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O que é Meninx?

por Artigo compilado - ter dez 01, 11:42 am

‘Meninx’ é histeria de gênero

Por que tanta histeria coletiva com esse tema de gênero? Pura histeria. Pergunte a um psicanalista

Em alguns momentos, devemos fazer silêncio sobre algumas coisas. Existem palavras que, com o tempo e com o uso excessivo, perdem o significado. Quer um exemplo? “Energia”. Ninguém mais sério usa a palavra “energia”. Só se usar como piada, tipo “a energia daqui tá pesada” ou “a energia daquela mina tá generosa hoje”.

Outro exemplo? “Cabala”. Apesar de ser uma coisa muito séria, “cabala” é uma palavra que você deve evitar até passar o momento “Cabala da Vila Madalena” –que temo não vá passar nunca porque abriram um Kabbalah Centre em Tel Aviv!

Outro exemplo? “Ética” ou “valores”. Se você ouvir alguém falando que “é ético”, corra, ele (ou ela) vai bater sua carteira. Ouviu alguém dizendo que “aprendeu a ter valores em casa”? Fuja. A figura vai te passar a perna na primeira oportunidade, justamente porque ela (ou ele) afirma “ter valores”. Evite usar essas duas palavras, principalmente, em jantares inteligentes. Por que em jantares inteligentes?

Explico. Jantares inteligentes são, normalmente, frequentados por pessoas com “consciência social” e essa gente não é nunca de confiança, basta irrita-las para ver como são docinhas de dar gosto.

Ou use essas palavras (refiro-me a “ética” e “valores”) na frente do espelho para não esquecer como pronuncia-las quando a “onda do bem” (que vai, muito provavelmente, acabar com todo o esforço humano desde a pré-história) tiver passado.

Evite também dizer coisas como “tenho consciência social” ou “é importante termos jovens com consciência crítica” porque se tiver alguém menos bobo (ou menos boba) ao seu lado, vai saber que você é um bobo (melhor dizer “bobx”, para não excluir ninguém, e não ter que ficar repetindo palavras para provar que sou fiel a “questão de gênero”).

Mas existem outros exemplos mais recentes de palavras ou expressões que você, se for uma pessoa elegante e bem-educada, deve evitar usar. E algumas dessa carregam tons mais dramáticos no seu uso. “Dramático” aqui deve ser compreendido como sinônimo de “violento”.

Quer um exemplo? “Questão de gênero”, que acabei de usar acima. Se você ouvir alguém usando muito esses termos (para dizer que homem e mulher são apenas construções sociais), cuidado, elx gosta de poder. E o usará com violência contra você, se assim for necessário para ele ou ela.

“Questão de gênero” se transformou numa das maiores chaves de patrulha e violência institucional no mundo dos agentes culturais. E é um passe garantido para conseguir verba e espaço institucional. Quem diz muito “questão gênero” é, muito provavelmente, gente de temperamento autoritário. Faça um teste: olhe o mundo à sua volta. Tente questionar a “questão de gênero” para ver o que te acontece.

E por quê? Porque a palavra “gênero” hoje, seja na universidade, seja na mídia, seja nas produções culturais, seja nos currículos escolares (logo logo “menino” e “menina” serão expressões consideradas “opressivas” e trocadas por “meninx”, o máximo do ridículo) reúne duas características muito poderosas: grana para pesquisa e realização de projetos e, portanto, como decorrência, aumento, cada vez mais, de espaço institucional.

Mas antes de terminar, um reparo fundamental! Que esse povo babaca que gosta de bater em mulher e em gay não pense que, ao criticar os abusos de poder do “povo de gênero”, eu esteja me colocando ao lado deles. Quem bate em mulher é homem frouxo.

Mas por que tanta histeria coletiva com esse tema de gênero? Simples: pura e simples histeria, no sentido freudiano. Você não sabe o que é isso? Pergunte a um psicanalista.

O “barato” na histeria é a repressão sexual. A teoria de gênero é a mais nova forma de repressão sexual instalada na cultura, um neopuritanismo. Não é à toa que repete como um mantra que o homem e a mulher não existem. O sintoma histérico é justamente a negação do “destino do sexo”. Mas, infelizmente, não vai adiantar falar disso para os psicanalistas porque muitos sucumbiram ao sintoma e “perderam o ouvido”, afogados na histeria que se fez laço social e no seu sintoma, a política histérica.

 

Luiz Felipe Pondé, escritor, filósofo e ensaísta, é doutor em Filosofia pela USP e professor do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da Faap.


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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