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O que dizem os Adventistas sobre o Seol e o Hades?

por Pr. Natanael Rinaldi - qua mar 06, 12:02 am

“O Domicílio da Morte. O Antigo Testamento chama de sheol (hebraico) e Hades (grego) o lugar para onde vão as pessoas quando morrem. Nas Escrituras, sheol normalmente significa apenas sepultura. O significado de Hades é similar ao de sheol” (Nisto Cremos, p. 458).

Refutação: As palavras próprias para sepultura em hebraico são ‘keber’ que aparece em Gn. 23.4; Jz. 16.31; Êx. 14.11; Nm. 19.16 e ‘K’boorah’ que também é a mesma palavra para sepultura, sepulcro, e aparece em Gn. 35.20; Dt. 34.6; Gn. 47.30; ISm. 10.2 entre outros textos; “taphos” (grego) é sepulcro em português em Mt. 23.27; 27.64. Mnema (túmulo) em Mc. 5.2-3; Lc. 23.53; At. 2.29; 7.16; Ap. 11.9. Mnemeion (grego) túmulo em português, em Mt. 28.8; Jo. 5.28-29; Mt. 8.28; Lc. 11.44; Jo. 19.41.

Assim, sepulcro, sepultura, túmulo é o lugar do corpo (soma, no grego).

  • SEOL aparece 66 vezes no Antigo Testamento:

“As Sessenta e Seis Ocorrências de Seol – Seol ocorre 66 vezes na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Hebraicas, a saber, em Gên. 37:35; 42:38; 44:29-31; Núm. 16:30-33; De. 32:22; 1Sa. 2:6; 2Sa. 22:6; IRs. 2:6-9; Jó 7:9; 11:8; 14:13; 17:13-16; 21:13; 24:19; 26:6; Sal 6:5; 9:17; 16:10; 18:5; 30:3; 31:17; 49:14,15; 55:15; 86:13; 88:3; 89:48; 116:3; 139:8; 141:7; Pr. 1:12; 5:5; 7:27; 9:18; 15:11,24; 23:14; 27:20; 30:16; Ec. 9:10; Can.8:6; Is. 5:14; 7;11, 14:9,11,15; 28:15,18; 38:10,18; 57:9; Ez. 31:15,16,17; 32:21,27; Os. 13:14,14; Am. 9:2; Jon. 2:2: Heb 2:5”.

  • HADES aparece 10 vezes no Novo Testamento:

As dez ocorrências de Hades

“Hades” talvez significando “o lugar não visto”, ocorre dez vezes na Tradução do Novo Mundo das escrituras Gregas Cristãs, a saber, em Mt. 11.23; 16.18; Lu. 10.15; 16.23; At. 2.27,31; Re.1.18, 6.8; 20.13-14”.

Razões porque “Seol” e “Hades” não pode ser “sepultura”:

1) Seol não pode ser confundido com “sepultura”, porque para sepultura é usada a palavra keber ou k’boorah (hebraico) e taphos ou mnema ou mnemeion (grego). Em Is. 14:19 ‘keber’ não pode ser visto como sinônimo de ‘seol’. O rei é lançado fora da sepultura (keber) com o propósito de entrar no seol (v.9,10). Nestas referências bíblicas, seol e keber são opostos e não sinônimos.

2) Na LXX, seol nunca é traduzida como mnema, que é a palavra grega para sepultura. Keber é traduzida para mnema 36 vezes e taphos 45 vezes. Mas keber nunca é traduzida para Hades como Seol nunca é traduzida para mnema.

03) Keber e Seol são sempre contrastadas e nunca equiparadas. Keber é o lugar do corpo, enquanto que Seol (Hades) é o lugar do espírito e da alma (Lc. 16.22-25).

04) Seol (Hades) é o lugar não visto, abaixo da terra, enquanto a sepultura é na superfície da terra, é um lugar visto por qualquer ser humano. Seol (Hades) é o lugar invisível, ou o mundo invisível (Is. 14.9). Seol (Hades) é o lugar mais baixo (Sl. 139.7-8; Am. 9.2)

05) Enquanto os corpos estão inconscientes na sepultura, os que se acham no Seol (Hades) são vistos como seres conscientes (Is. 14.4-7; 44.23; Ez. 31.16; 32.21; IISm. 22.6; SI. 116.3; Jn. 2.1-3).

