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O Cânon Judáico e os Apócrifos

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - ter ago 28, 2:55 pm

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Introdução 

Antes de adentrarmos ao assunto propriamente dito, convêm determinar a terminologia bíblica que os escritores do NT aplicavam ao corpo de literatura judaica aceita. Isto é importante para descobrirmos o cânon da Bíblia hebraica antes do início da Igreja cristã primitiva porque, como diz Paulo, “aos judeus foram confiados os ‘oráculos de Deus” (Rom. 3:2). Isto é uma declaração importante indicando que havia um cânon divinamente inspirado e autorizado pela nação Judaica. É importante identificarmos quais são esses livros e sua autoridade porque unicamente esses livros que são verdadeiramente ‘os oráculos de Deus’ é que podem ser usados pela Igreja.

A pergunta que se faz é: o termo, ‘os oráculos de Deus,’ refere-se a um corpo reconhecido de escritos com um número específico e fixo de livros , ou era um cânon ainda aberto?

Os católicos romanos sustentam que o cânon dos judeus estava aberto e de fato, veio incluir os livros apócrifos. Para sustentar este ponto de vista geralmente apontam para dois eventos históricos principais. O primeiro é o Concílio de Jamnia realizado entre 75 e 117 d.C. Este concílio fora presidido por líderes judaicos que estiveram alegadamente a responsabilidade para oficialmente fechar o cânon das Escrituras Sagradas judaicas. O segundo, é a utilização da septuaginta pelos judeus de Alexandria , a tradução Grega das Sagradas Escrituras hebraica. Os católicos afirmam que os judeus de Alexandria incluíram os Apócrifos junto com os outros livros como seu cânon, isto porque, os manuscritos mais antigos que nós possuímos da Septuaginta contêm alguns dos livros apócrifos.

Então na visão católica existiam dois cânones; um mais extenso chamado de “cânon alexandrino” usado pelos judeus helenistas em Alexandria e pela igreja primitiva e outro mais restrito conhecido como “cânon palestinense” usado pelos judeus da Palestina.

Os protestantes evangélicos rejeitam esses argumentos porque eles são uma distorção dos fatos. As evidências indicam que na época do NT, o cânon da Bíblia hebraica consistia de um número preciso de livros e foram agrupados segundo uma estrutura específica, provando que o corpo canônico destes livros havia sido fechado bem antes de Cristo. O que não falta são testemunhas quanto ao número e a estrutura dos livros do cânon o que é confirmado por muitas fontes independentes, incluindo:

1. Jesus e o Novo Testamento

2. Os próprios apócrifos

3. Os pseudepígrafos

4. Philo de Alexandria

5. Josefo

6. Os Fariseus e Essênios

7. A tradução grega da Bíblia hebraica de Áquila

8. Os Pais da Igreja

9. A literatura rabínica


O Testemunho de Jesus e o Novo Testamento

Assim como Paulo se referiu às Sagradas Escrituras do Velho Testamento em um sentido geral como ‘os oráculos de Deus,’ Jesus também se referia ao Velho Testamento em termos gerais. Isto prova que Jesus e os apóstolos tiveram em mente uma quantidade certa de livros que estavam incluídos sob aqueles títulos gerais. Por exemplo, Jesus referiu ao VT como a “Lei de Moises e os Profetas”. A ‘Lei de Moises’ foi universalmente entendida como se referindo aos primeiros cinco livros da Bíblia conhecidos como Pentateuco a saber: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números e Deuteronômio. Quando Lucas registra o diálogo entre Jesus e os discípulos na estrada de Emaús, ele usa a seguinte expressão: ‘E começando por Moisés e por todo os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” (Lucas 24:27). Outra vez nós encontramos aqui descrições gerais. “Moisés e os Profetas” são logo a frente chamados de ‘Escrituras’. “Moisés e os Profetas” compreendem um conjunto específico de livros. Outros títulos utilizados para representar os livros do VT como uma coleção de livros sagrados são: ‘a Lei,’ ‘a Lei e os Profetas,’ ‘as Escrituras Sagradas’ e ‘a Palavra de Deus.’ Esses títulos gerais confirmam que aquela classe de livros foram recebidos como Escrituras Sagradas. Quando um judeu utilizava o termo – ‘os Profetas’ – todos sabiam que livros ele tinha em mente. Isto com certeza foi o caso de Paulo quando utilizou o termo ‘os oráculos de Deus’. Enquanto Jesus referiu às Sagradas Escrituras em termos gerais, ele também freqüentemente especificou alguns livros particulares que ele considerou inspirados. Por Exemplo, depois da leitura do livro do profeta Isaías na sinagoga ele disse, ‘Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lucas. 4:21). Ele ainda citou Salmos (Mc. 12.10), Deuteronômio (Mt. 4:4,7,10), Isaias e Jeremias (Lucas 19.46) e Zacarias (Mc. 14:27).

