Esqueceu a senha?

O obreiro deve ser comedido nas palavras

por Artigo compilado - sáb ago 09, 12:03 am

obreiro

Leitura: Tiago 3.1; Eclesiastes 5.3; I Timóteo 3.8; Mateus 5.37; Efésios 5.4 e Isaías 50.4.

Por falta de comedimento nas palavras, é seria­mente cerceada a utilidade de muitos obreiros cristãos. Em lugar de serem instrumentos poderosos no serviço do Senhor, o seu ministério produz pouco efeito, devido ao constante desgaste de poder, devido ao seu falar descuidado, sem nenhuma cautela.

No terceiro capítulo de sua epístola, Tiago faz a seguinte pergunta: “Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? ” (versí­culo 11). Se um obreiro cristão costuma falar sem a menor cautela a respeito de todas as questões possíveis, como pode esperar ser usado pelo Senhor na propa­gação de Sua Palavra? Se Deus chegou a pôr a Sua Palavra em nossos lábios, então pesa sobre nós a solene obrigação de resguardarmos os nossos lábios, usando-os exclusivamente para o Seu serviço. Não podemos ofe­recer um membro de nossos corpos para o Seu uso, em um dia, para, no dia seguinte, retroceder e usá-lo a nosso bel prazer. O que quer que Lhe tenha sido dedicado uma vez, será eternamente Dele.

No décimo sexto capítulo de Números somos informados sobre como Coré e os seus seguidores se uniram em oposição a Moisés e Arão, e como cada um dos duzentos e cinqüenta homens tomou o seu incen­sário com brasas e o apresentou ao Senhor. Todos eles pereceram, em face de sua presunção, mas Deus ordenou que Moisés aproveitasse os incensários. Observe-se o mo­tivo da preservação dos mesmos: “Disse o Senhor a Moisés: Dize a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, que tome os incensários do meio do incêndio, e espalhe o fogo longe, porque santos são; quanto aos incensários daqueles que pecaram contra a sua própria vida, deles se façam lâminas para cobertura do altar: porquanto os trouxeram perante o Senhor; pelo que santos são” (versículos 36-38). Tudo quanto houver sido oferecido a Deus é consagrado a Ele, e não mais pode ser utilizado para uso profano.

A passagem de Eclesiastes 5.3 afirma que na multidão de palavras podemos detectar a voz do insen­sato. Deixamos transparecer a nossa insensatez através da nossa loquacidade. Sentimos que devemos dizer tal ou qual coisa para fulano e, naturalmente, não podemos deixar de dizer muitas outras coisas a muitas outras pessoas. Sempre nos parece haver uma boa razão para dizermos algo para alguém. Oh, como alguns dentre nós gostam de falar, e, acima de tudo, gostam de passar adiante o que ouviram! Enquanto isso, muita energia espiritual vai sendo assim dissipada.

Há determinados particulares, vinculados a essa questão de falar, que devemos observar. Em primeiro lugar, notemos o tipo de conversa que nos dá prazer de ouvir. Dessa maneira, podemos chegar a conhecer-nos melhor, porquanto o tipo de conversa que nos atrai indica de que tipo de pessoa somos nós. Algumas pessoas nunca confiam na gente por saberem que não somos do tipo que corresponderia afirmativamente ao que têm para dizer; ao passo que outras pessoas dirigem-se diretamente a nós e derramam em nossos ouvidos toda a mais recente informação que ouviram, visto terem julgado que pertencemos àquela categoria de indivíduos que gostam de ouvir o que elas têm para dizer. Vocês podem aquilatar a si mesmos parando para observar as coisas que as pessoas gostam de dizer para vocês.

