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O que está por trás do atual criticismo científico

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - dom set 09, 7:26 pm

De alguns anos para cá, temas religiosos têm sido capa de diversos periódicos seculares. Há duas razões básicas para isso. A primeira, obviamente, é a estratégia de marketing, com produtos a gosto do consumidor, porque os temas religiosos sempre foram mercadorias fáceis de se vender. A segunda, parece ser uma tendência deliberada em atacar tudo o que diz respeito, direta ou indiretamente, à fé cristã.

Vale tudo na corrida desenfreada pelo ibop. E quando a notícia toca em temas da Bíblia, não serve como quebra de preconceito contra a mesma, mas, antes, como uma espécie de afronta contra a causa evangélica e, por conseguinte, contra a Palavra de Deus.


A Bíblia no contexto atual

O ano de 2003 nos trouxe um exemplo prático disso. Assuntos referentes à Bíblia estiveram, por

várias vezes, estampados na primeira página das mais importantes revistas do país. Em menos de doze meses, foram lançadas mais de meia dúzia de reportagens que procuraram negar os eventos históricos da Bíblia, a existência de Jesus e a veracidade da fé.

Confira algumas manchetes que selecionamos como demonstração desse assédio:

 Revista Galileu – “Eles querem Deus na ciência”1, texto elaborado para exaltar a teoria da evolução;

 Revista Veja – “Fé – Por que e como acreditamos”2, supondo que a fé religiosa nada mais é do que um produto neuropsíquico desenvolvido a oitocentos anos atrás por nossos ancestrais pré-históricos;

 Revista Superinteressante – “São Paulo traiu Jesus?”3, texto já refutado na edição anterior de Defesa da Fé.

Mas, desta vez, queremos chamar a atenção para a revista Época que, fechando o ano com “chave de ouro”, lançou matéria de capa com o título “A ciência tenta explicar a Bíblia”. Parte dessa matéria foi baseada nos estudos de dois arqueólogos, Neil Asher Silberman (Belga) e Israel Finkelstein (judeu). Este último, é diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv e irredutível crítico da Bíblia em sua área. Sua obra foi lançada recentemente em português com um título nada amistoso: A Bíblia não tinha razão.4

Voltando, porém, à matéria em questão, percebemos que tanto o texto como as estupendas descobertas não são tão novas assim. Na verdade, nada mais são do que uma paráfrase da reportagem da revista Superinteressante5, que também baseou seus argumentos nas mesmas teorias arqueológicas do dr. Finkelstein. É uma disputa! Parece o antigo jogo de cabo-de-guerra. Só que, neste caso, o cabo é a Bíblia, que vem sofrendo acirrados ataques contra sua infalibilidade.

Qual seria a causa de tantos ataques?

A verdadeira causa dos ataques

Desde que Moisés escreveu “No princípio criou Deus…” (Gn 1.1), a desejada derrocada que se espera das Escrituras Sagradas está posta, por assim dizer, no inconsciente coletivo da humanidade.

Deixe-me explicar. Urge lembrar que o diabo sempre tentou desacreditar, e até mesmo destruir, a Palavra de Deus. Seu intento não acabou. Ele apenas mudou de tática. Atualmente, não se utiliza mais da fogueira da Contra-Reforma. Está usando métodos refinados, por meio dos quais tem levado a nossa moderna mente científica a aceitar, sem contestação, seus ferozes ataques.

Vivendo em uma época ímpar da história, nosso ambiente relativista propicia que a palavra final da verdade não seja dada por um ser que não podemos ver, tocar e/ou cheirar, por um ser que escapa à verificação de nossas pesquisas científicas, mas por dados materialistas do nosso século XXI. Assim, qualquer coisa que se relacione a este ser (Deus) é impiedosamente colocada sob suspeita e tachada de não ser científica.

Tendo em vista que a herança e as promessas espirituais do povo de Deus emergiram desse bem literário primitivo chamado Bíblia, é de suma importância defendermos tanto aquelas como este dos ataques dos céticos.


O que há de errado com os arqueólogos modernos?

A tendência atual da arqueologia e de todas as demais disciplinas científicas é fundamentada numa nova escola de antropologia cultural que rejeita a orientação histórica da arqueologia clássica.

O dr. J. Handall Price, ex-professor de arqueologia bíblica na Universidade do Texas, alerta: “A presente geração de arqueólogos tem proposto teorias revolucionárias e interpretações revisionistas para substituir os modelos tradicionais, biblicamente embasados, da história de Israel”.

Pasmem ainda com a conclusão que Price faz em seguida: “Esse tem sido o caso, especialmente entre a comunidade arqueológica de Israel”.6

Como já vimos, um dos arqueólogos em que a matéria da revista Época se baseou é judeu.