Isto deixa claro que quando Jesus se referia ao termo “Sagradas Escrituras” ou “Escritura”, ele tinha um conjunto específico de livros em mente. Jesus e os apóstolos aceitaram o cânon autorizado estabelecido pelos Judeus, isto é, ao povo judeu que Deus tinha usado para produzir as Escrituras.

Podemos deduzir outra prova pelo fato de Jesus nunca ter discutido com os judeus de seu tempo (Fariseu, Saduceus) sobre os limites das Sagradas Letras. Apesar de sabermos que havia uma tensão teológica entre tais grupos e estes e Jesus, contudo o mesmo cânon era aceito por ambos.

Agora, se nós sabermos qual tipo de cânon que Jesus utilizava então saberemos que livros são os verdadeiros ‘oráculos de Deus.’ e saberemos também qual cânon é autorizado para a igreja cristã.


A Estrutura do Cânon Hebraico

Como podemos perceber, historicamente, a estrutura do cânon hebraico não era fixa. Jesus não deixou nenhuma lista de livros inspirados do VT, mas seguindo a visão judaica tradicional de estruturar o cânon, ele referiu às Sagradas Escrituras pela divisão tripla, “Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos”. O termo “Salmos” era outra maneira de referir à terceira categoria do cânon hebraico comumente conhecido como Escritos ou Hagiógrafos, de que os Salmos assegurava um lugar de proeminência. Assim, se nós pudermos determinar que livros compreendem cada uma destas três divisões, nós saberemos que livros Jesus acreditava ser inspirados.

Lembrando que Jesus não é o único a se referir a esta tríplice divisão, há muitas testemunhas adicionais que provam que esta não era somente uma opinião pessoal do Mestre, mas a tradição da nação Judaica como um todo. Há uma validação histórica para esta classificação tripla, a saber: o livro apócrifo de Eclesiástico; o historiador Judaico Josefo; o filósofo judaico alexandrino Filo; o pai da Igreja Jerônimo e a literatura rabínica.

Obs: a expressão “a lei e os profetas” cobria as três divisões “a Lei, os Profetas e os Salmos”. As vezes os Salmos era colocado na categoria da Lei (João 10.34).

Eclesiástico – O prólogo da tradução Grega de Eclesiástico, escrito cerca de 130 a.C, pelo neto de Jesus ben Sirah, atesta:

“Pela Lei, pelos Profetas e por outros escritores que os sucederam, recebemos inúmeros ensinamentos importantes…Foi assim que após entregar-se particularmente ao estudo atento da Lei, dos Profetas e dos outros Escritos, transmitidos por nossos antepassados…”

Pelo que parece para este escritor há três grupos de livros que têm uma autoridade única em seu tempo, e que seu avô escreveu depois deles ganhando grande fama como seu intérprete e não como seu rival. O tradutor explicitamente distingue o ‘algo’ ( o livro de Eclesiástico) da ‘Lei, os Profetas e os outros escritos.’ O autor separa o livro de Eclesiástico das Sagradas Escrituras, não o inclui no cânon.

Josefo – Outra testemunha da divisão tríplice do cânon hebraico é Josefo, Fariseu e historiador judaico que testemunhou a queda de Jerusalém em 70 a.D. Em Contra Apionem ele escreve:

“Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos.” Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas, e aos demais escritos (os quais “incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas”), ele continua afirmando:

Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja. [5]

Josefo é suficientemente claro. Como historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas vinte e dois os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon massorético. E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424) até a sua época nada se lhe havia sido acrescentado. Outros livros foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.

Filo – um judeu alexandrino do século primeiro, em sua obra, De Vita Contemplativa (25), também testemunha divisão tripartida do cânon do VT.

É interessante saber que Filo mesmo procedente de Alexandria nunca citou um livro sequer dos apócrifos. Possivelmente ele teve contato com a Septuaginta, mas não citou um livro dela em suas obras, apesar de citar vários outros do VT.

Jerônimo – foi o tradutor da Vulgata Latina, a Bíblia oficial do catolicismo. Ele estudou vários anos na Palestina com mestres hebraicos e após retornar escreveu no prefácio dos livros de Samuel e Reis da Vulgata sobre a tríplice divisão do cânon judaico como a Lei, os profetas e os Hagiógrafos.

