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O obreiro é leal à verdade

por Artigo compilado - dom ago 17, 3:40 pm

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Leitura: João 8.44; Mateus 12.19 e II Timóteo 2.24.

A absoluta lealdade à verdade é uma questão que deve receber prioridade na vida de todo obreiro cristão. E possível, e de fato não acontece raramente, que um obreiro modifica a verdade por estar sendo influen­ciado pelos homens, pelas circunstâncias, ou pelos seus próprios desejos. A verdade é absoluta, e exige lealdade inabalável da parte de todos os homens e em quaisquer circunstâncias. Se necessário for, podemos sacrificar tudo quanto possuímos, mas não ousemos sacrificar a verdade. Jamais devemos tentar incliná-la segundo os nossos propósitos, mas nós mesmos nos devemos encurvar a ela.

Todos temos o pendor de ignorar a verdade, quando ela entra em conflito com os nossos interesses pessoais. Se nos encontramos em um dilema, ou se a calamidade atinge o círculo de nossa família, ou se um amigo íntimo sofre alguma aflição, quão pronta­mente nos dispomos a alterar as nossas convicções a fim de nos livrarmos de alguma situação embaraçosa, ou a fim de salvar os nossos entes queridos de qualquer tribulação que possa ser desviada se acomodarmos a ver­dade às circunstâncias do momento!

Por exemplo, o filho de um obreiro cristão ex­pressa o seu desejo de ser batizado. Se seu pai estiver determinado a sustentar a verdade, entregará o seu filho ao escrutínio dos principais irmãos da igreja, conforme faria com o filho de qualquer outra pessoa, deixando nas mãos deles a decisão se o jovem está apto ou não para ser batizado; porém, visto que esse candi­dato particular é o seu próprio filho, ele procura fazer certas modificações em seu caso. Sua idéia fixa é que o seu filho seja batizado; pois não está resolvido a sus­tentar a veracidade da Palavra de Deus. Se a sua preocu­pação primária fosse exaltar a Palavra de Deus, livrar-se-ia de todo juízo antecipado no tocante a seu filho, e sentir-se-ia perfeitamente receptivo para com a opinião dos outros.

Consideremos uma outra ilustração. Em certo lugar levanta-se uma controvérsia sobre pontos de dou­trina. Certo número de santos se dispõe favoravelmente em defesa de um obreiro particular e alia-se a ele, ao mesmo tempo que outra porção dos membros demons­tra preferência por um outro obreiro, e lhe empresta o seu apoio. Nesse caso, infelizmente, nenhuma das partes se entregou totalmente à verdade, porquanto ambas transigiram alicerçados na afeição pessoal. Oh, quão insidiosamente as nossas afeições influenciam as nossas decisões, de tal maneira que chegamos a per­verter a Palavra de Deus, em lugar de capitularmos diante dela.

O rigor da Palavra divina não deve ser rebaixado para que se harmonize com os nossos padrões. Não podemos contemporizar com ela, nem mesmo quando ela mostrar as nossas deficiências; compete-nos procla­má-la tal e qual ela é – eternamente inalterável e inva­riavelmente transcendental em relação à nossa com­preensão e às nossas realizações. Cumpre-nos sustentá-la permanentemente, até mesmo quando ela contradisser a nossa experiência ou deixar estupefato o nosso intelecto. E, acima de tudo, devemos cuidar para que não a exponhamos de uma maneira, quando ela afeta outras pessoas, para em seguida suavizá-la, quando tiver de ser aplicada a nós mesmos, ou às nossas respectivas famílias, ou aos nossos amigos. Aceitemos essa adver­tência, pois existe aqui uma armadilha sutil.

