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O objetivo do ensino de Jesus

por Artigo compilado - qua set 10, 12:54 pm

Jesus Salvador

Uma das coisas que mais ajudam no ensino é o ter objetivos claros e específicos. Muitos professores trabalham me­ses e meses sem objetivo definido, a não ser o de apresentar o material que se lhes forneceu. Isto responde por muita incúria, vacuidade e falta de interesse. Sem um alvo certo e preciso, definha-se o ensino por falta de perspectiva, de propósito e de objetividade. E também não se poderá avaliar os resultados do ensino, pois que não visa a coisa definida; e, assim, não sabemos para onde ele se dirige e nem onde chegará.

Com Jesus, as coisas caminhavam de modo mui dife­rente. Ele nunca ensinava somente pelo fato de ser chamado a ensinar. Ele sempre tinha um propósito e fins definidos a atingir. Sabia muito bem o que queria, e caminhava nesse sentido. Sabia para onde ia e de maneira firme caminhava para a consecução do seu objetivo sem olhar para oposições ou derrotas. “Vim para que tenham vida” (João 10:10). Buscou, assim, “transformar as vidas de seus discípulos, e, por meio de­les, transformar outras vidas e regenerar a sociedade humana”.Muitas coisas estão incluídas neste seu objetivo geral.

1.     Formar Ideais Justos

Os ideais são no mundo as forças impessoais mais pode­rosas para a construção do caráter. Eles são como a carta, o mapa, o guia para o curso da vida. Em grande parte controlam nossa conduta. Assim é que surtos instintivos são largamente dominados por eles. Um jovem pode recusar tomar um gole de pinga, ou deixar de dar uma tragada, ou de dançar, unica­mente por causa dum ideal que abraçou. Certo jovem deixou de tomar parte numa noitada alegre com seus amigos só pelo fato de lembrar que nenhum de seus parentes mais velhos jamais fora culpado de tais práticas. W. S. Athearn tem grande razão quando diz: “Os ideais são as polias pelas quais elevamos nossa natureza a níveis mais altos.” Eles determinam a eficácia de nossos anseios emocionais e pesam em nossas resoluções.

Os resultados dos compromissos de três consagrados cris­tãos de agirem como mordomos de Deus, no que respeita a suas posses, podem ser inteiramente diversos, muito embora os três sejam igualmente sinceros. Um deles pode achar que deve dar quando a isso se sentir inclinado, e só dará quando o pastor o mover a isso; o segundo pode achar que deve pagar o dízimo — nada mais, nada menos — seja qual for a sua renda; já o terceiro pode achar que tudo pertence a Deus e que deve dar a Deus mais do que nove décimos. São os ideais que fazem a diferença nos resultados de suas resoluções. Assim, o conhecimento apropriado é necessário ao viver apro­priado. Não se pode viver melhor do que aquilo que se co­nhece. A conduta reta ou certa tem sua raiz na reta com­preensão. Assim, aquilo que amolda os ideais do povo deter­mina em larga escala o seu destino.

Por isso, Jesus buscou formar ideais retos e justos. “Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celestial” (Mat. 5:48). Ele procurou de modo especial dar a todos uma compreensão mais clara da natureza de Deus e de sua atitude para com a humanidade.

Jesus apresenta Deus mais como o Pai cheio de amor que se sente mal com os pecados do homem, e não tanto como um monarca sem coração que não se interessa pela humani­dade necessitada. As parábolas da dracma perdida, da ovelha transviada e do filho pródigo revelam o coração de Deus. Je­sus nos apresenta o homem como transviado e necessitado da influência regeneradora do Espírito de Deus, se quiser ele entrar no Reino de Deus. Isto se vê na conversa de Jesus com Nicodemos (João 3:1-14). No Ensino do Monte, especial­mente nas Beatitudes, Jesus esboçou as qualidades e práticas que devem caracterizar os cidadãos do Reino, tanto na vida par­ticular como em suas relações públicas. Ele alertou a todos contra o orgulho, a cobiça, a raiva para com outro irmão, e contra o olhar para a mulher, cobiçando-a. Ele propôs uma filosofia para guiar nossa conduta, que, afinal é a coisa mais importante na vida, como, aliás, descobriu W. J. McGlothlin, quando percebeu que um homem o seguia num parque à noite e estava ele mais interessado na filosofia da vida humana do que mesmo em saber se tal homem era mais forte do que ele, se se tratava de um negro, ou se este trazia consigo uma garrucha.