Bíblia católica – na página 15 da Bíblia católica versão dos Monges de Maredsous da editora Ave Maria sob o subtítulo “Introdução – A Bíblia em Geral” confirma esta tríplice divisão hebraica sem os livros apócrifos:

“É sumamente útil lembrar como foi feita cada uma dessas coleções. A coleção dos livros do Antigo Testamento originou-se no seio da comunidade dos judeus que a foram ajuntando no decorrer de sua história. Dividiram-na em três partes:

1. A Lei (Torá), contendo cinco livros (chamados mais tarde de o Pentateuco que significa os cinco volumes), forma o núcleo fundamental da Bíblia. Esses cinco livros são: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

2. Os Profetas. Os judeus abrangiam sob esse título não somente os livros hoje são denominados Profetas, mas também a maioria dos escritos que hoje costumamos chamar de Livros Históricos.

3. Os Escritos. Os judeus designavam por esse nome os seguintes livros: Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras e Neemias e as Crônicas.

É a essa divisão que se refere o divino Mestre quando mais de uma vez (p. ex. Mt 22,40) falou da “Lei e os Profetas”.

Essa coleção já estava terminada no segundo século antes da nossa era.

Nessa mesma época os judeus já estavam, em parte, dispersos pelo ido. Uma importante – colônia judaica vivia então no Egito, nomeadamente em Alexandria, onde se falava muito a língua grega. A Bíblia foi então traduzida para o grego. Alguns escritos recentes foram-lhe acrescentados sem que os judeus de Jerusalém. os reconhecessem como inspirados. São os seguintes livros: Tobias e Judite, alguns suplementos dos livros de Daniel e de Ester, os livros da Sabedoria e do Eclesiástico, Baruc e a Carta de Jeremias, que se lê hoje no último capítulo de Baruc. A Igreja Cristã admitiu-os como inspirados da mesma forma que os outros livros.

No tempo da Reforma, os protestantes, depois de terem hesitado por um tempo, decidiram não mais admiti-los nas suas Bíblias, pelo simples de não fazerem parte da Bíblia hebraica primitiva. Daí a diferença que há ainda hoje entre as edições protestantes e as edições católicas da Bíblia. Quanto ao Novo Testamento não há diferença alguma.” [até aqui o comentário da bíbla católica]

É interessante notar que este comentário declara que a Bíblia foi formada na comunidade judaica na palestina e não em Alexandria no Egito. Portanto, a formação do cânon ou seu fechamento é de competência dos judeus da Palestina.

Outrossim, após confirmar a tríplice divisão do cânon hebraico ele alista somente os livros aceitos pelos judeus e protestantes e deixa de fora os apócrifos, dizendo que esta era a lista de livro as quais Jesus se referia como “A Lei e os Profetas” em Mateus 22.40.
E conclui declarando que “Essa coleção já estava terminada no segundo século antes da nossa era”. Portanto, até mesmo os comentaristas de uma Bíblia católica confirma a fixação do cânon e sua tríplice divisão com apenas 22 livros bem antes do 1º século.

Mckenzie – outro biblista católico que confirma a tríplice divisão do cânon hebreu é John L. Mckenzie em seu “Dicionário Bíblico” pág. 141, assegura:

“No Novo Testamento, podemos ver que Jesus e os apóstolos aceitaram uma coleção de livros sagrados, juntamente com os hebreus. E os títulos por eles usados correspondem à tríplice divisão dos livros hebraicos.”

Em adição, a literatura Rabinica também falou de uma divisão tripla do VT. O Talmud babilônico (14) de Baba Bathra referi a esta divisão.O Número de Livros do cânon Hebreu

Apesar da estrutura do cânon ser um pouco flexível o mesmo não se dava com os livros que compunham a Bíblia hebraica, os quais eram fixo em número de vinte e dois ou vinte e quatro dependendo de como eram arranjados. Isto porque às vezes Rute era anexado ao livro de juízes e Lamentações ao de Jeremias, perfazendo um total de vinte e dois. Quando colocados separadamente o número subia para vinte e quatro. Todavia, o número de vinte e dois é atestado por inúmeras testemunhas. Uma destas testemunhas como já vimos é Josefo.

“Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois…”

Josefo não só deu o número de vinte e dois, mas reconheceu que somente estes eram aceitos pelo seu povo como canônico. Perceba que ele não deu uma opinião pessoal dele, mas colocou a questão de modo geral. A importância deste seu testemunho é maior ainda por que com certeza sendo um judeu helenista que falava o grego era impossível não conhecer a versão da Septuaginta. Assim, ainda que ele houvesse utilizado a versão grega, ele cita unicamente o cânon palestinense. E lembrando que Filo de Alexandria, também, possivelmente, conhecia ou manuseava a Septuaginta, mas não há prova que alguma vez houvesse citado um sequer dos apócrifos. Isso prova que não é porque alguém usou a Septuaginta que forçosamente terá que admitir o cânon mais extenso que incluía os apócrifos. E isso serve como resposta às objeções católicas de que Jesus e os apóstolos aceitaram os apócrifos por terem utilizado a versão dos Setenta.

A antiga obra pseudepigrafa, “Jubileus”, encontrada entre a comunidade dos Essênios em Qumran, também numera os livros do VT em vinte e dois. Esta talvez seja a testemunha mais antiga quanto ao número de livros que compreendia o cânon hebraico, antecipando a Josefo.

Junto a estes temos um grande número de pais da igreja primitiva que citaram a numeração tradicional judaica (22 livros) para o cânon hebreu. Orígenes, que tinha contato com os escritos judaicos escreveu que o número de livros canônicos era vinte e dois. Ele preparou em 240 d.C; uma edição do VT em seis colunas, a famosa Héxapla, assim distribuídas: 1ª coluna, o texto hebraico; 2ª transliteração do texto hebraico em caracteres gregos; 3ª tradução grega literal ; 4ª tradução grega idiomática de Símaco; 5ª a Sepuaginta; 6ª tradução grega de Teodócio.

Outros pais que listaram o número de livros como vinte e dois foram Hilario de Poitiers, Cirilo de Jerusalem, Atanasio, Epifanio, (que morou na Palestina), Gregorio de Nazianzeno, Basílio, o Grande, Rufino, e Jerônimo.

Novamente o estudioso católico nos confirma dizendo:

“A aceitação dos livros sagrados tal como se encontravam na versão da LXX foi partilhada por todos os escritores eclesiásticos dos primeiros três séculos d.C., exceto Melítão de Sardes (1- por volta de 193 d.C.), que cita o cânone hebraico. A existência de uma diferença entre o cânone hebraico e a LXX é mencionada por Orígenes (t 254), que afirma o direito dos cristãos a usarem os livros deuterocanônicos, mesmo não sendo eles aceitos pelos hebreus. O mesmo cânone é encontrado em todos os cânones oficiais: o Cânone de Cheltenham (por volta de 350) e os cânones de Hipona (393), Cartago (397) e de Inocêncio 1 (405). A única exceção é o Cânone de Laodicéia (360).

Por isso, é dificil explicar como foi que alguns Padres do século IV retornaram ao cânone hebraico, rejeitando explicitamente os livros deuterocanônicos: Atanásio (t 373). Cirilo de Jerusalém (t 386), Hilário de Poitiers (1- 366), Jerônimo (t .420), Rufino (t 410) e Gregório Nazianzeno (1- 390). A origem dessa opinião pode ser encontrada em Jerônimo e seus estudos com os hebreus. Talvez a mesma influência hebraica tenha ocorrido em outros. Com efeito, essa opinião apareceu no Oriente e naqueles Padres latinos que viveram durante muito tempo no Oriente. Era tal a autoridade desses Padres que sua opinião sobreviveu nos círculos cultos até o século XVI, embora o Concilio de Florença (1441) houvesse retomado o cânone alexandrino.” (Mckenzie pág. 142)

A literatura Rabinica Talmudica (Baba Bathra) deu a listagem como vinte e quatro. Este escrito é considerado como uma antiga tradição entre os judeus e dá uma identidade precisa somente daqueles vinte e quatro livros.

Áquila, que se apostatou da fé cristã e posteriormente se tornou prosélito judaico, sob a tutela dos rabinos R. Elezer e R. Joshua, ou até mesmo de R. Akiba é outra importante testemunha do primeiro século sobre o número de livros do cânon hebreu. Foi ele quem traduziu o VT hebraico para o grego. Os judeus haviam se desinteressado pela Septuaginta por causa de seu uso pelos cristãos. Aquila ficou responsável por fazer essa nova versão para os judeus que não entendiam mais o hebraico. A versão de Áquila contem apenas os vinte e quatro livros da coleção tradicional atestado pelo Talmud.


A Identidade dos livros canônicos dos Hebreus

O cânon judaico não só incluía uma clara divisão tripla como um número específico de livros (22). Resta-nos saber então qual era a identidade destes 22 livros. Obviamente, se Josefo e outros podiam dizer que o cânon consistia de apenas vinte e dois ou vinte e quatro livros eles de fato sabiam que livros eram estes. A pergunta é: pode um cânon limitado de vinte e dois ou vinte e quatro livros incluírem os apócrifos? Os fatos históricos apontam um uníssono não.

