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Qual o destino da alma após a morte?

por Artigo compilado - sáb nov 17, 12:35 am

As bênçãos resultantes da Vinda do Senhor Jesus a este mundo são incontáveis. Elas se relacionam com tudo o que existe. Creio que na glória celestial ser-nos-ão reveladas inúmeras outras bênçãos derivadas da Vinda de Jesus, as quais usufruiremos.

Uma delas tem a ver com os fiéis que dormem ou vierem a dormir no Senhor, entre a nossa morte e a Volta de Jesus. As bênçãos decorrentes da vinda de Jesus têm alcance ilimitado, aqui e na eternidade.

Para entendermos melhor esse assunto, analisaremos sucintamente a condição dos mortos, justos e injustos, antes e depois do advento de Jesus, culminando na sua morte, ressurreição e ascensão.

Antes da ressurreição de Jesus

A palavra seol, no Antigo Testamento, equivale em sentido a hades, no Novo Testamento. Diferem na forma porque a primeira é hebraica e a segunda é grega. Elas designam o lugar para onde iam todos após a morte: justos e injustos, havendo, no entanto, uma divisão para os justos e outra para os injustos nessa região de mortos. Esses compartimentos eram separados por um abismo intransponível. Todos estavam ali plenamente conscientes.

O lugar dos justos era de felicidade, prazer e segurança. Era chamado de Seio de Abraão e Paraíso. Já o lugar dos ímpios era medonho, cheio de dores, sofrimentos, estando todos plenamente conscientes.

Jesus ensinou essas coisas ao relatar o fato descrito em Lucas 16. 19-31. O título posto no capítulo, informando que é parábola, não vem no original. Parábola é uma modalidade de narração na qual não aparece nomes de pessoas.

Conforme Efésios 4.8-10, o Hades situa-se bem no profundo da terra. Além do ensino de Efésios, as referências à entrada de almas nesse lugar é sempre “desceu”. Podemos ver isso nos casos de Jacó (Gn 37.35), Core (Nm 16.30,33) e em outras passagens (Jó 17.16; 11.8; SI 30.3; 86.13; 139.8;Pv9.18;15.24;Is 14.9; 38.18-32; Ez31. 15,17 e Am 9. 12). Em todas essas passagens, a referência é ao seol, e mostram um lugar situado nas profundezas da terra.

É de lastimar o fato de que em inúmeras referências ao seol no Antigo Testamento certas versões em português traduze-o por “sepultura” e outros termos afins, trazendo não pouca confusão ao leitor comum.

As palavras hades e seol aparecem às vezes traduzidas também por “inferno” (Dt 32.22; 2Sm 22.6; Jó 11.8; 26.6; SI 16.10; Mt 16.18 e Ap 1.18). Um estudante menos avisado ou apressado pode partir daí para falsas interpretações.

O Inferno propriamente dito, isto é, o Inferno Eterno, como destino final dos ímpios, é o chamado Lago de Fogo e enxofre(Geena), mencionado em Apocalipse 20.10,14.

O Hades é apenas um inferno-prisão onde os ímpios permanecem entre sua morte e ressurreição, a qual ocorrerá por ocasião do Juízo do Grande Trono Branco, após o reino milenial de Cristo (Ap 20.7,11-15).

É preciso muito cuidado para evitar ensino errôneo decorrente de imperfeições nas traduções. É preciso recorrer a obras de renome, para consulta e referência, como a Concordância de Strong e léxicos bilíngues das línguas originais, mesmo para os versados nessas línguas. Para citar só mais um exemplo desse problema, esta mesma palavra hades é ainda traduzida como “morte” em 1 Coríntios 15.55. Essas diferentes traduções de uma mesma palavra têm trazido muita confusão entre os menos avisados.

Portanto, antes da vinda de Jesus a este mundo, todos desciam ao seol, justos e injustos, havendo uma separação intransponível entre as duas divisões do mesmo.

Depois da ressurreição de Jesus

Jesus, antes de morrer por nós, prometera: “As portas do Hades não prevalecerão contra a minha Igreja”, Mt 16.18. Isso mostra que os fiéis de Deus, a partir dos dias de Jesus, não mais desceriam ao Hades, isto é, à divisão reservada ali para os justos.