Em segundo lugar, observemos quais histórias aceitamos com maior credulidade, pois aquilo a que nos inclinamos a crer revela os nossos pendores. Somos mais crédulos para certas coisas do que para outras, e a direção de nossa credulidade deixa entrever onde reside a nossa fraqueza constitucional. As pessoas, natural­mente, estão prontas a propalar rumores, e nossas tendências temperamentais, algumas vezes, tapeiam-nos e nos fazem dar crédito ao incrível, sobretudo quando as declarações que nos são feitas são alicerçadas na assertiva de que o informante sabe o que diz.

Em terceiro lugar, devemos notar se, quando ouvimos os relatos que nos são transmitidos, os quais são aceitos sem deles duvidarmos, temos o hábito de passá-los adiante. Vocês já observaram esse processo? Determinado indivíduo, dotado de certa inclinação, profere determinadas palavras, que são coloridas pela sua personalidade; e posto haver alguma afinidade entre ele e eu, dou-lhe toda a atenção, e uma parte da perso­nalidade dele penetra-me no íntimo; em seguida, acres­cento as cores do meu próprio temperamento e trans­mito a questão a uma terceira pessoa.

Ato contínuo. observemos a propensão que al­gumas pessoas revelam de transmitir informações inexatas. Contam uma mesma história em ocasiões dife­rentes, mas os seus relatos não se harmonizam entre si. Em sua primeira epístola a Timóteo, Paulo alude a essa espécie de pessoas, recomendando que o obreiro cristão deve ser “de uma só palavra” (I Timóteo 3.8). Alguns indivíduos usam de duplicidade nas palavras, devido à sua ignorância e fraqueza, mas, no caso de outros, revela-se mais do que mera falha de temperamento — há corrupção moral. O trecho de Mateus 21.23-27 registra que os principais sacerdotes e os anciãos do povo vieram ter com Jesus, estando Ele a ensinar no templo, e indagaram Dele com que autoridade agia. Ele retrucou com uma pergunta: “Donde era o batismo de João? do céu ou dos homens? ” Isso os pôs em um dilema, pelo que arrazoaram entre si: “Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não acreditastes nele? E, se dissermos: Dos homens, é para temer o povo, porque todos consideram João como profeta”. O resul­tado desses raciocínios foi que eles evitaram enfrentar a verdade, e disseram: “Não sabemos”. A resposta deles foi uma mentira deliberada. Em Mateus 5.37 lemos que o Senhor recomendou: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno”. Não cabe ao obreiro cristão ser governado pela diplomacia, e nem deixar de pensar sobre o pos­sível efeito de suas palavras sobre os seus ouvintes, antes de resolver o que lhe compete dizer. Quando certos indivíduos buscavam armar uma armadilha diante do Senhor, mediante suas perguntas capciosas, algumas vezes Ele apelou para o recurso do silêncio, mas jamais para a diplomacia. Sigamos o Seu exemplo, e acolhamos o conselho de Paulo, o qual escreveu aos coríntios: “Se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio” (I Coríntios 3.18). E escrevendo aos romanos, disse ele: “Quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal” (16.19). No terreno espiritual a sabedoria do mundo não tem o mínimo valor. A dificuldade de muitos é que nunca aprenderam a dizer “Sim” com candura, quando os fatos exigem um sim, e a dizer “Não”, quando sabem que a verdade tem que ser expressa com uma negativa. Jamais falam com simplicidade, com franqueza, mas tudo é cuidadosamente estudado, e as suas declarações são sempre adaptadas aos seus próprios interesses.