A identidade destes livros pode ser deduzida do comentário de Josefo. Seu testemunho é a evidência mais antiga que nós possuímos dos livros do cânon hebreu do VT. Ele limita a época em que tais obras foram produzidas:

“Temos somente vinte e dois que compreendem tudo o que se passou, e que se refere a nós, desde o começo do mundo até agora, e aos quais somos obrigados a prestar fé. Cinco são de Moisés, que refere tudo o que aconteceu até sua morte, durante perto de três mil anos e a sequência dos descendentes de Adão. Os profetas que sucederam a esse admirável legislador, escreveram em treze outros livros, tudo o que se passou depois de sua morte até o reinado de Artaxerxes, filho de Xerxes, rei dos persas e os quatro outros livros, contêm hinos e cânticos feitos em louvor de Deus e preceitos para os costumes. Escreveu-se também tudo o que se passou desde Artaxerxes até os nossos dias, mas como não se teve, como antes, uma sequência de profetas não se lhes dá o mesmo crédito, que aos outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal respeito, que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar, ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. Nós os consideramos como divinos, Chamamo-los assim; fazemos profissão de observá-los inviolavelmente e morrer com alegria se for necessário, para prová-lo. Foi isso que fez morrer um tão grande numero de escravos de nossa nação em espetáculos dados ao povo, tantos tormentos e tantas mortes diferentes, sem que jamais se pudesse arrancar de sua boca uma única palavra contra o respeito devido às nossas leis e às tradições de nossos antepassados.”

Os livros escritos depois de Artaxerxes (época do profeta Malaquias), afirma Josefo, “…não se lhes dá o mesmo crédito, que aos outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal respeito…”

Ora, as datas dos livros apócrifos surgem exatamente depois do profeta Malaquias no período interbíblico, ou 400 anos que Deus ficou sem falar através de profetas.
Para Josefo os livros autorizados foram produzidos entre a época de Moisés (com seus escritos) e Artaxerxes (época do profeta Malaquias).

Jerônimo (340-420), o grande teólogo bíblico do início do período medieval e tradutor da Vulgata latina, rejeitou explicitamente os apócrifos como parte do cânon. Ele disse que a igreja os lê “para exemplo e instrução de costumes”, mas não “os aplica para estabelecer nenhuma doutrina” (Prefácio do Livro de Salomão da Vulgata, citado em Beckwith, p. 343). Na verdade, ele criticou a aceitação injustificada desses livros por Agostinho. A princípio, Jerônimo até recusou-se a traduzir os apócrifos para o latim, mas depois fez uma tradução rápida de alguns livros. Depois de descrever os livros exatos do AT judaico [e protestantel, Jerônimo conclui:

“E então no total há 22 livros da Lei antiga [conforme as letras do alfabeto judaico],isto é, 5 de Moisés, 8 dos Profetas e 9 dos hagiógrafos. Apesar de alguns incluírem […] Rute e Lamentações no hagiógrafo, e acharem que esses livros devem ser contados (separadamente) e que há então 24 livros da antiga Lei, aos quais o Apocalipse de João representa adorando ao Cordeiro por meio do número de 24 anciãos […] Esse prólogo pode servir perfeitamente como elmo (i.e., equipado com elmo, contra atacantes) de introdução a todos os livros bíblicos que traduzimos do hebraico para o latim, para que saibamos que os que não estão incluídos nesses devem ser incluídos nos apócrifos” (ibid., grifo do autor).

No prefácio de Daniel, Jerônimo rejeitou claramente as adições apócrifas a Daniel (Bel e o Dragão e Susana) e defendeu apenas a canonicidade dos livros encontrados na Bíblia hebraica, escrevendo:

“As histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico [.11 Por isso, quando traduzia Daniel muitos anos atrás, anotei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que não estavam incluídas no hebraico […] Afinal, Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros clérigos e mestres distintos da Grécia reconhecem que, como eu disse, essas visões não se encontram no hebraico, e portanto não são obrigados a refutar Porfírio quanto a essas porções que não exibem autoridade de Escrituras Sagradas” (ibid., grifo do autor).