Muitas dificuldades se multiplicam nas igrejas porque os crentes sacrificam a verdade, não querendo sacrificar os seus interesses pessoais. Um dos membros de certa igreja local deixou entendido que não conti­nuaria freqüentando os cultos porque algo sucedera na igreja a respeito do que ele não fora notificado. Que percebera aquele irmão sobre a natureza absoluta da verdade? Se fosse correto para ele descontinuar a sua conexão com os outros irmãos, então mesmo que o ti­vessem notificado ele estaria na obrigação de fazê-lo; e se não fosse legítimo para ele separar-se deles, então não tinha qualquer direito de interromper a sua co­munhão baseando-se no fato que não fora informado sobre alguma questão da comunidade. Se nos encon­tramos em uma associação que não está em harmonia com o propósito revelado de Deus, nesse caso devemos abandonar tal posição; mas se, por outro lado, a nossa posição está de conformidade com o Seu propósito mas nos envolve em alguma dificuldade, não devemos reputar a verdade como uma bagatela, para em seguida nos justificarmos de haver saído por causa de dificuldades. Quem somos nós para insistir em que os nossos irmãos na fé mostrem deferência para conosco? E quem somos nós para ousar pôr de lado a Palavra de Deus, somente porque ela nos envolve em situações embaraçosas? Oh! somos por demais presunçosos e ousados. Enquanto a nossa vida própria não for abafada, nunca seremos autênticos servos de Deus. Devemos aprender a consi­derar a Sua Palavra sem paixões, quer nos seja vantajosa quer não a sua aceitação. Se ao menos pudéssemos perceber a verdadeira natureza da Palavra de Deus, não viveríamos a obscurecer a sua glória, colocando-nos em primeiro plano. Salvemo-nos de nossa presunção!

Utilizemo-nos de uma outra ilustração. Um irmão ouviu certa congregação local ser acerbamente criticada por determinadas pessoas; porém, mais tarde se uniu à mesma, e, em seus contactos com os crentes dali sempre se expressava de modo favorável, embora nunca tivesse examinado honestamente a situação, mas sim­plesmente sondava o seu caminho entre os irmãos e se mostrava polido de modo geral. Passado algum tempo, um dos irmãos dali, percebendo a sua condição espiritual e desejando ajudá-lo, tratou do caso honestamente com ele, “falando a verdade em amor”. Imediata­mente ele se ressentiu do que lhe foi dito e separou-se do grupo, espalhando toda sorte de maledicências sobre o mesmo. A esse irmão faltava uma atitude fixa em referência à verdade e, por essa razão, podia torcê-la sempre que ela afetava o seu bem estar pessoal. Se hou­vesse inquirido honestamente a verdade e também se se tivesse dobrado perante suas implicações, teria to­mado uma atitude firme em relação ao grupo desde o início, se a verdade assim o tivesse exigido; mas, se a verdade requeresse que ele se identificasse com aqueles irmãos, nem mesmo a mais severa correção pessoal poderia levá-lo a romper sua ligação com eles.

Apelando novamente para uma ilustração. Certo obreiro cristão tinha o talento da liderança e se sentiu inclinado a seguir determinado curso de ação; sendo ele um líder, inevitavelmente outros crentes passaram a segui-lo pelo mesmo caminho. Se a senda que aquele líder resolveu tomar era correta, não foi o fato de se ter enveredado por ela que a tornava correta; e se era errada, o fato de tê-la escolhido não a corrigia, não importando quão zeloso fosse ele como crente. Se, em data posterior, aquele homem viesse a cair em um pecado, seu pecado não tornaria errado o curso de ação que tomara. Tenham tolerância comigo se agora repito que a verdade de Deus é absoluta, e que não é o fato que este ou aquele a apóia que a torna assim: porquanto ela o é inerentemente. Entretanto, existe certa tendência em nós que nos leva a fixar a vista nos homens e a concluir que se alguém que julgamos ser pessoa espiritual segue por um determinado caminho, que esse deve ser o caminho certo; e que se alguém que está em más condições espirituais toma um curso de ação qualquer, que esse curso necessariamente está errado. Vocês deixariam de ser crentes só porque certos crentes que conhecem são tão deficientes? Repudiariam o cristianismo somente porque alguns crentes caem em pecado? Não confiariam mais no Senhor, por causa do fracasso de alguém que professa confiar Nele? Por certo que não. Se o Senhor é digno de confiança, de­vemos continuar confiando Nele. A questão não gira em torno da reação dos homens para com a verdade, mas gira em torno da própria verdade.

Alguns irmãos nos têm dito: “Como agradeço a Deus por haver-me conduzido a estas reuniões locais! Tenho recebido aqui uma grande ajuda espiritual”. Não ficamos demasiadamente jubilosos com tais obser­vações. Pois elas não indicam que a natureza absoluta da verdade tenha sido reconhecida por eles. Sempre haverá a possibilidade de que as pessoas que nos fazem tais observações freqüentem os nossos cultos simplesmente por se sentirem atraídas por eles. Mas, esperemos até que alguma coisa transpire e que isso não seja aprovado por elas, e então veremos se elas não julgam a congregação de modo inteiramente errôneo. Se um lugar está errado, está errado; se está certo, está certo. Não é o fato que sou bem ou mal tratado ali que o torna certo ou errado. A verdade deve ser o único fator determinante de todas as nossas associações; mas, se assim tiver de ser, então este nosso ego que deforma os nossos juízos deve ser abafado.

