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O que eu espero para 2016?

Tenho passado por muitos cultos de virada de ano em minha vida. Parece que a tônica é sempre a mesma. Ainda que em nosso meio evangélico, parece-me que o apelo ao misticismo é grande. Não vemos isso claramente, mas existe. Muitos irmãos colocam todas suas esperanças em um simples culto, como se tudo fosse mudar no novo ano.

A pergunta que faço a você é: “a quantos cultos da virada você já foi em sua vida?” A muitos, certamente você responderá. Complemento a pergunta: “e o que, de fato, mudou em sua vida quando, nesses cultos, você declarou que o novo ano ia ser muito diferente?” Talvez poucas coisas.

O que desejo mostrar, com muita avidez, é que você precisa ter em mente dois versículos vitais para sua vida no ano que se inicia. Um é verso 73 do Salmo 119 e o outro é o que está em Provérbios 19.21. Vejamos os dois versos:

Salmos 119.73: “…dá-me inteligência para que eu possa entender os seus mandamentos.”

Prov 19.21: “Muitos projetos há no coração do homem, mas somente o plano e Jeová se realiza.” (Bíblia de Jerusalém)

Qual a razão precípua de deixar esses dois versos para sua meditação? Simples resposta. Desejo ardentemente que transforme sua vida a partir deste ano em algo que, de fato, represente sua fé e a essência do cristianismo. E qual seria a razão dessa minha intenção e preocupação? Também simples. O povo evangélico está tão místico quanto outros religiosos. Em algumas igrejas, o culto da virada se transformou em verdadeiros talismãs da sorte. Parece que tudo vai mudar devido a alguns “decretos” que são expedidos em uma noite.

Sobre isso, quero apresentar-lhes algumas características do ser humano, que são grandes realidades em nosso meio evangélico e que têm prejudicado o exercício da fé genuína no Senhor Jesus Cristo.

A primeira delas é que somos seres influenciáveis.

Nós interagimos 100% de nosso tempo com pessoas, com grupos, com familiares, de modo que há uma troca de informações a cada segundo entres cada um de nós com aqueles que nos rodeiam. Isso é bom, mas é também uma vulnerabilidade, pois somos bombardeados por coisas que nem sempre são úteis para nós.

Outra característica interessante que temos como pessoas é que precisamos ser estimulados para dar boas respostas a situações que surgem em nossas vidas. Um jovem que deseja passar em um vestibular muito concorrido terá que estudar muito acima do normal para obter êxito, mas em condições normais não estudaria tanto. Um cristão sempre reage melhor em crises ou quando se faz campanhas na igreja. Seja campanha evangelística como há em muitas denominações ou até uma campanha para arrecadar fundos, se fosse em situação normal não haveria tanto empenho.

Mas isso de ter que ser estimulado também é uma fraqueza, pois se não formos estimulados o tempo todo esfriaremos e não é esse o propósito de Deus e nem nossa intenção.

Uma terceira característica que desejo mostrar, para depois voltar aos dois versos apresentados, é que não fazemos juízos de valor acerca do que aprendemos. Isso é uma realidade em nosso dia-a-dia na sociedade quanto é nas coisas espirituais. Assim, a cada momento recebemos mensagens que nem sempre são bíblicas, mas as guardamos como se fossem.

Vou mostrar-lhes dois exemplos. Os dois exemplos são específicos do mundo evangélico.

Acontece que, mesmo quando nos convertemos, ficamos mais influenciáveis ainda. Existe um domínio do poder religioso que o líder exerce, muitas vezes, como consequência de uma lavagem cerebral que é feita sem que percebamos. Essa dominação religiosa é antiga, não só no cristianismo, ocorre em qualquer religião. Há uma sedução quanto a figura de um líder religioso. Sempre há um “que” de celestial em líderes religiosos. Mas como o apóstolo Paulo fala é “tudo para o deleite da carne”.

Uma reportagem da revista Superinteressante de março de 2009, na edição 263, saiu o seguinte:

“Ou seja, quem quiser provocar novas crenças e comportamentos em alguém precisa criar situações que exijam reações automáticas, pois nelas o processo consciente é desativado.”

“Pessoas que se dizem manipuladas por igrejas e cultos religiosos descrevem um programa intenso de atividades, palestras, celebrações e tarefas como distribuir panfletos, limpar o chão e fazer comida. Imersa nessa rotina, que geralmente prevê poucas horas de sono, a vítima fica tão cansada que literalmente não tem tempo para pensar sobre o que está acontecendo.” (Revista Superinteressante – edição 263, Março de 2009)

Em relação a isso e ao que desejo para o povo de Deus em 2016 é que tenhamos, como diz o salmista, inteligência para entendermos os mandamentos do Senhor. Só usando nossa racionalidade quanto ao que a Palavra de Deus nos ensina seremos crentes imunizados contra toda doença espiritual, somente assim saberemos dar respostas quanto ao que desejam saber acerca de nossa fé e só assim não seremos enganados e nem seduzidos.

Ao assistirmos um vídeo em que o Pastor Cláudio Duarte prega sobre Marta e Maria, o qual você encontra no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=fSpaOvLY8sA&spfreload=10)  descobre-se que ele faz afirmações que não são verdadeiras e que não encontram base nos textos que são a referência da sua pregação. Focamos no intervalo entre o 8º e o 14º minutos. Vejamos os erros cometidos em sua fala.