O povo corria para Jesus, porque ele o alimentava com verdades que seu coração desejava ansiosamente. Os professo­res de Escola Bíblica Dominical devem aprender bem a li­ção que este fato contém: nossos alunos afluirão, se os ali­mentarmos regularmente. Assim como há pássaros que sis­tematicamente voltam às mesmas praças de certas cidades da Europa central, porque certas pessoas em seu testamento dei­xaram importâncias especiais para a alimentação regular deles ali, também nossos alunos virão sempre às nossas aulas, se lhes dermos algo que valha a pena. Toda a responsabilidade na sustentação duma Escola Bíblica Dominical não descansa so­bre os ombros dos visitadores da Escola, não. A responsabili­dade maior recai sobre o ensino que deve ser enriquecido com a visitação. Deve haver um impulso que venha de dentro para fora através da instrução, bem como um apelo que venha de fora para dentro, através da persuasão. “Nenhuma porção de entusiasmo, nenhum colorido anedótico, e nenhuma fluência de elocução poderá substituir o conhecimento que se transmite ao aluno.”

Nestes dias em que tanto se enfatiza no ensine a solução de problemas e o tratamento das situações da vida, não esque­çamos a necessidade de plantar verdades divinas na mente de nossos alunos e de construir sólidos ideais de vida. Ideais e sentimentos mais elevados são necessários para dar unidade à vida, afirmam os psicólogos. “Assim como pensa em seu co­ração, assim é o homem” (Prov. 23:7).

2 .     Firmar Convicções Fortes

Jesus não ficou apenas a transmitir conhecimentos sobre assuntos morais e espirituais. Foi mais adiante. Ele bem sa­bia que só o conhecimento ou a informação não venceria os desejos instintivos e o mau ambiente. Pode-se conhecer bem os males acarretados pela perversão sexual, o perigo das be­bidas alcoólicas e da jogatina, e não obstante viver-se escravi­zado a um ou a todos esses vícios. Têm-se encontrado em casa de má fama homens com folhetos religiosos e até Evan­gelhos em seus bolsos. Um pobre vagabundo que surgiu certa vez num acampamento de colegiais leu o grego tão fluentemente como o inglês, que o grupo de estudantes acabou tirando-lhe o chapéu e com ele levantou uma coleta para que o infeliz pudesse comprar mais cachaça!

Pode-se dizer que resultou aquilo em mal maior, e, na verdade, algum diplomado daquele colégio esteve ligado àque­la troça lamentável. Mais de quinhentos diplomados têm sido salvos nos cortiços da cidade de New York, alguns dos quais lá tinham ido para realizar obra de soerguimento moral.  O Mestre nunca se iludiu pensando que basta o conhecimento para curar o homem de seus males. Quando ele disse: “A ver­dade vos libertará” (João 8:32), disse isso aos judeus que criam nele, e condicionou essa afirmativa à permanência deles em sua palavra.

Assim, pois, o Mestre tanto buscou aprofundar as con­vicções como implantar a verdade. Noutras palavras: Ele re­conhecia a necessidade de despertar o sentimento e desenvol­ver atitudes. Seu alvo final era a vontade. Ele reconhecia, como nós também, que a verdade deve possuir luz e também ca­lor para ser eficaz. Deve desenvolver-se o sentimento de obri­gação, como afirma W. A. Squires: “Ele tratou da vida em sua plenitude, e não meramente do processo mental de seus alunos. Ele nutriu a vida emotiva, bem como a vida intelectual de seus discípulos.” Com esse propósito, buscou despertar in­teresse por certos assuntos e também proporcionar informações sobre eles. Sempre estavam em seus lábios perguntas como estas: “Que vos parece?” (Mat. 18:12). “Que pensais vós do Cristo?” (Mat. 22:42). Assim, despertando meditações posteriores sobre o assunto, despertava o interesse e aprofundava as convicções. Também apelava de contínuo ao amor, aos sentimentos de afeto. Belo exemplo de seu esforço, no sentido de aprofundar a lealdade de Pedro, vemos na per­gunta que lhe fez três vezes: “Amas-me mais do que estes?” (João 21:15-17).