Na qualidade de servos do Senhor, entramos em contacto constante com muitas pessoas, desfrutando assim de muitíssimas oportunidades de falar com outros e de ouvi-los; razão por que é essencial que exerçamos controle estrito sobre nós mesmos, a fim de que não suceda que nos tornemos pregadores da Palavra, ao mesmo tempo que fazemos o papel de propagadores de boatos. Esse trágico estado de coisas é mais do que uma simples possibilidade. Se quisermos evitar esse ardil, no qual não poucos já caíram, precisamos ter cuidado não somente com os nossos lábios, mas igualmente com os nossos ouvidos. Em nosso trabalho, não podemos deixar de ouvir muitas coisas que as pessoas têm para revelar-nos sobre os seus negócios, e para sermos obreiros eficientes somos forçados a cultivar a arte de prestar atenção, a fim de que nos seja possível ajudá-las. Contudo, devemos desencorajá-las de continuar reve­lando detalhes, uma vez que já tenhamos compreendido com clareza a necessidade delas. Cumpre-nos manter eterna vigilância, para que a nossa natural curiosi­dade não nos leve a ouvir mais do que convém que saibamos. Existe aquilo que se poderia denominar de concupiscência de conhecimento, concupiscência de in­formações a respeito da vida alheia; e precisamos ter cuidado com isso. Convém que sejamos comedidos nas palavras; porém, se tivermos de usar de comedimento naquilo que dizemos, primeiramente devemos exercer comedimento naquilo que ouvimos.

Levanta-se nesta altura a questão de obter e reter a confiança dos outros. Se alguém compartilhar de seus problemas espirituais conosco, tratar-se-á isso de uma prova de confiança que devemos respeitar. Não devemos falar acerca dessas confidências a menos que os inte­resses da obra tornem tal coisa necessária. Como po­deriam vocês servir ao Senhor, se traírem a confiança em vocês depositada? Mas, que outra coisa poderão fazer, senão trair a confiança, se ainda não aprenderam a dominar a própria língua? Precisamos reputar tais confidências como um depósito sagrado, guardando-as fielmente. Aqueles que, por motivo de sua necessidade, compartilharem de suas histórias secretas com vocês, não o farão para aumentar o cabedal de conhecimentos que vocês possuem. Mas tais pessoas se aproximam de nós em virtude não do que somos pessoalmente, mas em virtude do ministério que exercemos; por isso mesmo, não podemos considerar tais informes como um conhe­cimento pessoal, que possa ser compartilhado com todos e qualquer um. Cumpre-nos aprender a salva­guardar toda a confiança que outros tiverem posto em nós. Aqueles que são incapazes de refrear a própria língua não podem fazer parte da obra do Senhor.

Ao abordarmos a questão da língua, é-nos impos­sível evitar o assunto do péssimo hábito de proferir mentiras. O indivíduo que usa de duplicidade, ao qual já tecemos alusões, é parente próximo do mentiroso. Todas as asseverações feitas com o intuito de enganar cabem dentro da categoria das inverdades, ao passo que o intuito de enganar é um defeito que procede do íntimo. Se a vocês for feita alguma pergunta que não desejem ou não possam responder, poderão recusar-se polidamente a dar resposta, mas não ousem iludir àquele que os interroga. Queremos que as pessoas acreditem na verdade, e não na mentira; por conse­guinte, não ousamos utilizar palavras que, em si mesmas, sejam verazes, a fim de transmitir uma impressão falsa. Se um fato exigir um sim, então teremos que aprender a responder com um sim; se exigir um não, que apren­damos a dizer não. O que vai além disso, provém do maligno. O Senhor, de certa feita, falou em termos extremamente severos para certas pessoas que queriam segui-Lo, dizendo: “Vós sois do diabo, que é vosso pai… Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). Satanás é o autor das mentiras, e em face do fato que todas as mentiras se originam nele, como poderia alguém que se diz consagrado ao Senhor emprestar os seus lábios para que profiram palavras instigadas pelo Seu inimigo? Onde quer que se verifique tal fenô­meno, isso indica uma dificuldade fundamental na vida do indivíduo. Trata-se de um problema da mais grave natureza possível. Nenhum de nós tem a coragem de afirmar que sempre diz exatamente a verdade (de fato, quanto mais cuidadosamente procuramos ser verazes, tanto mais percebemos a dificuldade de ser exatos em tudo quanto dizemos), mas devemos cultivar o hábito de ser verazes e de evitar toda a afirmação precipitada.

