simplesmente ser sepultado no local de seus ancestrais, como alguém pode pensar. O sentido é o do texto lido como está. Isto é, Abraão reunido aos seus, da mesma fé, e partícipe da mesma salvação. “Reunido ao seu povo” subentende conhecimento individual uns dos outros, reconhecimento e comunhão pessoal. O mesmo se diz de Isaque, filho de Abraão (Gênesis 35.29); de Jacó, filho de Isaque (Gênesis 49.29,33); de Arão, o sumo sacerdote de Israel (Números 20.24). Aqui, Deus mesmo declarou esse assunto, como nos mostra o contexto. Deus também falou disto, concernente a Moisés (Números 27.13; 31.2; Deuteronômio 32.50). Deus revelou a mesma coisa a Paulo em Filipenses 1.23 e IICoríntios 5.8.

 

Conclusão

  1. Certamente vamos nos conhecer no céu, noutra dimensão; noutra esfera de vida , sublime e gloriosa.
  2. Em Mateus 22.31-32 e Lucas 20.37-38, Jesus fez menção de santos que já estão na glória, como Abraão, Isaque e Jacó, chamando-os por seus nomes individuais, o que também subentende conhecimento e reconhecimento pessoal. No céu teremos, pois, a nossa individualidade daqui, porém, em glória, como nos afirma a Palavra. Não haverá, pois, memória das coisas más e dos sofrimentos desta vida do lado de cá.
  3. Não há um só versículo da Bíblia que ensine que não nos conheceremos na glória, porém, na semelhança dos anjos.
  4. Conheceremos nossos pais, irmãos, filhos, nossos pastores, esposas etc. (se todos esses forem salvos), mas com uma diferença: não os conheceremos sob esses adjetivos e condições e relacionamentos, pois lá estaremos em glória, na glória celestial.

Pr. Antonio Gilberto


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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