Contudo, há algumas décadas, a Bíblia era um livro de consulta, essencial em qualquer expedição arqueológica. Arqueólogos renomados e respeitados, como o professor W. F. Albright, Sir Frederic Kenyon, o rabino Nelson Glueck e outros não menos importantes que ainda hoje são referências em arqueologia, representavam uma escola de pensamento que puseram suas pás a serviço da Bíblia. Glueck, por exemplo, escreveu: “Pode-se afirmar categoricamente que até hoje nenhuma descoberta arqueológica contradisse qualquer informação dada pela Bíblia”.7

De acordo com esta declaração, o dr. Paulo Bork, que realizou cursos em várias instituições de ensino superior, como a Universidade Pacific School of Religion, da Califórnia, a Universidade Hebraica de Jerusalém e a Universidade de Londres, Inglaterra, e que também participou de diversas pesquisas e expedições arqueológicas ao redor do mundo, faz uma advertência ao afirmar que “sempre existirão aqueles que não crêem na Bíblia e a criticam. Muitos deles não vão mudar sua forma de pensar, independentemente das evidências arqueológicas. Por outro lado, temos descoberto tantas evidências que iluminam a parte histórica da Bíblia que isso tem tornado muitos céticos em crentes”.8

Os céticos mencionados por Bork podem muito bem se enquadrar nessa nova geração de arqueólogos comprometidos com as teorias da chamada “alta crítica” destrutiva, uma escola de análise literária do século XIX que desconsidera os eventos bíblicos como fatos históricos.


O sobrenaturalismo

Os pressupostos desta escola crítica estão firmados no sobrenaturalismo, ou melhor, no anti-sobrenaturalismo de seus críticos. Esta é a premissa sobre a qual se apóiam quando intentam levar a cabo suas pesquisas.

Uma ilustração: o erudito liberal, ao efetuar suas pesquisas, parte necessariamente do pressuposto de que não existe nada de sobrenatural na Bíblia. Tudo que se refere a milagres na Bíblia é relegado a meras histórias míticas.

Por outro lado, o conservador parte da idéia de que Deus interveio no espaço-tempo em determinadas épocas para um determinado povo. Sendo assim, a hipótese sobrenatural não pode ser descartada. Na verdade, ela é necessária para uma correta interpretação das investigações.

Tais premissas, no entanto, não irão somente determinar grandemente a metodologia (de ambas as partes) usada em suas investigações, mas também suas conclusões. É por isso que muitos arqueólogos divergem entre si em suas interpretações. Não é de admirar que alguns deles não concordem com a Bíblia, apesar das evidências materiais pesarem sempre a favor dela.

O dr. Price esclarece que “as areias movediças da erudição concernente à Bíblia em relação à arqueologia dizem respeito à interpretação dos dados arqueológicos e não aos dados em si. Por isso uma geração alega que os dados arqueológicos pesam conclusivamente a favor da Bíblia, enquanto que a próxima [afirma] que os mesmos dados são contraditórios”.9

Quanto a isso, Norman Geisler comenta: “Evidências arqueológicas dependem do contexto de data, lugar, materiais e estilo. Como isso, o que é interpretado depende das pressuposições do intérprete”.10


Os limites da arqueologia

Quem pensa que a finalidade da arqueologia é refutar ou confirmar a Bíblia está completamente enganado. Definitivamente, não é este seu propósito. Aliás, é necessário considerar que nem sempre será possível confirmar cada detalhe de episódios descrito na Bíblia, e isso devido a vários

fatores. Citando o professor Yamauchi,11 o dr. Price nos dá alguns fatores:

• Somente uma fração do que é fabricado ou escrito sobrevive.

• Somente uma fração dos sítios arqueológicos disponíveis foi pesquisada.

• Somente uma fração dos sítios pesquisados foi escavada.

• Somente uma fração de um sítio é examinada.

• Somente uma fração do material encontrado chega ao conhecimento do público.

Há muitas evidências ainda por emergir das cálidas areias da Palestina. Estas descobertas são retardadas devido a vários problemas de cunho social, político, econômico, cultural e religioso.

Considere, por um instante, a polêmica entre os judeus e os muçulmanos sobre o templo de Jerusalém. Por causa disso, as pesquisas arqueológicas estão interrompidas. Sem falar nos altos custos para se financiar uma expedição de grande porte e tudo isso somado à devastação de sítios arqueológicos e ao assalto dos ladrões que roubam estes artefatos.

Portanto, quando tais historiadores dizem que o Êxodo não foi real, porque “Moisés nunca existiu”, ou como afirma a revista Época: “Não há nenhuma prova concreta da existência de Moisés”12, estão baseando suas conclusões no falacioso argumento do silêncio. Este também parece ser, infelizmente, a opinião do entrevistado, Luciano José de Lima, teólogo da Universidade Metodista, quando confessa: “Eu diria que Moisés pode ser considerado como uma figura arquetípica13 de grande líder”.14 Contudo, diz Price: “O problema aqui não é o que não é visto, mas o que ainda não é visto”.15

O perigo do argumento do silêncio

O ditado que afirma que “ausência de evidência não é evidência de ausência” não é só verdadeiro como indispensável neste contexto. Não é porque um personagem ou habitação bíblica não foi encontrado ainda que significa que nunca existiu. Os críticos da Bíblia há muito vem sendo corrigidos por esta dura realidade!

