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O Sábado foi feito para o Homem ou para o Judeu?

“E prosseguiu: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” Marcos 2.27.

Os adventistas usam frequentemente este verso para provar que o sábado foi feito para todo o gênero humano. Comentando o texto acima observe o que diz certo folheto adventista:

“Quando o criador de todas as coisas estabeleceu o repouso semanal do 7º dia não havia ali Moisés. Um judeu. Tão pouco havia um católico, Batista, Metodista, Presbiteriano, Luterano ou Espírita, também não havia ali um único adventista.” (Jesus e o Descanso Semanal, pág. 3)

Mas é isto realmente o que o texto está dizendo? Não, ele não diz assim. O texto não diz que “o sábado foi feito para todo “gênero humano”, mas que foi “constituído para o homem” e só. Daremos algumas razões do porquê este verso não apoiar a tese sabatista.

Quando a Bíblia quer incluir todo o gênero humano, ela deixa bem claro isso, veja Mateus 28:19; João 3:16; Atos 2:17; I Timóteo 2:4; Tito 2:11. Estes versos indicam claramente que quando Deus oferece algo a todo o gênero humano ele não deixa dúvidas.

Objeções: muitos objetam que Jesus usou a palavra grega antropos que denota homem em geral e não ioudaios palavra que denota apenas o judeu. Mas isto não possui muita força probante pelo fato da Bíblia usar deste recurso, ou seja, tomar o todo pela parte e a parte pelo todo, é a chamada sinédoque. Vejamos um exemplo disso no próprio evangelho de Marcos.
Em Marcos 8.27 Jesus pergunta aos discípulos “Quem dizem os homens que eu sou?”. Certamente Jesus não estava falando ai de todos os homens (humanidade) , mas apenas dos judeus de seu país. Novamente a palavra para homem é antropos, mas nem por isso se alarga a todo o gênero humano. Note também que o texto não diz que o sábado é um mandamento desde o princípio da criação como é o caso do matrimônio Mateus 19.4. O texto nem menciona se quer algum personagem do livro de Gênesis!

Se foi essa a intenção de Moisés (provar que o sábado foi guardado desde o Éden) ele falhou barbaramente.

O sábado não foi oferecido a todas as nações. Só era determinado à nação de Israel. Olhe para Deuteronômio 5:1-15 onde se encontram as ordens dadas a Israel. É dito claramente que Deus não deu o sábado ou outras ordenanças da lei aos pais, veja especialmente os versos 2-3.

Mas, se os sabatistas se apegam à palavra “homem” no texto para provar que o “sétimo dia” ou “dia do sábado”, foi feito para o homem em geral, eles acabam por fim destruindo aquilo que mais defendem no sábado – sua natureza moral. Pois, se o sábado foi feito para o homem, então onde está sua natureza moral? Princípios morais por natureza são aqueles que sempre existiram, não tiveram começo. Se o sábado teve de ser “feito” significa que ele não faz parte da eterna lei moral de Deus como querem os adventistas.
Cabe aqui uma pergunta: onde está escrito que o restante dos mandamentos teve de ser “feito”? Em nenhum lugar! Isto mostra o aspecto puramente circunstancial e cerimonial do sábado. Eles acreditam que o sábado é mandamento moral, mas um mandamento moral é algo que por natureza sempre existiu, não há um começo para ele, não emana de nenhum ser. O egoísmo é errado por si, nem Deus pode legalizar o egoísmo e torná-lo correto, que neste caso iria contra a própria natureza do ser e das coisas. Ele é errado mesmo sem a presença do homem, aplicando-se a todos os seres morais que por ventura existirem.
Veja que este tipo de argumentação é de caráter paliativo. Onde está escrito que Adão e Eva guardaram os Dez Mandamentos em especial o sábado? Eles podem provar isso? Claro que não! Isto é ir além do que está escrito. É forçar as escrituras a dizerem o que ela não diz.

Ora, se o sábado fosse um mandamento moral como alardeiam nossos oponentes, porque então precisou ser santificado? Um mandamento moral não precisa ser santificado, pois é tal por natureza. Imagine Deus precisando santificar algo que por natureza já o é! Demais disso, não se pode afirmar que o sétimo dia de Gênesis seja literalmente 24 horas, pois não fornece a mesma sequência dos outros dias, isto é, “houve tarde e manhã o dia tal”, mas quanto ao sábado só reza que Deus descansou nele e pronto. Este repouso é o repouso de Deus de Hebreus 4:9 no qual entramos pela fé em Cristo, e duma perspectiva escatológica, ainda iremos entrar.

