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O Controle Mental II

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - dom set 09, 2:37 pm

As oito características dos cultos que atuam no Controle Mental.

Nos últimos 20 anos, “Lavagem Cerebral” tornou-se uma palavra muito conhecida. Em 1961 Robert J. Lifton, depois de ter estudado os efeitos do controle mental nos presos de guerra americanos capturados pelos comunistas chineses, publicou o livro fundamental sobre esta teorias : Thought Reform and the Psychology of Totalism’ [Reforma do Pensamento e a Psicologia do Totalitarismo].

No capítulo 22 desse seu livro, Lifton descreve os oitos instrumentos de controle mental usados pelos cultos políticos, religiosos ou psíquicos:


1) Milieu Control [Controle Ambiental]

‘Melieu’ é uma palavra francesa que significa “ambiente ao redor”. As seitas e os cultos conseguem controlar o ambiente em que vivem seus adeptos de diversas maneiras, mas quase sempre usam uma forma de isolamento. Os adeptos são isolados fisicamente da sociedade, ou são ameaçados de castigos se entrarem em contato com as informações das mídias, sobretudo quando estas informações podem criar pensamentos críticos. Qualquer livro, filme ou testemunha de ex-membros, assim como qualquer informação que seja crítica contra o grupo, deve ser evitada.

A seita fornece atentamente as informações aos membros. Tudo vem cuidadosamente avaliado por receio de que possa ser contrário, ou vá além do pensamento da seita. Aos adeptos, o fato de que a organização pareça ter um vasto conhecimento sobre tudo e todos garantem-lhes uma capacidade de oniciência.

2) Manipulação Mística

Nas seitas religiosa Deus está sempre presente. Se para um motivo qualquer uma pessoa afasta-se, cada doença ou infortúnio que lhe aconteça será atribuído como um castigo de Deus, e circulam histórias de como Deus realmente esteja fazendo acontecer coisas maravilhosas aos fiéis, pois eles são “a verdade”. A organização se reveste de uma certa “misticidade” que, para os novatos, é realmente sedutora.

3) Necessidade de Pureza

O mundo vem pintado em branco e preto, com pouco espaço para tomar decisões pessoais baseadas na consciência individual. A conduta individual vem modelada de acordo com a ideologia do grupo, como ensinado na sua literatura. As pessoas e as organizações são divididas entre boas ou malvadas, de acordo com o relacionamento delas com o grupo.

Para controlar o adepto, todas as seitas usam o senso de culpa e de vergonha, também depois que abandonaram o grupo. Tudo vem polarizado e super exemplificado. Todas as coisas classificadas como malvadas devem ser evitadas, e a pureza alcança-se com a absoluta aceitação da ideologia da seita.

4) A Adoração da Confissão

As culpas graves (para a ideologia do grupo) devem ser confessadas logo. Se a conduta dos membros é contraria às regras, deve-se fazer relato. Com freqüência encontra-se a inclinação para ganhar prazer com a auto-degradação por meio da confissão. Isso acontece quando é um dever confessar os próprios pecados frente aos outros regularmente, criando um forte senso de identidade com o grupo. Isso permite aos líderes de exercer também a autoridade diretamente sobre o interno do grupo nos mais fracos, usando as “culpas” como chicote.

5) As “Ciências Sagradas”

A ideologia da seita torna-se o ponto de vista moral definitivo que regula a existência humana. A ideologia é “sagrada” demais para ser discutida, e é um dever o respeito aos líderes. A ideologia da seita faz afirmações exageradas acerca da perfeição de sua lógica, apresentando-a como uma verdade absoluta e perfeita. Um sistema assim atraente oferece segurança.

6) Linguagem Carregada/Redefinida

Lifton explica o abundante uso de “clichê bloqueia-pensamento”, ou seja: frases ou palavras desenhadas para bloquear uma conversa ou uma discussão. Um exemplo são as palavras “capitalista” e “imperialista” usados pelos pacifistas nas décadas 60. Estes clichê são fácil pra lembrar e para usar. São chamados “linguagem do não-pensamento”, porque terminam a conversa sem outras considerações.

7) É mais importante a Doutrina do que a Pessoa

Uma pessoa é valorizada na medida que ela se conformar às regras da seita. As percepções da lógica, se estão em desacordo com a ideologia, são desprezadas. A história da seita é alterada para adapta-la a lógica doutrinária.

8) Dispensa da Existência

A seita estabelece quem “merece” existir e quem não tem este direito. Estabelece quem deve morrer na luta final entre o bem e o mal. A família inteira [do adepto] e quem não pertence ao grupo podem ser enganados pois não merecem de existir!


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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