O texto em apreço indica futuridade em relação à ocasião em que foi proferido por Jesus. A mudança ocorreu entre a morte e a ressurreição do Senhor, pois Ele disse ao ladrão arrependido: “Hoje estarás comigo no Paraíso“, Lc 23.43. Paulo diz a respeito do assunto: “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Ora, isto – ele subiu – que é, senão que também antes havia descido às partes mais baixas da terra?“, Ef 4.8-9.

Entende-se, pois, que Jesus ao ressuscitar levou para o Céu os crentes do Antigo Testamento que estavam no Seio de Abraão, conforme Ele prometera em Mateus 16.18. Muitos desses crentes Jesus os ressuscitou, certamente para que se cumprisse o tipo prefigurado na Festa das Primícias (Lv 23.9-11), que falava profeticamente da ressurreição de Cristo (1Co 15.20,23). Nessa festa sagrada, havia pluralidade (o texto bíblico fala de molho ou feixe). No seu cumprimento, deveria haver também pluralidade. E houve, conforme vemos em Mateus 27.52-53. A obra redentora de Jesus no Calvário afetou não só os vivos, mas também os mortos que dormiam no Senhor (neste caso, os mortos voltaram a morrer, veja qui).

A vitória plena de Cristo teria que incluir a derrota da morte. Ora, todo vencedor sempre regressa da última batalha trazendo consigo provas e evidências de sua vitória final. Era, pois justo que Jesus ressuscitasse alguns e os trouxesse consigo, uma vez derrotada a morte.

O apóstolo Paulo foi ao Paraíso, o qual já estava no Terceiro Céu (2Co 12.1-4). Portanto, o Paraíso está agora lá em cima, na imediata presença de Deus. Não em baixo, como dantes. A mesma coisa vê-se em Apocalispe 6.9-10, onde as almas dos mártires da Grande Tribulação permanecem no Céu “debaixo do altar”, aguardando o fim da Grande Tribulação, para ressuscitarem (Ap 20.4) e ingressarem no reino milenial de Cristo.

Os crentes que agora dormem no Senhor estão no Céu, pois o Paraíso está agora ali, como um dos resultados da obra redentora do Senhor (2Co 5.8). No momento do Arrebatamento da Igreja, seus espíritos virão com Jesus, unir-se-ão aos seus corpos ressurretos e subirão com Cristo já glorificados (1Ts 4.14).

Comparando Filipenses 1.23 com 1Pedro 3.22, vê-se que o Paraíso situa-se agora no Céu. Quem parte daqui fica com Cristo (Fp 1.23). Ora, Cristo está agora assentado à destra de Deus (1Pd 3.22).

A presente situação dos ímpios mortos

Para os ímpios mortos não houve qualquer alteração quanto ao seu estado. Continuam descendo ao Hades, o “império da morte”, onde ficarão retidos em sofrimento consciente até o Juízo do Grande Trono Branco, após o Milénio, quando ressuscitarão para serem julgados e postos no Inferno eterno (Ap 20.13-15). Assim sendo, qualquer fantasma ou “alma do outro mundo” que aparecer por aqui é coisa diabólica, porque do Hades não sai ninguém. É uma prisão, cuja chave está com Jesus (Ap 1.18).

Alma do outro mundo não vem à Terra. Os salvos estão com Jesus e os perdidos estão presos. O Diabo, sim, por enquanto está solto e sabe imitar e enganar com muita perícia.

Em Ezequiel 32.17-32, no chamado “Rol das Nações ímpias no Hades”, vemos os ímpios mortos das nações ali referidas postos no Hades. Essa passagem é sumamente importante diante dos fatos que estamos estudando. Convém ser lida na sua totalidade.

Uma última observação é que em 1Pedro 3.18-20 e Atos 2.27,31, o estudo comparativo das palavras empregadas nas diferentes versões, especialmente a Revised Standard Version, a Versão Brasileira e a Almeida Revisada Atualizada, mostra que a vitória do Senhor Jesus foi anunciada até no Hades. Todo o Universo tomou conhecimento da transcendental vitória de Jesus na sua morte e ressurreição!

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Autor: Pr. Antonio Gilberto da CPAD


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