E tem mais: se Adão foi criado no sexto dia não justificaria ele ter de descansar já no dia seguinte, sem falar que ele estaria quebrando o mandamento de primeiro trabalhar seis dias e só então, descansar um, pois só merece o descanso divino quem trabalha. Mas se pelo contrário, ele manteve o mandamento corretamente, seu descanso iria cair numa sexta feira e não no sábado. Não, definitivamente Adão não guardou o sábado, nada, absolutamente nada nas escrituras justifica isto. Todas essas escoras ruem entre os escombros da sofismática interpretação em torno de Mc 2.27, pois são erigidas sobre bases falsas de premissas contraditórias, uma mistura de sofisma com subterfúgio.
Considere ainda mais algumas questões concernente ao contexto da disputa entre Jesus e os fariseus na questão do sábado.

O contexto não enfoca a universalidade do sábado, mas a autoridade de Jesus sobre ele.
b. Jesus não alargou o mandamento, mas Restringiu-o aos judeus.
c. Se Jesus estivesse realmente dizendo que o sábado era para todo ser humano, isto teria levantado outra controvérsia com o fariseu e não refutado ele, pois estes consideravam o sábado como posse única da nação judaica (cf. Jubileus 2:19).

A palavra antropos se aplica perfeitamente aos judeus, pois este certamente não é um animal, mas um homem, isto é, pertence a raça humana. Como já dissemos, a Bíblia às vezes usa este tipo de recurso de tomar a parte pelo todo.

O fariseu tocou no comportamento dos discípulos e não dos gentios. Ele havia superestimado a importância do sábado e Jesus respondeu a ele não para aumentar ainda mais sua importância, mas para restringi-la. Seu ponto de vista era que o sábado foi feito para servir às pessoas e não o contrário. Para exemplificar isto podemos dizer que a “circuncisão foi feita para seres humanos e não para os anjos”. Com isto ninguém em sã consciência iria insinuar que a circuncisão era para todo gênero humano, mas tão somente para os judeus.

Para provar isto temos ainda a redação do apóstolo Mateus deste episódio. Mateus após acrescentar em seu evangelho que Jesus na nova aliança é nosso descanso sequência dois episódios dos discípulos infringindo as leis do sábado. Veja Mateus 11.28; 12.1-12. Com isso fica claro que a disputa girava em torno das questões que se restringiam apenas aos judeus e não a toda a humanidade.

AS ORDENS DADAS A ADÃO FORAM REPETIDAS A NOÉ, MENOS…

É significativo que todas as ordens que Deus deu a Adão (Gênesis 1.26-30) foram repetidas novamente a Noé menos o sábado. Mandamentos sobre o matrimônio, domínio sobre a terra, e alimentação foram claramente repetidos; aparecem também exemplos de sacrifício e ofertas de sangue, aliança etc…mas o sábado não aparece (Gênesis 8.15-22; 9.1-11). Isto mostra de maneira irrefutável que o sábado não foi um mandamento desde a criação.

Os judeus costumavam chamar as ordens que Deus deu a Noé de “Os Mandamentos de Noé”. Eles consideravam que estes mandamentos estavam obrigados todos os gentios e em extensão a toda a raça humana. Normalmente eles são listados em número de sete e nunca foi incluído entre eles o sábado.

