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O Vírus Neopentecostal das falsas profecias

por Enviado por email - qui maio 28, 10:40 am

Toda negligência gera consequências. Algumas são realmente graves e podem levar tempo, talvez gerações, para serem desfeitas. Estamos diante de um exemplo triste, porém, muito claro: uma pandemia mundial que poderia muito bem ser evitada caso não houvesse negligência. Logo na primeira contaminação detectada, o alarme e os cuidados necessários poderiam evitar a proliferação mundial. Todos foram afetados, histórias foram mudadas e vidas foram perdidas. Tudo isso, por negligência.

Assim é a saúde espiritual da igreja de Cristo. Não muito diferente de um vírus que ataca e influencia nosso físico, as heresias atacam e contaminam nossa vida espiritual. Algumas, são silenciosas – talvez assintomáticas – mas certamente levarão à morte. