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O cristão pode fumar maconha?

por Artigo compilado - qua maio 21, 12:08 am

maconha do psol

Para uma análise de um tema tão capcioso e que a muitos têm confundido, não devemos nos basear em pesquisas e análises que ao longo dos anos foram produzidas; não porque elas sao inúteis, e sim porque não possuímos conhecimento o suficiente para julgar se tais experimentos estão certos. Para ilustrar, relembre quantas vocês já viu algum estudo dizendo que o café faz mal e depois outro de que faz bem; que vinho é bom para a saúde, mas que também ajuda a matar; que pessoas magras são mais saudáveis, mas que não é bom ser magro demais… As variações são inúmeras e por isso não nos ateremos a elas.

Falar em “poder fumar maconha” envolve alguns temas importantes, como a suficiência das Escrituras e o dever de cuidar de si próprio. Não nos delongaremos sobre a suficiência da Bíblia para os cristãos, vez que se este ponto não for aceito, de nada valerá a conversa; a Bíblia precisa ser a única regra de fé e conduta para todos, de maneira que se algum cristão não a tem como base de sua crença, é melhor rogar ao Senhor para que se apiede de sua vida. Noutro lado, temos o dever bíblico de cuidar do próprio corpo, o qual analisaremos.

A Bíblia orienta os crentes a apresentarem suas vidas ao Senhor de maneira semelhante a como Cristo viveu: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). Nosso Senhor Jesus Cristo veio à terra em cumprimento à lei, os profetas e os salmos (Lc 24.27, 44), para ser o cabeça da Igreja (Ef 1.22) e cumprir na Igreja toda a sua plenitude (Ef 1.23). Como puro cordeiro, Ele não somente morreu pelo injustos  eleitos (1Pe 3.18), mas também viveu para fazer a vontade do Pai (Jo 5.30).

Desta forma, o primeiro indicativo de como devemos viver e se seria lícito fumar maconha, diz respeito a buscar uma vida parecida com a de nosso Salvador. Um problema, contudo, começa quando se inicia a seguinte pergunta: “mas Jesus não jogou futebol, por exemplo; também não surfou e não temos relatos de que tenha comido alguma costela com os discípulos”. Para resolver este pequeno problema, é preciso notar que não estamos nos referindo a viver estritamente o que a literalidade da Bíblia diz que Cristo fez, porque a própria Escritura nos diz: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro” (Jo 20.30). Jesus fez inúmeras outras coisas que não estão relatadas, de modo que viver como Cristo viveu, tem referência à passagem bíblica: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1Jo 2.6), isto é, buscando fazer a vontade de Deus.

Dando seguimento, embora não conheçamos muitos crentes que fumem maconha, talvez alguns fumem sem saber se estão fazendo certo ou errado, acabando por pecar: “Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.23). Nesta passagem o apóstolo está instruindo os cristãos em Roma acerca da licitude de comerem tudo o que lhes posto à mesa e vendido para consumo, mas devendo sempre observar o irmão mais fraco (Rm 14.3). Certamente que Paulo não estava advogando o comer alimentos estragados e nitidamente danosos à saúde, e sim fazendo um contraponto à pretensa liberdade que muitos estava usando da maneira errada, sendo pedras de tropeço na vida dos mais fracos.

A liberdade cristã precisa ser corretamente entendida, pois quando lemos que “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão” (Gl 5.1), devemos ter em mente que o apóstolo Paulo, na carta aos gálatas, estava tratando da judaização do cristianismo, devido a que muitos estavam voltando às antigas práticas, desejando introduzir antigos ritos na igreja, fazendo com que o sacrifício de Cristo fosse negado. Os irmãos na Galácia precisavam compreender que a liberdade para qual haviam sido chamados, fazia com que eles não mais vivessem na “sombra das coisas futuras” (Cl 2.17) e passassem a viver na realidade, em Cristo Jesus.

Assim, se alguém fuma maconha ou faz qualquer outra coisa sob a desculpa de que “é livre”, demonstra que não entendeu a Palavra da Verdade e precisa a ela dedicar tempo, a fim de a ter como única coluna basilar de sua vida.

Diante disso, após termos ciência da necessidade de vivermos como Cristo e não escandalizarmos nossos irmãos, tenhamos em mente um versículo de suma importância: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Co 10.31). A pergunta que poderá responder nossa indagação sobre se é lícito fumar maconha, será: é possível fumar maconha para a glória de Deus?