06) Enquanto keber é usada com relação a sepultamento, Seol não o é. Pode-se sepultar alguém na sepultura (keber), mas não se pode sepultar no Seol (Hades) (Gn. 23.4,6,9,19,20; 49.30).

07) Enquanto keber é encontrada no plural (sepulturas) Êx. 14.11, Seol (Hades) nunca é encontrada no plural (seol).

08) Enquanto uma sepultura pode ser localizada em lugar específico (Êx. 14.11), Seol (Hades) nunca é localizado, porque de qualquer lugar Seol (Hades) se torna acessível por ocasião da morte de alguém.

09) Enquanto alguém pode possuir sua própria sepultura (Gn. 23.4-20), em nenhum lugar da Bíblia se encontra que alguém possa ter o seu próprio Seol (Hades).

10) Enquanto alguém pode tocar numa sepultura (Nm. 19.18), não se encontra na Bíblia que alguém possa tocar no Seol (Hades).

11) Enquanto tocar numa sepultura traz contaminação (Nm. 19.16), a Bíblia nunca fala de alguém ser declarado imundo por tocar no Seol (Hades).

12) Enquanto se pode remover ou tirar corpos ou ossos da sepultura (IIRs. 23.16), a Bíblia nunca fala de alguém remover algo do Seol (Hades).

13) Enquanto se pode ornamentar uma sepultura (Gn. 35.20), Seol (Hades) nunca pode ser ornamentado.

14) Enquanto alguém pode roubar algo de uma sepultura (Jr. 8.1-2), o Seol (Hades) nunca pode ser roubado ou profanado pelo homem.

Descrições que a Bíblia Faz do Seol

1) É um lugar de sombras e trevas (Jó 10.21-22; SI. 143.3). É um lugar onde os raios do Sol não penetram.

2) É visto como ficando abaixo, nas “entranhas da terra” ou “lugar mais baixo da terra” (Jó 11.8; Is. 44.23; 57.9; Ez. 26.20; Am. 9.2). Essas expressões não podem ser literalizadas dentro de uma posição geográfica. Indicam que o Seol não faz parte desta dimensão (ou mundo), mas existe em outra dimensão.

3) O Seol é um lugar onde alguém pode reunir-se com seus parentes (Gn. 15.15; 25.8; 35.29; 37.35; 49.33; Nm. 20.24,28; 31.2; Dt. 32.50; 34:5; IISm. 12.23).

4) Seol era o lugar onde todas as almas e espíritos iam por ocasião da morte. Esta é a razão por que Jacó esperava encontrar seu filho José (Gn. 37.35). Enquanto morte significa separação dos vivos, o Antigo Testamento claramente revela que na morte os que haviam partido se reuniam.

5) O Seol é visto como um lugar de duas diferentes seções ou lugares, existindo um em contraste com o outro “as partes mais baixas” do Seol (Dt. 32.22; Lc. 16.22-25). Esta figura de linguagem implica que existiam divisões, entre justos e injustos, depois desta vida. Os maus são declarados como estando nas partes “mais baixas ” enquanto que os justos estando nos lugares “mais altos ” do Seol.

Significado da Palavra HADES no Novo Testamento

1) Hades não significa morte, porque a palavra grega para morte é thanatos. Isto pode ser visto com mais clareza em Ap. 1.18, onde Hades e morte aparecem juntas e não são vistas como sinônimas.

2) Hades não é a sepultura, porque a palavra grega para sepultura é mnema. Todos os argumentos empregados para demonstrar que Seol não é a sepultura podem ser aplicados igualmente a Hades, que é a palavra grega equivalente ao Seol no hebraico. Na LXX Hades é encontrada 71 vezes, e é usada como equivalente ao Seol 64 vezes. As 7 vezes restantes são outras palavras hebraicas.