Evitemos tudo quanto cheire a altercação. Foi predito acerca de Jesus: “Não contenderá, nem gritará, nem alguém ouvirá nas praças a sua voz” (Mateus 12. 19). E Paulo escreveu para Timóteo, dizendo: “É neces­sário que o servo do Senhor não viva a contender” (II Timóteo 2.24). O servo do Senhor deve conservar-se debaixo de tal controle que não dê margem a conversas ruidosas ou a qualquer coisa que se assemelhe a alter­cações. Falar em altos brados usualmente indica falta de poder, e sempre indica a necessidade de auto-disciplina.

Podemos ter plena razão naquilo que dizemos, mas não há necessidade de fazermos afirmações em altos brados, quando queremos dizer a verdade: pois poderemos impressionar os nossos ouvintes com a verdade sem usar de qualquer insistência ruidosa acerca de nossas con­vicções a respeito. Andemos na presença do Senhor na calma dignidade que convém aos Seus servos. Natu­ralmente, não desejamos assumir uma sobriedade ou refinamento meramente artificial, porquanto a vida cristã c espontânea e sem afetação; mas o domínio próprio tem que ser posto em prática até que se torne em nós uma segunda natureza.

O domínio próprio no terreno da linguagem eli­mina grande parte do linguajar frívolo e inconveniente, ao que Paulo se refere em sua epístola aos Efésios como “cousas inconvenientes” (5.4); e igualmente anula a zombaria e muitas outras coisas que ao servo de Cristo não cabe praticar. Se pudermos entreter uma audi­ência com nossas histórias interessantes e observações engraçadas e críticas espirituosas, não conseguiremos conquistar o seu respeito ao lhe falarmos acerca do Senhor; as nossas palavras não terão valor para eles. Quando nos dirigimos ao púlpito a fim de proclamar a Palavra de Deus, eles aquilatarão a nossa prédica com a mesma medida com que avaliaram as palavras que proferimos tão frivolamente, quando ainda não está­vamos no púlpito. Não nos olvidemos daquela aguda pergunta feita na Palavra de Deus: “Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amar­goso? ” Não há necessidade de preparativos laboriosos antes de subirmos ao púlpito para pregar; porém, temos necessidade de precaução constante em nossa conver­sação diária normal, a fim de que nossa maneira des­cuidada de falar não venha a fazer-nos perder poder, para que não se tornem ineficazes as nossas palavras, quando estivermos falando do púlpito.

Se vocês adquirirem o vício de falar sem cuidado, também lerão a Bíblia descuidadamente. As palavras desse Livro são as únicas palavras inteiramente dignas de confiança, mas, se vocês não apreciam exatidão de linguagem, então não acolherão essas palavras com seriedade; em conseqüência, a prédica de vocês terá pouco poder. Para que o pregador pregue a Palavra de modo eficaz, requer-se que este tenha determinada disposição; e a leitura das Escrituras requer idêntica disposição. Pessoas de caráter descuidado se aproximam da Palavra de Deus com atitude frívola e não podem embalar a esperança de chegar a compreendê-la verda­deiramente. Ilustremos o assunto por intermédio da própria Bíblia.

No capítulo vinte-e-dois de Mateus aprendemos que os saduceus não acreditavam na ressurreição. Um dia vieram ter com o Senhor e lhe apresentaram o se­guinte problema: “Mestre, Moisés disse: Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido. Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, tendo casado, morreu, e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; depois de todos eles, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? porque todos a desposaram”. Mas Jesus respondeu: “Errais, não conhecendo as Escri­turas nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. E quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e, sim, de vivos” (versículos 24-32). É claro que os saduceus liam as Escrituras, mas não as entendiam. Suas próprias palavras eram profe­ridas com frivolidade, e, por esse motivo, não podiam apreciar a exatidão absoluta das declarações divinas. Nosso Senhor tão somente citou uma breve passagem da Palavra de Deus para responder à indagação deles, a saber, Êxodo 3.15, onde Deus chama a Si mesmo de Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó. Ali­cerçado nessas poucas palavras, nosso Senhor raciocinou como segue: Vocês, saduceus, admitem que Abraão está morto, que Isaque está morto, e que Jacó está morto; no entanto, Deus declara que Ele é o Deus deles, como igualmente afirma que Ele não é Deus de mortos, mas de vivos; por conseguinte, nada menos do que a res­surreição pode capacitar o Deus vivo a ser o Deus deles. E, dessa forma, os saduceus foram silenciados.

