- CACP – Ministério Apologético - http://www.cacp.org.br -

O que é a Teologia da Prosperidade?

As vertentes dessa teologia ainda caminham em uma postura de “tomar posse da benção”, em um suposto exercício da fé, para se apoderarem daquilo, que segundo creem, “já nos foi dado”. Essa também é chamada de “confissão positiva”. Kenneth E. Hagin escreveu um livreto chamado “Pensamento Certo ou Errado”, que nada mais é que uma postura psicológica, com linguagem bíblica, que se assemelha bem ao positivismo que o mundo defende quando falam em “dar sorte”. Não muito tempo atrás, percebemos que um grande sucesso literário mundial foi O Segredo, onde essa força positivista é levada às suas perspectivas de posse.

Morris Cerullo, expoente da teologia da prosperidade, escreve:

“Cristo já conquistou a vitória e dividiu os “despojos” conosco. A escravidão da doença foi anulada! A escravidão das dívidas foi anulada! A escravidão da pobreza foi anulada. Para tomar os “despojos” do Inimigo – os recursos financeiros que roubou de nós -, precisamos receber uma revelação nova sobre a batalha que Cristo venceu, na qual destruiu as obras do Diabo.”1

 

“Foi durante os avivamentos de cura (healing revivals) dos anos 1950 que a teologia da prosperidade ganhou proeminência nos Estados Unidos, apesar de especialistas terem ligado suas origens ao Movimento Novo Pensamento. Os ensinamentos da teologia da prosperidade mais tarde ganharam proeminência no Movimento Palavra de Fé e no televangelismo dos anos 1980. Nos anos 1990 e 2000, foi adotada por líderes influentes do Movimento Carismático e promovida por missionários cristãos em todo o mundo, levando à construção de megaigrejas. Líderes proeminentes no desenvolvimento da teologia da prosperidade incluem E. W. Kenyon, Oral Roberts, T. L. Osborn e Kenneth Hagin.”2

Outros como Benny Hinn, Morris Cerulo e Mike Murdock também são os proponentes referenciais.

 

 

 

 

O que a Bíblia diz sobre a teologia da Prosperidade?

Veremos agora em três partes assuntos pertinentes ao ensino da Bíblia:

O uso da Escritura por parte dos pregadores da prosperidade:

Antes de responder, uma breve perspectiva da história bíblica a respeito deles se faz necessária: No livro bíblico de Gênesis, a história de Abraão, Isaque e Jacó, são exemplos de como Deus pode fazer que pessoas que não tem nada, em peregrinações, em grandes homens de negócio. Especialmente do capítulo 12 em diante do livro, percebemos como receberam posses materiais, e vitórias sobre grandes problemas, dos mais variados possíveis. Deus prometeu aos patriarcas, e aos seus descendentes, bênçãos materiais que seriam adquiridas, em especial, na terra de Canaã, onde manava leite e mel. Como era de interesse nacional, as guerras literais eram um dos mecanismos usados para se apoderarem dessas bênçãos no período especialmente posterior. A execução dos inimigos nacionais de Israel fazia parte desse avanço de domínio material e territorial, prometido por Deus.

Com esse pano de fundo histórico, retornemos à pergunta: As bênçãos prometidas, e adquiridas, pelos patriarcas, são nossas também?Nossa resposta inicia-se com as seguintes elucidações –

Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” (Hb 11.16 [grifo acrescentado]).

“Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos;” (Hb 12.22).

Perceba que o argumento do autor dessa carta bíblica, no capítulo 11º, mostra a história de todo povo de Deus que viveu pela fé no VT e alcançaram alguns feitos, porém, não era a promessa final e essencial que estava por detrás de todas as coisas que avistavam. Ele demonstra que a fé foi o instrumento que Deus usou para eles adquirirem algumas amostras do que de fato era o alvo – a pátria, os bens, celestiais! E ainda aponta que eles, como quem não havia alcançado. E no primeiro texto a advertência foi que isso não mais deveria ser esperado! Ideia repetida aqui:

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,” (Fl 3.20).

“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo; (2 Coríntios 10:3-5).

“Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.” (Mateus 8:11,12).

As bênçãos que recebemos agora em vida não são as mesmas. Elas são em um mesmo nível, mas em uma maior intensidade, na vida espiritual, com uma percepção e profundidade que o servos fieis de Deus não recebiam no período do Velho Testamento:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;” (Ef 1.3).

Que bênçãos são essas?

– O Batismo com o Espírito Santo: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.”(At 2.33).

– O testemunho do perdão imediato por confessar: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (I Jo 1.9)

– A consciência intima da bendita reconciliação com Deus: “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.”(Rm 5.10).

– A superlativa, soberana e santa justificação:“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.”(Rm 5.1,2).

– A desejável adoção: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16).

– A árdua e necessária santificação: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”(Hb 12.14).

– A inegociável presença e habitação de Deus produzindo Seu fruto em nós: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.”(Gl 5.22-25).

– E promessa imutável da glorificação: “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” (Rm 8.30).

Prezado leitor, SE tais bênçãos e promessas não encher o nosso coração de alegria, mui provavelmente, precisamos de conversão genuína!

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.”(1 Coríntios 2:14,15).

——————

Notas

  1. Bíblia de Estudo – Batalha Espiritual e Vitória Financeira(2000) – Editora Central Gospel, p. 1301.
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_prosperidade
  3. Esse termo “novos pentecostais” – neopentecostais é usado pelas igrejas tradicionais protestantes para fazer uma distinção entre as igrejas da confissão positiva e os antigos pentecostais que surgiram entre os anos de 1910 e 1914. Na chamada primeira onda.

Luciano Sena do Blog http://mcapologetico.blogspot.com/

[1] [2]Compartilhar [3]