3) Hades não é inferno, isto é, o lugar de punição eterna final para os maus, porque a palavra grega GEENA é a palavra para inferno no Novo Testamento.

4) Hades não é o céu, isto é, o lugar onde os espíritos e almas dos justos vão após a morte esperar a ressurreição, porque a palavra grega para o céu é ouranos.

5) A interpretação judaica de Seol foi a base para a narrativa de Cristo em Lc 16.19-31. Só o homem rico foi diretamente para o Hades (v. 23). A frase “Seio de Abraão”, para onde os anjos levaram Lázaro (v. 22-23), precisa ser interpretada como a seção ou lugar do Hades reservado aos justos.

6) Antes da Ascenção de Cristo, tanto os justos como os maus iam para o Seol ou Hades; os primeiros na parte “mais alta ” e os segundos nas “partes mais baixas”. Depois da ressurreição de Cristo, o Novo Testamento menciona os cristãos entrando no céu para estar com Cristo (IICo. 5.6-8; Fp. 1.21-23; Ap. 6.9-11), adorando com os anjos no céu (Hb. 12.22-23). Assim, os cristãos agora não vão para o Hades, mas ascendem diretamente para o céu para estar com Cristo. Antes de Cristo ressuscitar, os apóstolos assumiam que qualquer que morria ia ao Seol ou Hades. Este Hades tinha duas seções, uma para os justos e outra para os maus. Paulo usa a linguagem de transição ou mudança, quando fala de Cristo como levando cativo o cativeiro, isto é, tirando os justos do Hades (seção denominada Seio de Abraão) e transportando-os para o céu (Ef. 4.8-9). Posteriormente, pois na ressurreição de Cristo, os cristãos vão ao céu por ocasião da morte, a fim de esperar a ressurreição e o estado eterno (ITs. 4.16-17; ICo. 15.51-54).

“A “segunda morte” do texto de Apoc. 20:6 é a destruição dos ímpios. Primeiro, morreram fisicamente (1ª morte); segundo, não tomaram parte na primeira ressurreição, a dos justos, e pois não são “bem-aventurados e santos” como reza o mesmo texto, pois “os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos” e,  portanto, nessa segunda ressurreição, voltaram temporariamente à vida para algum tempo depois serem destruídos pelo fogo e enxofre (2ª morte)” (Subtilezas do Erro, p. 269).

Refutação: A expressão segunda morte (do grego ‘thanatos do deuteros’) é uma expressão utilizada pelo livro de Apocalipse para designar punição eterna. A primeira morte se deu quando o homem pecou e foi expulso do Jardim do Éden. Não morreu fisicamente no dia em que comeu do fruto da árvore proibida (Gn. 2.15-17), pois continuou fisicamente e vivo (Gn. 3.8,24), vindo a morrer fisicamente com a idade de 930 anos (Gn. 5.5). Naquele dia em que pecou, ficou, porém, separado de Deus, sem mais comunhão com ele. É a morte pela qual passam todos os homens que vêm ao mundo (Ef. 2.1-5; ITm. 5.6; Lc. 15.24; Mt. 8.22). Assim, a segunda morte, longe de significar aniquilamento, tem o sentido de separação eterna de Deus no corpo ressuscitado (Mt. 10.28). Um exemplo de que a segunda morte não é aniquilamento está em Ap. 19.20, comparado com 20.10. No primeiro e no segundo textos se lê:

Ap. 19.20: “E a besta e foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais com que enganou os que receberam, o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram, lançados vivos no ardente lago de fogo e enxofre”.

Ap. 20.10: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”.

O que é a segunda morte? É ser lançado no lago que arde com fogo e enxofre, segundo se lê em Ap. 21.8: “…a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte” e Ap. 20.14-15: “E a morte e o inferno (Hades) foram lançados no lago de fogo; esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.

Entre Ap. 19.20 e Ap. 20.10 decorre um período de tempo de no mínimo 1.000 anos (compare com Ap. 20.1,2,7,10) e ainda assim, depois desse tempo, tanto a besta como o falso profeta estão vivos e “serão atormentados para todo o sempre”.


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