Antigamente, muitas teorias foram levantadas para dizer que os relatos bíblicos não eram possíveis, ou que determinada pessoa nunca existiu, porque não havia indícios arqueológicos sobre esses relatos fora da Bíblia. Mas uma a uma dessas teorias foi sendo abandonada por causa de novas descobertas arqueológicas que confirmavam o testemunho das Escrituras.

Considere inúmeros personagens como Belsazar, Joaquim, o rei Davi e até Jesus Cristo… Considere, ainda, cidades como Sodoma e Gomorra, povos como os filisteus e os heteus, sem falar nos costumes, datas e eventos bíblicos que até poucas décadas atrás eram tidos como fictícios pelos críticos. Contudo, surpreendentes achados arqueológicos foram confirmando, um a um, personagens, cidades, povos e lugares bíblicos como históricos. Hoje, até mesmo alguns céticos, como Finkelstein, por exemplo, são forçados a admitir que Davi realmente existiu, conforme diz a Bíblia, o que era uma idéia quase impossível décadas atrás.

Diante disso, arrazoamos: A quem as descobertas arqueológicas realmente refutam: a Bíblia ou seus críticos?

Diríamos então que, apesar da refutação da arqueologia, a Bíblia confirma seus eventos históricos. Por outro lado, as teorias especulativas de seus críticos são postas à prova a cada escavação.


Por que rejeitam?

Apesar de o arqueólogo Silberman confessar que suas teorias não são de modo algum a palavra final no assunto, ele próprio considera suas especulações. Veja o que declara: “Ainda há debates intensos sobre muitos destes temas. Muitas de nossas idéias são altamente controversas e certamente não compartilhadas por todos”.16

Referindo-se a esta afirmativa, o articulista da revista em questão pondera que “apesar disso, suas teorias ganham cada vez maior respaldo na comunidade acadêmica”.17

Isso nos leva à seguinte indagação: por que ainda é pregado este tipo de coisa nos meios acadêmicos? Ou ainda: por que, apesar das evidências, insistem em não crer nos relatos bíblicos como históricos?

Parece que a explicação mais razoável esteja justamente nos pressupostos preconceituosos de seus proponentes. Neste tecnológico século XXI, é difícil alguém, no meio acadêmico, depositar sua confiança na Palavra de Deus como guia histórico. Para muitos, tomar tal atitude positiva concernente à Bíblia seria o mesmo que cometer um suicídio intelectual. Isso ocorre porque as Escrituras registram fatos que a nossa mente moderna não quer crer. Por exemplo, a conclusão a que chegam sobre a ressurreição é a priori (sem apoio nos fatos). Quanto aos milagres relatados na Bíblia, para a metodologia científica moderna eles não são passíveis de repetição; logo, para a intelectualidade moderna os milagres não existem. Assim, precisam buscar explicações naturais e “sensatas” para os mesmos. Em verdade, não crer em Deus ou no sobrenatural funciona, em muitos círculos acadêmicos, como status; ou seja, reflete intelectualidade.


No final, a Bíblia sempre tem razão

Não nos enganemos: o mundo jamais nos aceitará. A luz sempre será antítese (oposição) das trevas. Não podemos esperar menos que o preconceito científico moderno contra tudo que se refere à veracidade da Bíblia. Isto posto, gostaríamos de deixar aqui uma palavra àqueles que, por vezes, hesitam entre estes dois mundos: o da fé e o da ciência:

Apesar de a fé cristã não ser uma fé cega (um salto no escuro), pois os fatos históricos bíblicos e seus conceitos teológicos estão intrinsecamente ligados entre si, o cristão tem uma vantagem: crer na Palavra de Deus, mesmo que ainda faltem, no momento, informações históricas específicas ao testemunho das Escrituras em algumas questões particulares.

Pelos antecedentes já considerados, descansemos na certeza de que a Bíblia é o documento histórico mais fidedigno do mundo, e ela já tem dado prova à saciedade.

No final, a Bíblia sempre tem razão!


Referências bibliográficas:

1 Revista Galileu, jun/03.

2 Revista Veja, 24/12/03.

3 Revista Superinteressante, dez/03.

4 Revista Época, 22/12/03, p. 84-93.

5 Revista Superinteressante, jul/03.

6 Pedras que clamam. Randall Price. CPAD, 2001, p. 14.

7 Evidência que exige um veredicto. Josh Mcdowell. Candeia, p. 83.

8 Citado no artigo da Sociedade Criacionista Brasileira.

9 Pedras que clamam. Randall Price. CPAD, 2001, p. 296.

10 Enciclopédia de apologética. Norman Geisler. Vida, p. 76.

11 Pedras que clamam. Randall Price. CPAD, 2001, p. 43-4.

12 Revista Época, 22/12/03, p. 87.

13 Relativo a arquétipo – 1. Modelo de seres criados. 2. Padrão exemplar, modelo, protótipo. 3. Imagens psíquicas do inconsciente coletivo, que são patrimônio comum a toda humanidade.

14 Revista Época, 22/12/03, p. 87.

15 Pedras que clamam. Randall Price. CPAD, 2001, p. 294.

16 Revista Época, 22/12/03, p. 88.

17 Ibid


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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