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O calvinismo e as crianças no inferno

boneca pra menino

Para boa parte dos evangélicos, calvinismo é sinônimo de verdade absoluta e incontestável, de argumentação lógica e consistente e até de evangelho. Mas Calvino, como todos os homens, não foi infalível (1 Pe 1.24,25), e a sua teologia não é tão biblicocêntrica como se acredita. Alguns dos seus pensamentos quanto às doutrinas da salvação, por exemplo, são incongruentes, ilógicos, irracionais, inadequados e, consequentemente, antibíblicos.

Vejamos o que disse Calvino acerca da salvação de crianças: “Os pequeninos que recebem o sinal da regeneração e da renovação, se passam deste mundo antes de chegarem à idade da razão, caso tenham sido escolhidos pelo Senhor, são regenerados e renovados pelo seu Espírito, como lhe apraz, segundo o seu poder, para nós oculto e incompreensível” (As Institutas [2006], III.11).

Segundo essa teoria calvinista, um infante não-eleito que vier a morrer antes de chegar à idade da razão será (ou já está) condenado por Deus. Em outras palavras, se uma criança — filha de pais não-cristãos, por exemplo — morrer ao nascer, não sendo ela escolhida antes da fundação do mundo, irá para o Inferno, mesmo sem ter tido sequer a oportunidade de saber por que nasceu! É o amoroso Deus injusto? Não seria melhor Ele impedir a concepção desse infante? Teria o soberano Senhor prazer em permitir que uma criança viesse ao mundo apenas para ser condenada eternamente?

Como se vê, a teoria calvinista acerca da salvação das crianças não resiste a uma análise bíblica. Primeiro, porque o Senhor é justo e julgará a todos com justiça e retidão (Gn 18.25; Rm 3.5; 2 Tm 4.8). Segundo, porque, no Juízo Final, os réus serão condenados de acordo com as suas obras (Ap 20.12,13; 21.8). Que obras más tem um recém-nascido? Terceiro, porque em Marcos 16.16 está escrito: “… quem não crer será condenado”. Como um recém-nascido será condenado, uma vez que morreu antes de alcançar a maturidade necessária para crer?

Alguns admiradores fanáticos de Calvino argumentam que, se um recém-nascido não-eleito vier a morrer, será condenado por causa do pecado original, que passou a todos os homens (cf. Rm 5.12). Outros afirmam que Deus, em sua presciência, condenará a tal criança por saber de antemão que ela não se salvaria na idade da razão. Entretanto, uma condenação justa, baseada no pecado original, só se justifica depois de o pecador tomar conhecimento de que nasceu em pecado (Sl 51.5; Rm 3.23). No caso de um infante não-eleito que morre ao nascer, seria ele condenado pelo pecado herdado de Adão, mesmo sem ter chegado à idade madura?

Com todo respeito a Calvino, Jesus deixou claro que a salvação das crianças que não atingem a idade da razão nada tem que ver com eleição arbitrária ou predestinação incondicional. Em Mateus 18.2,3 está escrito: “E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus”.

À luz do texto bíblico acima, segue-se que: primeiro, para entrar no Reino de Deus não basta ser eleito; é preciso se converter. Segundo, para entrar no Reino de Deus também é preciso ser como uma criança. Terceiro, se as crianças foram tomadas por Jesus como exemplo de quem entrará no Reino de Deus, logo todas elas, em sua fase da inocência, têm a garantia do Senhor Jesus de que serão salvas — não por eleição, mas simplesmente por serem infantes! Afinal, “… dos tais é o Reino dos céus” (Mt 19.14).

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