A sugestão de que Jerônimo realmente favorecia os livros apócrifos, mas só estava argumentando que os judeus os rejeitavam, é infundada. Ele disse claramente na citação acima que: “não exibem autoridade de Escrituras Sagradas”, e jamais retirou sua rejeição dos apócrifos. Ele afirmou na obra Contra Rufino, 33, que havia “seguido o julgamento das igrejas” nesse assunto. E sua afirmação: “Não estava seguindo minhas convicções” parece referir-se às “afirmações que eles [os inimigos do cristianismoi estão acostumados a fazer contra nós”. De qualquer forma, ele não retirou em lugar algum suas afirmações contra os apócrifos. Finalmente, o fato de que Jerônimo tenha citado os livros apócrifos não é prova de que os aceitava. Essa era uma prática comum de muitos pais da igreja. Ele afirmou que a igreja os lê “para exemplo e instrução de costumes” mas não “os aplica para estabelecer qualquer doutrina”.Apesar das declarações de Agostinho sobre os apócrifos serem ambíguas (assim como o resto de sua teologia) ele reconheceu que os judeus não aceitavam esses livros como parte do cânon. (Cidade de Deus 19.36-38)

Como exemplo ele cita o livro dos Macabeus dizendo que era “tido por canônicos pela Igreja e por apócrifo para os judeus. A igreja assim pensa por causa dos terríveis e admiráveis sofrimentos desses mártires…” (ibdem 18.36). É obvio que esse é um critério muito fraco para justificar sua canonização.

Agostinho não era autoridade em grego ou hebraico como era Jerônimo e por isso foi mais facilmente levado a crer na autoridade dos apócrifos. Também havia uma crença corrente a respeito de uma lenda de como a Septuaginta fora traduzida de forma milagrosa por setenta escribas. Por certo Agostinho acreditava nessa lenda e por isso era relutante em excluir os livros apócrifos do cânon. Como sua versão era a Antiga Latina que por sua vez fora traduzida da Septuaginta ele considerava os apócrifos canônicos. Mesmo assim quando um de seus adversários apelou para o livro apócrifo de II Macabeus, respondeu que sua causa era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria daquela que eram recebidos e aceitos pelos judeus.

Orígenes e Epifanio também testemunharam que os judeus haviam rejeitado certos livros apócrifos. Orígenes escreveu que os judeus tinham pouca consideração por Judite e Tobias, nunca aceitando eles como canônicos, e Epifanio declarou que eles haviam rejeitado Eclesiasticos, Sabedoria, Baruque e a Epístola de Jeremias.

Eusébio citando Orígenes declara: “Em sua exposição do primeiro Salmo ele dá um catálogo dos livros nas Sagradas Escrituras do Antigo Testamento, da seguinte maneira: “Mas deve-se observar que os livros canônicos, conforme transmitidos pelos hebreus, são vinte e dois, de acordo com o número das letras em seu alfabeto”. Após algumas outras observações, acrescenta: “Esses vinte e dois livros, de acordo com os hebreus, são os seguintes: ‘Aquele chamado Gênesis, mas pelos hebreus, de acordo com o início do livro, Bresith, que significa no início. Êxodo, Walesmoth,’ que significa, esses são seus nomes. Levítico, Waikra, e ele chamou. Números, Anmesphekodlim. Deuteronômio, Elle haddabarim, ou seja, essas são as palavras. Jesus, filho de Nave, em hebraico, Josué hen Num. Juízes e Rute em um livro; com o hebraico que chamam Sophetim. Dos Reis, o primeiro e o segundo, um livro, com eles chamado Samuel, o escolhido de Deus. O terceiro e o quarto de Reis, também em um livro com eles, chamados Wahammelech Dabid2 que significa e rei Davi. O primeiro e o segundo livro de Paralipomena, contido em um volume com eles e chamados Dibre Hamaim, que significam as palavras, isto é, os registros dos dias. O primeiro e o segundo de Esdras, em um, chamados Ezra, isto é, um assistente. O livro de Salmos, sepher Thehillim. Os Provérbios de Salomão, Misloth, Eclesiastes, Coheleth. O Cântico dos Cânticos, Sir Hasirim. Isaías, Iesaia. Jeremias, com Lamentações, e sua Epístola, em um, Jeremiah. Daniel, Daniel. Ezequiel, Jeezkel. Jó, Job. Ester, também com os hebreus, Ester. Além desses há também Macabeus, que são inscritos Sarbeth sarbane el. Esses, portanto, são os livros que Orígenes menciona no livro supracitado (Salmos).” (Histórica Eclesiástica – Eusébio de Cesaréia Livro VI, 25)