As numerosas divisões existentes na Igreja e as muitas dissensões na obra seriam eliminadas se ao menos nossas preferências pessoais pudessem ser eliminadas. Se simplesmente capitulássemos perante a verdade, sem importar os seus efeitos sobre nós, não só seriam resol­vidos os problemas das igrejas e da obra em geral, mas até os nossos próprios problemas chegariam ao fim. Naturalmente, nós, os crentes, jamais toleramos o pen­samento de abandonar a verdade; mas permitimos um leve desvio aqui e um pequeno desvio acolá, e gradual­mente a verdade deixa de produzir o seu impacto sobre nós. O resultado disso é que acabamos perdendo o nosso senso de direção e ficamos a vagar para um lado e para o outro. Se as pessoas nos tratam bem, então andamos pelo caminho que Deus nos tiver mostrado, mas, se nos tratam mal, então buscamos outro ca­minho. Quão importantes somos aos nossos próprios olhos! Ocupamos o lugar que deveria ser ocupado pela verdade. Fazemos de nós mesmos o eixo de todo o universo, e tudo o mais é posto a girar em relação a nós.

Oh, irmãos e irmãs, o que importa é a verdade, e não o seu efeito sobre minúsculas criaturas como vocês e eu. A verdade pode exigir de nós que interrompamos a mais feliz das relações pessoais em troca de uma constante associação com pessoas incompatíveis conosco. Pois não é a felicidade dominante em nosso ambiente que prova que a nossa associação seja correta, nem é a incompatibilidade natural com os nossos associados que mostra que essa ligação é errada. Vamos estabelecer, de uma vez por todas, que a verdade é final e que deve governar todas as nossas associações e todos os nossos pareceres. Nem mesmo nos tribunais terrenos é permitido que as preferências pessoais de um juiz influenciem os seus vereditos. Ele não pode obedecer aos ditames de seu coração recusando-se a proferir a palavra “culpado” ao seu próprio filho, se a lei tiver demonstrado a culpa deste; e não pode deixar de pronunciar o seu inimigo “inocente”, se a lei assim o exigir. A lei é absoluta, e um juiz está na obrigação de submeter-se a ela.

Se, na qualidade de um corpo de cooperadores na obra cristã, nos subordinássemos incondicionalmente à verdade, quão rápida e suavemente seriam tomadas as nossas deliberações, e como a obra seria próspera! Quando a nossa única consideração for a vontade do Senhor, seremos poupados de muitas discussões infrutíferas, e com prontidão chegaremos a conclusões claras; até chegarmos a esse ponto, entretanto, gastare­mos longo e precioso tempo a discutir as nossas opiniões individuais, e teremos que medir as nossas palavras, apelando para a diplomacia, a fim de agradar a todos. Estaremos sempre a pensar se o irmão fulano se ofen­deria caso fizéssemos isto ou aquilo, se o irmão sicrano se recusaria a cooperar se assumíssemos uma atitude diferente, e quais concessões seriam necessárias para conciliar o irmão beltrano. E ainda que as nossas caute­losas considerações sobre as opiniões uns dos outros, e mesmo que os nossos constantes ajustamentos às convicções alheias, nos salvassem de impasses, que tería­mos ganho com isso, já que transigimos com a verdade?

Se, em lugar de lisonjear uns aos outros e de traçar planos e normas políticas capazes de preservar a paz entre nosso grupo de cooperadores na obra cristã, cada qual aceitasse a verdade como algo final e se sujeitasse humildemente a ela, então as bênçãos do Senhor seriam derramadas sobre a associação inteira. Oxalá a nossa única preocupação fosse descobrir a vontade de Deus para, simplesmente, fazermos aquilo que Ele nos diz!

Que seja essa a nossa mais séria atividade. Não nos devemos esquecer, porém, que na obra do Senhor não há lugar para nossas atividades egoísticas. Talvez se­jamos compelidos por um autêntico desejo de que a obra prospere, ao procurarmos exercer influência sobre outras vidas; e é mesmo possível levá-las a acei­tarem a verdade, mas o fim não justifica os meios. A verdade é por demais grandiosa para exigir as nossas manipulações. Bem podemos confiar em sua inerente autoridade para que produza o seu devido impacto. A nós compete submeter-nos a ela, com humildade de coração.

Extraído do Livro “O Obreiro Cristão Normal” – Editora Fiel


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