Geralmente esta pergunta – “é possível [atividade/atitude] para a glória de Deus?” – é respondida por algumas pessoas como sendo impossível fazer todas as coisas para a glória de Deus. Bem, se isso é verdade, então Deus é mentiroso, afirmando que deveríamos fazer uma coisa que não pode ser feita. Graças ao bondoso Senhor, sabemos que é possível fazermos todas as coisas para o Seu louvor, conforme links no final deste artigo. Mas no que consiste fazer todas as glórias de Deus? Talvez um excelente resumo seja: “Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde dentro de ti os meus mandamentos” (Pv 7.1); “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (Jo 15.10).

Guardar os mandamento do Senhor indica que O amamos e permanecemos em Sua palavra. Evidente que, conforme já salientou o reformador Matinho Lutero, os mandamentos de Deus demonstram nossa fraqueza, pois vemos o quão altos são e chegamos à conclusão dada por nosso Salvador: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Falar em obedecer os mandamentos não significa alcançar a salvação por meritocracia, e sim buscar viver de acordo com a graça do Senhor que habita na Igreja pelo Seu Espírito Santo, conforme lemos: “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15.10). Portanto, não nós, mas a bondade do Senhor para conosco.

Tendo por certo que devemos guardar os mandamentos do Senhor, mesmo sabendo que iremos fraquejar (daí a necessidade de entendermos que eles somente podem ser cumpridos em Cristo, em quem somos adotados – Ef 1.5), notamos que a Escritura prescreve os frutos do Espírito Santo atuando na Igreja, os quais estão elencados no capítulo cinco da carta aos gálatas: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22).

É preciso sempre notar que os frutos do Espírito Santo não são a mesma coisa dos dons do Espírito Santo. Os crentes possuem dons variados (1Co 12.29-30), segundo a boa vontade de Deus, porém os frutos do Espírito Santo devem habitar em todos os crentes, sem qualquer excessão. Nenhum crente pode ter falta de amor, gozo (alegria), paz e os demais elencados. Não é uma faculdade ter alguns deles, e sim uma obrigação; ou melhor, se alguém não os possui, não tem o Espírito do Senhor. Novamente, convém lembrar que tais dons não são manifestos de maneira plena da vida dos crentes, pois ainda lutamos contra as concupiscências da vida (Rm 7.4-25) – mas um fato notável é que todos precisam frutificar de acordo com a Palavra.

Importa observar que um dos frutos do Espírito Santo é a “temperança” ou “domínio próprio”. A palavra no grego original é Egkrateia [1] e significa “domínio próprio, a virtude dos que dominam seus desejos e paixões”. Este significado é de grande importância, porque dominar os desejos e paixões, ainda que não em plenitude de perfeição, é uma clara demonstração da libertação que o Evangelho causou: “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6.18). Agora, porque o crente não é mais escravo do pecado, pode resistir à tentação (Tg 4.7) e a vencer pelo sangue do Cordeiro. Isto implica em que se alguma coisa escraviza o crente (drogas, futebol, internet, alguma amizade, dinheiro, fama…), o mesmo precisa buscar guarida junto ao Refúgio (Salmo 46) e buscar saber se controlar.

Em contraponto aos frutos do Espírito Santo, a Escritura nos revela os frutos da carne: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são […] feitiçaria” (Gl 5.19-20). A palavra que temos traduzido por “feitiçaria” (em boa parte das traduções), no grego original é Pharmakeia [2] e significa “o uso ou a administração de drogas de envenenamento/intoxicação, feitiçaria, artes mágicas, geralmente em conexão com a idolatria e promovendo a mesma”. Não é preciso muito malabarismo para se entender que a partir desta palavra surgiu “farmácia”, ou como era nos tempos antigos, “drogaria”.

O fato é que a Bíblia revela ser uma obra da carne, ou seja, não vinda do Espírito Santo, a manifestação de Pharmakeia, o uso de substâncias que trazem malefícios ao corpo, podendo ser acompanhada de outros rituais (é como o uso de drogas em determinadas seitas, a fim de alcançar um outro “estado de espírito”). Por isso, aqui temos um precioso indicativo bíblico sobre a necessidade do cristão vigiar sobre o que come, bebe ou realiza, a fim de verificar se não está incorrendo em Pharmakeia; se não está utilizando de drogas (lícitas ou ilícitas) para “viajar” ou ficar mais “relaxado”.