Objeções quanto ao cânon judaico 

Os apologistas Católicos contestam essas conclusões com respeito à estrutura e número de livros no cânon em três pontos fundamentais. Primeiramente, eles reclamam que o uso da Septuaginta por alguns dos Judeus sugere que eles tinham um cânon não fixo. Eles afirmam que embora os Judeus da palestina fossem mais conservadores, os Judeus de Alexandria não eram e possuiam um cânon mais largo que incluia os apocrifos. Dizem que pelo fato da septuaginta ter originado em Alexandria incluindo os apócrifos e foi a Bíblia comumente utilizada por Jesus e os escritores neotestamentario, eles devem ter citado estes livros também. Um outro argumento usado largamente por eles é o Conselho de Jamnia, composto de anciões judaicos depois da queda de Jerusalem em 70 A.D.. Alí, dizem eles, foi estabelecido a condição canonica do VT. Com isso eles querem provar que o cânon palestinense não era fechado ou fixo até então. E por último os católicos alegam que os essênios usavam um cânon mais extenso que o palestinense. Iremos logo abaixo responder cada uma dessas objeções.

O maior problema com a teoria do cânon Alexandrino é que não há nenhuma lista ou coleções de livros ou testemunhas para nos dizer quais livros compunham de fato esse cânon. Ninguém sabe quais livros foram incluídos de fato na Septuaginta. Nada sabemos desta tradução antes da era cristã. O manuscrito mais antigo que trazem os apócrifos data do 4º século d.C. Outro problema com a teoria do cânon Alexandrino é que isto não prova de maneira conclusiva que os judeus Alexandrinos ou os outros judeus da dispersão adotaram um em detrimento do outro. Além disso, não há provas concretas de dois cânones diferentes sendo usados pelos judeus. Não há de se supor que os judeus alexandrinos não tinham por canônicos somente os 22 ou 24 livros usados pelos judeus palestinenses. Apesar de haver diferenças entre a cultura do judeu helenístico e o da palestina, não há nada que prova que essa diferença afetou o cânon. Tanto é que nem Josefo ou Filo, sendo judeus helenistas que falavam o grego e, portanto tiveram contato com a Septuaginta, citaram os livros apócrifos apesar de terem citado os 22 livros canônicos do judaísmo tradicional.


O Conselho de Jamnia

Freqüentemente os livros católicos levanta a objeção de que o Concilio de Jamnia decidiu a fixação do cânon hebraico. Conseqüentemente, antes desse Concílio o cânon judaico ainda estava aberto. Historicamente, havia alguns poucos livros que foi o centro de debate dentro do judaísmo. Eram Ezequiel, Provérbios, Eclesiastes, Cantares e Ester. Mas não se segue que porque havia debates em torno deles, que não faziam parte do cânon judaico, estando o cânon ainda aberto. A questão não girava em torno se estes livros deveriam entrar no cânon ou não, mas se eles deveriam permanecer canônicos. Nunca houve qualquer menção sobre acrescentar livros ao cânon, principalmente os apócrifos.

Aliás, ressalta-se que o termo Sínodo ou Concílio é inapropriado. A academia de Jamnia, estabelecida pelo rabino Johanan ben Zakkai antes da queda de Jerusalém em 70 d.C., era ao mesmo tempo uma universidade e um centro legislativo.

No que diz respeito aos livros disputados, a discussão foi confinada à pergunta se Eclesiastes e Cantares (ou possivelmente só Eclesiastes) eram inspirados.
A decisão tomada por aqueles rabinos não foi considerada de grande importância, pois algumas vozes discordantes continuou a ecoar por todo o século II.

Eles não mudaram em nada a condição canônica daqueles livros ou de quaisquer outros. Não foi introduzida nenhuma inovação, permanecendo a tradição judaica sobre o cânon amesma de sempre. Prova disso é a tradução de Áquila (O VT do hebraico para o grego) feita muito tempo depois, incluindo estes cinco livros debatidos e não aceitando nenhum dos apócrifos.
A teoria que afirma que o cânon foi fechado em Jamnia é insustentável pois nenhum dos apócrifos foi sequer mencionado.

Porque esses livros haviam sido rejeitados?Alguns questionaram-nos por diversos motivos:

Cantares: Alguns achavam este livro sensual demais;

Eclesiastes: Alguns o consideravam cético demais;

Éster: A objeção era a ausência do nome de Deus, por isso alguns questionavam sua inspiração;

Ezequiel: alguns estudiosos hebreus achavam que ele não condizia com a lei mosaica que era praticamente um padrão para aferir a inspiração e conseqüentemente sua canonicidade;

Provérbios: A objeção contra esse livro partia do fato de parecer contraditório (ex, Pv. 26.4,5)


