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O pecado imperdoável

Triste carma

A solene advertência de Jesus a respeito de um pecado que não será perdoado, nem neste mundo nem no vindouro, é registrada pelos três evangelhos sinópticos (Mt 12.31,32; Mc 3.28-30; Lc 12.10).

Jesus diz:

“Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir (Mt 12.31,32).

O apóstolo João fala de um pecado que não se deve orar por ele (1Jo 5.16).

Essas passagens, talvez, estejam falando de um mesmo pecado, ou, talvez, de pecados diferentes. Tal pecado, geralmente, é conhecido como blasfêmia contra o Espírito Santo. Durante séculos, tem havido várias opiniões diferentes a respeito da natureza desse pecado para o qual não há perdão.

Para alguns, esse tipo de pecado poderia somente ser cometido pelos contemporâneos e Jesus, durante seu ministério terreno. Berkhof, Jerônimo e Crisóstomo eram simpatizantes dessa opinião.

Para outros, esse pecado é a incredulidade que persiste até a hora da morte. Ou seja, aqueles que ouvem falar de Cristo e não se decidem a seu favor e morrem na incredulidade. Agostinho seria o principal expoente dessa teoria.

No entanto, uma corrente mais contemporânea e bíblica defende que esse pecado poderia ser cometido somente por uma pessoa regenerada. E o texto bíblico que lança mão para fundamentar seu pensamento é Hebreus 6.4-6; Com isso, está querendo afirmar que a rejeição de Cristo e a perda da salvação ocorrem por parte de um cristão verdadeiro.

A explicação majoritária que melhor se adapta ao texto bíblico defende que esse pecado consistia em rejeição e calúnia (especialmente maliciosa) deliberadas à obra do Espírito Santo e, também, na atribuição dessa obra ao príncipe das trevas. “Isso pressupõe, objetivamente, uma revelação da graça de Deus em Cristo, numa poderosa operação do Espírito Santo; e, subjetivamente, uma iluminação e convicção intelectual tão fortes e poderosas que impossibilitam uma franca negação da verdade”.18 E foi o que estava acontecendo com os fariseus que, além de verem com seus próprios olhos os milagres que Jesus operava por intermédio do Espírito Santo, deliberadamente rejeitavam a autoridade e o ensino de Jesus, atribuindo-os ao maioral dos demônios (Mt 12.24).

Jesus foi ao âmago da questão ao dizer que “todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?” (Mt 12.25-26).

Ou era Ele da parte de Deus (como diz ser) ou o reino das trevas estava dividido. Diante dos fatos, Jesus profere o seguinte alerta: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Mt 12.30). Dessa forma, Jesus avisa que não existe neutralidade e, certamente, aqueles que, como os fariseus, opõem-se à sua mensagem são contra Ele. Em seguida, acrescenta: “Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada” (Mt 12.31).

Extraído do Livro de Teologia Vol 2 da Editora Betesda.

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