Quando nos tivermos de apresentar perante o tri­bunal de Cristo, talvez descubramos que o dano produ­zido pela maneira de falar leviana e fútil em muito excede ao prejuízo causado de muitas outras maneiras, visto que opera grande destruição, tanto em outras vidas como em nossa própria. As palavras, uma vez saídas de nossos lábios, não mais podem ser recuperadas; pelo contrário, prosseguirão cada vez para mais longe, passando de boca para ouvido e de ouvido para boca, espalhando danos enquanto prossegue. Podemo-nos ar­repender de nossa insensatez, e podemos receber o perdão, mas não podemos recolher de volta aquilo que soltamos. Temos falado a respeito de vários defeitos de caráter que maculam a vida e o ministério de muitos crentes; entretanto, se a nossa dificuldade é uma língua solta, então o problema é mais grave do que todos os demais problemas mencionados, pois as palavras descuidadas que a língua profere liberam uma torrente mortífera que se espalha cada vez mais, levando a morte por onde quer que passe.

Irmãos e irmãs, em face de fatos tão solenes, precisamos arrepender-nos. Muitas palavras que temos proferido nos dias passados foram “palavras ociosas”, mas agora elas não são mais “ociosas”, pelo contrário, estão intensamente ativas, a semear uma furiosa des­truição. Busquemos a purificação divina quanto ao pas­sado, e, no tocante ao presente, confiemos em que Ele resolverá radicalmente essa miséria que ameaça destruir a nossa utilidade para Ele. Se, em Sua misericórdia, Ele assim fizer, no futuro seremos poupados de muita tristeza e lamentação. Abraão pôde arrepender-se de ter gerado a Ismael, e até mesmo depois desse lamentável nascimento segundo a natureza carnal ainda pôde gerar a Isaque, de conformidade com o propósito divino. Porém, ele já havia posto no mundo um adversário da descendência escolhida por Deus; e ainda que tivesse despedido a Hagar e a seu filho para longe de Isaque, isso não solucionou a divergência entre os dois, a qual continuava muito viva, apesar da passagem dos séculos.

Acha-se escrito acerca do Senhor Jesus: “O Senhor Deus me deu língua de eruditos” (Isaías 50.4). A ex­pressão “língua de eruditos” poderia ser traduzida por “língua de discípulo”, isto é, de alguém que tem sido disciplinado. Necessitamos buscar fervorosamente ao Senhor, para que Ele nos capacite a controlar a própria língua, a fim de que esse membro “indomável” possa tornar-se um membro disciplinado. Quando a nossa boca fica debaixo de controle restrito, e deixa de liberar aquilo que causa dano aos interesses do Senhor, então podemos esperar que Ele a use como porta-voz. Assim como Ele santificou-se a Si mesmo por nossa causa, por semelhante modo que nos santifiquemos, por causa daqueles para quem Ele nos enviou. Mantenhamo-nos sempre em estado de alerta, separando-nos de todas as ligações que nos envolveriam em conversas que não contribuem para a edificação, pois de outro modo poríamos em risco o ministério que Deus a nós confiou.

Extraído do livro O Obreiro Cristão Normal, Watchman Nee, Editora Fiel


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

Deixe seu comentário

Advertisement