Os Essênios

Os Essênios foi uma corrente judaica que havia se separado do judaísmo tradicional. Os escritos, conhecidos como rolos do mar morto, desse povo foram descobertos nas cavernas de Qumran perto do mar morto. Eles pareciam provar que havia uma categoria mais longa de livros que os vinte e dois ou vinte e quatro do cânon judaico tradicional, sugerindo para alguns que o cânon não havia sido fechado entre os judeus da Palestina. As descobertas dos rolos do mar morto demonstram que havia muitas outras literaturas religiosas junto com os 22 livros canônicos dos judeus. Entretanto, isto não prova que eles aprovavam um cânon mais extenso. É certo que os essênios produziram uma considerável quantidade de escritos pseudepígrafos apocalíptico, mas eles não consideravam esses livros inspirados. Eles foram estimados como interpretações autorizadas dos livros canônicos, mas nunca foram tomados como Escrituras Sagradas. A obra pseudepígrafo Jubileu cita o número exato do cânon palestinense, isto é, 22 os mesmos atestados posteriormente por Filo, Josefo e Jerônimo. Isto prova que os essênios tinham o mesmo cânon que os judeus tradicionais. Apesar de haver discordâncias quanto a interpretação no judaísmo, não havia, entretanto discordância quanto ao cânon. Essênios, Fariseus e Saduceus parecem estar de acordo quanto a isso.

O NT cita os apócrifos?

Alguns objetam dizendo que há muitas referências feitas pelos escritores do NT aos apócrifos, e, portanto, nós não podemos assegurar que Jesus de fato aceitava o cânon palestinense. As provas oferecidas para isto geralmente são as citações listadas pela edição do NT grego Nestle-aland que inclui um apêndice de supostas referências e alusões aos apócrifos e pseudepígrafos no NT. Entretanto, a ilegitimidade deste apêndice torna-se patente quando algumas destas alusões são examinadas. Por Exemplo, alega-se que a referencia de Mateus 4:4 é uma alusão ao livro apócrifo Sabedoria de Salomão 16:26, mas isto nada mais é que uma clara citação direta de Deuteronômio 8:3. Também é dito que Mateus 4:15 é uma alusão a 1 Macabeus 5:15, mas o verso é uma citação direta de Isaias 9:1. Dizem que Hebreus 11:35 é uma alusão a II Macabeus 7.12, mas parece ser mais uma referência a I Reis 17.22. Quanto aos pseudepígrafos as únicas alusões certas é o Livro de Enoque 1.9 em Judas 14.

O que acontece é que tais alusões que parece ser uma citação direta é na verdade apenas semelhanças.

É embaraçoso os católicos romanos lidar com o fato de que não há prova alguma de Jesus ou os escritores do NT citando os apócrifos. Dificilmente essa omissão poderia ser acidental se eles considerassem tais livros canônicos. Também acrescenta-se que seria muito estranho eles citarem obras apócrifas ou pseudepígrafas tais como Assunção de Moisés e o Livro de Enoque (Judas 7,14), e deixarem de citar nominalmente 14 ou 15 livros encontrados na Septuaginta supostamente considerados canônicos.

Seria este um argumento do silêncio?

Os católicos rebatem a essa resposta alegando que isto é um argumento do silêncio. Alguns refutam a omissão dos apócrifos dizendo que nós poderíamos usar o mesmo critério de avaliação quanto a alguns livros do VT que não foram citados no NT tais como Juizes, Crônicas, Ester, Cantares. Eles também não poderiam fazer parte do cânon visto por este prisma, dizem eles.

Mas este argumento não procede porque não há paralelo real entre a falta de alusão a livros que certamente são canônicos e a falta de alusão aos apócrifos. Como nós temos visto, o cânon do VT já estava bem estabelecido na época de Jesus. O próprio Jesus menciona sua tripla divisão e Josefo nos conta que aquelas três divisões perfaziam 22 livros, número este confirmado por muitas outras fontes históricas. Além disso, não há absolutamente nenhuma evidência que qualquer dos escritos apócrifos foi alguma vez aceito como canônicos pelos Judeus. Alguns dos livros apócrifos eliminam eles mesmos da condição de canônicos como Eclesiástico e I Macabeus. Os pais da Igreja primitiva afirmavam que os judeus não aceitavam os apócrifos como canônicos. Assim, a falta de alusão para alguns livros do VT não tem o mesmo peso quanto a mesma falta de alusão aos apócrifos católicos pelo fato de estes livros já fazerem parte do cânon judaico sob as categorias gerais de Leis, Profetas e escritos que totalizavam 22 livros apenas. Paulo nos informa que aos judeus foram confiados os “oráculos de Deus”. O fato dos judeus terem rejeitado a Jesus não minimiza o fato de eles serem os guardiões do cânon.

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