Neste deságue, temos outros exemplos bíblicos de intoxicação, como em Romanos 13.13: “Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja”. A palavra “bebedices” é Methe [3] em grego e significa “intoxicação, embriaguez” – é a mesma palavra usada em Lucas 21.34 e Gálatas 5.21. Também lemos: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18) – aqui a palavra é Methusko [4] e significa “se intoxicar, ficar bêbado, vir a estar intoxicado”.

Neste instante, alguém pode vir pensar: “mas muitas outras coisas também intoxicam! Mortes pelas complicações da diabetes, álcool, frituras, fast-foods, embutidos… Muitas coisas intoxicam!”. Tal questionamento é certo e precisa ser ponderado, afinal, que diferença existe entre um crente que consome altas quantidades de fritura e um que fuma maconha? Ambos não prejudicam o próprio corpo? O que vive comendo doçuras e está bem acima do peso, não comete tamanho pecado e demonstra não ter domínio próprio?

É preciso, por isso, atentarmos para as palavras de Cristo: “E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Lc 6.41). Inúmeras vezes os cristãos acabam por “tornar demoníaca” certas coisas e se esquecem de que praticam tantas outros pecados diante do Senhor. Para ilustrar, há algum tempo atrás um irmão me indagou acerca de um grupo de amigos seus (cristãos) que estavam usando Narguile para fumar, o que o estava deixando espantado; questionei-o, então, que mesmo concordando em não ser lícito fumar aquilo (pois segundo consta, possui sérias consequências para o corpo – tão ruins quanto ou pior que o cigarro), muitas vezes ele mesmo comia e ingeria bebidas maléficas para sua saúde, devendo ser cauteloso quanto ao “zelo” pela santidade, afinal, muitas vezes não se enxerga o próprio erro.

Creio, todavia, que mesmo entendendo o até aqui exposto, alguns crentes podem se lembrar do seguinte versículo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (1Co 10.23). Tal versículo é usado, frequentemente, como um respaldo para dizer, “bem, eu até poderia fazer isso ou aquilo, mas não convém”. Este pensamento reflete a ideia de que todas as coisas são lícitas – absolutamente tudo -, mas que algumas é melhor não fazer. A grande questão é que o versículo seguinte explana o real entendimento: “Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem” (1Co 10.24). O combate do apóstolo era contra a pretensa liberdade de fazer, dentre as coisas lícitas, algumas que levavam os irmãos a se escandalizarem, e não que qualquer coisa no mundo seria lícita ao crente!

Em vias de finalização, sabemos que a maconha, assim como tantas outras plantas, foram criadas por Deus – o próprio tabaco, inclusive. Se Ele criou todas estas coisas, então elas são “boas”, pois “viu Deus que era bom” (Gn 1.12). Mas o fato de algo ser bom, não significa que o modo como se utiliza é igualmente puro, além do que, o pecado corrompeu todas as coisas, trazendo “Espinhos, e cardos” (Gn 3.18) à terra, fazendo com que a criação sofra as consequências da desobediência: “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Rm 8.22).

Como exemplo, de algo bom, mas que sendo usado de maneira errada, pode trazer prejuízos, é o caso dos animais – não é qualquer pecado matar animais para os comer (Gn 9.3), mas seria um pecado comer o animal sem o cozinhar e não observando algumas regras sanitárias, vindo a trazer inúmeras doenças; ou noutro sentido, assar o animal ainda vivo, desprezando o sofrimento do mesmo, o que é estaria em completa desarmonia com o governar e cuidar da criação de Deus (Gn 2.15).

Assim, podemos finalizar este breve artigo da seguinte forma: a maconha foi criada por Deus e na medicina possui a sua validade, tal qual inúmeras outras plantas; não deve, porém, ser usada para o consumo por meio de “baseados”, pois nenhum benefício traz ao ser que faz uso desta maneira (não preciso discorrer sobre os efeitos maléficos). Por outro lado, os que não fumam maconha, devem olhar para a “trave” que está em seus olhos e perceberem que, conquanto não fumem esta erva, consomem inúmeras outras “porcarias”, de maneira que não possuem nenhuma razão para se acharem mais ou menos crentes do que aqueles que fumam, pois ambos estão errados.

Que a graça de nosso Senhor esteja com todos os que O amam em sinceridade (Ef 6.24).

Notas:

[1] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/egkrateia.html

[2] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/pharmakeia.html

[3] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/methe.html

[4] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/methusko.html

Extraído do site http://2timoteo316.blogspot.com.br/ em 20/05/2014


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