Quando Deus fez o seu pacto com Abraão, Ele lhe deu não o sinal do sábado, mas o da circuncisão. Paulo afirma que somente depois que Deus fez este pacto com Abraão é que o pacto do povo de Israel foi firmado tendo como sinal o sábado. Portanto, 430 anos depois do pacto abraâmico Gálatas 3.17. O sábado foi dado a Israel Neemias 9.13-14. Embora tenha buscado moldar este sinal ao modelo da criação ele não nasceu lá. Isto nós já vimos acima, quando provamos que a semana da criação não é de 24hs literais devido a tantos pormenores que o texto interno demonstra. Aquele descanso é o descanso de Deus (Gênesis 2:2, 3; Hebreus 4:3, 4, 10). Se Adão guardou o sábado, Moisés poderia muito bem ter mostrado isso de modo claro, tomando-o como exemplo de que este mandamento foi realmente observado desde a criação para toda a raça humana. Mas ele não disse que Adão ou qualquer um dos patriarcas tenha guardado o sábado, mas que apenas Deus o santificou. Só isso! O sábado era apenas o sinal do pacto mosaico dado a Israel como nação, é uma instituição israelita (Êxodo. 31:16, 17; Ezequiel. 20:12). Não há nenhuma prova seja na Bíblia ou na História que mostra os gentios guardando o sábado judaico. Embora a Bíblia através dos profetas especifique e condene os vários pecados cometidos pelos gentios, é só quanto a Israel que o pecado de quebrar o sábado é mencionado. Paulo parece seguir esta linha de pensamento em Romanos 1. Embora ele tenha listado aproximadamente vinte e dois pecados que os gentios cometeram, ele não menciona em tempo algum o sábado sendo quebrado. Isto por que, não existe prova em lugar algum que os gentios tinham o sábado como mandamento desde a criação.

Jesus não reivindicou ser senhor do sábado como o Deus criador, mas como o filho do homem. Não se reportava a Gênesis. O título, Filho de Homem que Jesus usou frequentemente em referência a Ele, vem de Daniel 7:13, onde é usado com relação à vinda do seu reino no fim dos tempos. Então, defendendo o comportamento “questionável” de seus discípulos perante os fariseus, Jesus declarou a própria autoridade dele como o Filho do Homem que estava introduzindo o reino de Deus, o verdadeiro descanso para qual o sábado apontou. O ponto principal do argumento de Jesus aqui, não recai sobre o comportamento correto sobre o sábado ou quanto a interpretação correta da lei sobre o sábado no velho Pacto. Pelo contrário, Ele mostra como a lei da Velha Aliança, inclusive a lei sobre o sábado não era assim tão importante. Jesus está colocando a autoridade Dele acima da lei do sábado. Como o Filho do Homem que teve a missão de inaugurar o reino de Deus, Ele é superior a lei judaica do sábado. Isto fica mais claro quando analisamos o contexto de Marcos e Lucas, este incidente é acompanhado pela discussão imediata sobre pôr vinho novo em odres velhos (Marcos 2:21-22; Lucas 5:36-38). A mudança do descanso do homem introduzida por Jesus se torna mais significativa pelo fato de logo após ter anunciado a si mesmo como o descanso para o cansado do pecado (Romanos 6.23) em Mateus 11. 28-29. O evangelista após isto introduz dois incidentes sobre o sábado (12.1-12). Isto pode indicar que o descanso de Gênesis é o mesmo de Hebreus 4.9, onde Jesus nos introduz de modo antecipado, sendo ele o nosso descanso.

Como Jesus é maior que o templo onde ministrava todas as cerimônias do velho pacto a qual os adventistas chamam de lei cerimonial (Mateus 12.6) Ele também é maior que o sábado (12.8).

Jesus é Senhor do sábado, esta não é só uma reivindicação messiânica de proporções restauracionais, mas eleva a possibilidade de uma mudança futura ou reinterpretarão do sábado. Isto é precisamente o que aconteceu sobre o templo, pois assim como Cristo é superior ao templo mostrando uma possibilidade de mudança na lei ritual e sacerdotal, Jesus é superior ao sábado, deixando inferências que a lei do sábado também poderia ser modificada, pois Ele é senhor do sábado, tendo sua autoridade para modificá-lo, ou extingui-lo. Como o templo era uma sombra de Cristo e Nele encontrou seu fim, assim também o sábado apontava para Cristo e Nele encontrou seu fim ou propósito Colossenses 2.16-17. Agora Jesus é o nosso descanso Mateus 11.28.

O sábado, então, foi instituído por Deus, entre os tipos e sombras da grande redenção que Ele mesmo efetuaria. Apontou atrás para a criação, e adiante para Cristo, da mesma maneira que a Páscoa apontou para trás ao êxodo de Israel sob a escravidão egípcia e adiante para “Cristo nossa Páscoa, sacrificada por nós”. Então, se o sábado foi instituído antes de Moises ou não, isso não altera a questão de que ele pertenceu à lei de tipos e sombras. Devemos ter em mente que os sacrifícios começaram na época de Adão, a circuncisão começou com Abraão, contudo, ambos foram pregados à cruz com toda a lei mosaica.

