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O determinismo de Jonathan Edwards

por Artigo compilado - sex dez 19, 11:46 am

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Ainda que o determinismo de Jonathan Edwards seja substancialmente o mesmo de Calvino, será necessário dedicar alguns tópicos para tratar dele especificamente, uma vez que Edwards sistematizou de forma mais intelectualmente satisfatória o determinismo que foi afirmado de forma confusa por Calvino em alguns pontos. A principal diferença entre o determinismo de Edwards e o de Calvino é que, enquanto este negava o livre-arbítrio, aquele inventou um livre-arbítrio compatibilista, ou seja, uma teoria de livre-arbítrio que tenta ser compatível com um mundo determinista.

Para isso, é lógico, ele precisou mudar todo o conceito de livre-arbítrio que conhecemos. A descrição abaixo de “livre-arbítrio” feita por Flávyo Henrique, que eu creio ser a mais compatível com o pensamento da maioria dos cristãos sobre liberdade, era rejeitada por Edwards:

“Definimos como a capacidade de escolher em contrário, mesmo frente a agentes externos, meio, situação ou necessidade, a capacidade de resistir e decidir, restritamente, mediante condições, em que nada verga, de tal maneira, a vontade humana, que não se possa atribuir ao homem a responsabilidade de seus atos. Tal capacidade nada mais pode ser, que a semelhança em que fomos criados, advinda de Deus, da livre graça, da liberdade do criador que dotou a criatura, comer ou não comer do fruto, do bem e do mal, obedecer ou não, esta diante de cada um de nós, agora mesmo. A graça, indispensável à salvação do homem, nos orienta para aquilo que o homem natural não compreende, isto é, as coisas espirituais, nos abrindo os olhos, pela pregação da palavra, a fé vem aos nossos corações (Rm 10.17) e então somos feitos novas criaturas em Cristo Jesus. (II Co 5.17)”[1]

Em contraste a esta definição de livre-arbítrio (que é conhecido como “livre-arbítrio libertário”, que decorre do fato de que o agente é livre para agir da forma contrária à que ele agiu), o “livre-arbítrio” de Edwards não era algo em que a pessoa pudesse agir contrariamente à forma que agiu. Ele disse:

“Aquilo que parece mais convidativo, e tem o grau maior de tendência prévia para excitar e induzir a escolha, é o que chamo ‘motivo mais forte’. Nesse sentido, suponho que a vontade é sempre determinada pelo motivo mais forte”[2]

Essa definição ficou muito famosa nos séculos seguintes e hoje é seguida de perto pela maioria dos calvinistas. Basicamente, o ensino consiste em que o homem tem algo que eles chamam de “livre-arbítrio” ou “livre-agência”, mas não para poder agir em contrário. Ele somente pode agir da forma que age, porque suas ações são determinadas pelo motivo mais forte.

Então, é de questionarmos se esse “livre-arbítrio” de Edwards merece mesmo este nome. O “livre-arbítrio”, neste caso, é simplesmente a capacidade de agir somente e sempre em conformidade com o que deseja, e não de ter realmente opções de escolha. Isso conflita com o real sentido de ser “livre”, embora possa trazer certo conforto a calvinistas que ainda precisam crer em alguma forma de liberdade.

Sproul resumiu de forma simples o pensamento de Edwards:

“Tenho o desejo de ser magro e tenho o desejo de tomar um ‘Super Sundae’. Qualquer desses desejos que for maior na hora da decisão é o desejo que vou escolher. Simples assim”[3]

John Feinberg, da mesma forma, afirma:

“Deus pode decretar todas as coisas e, ao mesmo tempo, nós estaremos agindo livremente, de acordo com o sentido compatibilista de liberdade. Deus pode garantir que Seus objetivos serão atingidos livremente, mesmo quando alguém não deseja praticar um ato, visto que o decreto inclui não apenas os fins escolhidos por Deus, mas também os meios para a consecução desses fins. Tais meios incluem todas e quaisquer circunstâncias e fatores necessários para convencer a pessoa (sem constrangimento) de que a ação que Deus decretou é a ação que essa pessoa deseja praticar. E assim, propiciadas as condições suficientes, a pessoa praticará a ação”[4]

Em outras palavras, o determinismo que Feinberg chamou de “leve”, presente em Edwards e em autores calvinistas posteriores, se difere do determinismo “duro” de Calvino e de calvinistas rígidos apenas em um aspecto: enquanto para Calvino o homem é coagido, para Edwards o homem é persuadido. Mas essa diferença ainda é muito superficial, pois Edwards ainda cria em uma persuasão irresistível, que no fim das contas pouco difere da coação. É mais uma diferenciação técnica do que prática. É por isso que o “determinismo leve” cai nos mesmos erros do determinismo rígido, como veremos adiante.

[1] HENRIQUE, Flávyo. O que é livre-arbítrio? Disponível em: <http://www.palavradepaz.com.br/listartigo.aspx?id=1020>

[2] EDWARDS, Jonathan. Freedom of the Will, p. 142.

[3] SPROUL, Robert Charles. Eleitos de Deus. Editora Cultura Cristã: 1998, p. 41.

[4] FEINBERG, John Samuel. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de Deus e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 41.

Extraído do livro “Calvinismo X Arminianismo”,  cedido pela comunidade de arminianos do Facebook


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7 Comentários

Comentários 1 - 7 de 7Primeira« AnteriorPróxima »Última
  1. Calvinistas adoram criar confusão. Ainda bem que o meu Deus não é de confusão e que meu único livro usado como guia é a perfeita Bíblia e não falhos textos de falhos humanos.

  2. Esse Jonathan Edwards é um icone do calvinismo norte-americano. filosofo e teologo.
    Toda essa bagagem academica para contrariar a seguinte revelação “…Deus é amor.”1 João 4:8b
    A burguesia calvinista desta epoca não via como “eleitos” escravos, indios, amarelos …

  3. “Amai os vossos inimigos” Mt.5:44b. Se Deus não ama todas as pessoas, só os eleitos (como diz Calvino) então Por que Jesus estava contradizendo-se neste v.v.?Um absurdo, todo um aparato filosofico para “provar” que Deus não gosta de pessoas, exceto uns cheirosos chamados calvis.

  4. Atenção CACP, se tiverem um artigo sobre John Newton (Londres, 24 de Julho de 1725 — 21 de Dezembro de 1807) autor do hino “Graça Maravilhosa”. John desprezou toda altivez da sua epoca despota e arbitraria, religião decadente para iniciar a ideologia de libertação dos escravos.

  5. Na camara dos nobres, John Newton disse “slaves are people! ” e a religião decadente diz respondeu-lhe : “peoples?!” 

    Amazing Grace movie trailer : 

    https://www.youtube.com/watch?v=Q6Cv5P9H9qU

  6. Salmo 119:130, amém?

  7. sou gay

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