Semelhantemente valeu-se do temor e do ódio para fir­mar as convicções, inclusive o temor do inferno e o ódio ao pecado. Também enfatizou recompensas e punições. Falando sobre o juízo futuro, descreveu pessoas condenadas às trevas exteriores, dizendo: “ali haverá choro e ranger de dentes” (Mat. 25:30).

À luz dessa ênfase, não podemos negar que os discípulos, ouvindo tais palavras, ficassem profundamente emocionados com a importância e a veracidade de suas afirmativas. Jesus despertava, então, atitudes pró ou contra esses assuntos apre­sentados. Bem faremos nós em seguir o exemplo de Jesus, porque, se queremos que nosso ensino alcance os resultados desejados; nossos alunos precisam sair de nossas aulas perce­bendo bem o valor das verdades ali estudadas e debatidas, le­vando consigo a firme resolução de fazerem algo no sentido de praticar o que ouviram. Somente desta forma se dará às verdades ensinadas aquela ênfase precisa, coisa tão necessá­ria nestes tempos em que não se dá grande valor a assuntos sérios, chegando mesmo não poucos a troçar e rir das verdades religiosas. O ensino deve fortalecer, e não enfraquecer as con­vicções. A juventude deve ser fortalecida no seu íntimo, e as­sim estar preparada para viver bem num ambiente depravado. Quando Rudyard Kipling levou seu filho a um passeio de barca e se lhe disse que o rapaz havia pulado nágua e morreria certamente caso o pai não o acudisse, ele apenas disse: “Não; isso não acontecerá, pois o rapaz sabe o que faz.” Devemos desenvolver em nossos alunos convicções tão fortes para que eles se mantenham resolutos e invencíveis.

3 .     Converter a Deus

A principal tarefa do professor é propriamente relacionar seu discípulo com Deus. É este o ato religioso inicial do in­divíduo, e é o mais importante. Dado que o aprender não fica completo sem uma resposta da parte do aluno, assim também o ensino de religião não se completa sem que o indivíduo res­ponda  a Deus.  Nunca estaremos  retamente relacionados conosco ou com nossos semelhantes, enquanto não o estivermos com Deus. É esta a única base para se obter vida genuinamente integrada e unificada. Assim como a agulha magnética oscila e não se firma enquanto não aponta para o norte, igualmente o indivíduo vagueia enquanto não se relaciona com Cristo. Josh Billings tem razão ao afirmar que “só teremos corridas de cavalos limpas  e  honestas  quando  tivermos  uma   raça  humana honesta”. A retidão só aparece  quando  a  gente se converte a Deus. É este o alicerce de todo o progresso moral.

Todas as atividades da vida devem ser dirigidas deste centro. É o maior ajustamento da vida. “A alma de toda cultura é a cultura da alma.” Estão certos os católicos romanos ao afir­marem que problemas como o do sexo só se resolvem à luz do temor e do amor de Deus. Isto é verdade também no que toca à temperança e à paz mundial. Assim disse Cristo: “Bus­cai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mat. 6:33). Ele disse também: “Se não vos arrependerdes (mudardes vossa mente), todos de igual modo perecereis” (Luc. 13:3). Ele disse ainda ao culto Nicodemos: “Quem não nascer de novo (de cima) não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). Assim Cristo primeiro cuidou de levar o povo à conversão a Deus e essa também é a nossa grande obra como professores.