O sábado original foi um dia aberto, e ao contrário dos outros dias ilustrativos, nunca foi projetado para fechar. Este é o verdadeiro sábado, o sábado eterno. Aqui Deus e o homem poderiam descansar, não porque qualquer um poderia ficar cansado, mas porque ambos pudessem descansar no companheirismo do reino de Deus. O banquete de amor estava completamente preparado. O Homem não precisava trabalhar com suas boas obras para isso, mas apenas descansar no eterno amor de seu Criador. Nada é dito sobre interromper este descanso com seis dias de trabalho. Ali o descanso era para ser eterno!

Mas o homem arruinou a criação através do pecado e quebrou este descanso com seu Criador. Deus começou então a trabalhar para restabelecer o que estava perdido e fazer nova todas as coisas. Embora este foi um trabalho que trouxe dor para o próprio Deus, pois teve de enviar seu próprio Filho para morrer pelo homem, Ele não desistiu. Nenhum preço era caro demais como pagamento para o objeto de seu amor. Jesus declarou, ” Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17). Em outras palavras o que Jesus estava dizendo era que Deus não parava de trabalhar, nem mesmo no sábado semanal e seu Filho seguia seu exemplo. Ambos estavam trabalhando incessantemente para a restauração do homem.

O sábado do Pacto mosaico era apenas um dispositivo pedagógico para apontar para trás, para o descanso da criação original de Deus no Éden. Cada sétimo dia o judeu desfrutava assim de um descanso de seis dias de trabalho e fadiga, estava desta maneira desfrutando de modo imperfeito um pouquinho do grande descanso do Éden, para poder refletir sobre o grande sábado eterno de comunhão com Deus que uma vez os primeiros pais desfrutaram no Éden. Servia apenas como um antegozo do grande sábado eterno que Deus ainda trará quando fizer nova todas as coisas.

Que o sábado semanal não era a realidade, mas uma sombra que apontava para o futuro, à realidade verdadeira, é dito desembaraçadamente por Paulo em Colossenses 2:16, 17. Aqui ele inclui claramente o sábado semanal nas coisas que “são uma sombra dos bens futuros”. E então ele afirma que a realidade do sábado semanal é encontrada em Cristo que é nosso descanso Mateus 11.28.

Outro ponto fraco no argumento adventista é querer provar que o sábado deve ser guardado pelo simples fato de Deus ter descansado nele. O ato de Deus descansar no dia não conferi santidade a este dia. Primeiro, Deus descansou no dia, mas não fez ele mais santo que os outros. Depois disso ele o abençoou, mas ainda não era santo. Só então ele o consagrou e o fez santo. Assim, o dia não era santo em si mesmo. Deus não fez um dia mais santo que o outro. Ele não é mais santo do que a segunda, terça, ou domingo.

Deus fez outros dias santos, mas que ele nunca descansou. O dia de convocação era tão santo quanto o sábado semanal. Lemos na Bíblia o seguinte quanto a isso:

“Ora, o décimo dia desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. Nesse dia não fareis trabalho algum; porque é o dia da expiação, para nele fazer-se expiação por vós perante o Senhor vosso Deus. Pois toda alma que não se afligir nesse dia, será extirpada do seu povo. Também toda alma que nesse dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo. Não fareis nele trabalho algum; isso será estatuto perpétuo pelas vossas gerações em todas as vossas habitações….Sábado de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso sábado” Levítico 23:27-32.

Assim, havia sete destes dias anualmente santos. Aqui temos sete dias anuais o qual havia uma suspensão total do trabalho. Eles são chamados de sábados de descanso. É chamado de santos. A linguagem reivindica apenas que Deus está reclamando para si tais sábados. Estes dias pertenciam a Ele. Mas todos eles, segundo os adventistas foram pregados na cruz. Como então não admitir a mesma coisa para o sábado semanal?

Sobre isso um teólogo adventista, mesmo acreditando que Gênesis dá base para a guarda do sábado, foi honesto em admitir que: “Se Deus houvesse apenas descansado no sétimo dia da criação, dúvidas poderiam haver; pois o ato de Deus descansar não implica necessariamente no descanso do homem” (O Sábado nas Escrituras, pág. 14 – Alberto R. Timm)

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