ERRO: Dizer que Marta convidou JESUS e o constrangeu.

VERDADE: Marta nem convidou e nem constrangeu Jesus. Ela o recebeu. É diferente. (Lc 10.38);

ERRO: Marta era uma mulher à frente do seu tempo.

VERDADE: Marta era uma pessoa problemática espiritualmente falando. (Lucas 10.40 e 41)

ERRO: “O que indica que Jesus não queria  ir lá”.

VERDADE: (João 11.11) – Jesus já havia dito que ia lá.

ERRO: Maria não ajudava em nada.

VERDADE: o texto sequer trata disso. Ao contrário, Maria é citada como alguém que escolhera a melhor parte. (Lucas 10.41).

Isso sem falar que o texto não faz nenhuma alusão a quantas pessoas estavam com Jesus. Quando se quer mencionar quem estava com Cristo, normalmente era mencionado. Um grande problema em querer florear a pregação do evangelho é “inventar” o que não está escrito. Isso é um erro grave que coloca em jogo até mesmo nossa salvação (ver Apocalipse 22.18).

Outro problema é que as pessoas o ouvem e acham que estão diante de um pregador fantástico, quando, de fato, o que vemos é uma pessoa que deturpa textos bíblicos para buscar êxito com as pessoas, não necessariamente com a revelação da Palavra de Deus.

Um outro vídeo que desejo explorar é o clipe de cham ada para o culto da virada do Ministério da Fé de Brasilia-DF. Nesse vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=ZN4D9_T2bPA), podemos ver diversos preletores que falam em flashes as mesmas coisas: “você será campeão”, “você será chamado de vencedor”, “tudo vai mudar na sua vida”, “eu profetizo que os céus descerão sobre sua vida no novo ano” e por ai vai. Mesmos oráculos, mesmas palavras.

Quais são os graves erros dessas assertivas? Vejamos:

–      Tudo que falam é genérico. Não há palavras específicas.

–      Nada do que falam ou decretam se refere à salvação de vidas por meio daqueles crentes presentes ali. É tudo coisa para o ego individual.

–       Tudo que “profetizam” os ímpios também recebem. Ora, se os ímpios recebem, onde estaria a diferença vital entre nossa fé e a deles?

–      Falam com tom de voz diferente para mexer com o emocional das pessoas, inclusive com fundo musical adequado para a situação.

–      Tocam no ego do público.

–      Percebe-se que o povo não reflete no que se fala, pois falam o mesmo em toda virada! Todo culto de virada, nesses meios mais “avivados”, a “ladainha” é a mesma. Mas nada muda. E, apesar de nada mudar, as pessoas não analisam isso.

Portanto, para finalizar quero apontar-lhes algumas recomendações que julgo saudáveis para sua vida espiritual e material no ano de 2016. Reflita nessas sugestões. Analise-as cuidadosamente e procure entende-las com fundamento nos dois versos que eu vos apontei desde o começo: “inteligência para entender a Palavra de Deus” e “não fazer projetos, pois os planos de Deus que serão confirmados”.

Seguem, então, meus sinceros conselhos para o novo ano:

–      Use mais sua capacidade de raciocínio para crescer espiritualmente. Não seja “maria vai com as outras” – Sl 119.73

–      Não fique fazendo projetos e mais projetos. Quanto mais projetos se faz, maior sua frustração e decepção. Apenas viva sua vida com foco no Senhor. Melhore sua prática de leitura bíblica e oração em 2016. Prov 19.21

–      Deus não vai fazer nada do que se vê e ouve no segundo vídeo. Tudo que temos ou somos é uma construção. Não há mágicas, truques ou soluções fáceis. Isaías 28.10 tem um bom conceito sobre o agir de Deus em nossas vidas. É de pouco em pouco. É um pouco aqui e um pouco ali.

–      Pare de ser um agente retransmissor de “besteirol” por intermédio de mídias sociais ou demessengers.

–      Passe a usar um “machado afiado” para cortar madeira em 2016. (Ecles 10.10). Isso quer dizer: busque mais a sabedoria para decidir, melhore seu desempenho nas coisas que você faz; aí sim, você terá melhores resultados e atingirá metas relevantes para sua vida.

– Preocupe-se mais com a Palavra de Deus revelada, trabalhada, investigada do que com pregadores de marketing, de psicologia, humoristas, animadores de palco. Essas teorias HUMANAS são HUMANAS. O que muda nossa vida é a Palavra de Deus. Teorias humanas são boas para problemas humanos. Para problemas espirituais o remédio é a Bíblia. É uma vergonha, hoje em dia, pregadores que adaptam teorias de marketing, de psicologia a versos bíblicos e fazem sucesso como se fossem bons pregadores da Palavra de Deus.

–      Não busque conhecimento espiritual fora da Bíblia. Um dos maiores atrativos de falsos ensinos é a “aparência de santidade”.

–      Não ouça louvores de qualquer cantor ou cantora. Analise as letras e ouça só o que for bíblico. A música sempre atua como “mantra” em nossa mente.

–      Não espere grandes mudanças em 2016. Não espere algum grande milagre. Tanto as mudanças como os milagres são construídos dia-a-dia. Construa seus dias passo a passo em 2016.

– Finalmente, responda para você mesmo: O QUE EU ESPERO DE 2016?

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