A experiência da conversão é descrita como nascimento, ressurreição, iluminação, novo coração, mudança de mente. Pode variar na forma conforme o temperamento, a idade, a cultura e o grau de pecado; mas em todos os casos envolve a harmoniosa relação da pessoa humana com a divina. Pode ser uma experiência sem alarde ou do tipo revolucionário; pode ser gradativa ou repentina; pode ser dominantemente intelectual, emotiva, ou volitiva; pode ser mais viva libertação do pecado ou mais sensível marcha para a retidão. Em cada caso, po­rém, há uma entrega a Deus e o transpor da linha divisória para se entrar na vida cristã.

Da conversão resultam novos motivos, novos interesses e novas atividades. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento, e com todas as tuas forças” (Mar. 12:30). É esta a experiên­cia que transforma o mundo. “O convertido hotentote da África está mais perto do centro da vida do que o mais culto pagão da América.”

A mãe do governador Joseph W. Folk dizia pura ver­dade ao afirmar que não se orgulhara tanto de Joe no dia em que ele assumira as rédeas do governo como quando ele se filiara à sua igreja (batista). Cada professor de Escola Bí­blica Dominical deve ensinar, orar e agir para que cada alu­no submeta sua vida a Deus o quanto mais cedo possível. Cada um de seus alunos deve ser levado a dizer como o filho pró­digo: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai” (Luc.   15:18).

4.     Relacionar com os Outros

O viver cristão envolve relações retas para com o homem, assim como para com Deus. Na verdade, ambas estas coisas acham-se envolvidas na mesma experiência. Quando Jesus resu­miu o primeiro mandamento, acrescentou isto à nossa relação para com Deus — “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mar. 12:31). Ao enfatizar a doutrina das recompensas na eternidade, Jesus disse que tais recompensas se baseiam no ter dado comida ao faminto, água ao sedento, roupas ao nu, no tratar bem o estrangeiro, o enfermo e os presos (Mat. 25: 35,36). João foi mais longe, dizendo: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso” (I João 4:20).

Isto significa que somos convertidos como seres sociais mais do que seres independentes. Devemos estar em harmo­nia com os homens tanto quanto com Deus. Henry C. King disse certa vez: “A religião está serzida com todas as relações, tendências e esforços humanos, indeslindavelmente mesclada com todas elas.  E devemos compreender que  sua glória está não num majestático isolamento, e, sim, nessa capacidade de permear e dominar toda a vida.” Jesus buscou harmonizar uns com os outros, bem como convertê-los a Deus. E ele espera que façamos o mesmo.

Várias coisas são envolvidas nesta obra de levar os homens a manter boas relações entre si. Em primeiro lugar, Jesus en­fatizou o evangelho do amor, como indica o mandamento já referido. Jesus foi mais além, e disse: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 13:34). Ele sabia que o verdadeiro amor derrubaria todas as barreiras. Assim, alertou a todos con­tra o ódio, recomendando: “Orai por aqueles que vos perse­guem” (Mat. 5:44). Não podem existir boas relações quando reina o ódio. Na verdade, o ódio é o primeiro passo para o ho­micídio. Jesus enfatizou também, e muito, a necessidade do espírito pacifista, e disse: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mat. 5:9). Sobre a pureza sexual, disse: “Qualquer que olha para uma mulher, cobiçando-a, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mat. 5:28).

A ênfase que deu, e igualmente sua atitude, nos ajudam a pôr de lado as bebidas alcoólicas, os preconceitos raciais, a resolver os problemas entre patrões e empregados, e a eliminar a guerra. Se relações pacíficas dominarem os setores todos, já elas se estabelecerão não por intermédio de diplomatas encolarinhados, a beber cocktails e inebriantes junto a mesas de conferências internacionais, e, sim, por meio de Escolas Bí­blicas Dominicais e doutros professores dum mundo construído por uma juventude sadia, que então manterá atitudes retas e justas para com pessoas de todos os climas, cores, classes e credos.

5 .     Resolver os Problemas da Vida

Em todos os seus ensinos Jesus nunca se esqueceu dos problemas íntimos de seus ouvintes, e sempre buscou resol­vê-los, para fazer deles discípulos felizes e unificados. “Seu ensino é essencial e inteiramente ocasional… tirado de emer­gências do dia e da hora, do contato com o povo, de conversas e incidentes.” A ênfase dada por Cristo era sobre a própria vida e não sobre coisas materiais. Sem contar o Ensino do Monte, a maior parte dos seus ensinos registrados era para ajudar indivíduos a resolverem problemas específicos que os desafiavam. Ele não empregou termos gerais, como religioso, espiritual, ético e consciente, mas acoroçoou virtudes particula­res. Até parece que ele disse as bem-aventuranças por ver diante de si pessoas que estavam lutando com problemas refe­rentes ao orgulho, à impureza, à tristeza e a outros mais.

Certo velho professor de latim disse que não ensinava latim, e, sim, a alunos; igualmente o Mestre não ensinava propriamente a verdade, e sim, a pessoas, e as Escrituras e ou­tros materiais eram apenas meios para esse fim. Até mesmo o versículo das Escrituras que enfatiza a inspiração diz que elas não são em si um fim, mas que são “úteis para ensinar… para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente pre­parado para toda boa obra” (II Tim. 3:16,17). “Jesus sem­pre visava a própria vida, mais do que o intelecto.”

Podemos ver que ele de fato enfatizava isso quando estu­damos todo o seu ministério. Ele citou vinte livros dos trinta e nove do Velho Testamento, em seus ensinos, e sempre em relação com algum problema ou situação que estava embara­çando seus discípulos. Ao lidar com a mulher junto ao poço, se aprofundou na vida dela para lhe revelar sua necessidade. Conversando com Nicodemos, colocou seu dedo justamente \o ponto fraco do seu farisaísmo formalista e lhe ensinou a li­ção da necessidade e natureza da conversão. Quando o buscou o jovem rico e lhe perguntou o que devia fazer para herdar a vida eterna, Jesus fez perguntas até que o moço descobrisse que suas posses constituíam seu capital problema, e daí Lhe aconse­lhou o que devia fazer de suas propriedades.

Provavelmente o exemplo mais frisante é o daquele ho­mem que quis que Jesus induzisse seu irmão a dividir com ele a herança, e isto precisamente quando Jesus estava falando sobre os cuidados e a providência de Deus. Aquele pedido estava completamente fora de ordem, em inteira desarmonia com a ocasião, e, assim, mui natural seria que Jesus ignorasse aquela solicitação ou repreendesse o intruso, e prosseguisse em sua mensagem. Mas o Mestre dos mestres não fez nada disso. Percebendo a cobiça que lavrava no coração daquele homem, desviou-se um bocado do que vinha dizendo e lhe deu uma lição sobre o valor da vida humana, lição que tem sido grande bênção para todo o mundo. Disse, então, a pará­bola do rico próspero e insensato que construiu celeiros e tulhas mais vastas para recolher sua enorme colheita, e com tal ilustração levou aquele ganancioso a perceber sua lamentá­vel atitude de cobiça (Luc.   12:13-21).

Se deve hoje em dia em nossas Escolas Bíblicas Domi­nicais enfatizar mais uma coisa que outra, esta é a verdade capital: ensinemos alunos, e não lições. O moto de cada pro­fessor deve ser este: “ensino que tem finalidade certa, para o aluno saber como viver”. O professor de adultos que não permite que um aluno faça perguntas, alegando que o tempo é escasso e que “é preciso dar toda a lição”, não descobri;’ ainda qual a função principal do mestre. Quando necessário, devemos até nos desviar da lição do dia para atender à ne­cessidade da classe. Muitos pregadores assim fazem em seus sermões. George W. Truett nos conta que certa vez pregou um sermão inteiro para beneficiar certo ouvinte dum grande auditório. Mas, assim fazendo, beneficiou a muitos do audi­tório, bem como Jesus ajudou a humanidade de todos os sé­culos, desviando-se de sua mensagem formal para satisfazer às necessidades de um indivíduo cobiçoso. Se nada aprende­mos de todo neste estudo de Jesus como mestre, não esque­çamos nunca que ele ensinou para resolver as necessidades e problemas da vida.

6 .     Formar Caracteres Maduros

Jesus desejava não apenas obter uma resposta definida para seus ensinos, e nem só resolver por meio deles problemas específicos da vida. Ele olhava ainda mais para diante, e de­sejava assim, desenvolver em seus seguidores aquelas graças que lhes possibilitariam conjurar suas fraquezas e vícios e fazer deles caracteres fortes, íntegros e verdadeiramente cris­tãos. Carlos F. Kent assim se expressa a respeito dos objetivos de Jesus: “Livrar os homens de cederem às tentações que sorrateiramente assaltam cada homem e cada mulher; aju­dá-los a vencer as paixões que se precipitam sobre eles; li­bertar o altivo coletor de sua ganância; a mulher da rua, daquelas influências que quase irresistivelmente a prendem e arrastam.” Jesus buscou criar e desenvolver virtudes positivas, tais como a honestidade, a humildade, a pureza, o altruísmo, a bondade, o sacrifício, que enobrecem o caráter, firmam a conduta e alegram o viver. Desejou para seus discípulos uma vida o mais humanamente possível, liberta do pecado.

Muitos fatos da vida de Jesus provam cabalmente este seu glorioso objetivo. Ele denunciou corajosamente os fariseus que  viviam  a  religião  de modo exterior e  que  intimamente não passavam de consumados hipócritas. Um dos quadros mais vivos pintados por Jesus está na sua parábola do fariseu e do publicano a orarem no templo. O fariseu publicamente se ufanava de sua bondade e religião, enquanto o contrito publi­cano suplicava a misericórdia divina para si, pobre pecador. Jesus fez pouco das orações formalistas, dos jejuns, das dá­divas ocas, dos dízimos por obrigação, e louvou as atitudes apro­priadas e naturais, que procedem do coração. Ensinou a seus discípulos que deviam ir além das prescrições da lei e dos pro­fetas, e os ajudou a olhar mais para os motivos e intenções do que para os ritos exteriores.

A ira e o homicídio são coisas condenáveis; e o olhar para uma mulher, cobiçando-a, é tão pecaminoso quanto o adultério. Os discípulos de Jesus deviam proceder honesta e sinceramente, com juramento ou sem ele; deviam colocar-se acima da vingança, chegando mesmo, quando esbofeteados numa face, a mostrar a outra para ser ferida; deviam amar e considerar seus inimigos como amigos. Jesus ensinou que o cristão deve crescer como as plantas — “primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga” (Mar. 4:28). Aconselhou a Pedro que alimentasse os cordeiros, as pequenas ovelhas e as ovelhas (João 21:15-17). Ensinou que “o céu não se conquista de um salto, mas que devemos cons­truir a escada pela qual subiremos da terra aos elevados céus, e que lá chegaremos de etapa em etapa”.

Para que a experiência de seus discípulos fosse verdadeira, completa e permanente, Jesus exigiu, que eles pensassem bem no custo e nas dificuldades antes de resolverem segui-lo; exigiu que se certificassem bem de que o afeto que tinham por ele sobrepujava a todas as afeições temporais e terrenas; exigiu que renunciassem a tudo quanto possuíssem, que to­massem diariamente a sua cruz e o seguissem. Jesus mostrou-se bem mais interessado na qualidade de seus seguidores do que na quantidade deles; importou-se mais com o valor deles do que com o seu número; mais com resultados permanentes do que com êxitos temporários.

Se queremos seguir o exemplo dele, urge reconhecermos que importa mais obter uma resposta genuína e sincera do que uma adesão imediata e impensada; urge ver que nossa tarefa apenas se iniciou, quando algum de nossos alunos se con­verte; e que nossa obra de mestres é formar nele “o homem maduro, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef. 4:13). W. E. Hatcher disse bem: “Pelo menos é tão impor­tante salvar aquilo que já temos como salvar o que ainda está perdido.” E J. B. Gambrell afirmou: “Os batistas têm evan­gelizado e batizado, mas não têm ensinado. Disto decorrem muitos dos seus males.”

7 .     Preparar para o Serviço Cristão

A tarefa final do Mestre dos mestres foi preparar e treinar seus discípulos para que espalhassem por todo o mundo os seus ensinamentos. Grande parte do fim de seu ministério ele dedicou a essa tarefa. Ficaram tão bem preparados que eles e seus sucessores conseguiram arrebanhar maior número de seguidores que qualquer outro grupo de mestres religiosos. Foram eficientíssimos, conquanto não pertencessem ao grupo de mestres e técnicos dos escribas e rabinos. Não tiveram trei­namento profissional específico, mas, após aquele breve pe­ríodo de preparação com Jesus, tornaram-se os mestres mais consumados deste mundo. Os onze, os setenta, e outros mais iniciaram o ensino da mensagem em sua marcha para con­quistar o mundo, e até hoje essa gloriosa cruzada ainda não cessou. O ensino deles percorreu todo o globo terrestre e mo­dificou a marcha da história.

Vários elementos fizeram parte daquele treinamento. Je­sus disse  a seus discípulos:   “Vinde após  mim;  eu  farei de vós pescadores de homens” (Mat. 4:19). Também “selecionou doze, para estarem com ele, e para enviá-los a pregar” (Mar. 3:14). O primeira, e provavelmente o mais importante aspecto do treinamento deles foi a associação pessoal com Je­sus, aprendendo eles mediante o exemplo e a imitação. Eles viram como Jesus simpatizava com o povo, como o confortava, alimentava, curava; e, assim, apanharam o seu espírito. A se­gunda fase foi mediante o ouvir os incomparáveis ensinos de Jesus, em várias circunstâncias, e sobre grande série de assun­tos. Aprenderam “ouvindo com os ouvidos”. Por fim, Jesus lhes confiou serviços práticos concedendo-lhes que balizassem os conservos. Também enviou os doze numa excursão de ensina­mento e prédica, e depois os setenta em missão semelhante. Quando voltaram, reuniu-os para ouvir seus relatórios, proporcionando-lhes assim direção e supervisão.

Assim aprenderam eles com o exemplo de Jesus, com suas instruções e com suas atividades práticas. Nenhum grupo de mestres teve melhor treinamento que eles. Quando, por fim, estavam preparados, Jesus os enviou, dizendo-lhes: “Fazei dis­cípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, c do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mat. 28:19-20). Jamais se fez depender tanto de tão poucos, eles fielmente deram contas daquilo que se lhes confiou.

Como mestres, devemos reconhecer que o treinamento de outros é uma tarefa a nós confiada. De nossas classes de hoje podem sair os líderes voluntários de nossas futuras Escolas Bíblicas Dominicais, de nossas Uniões de Treinamento, de nos­sas Sociedades Femininas, de Jovens e de Homens. Também desses nossos alunos poderão sair pastores, técnicos de educa­ção religiosa, pregadores leigos, missionários a terras estranhas e outros mais líderes da Igreja de Cristo. Embora não atinjamos toda a verdade, ao afirmar que somos salvos para servir, ve­mos que, sem dúvida, esta é uma parte do dever de cada cristão. Cada obreiro, portanto, deve ser treinado, e o professor de Escola Bíblica Dominical é responsável por uma parte dessa tarefa.

À vista de todos estes fatos, é maravilhoso anotarmos quão largos e vastos eram os objetivos de Jesus. Abrangiam a todos e a cada um dos aspectos da natureza humana — os pensamentos, os sentimentos e a vontade, incluíam todas as nossas relações — para com o nosso corpo, para com os outros e para com Deus. Cobrem cada fase de nossa atividade — pessoal, doméstica, eclesiástica e profissional. Em resumo, Je­sus buscou criar “o homem perfeito para uma sociedade per­feita”. E a realização desses objetivos significa a vinda do Rei­no de Deus à terra.

Extraído do livro “A PEDAGOGIA DE JESUS”, J. M. Price


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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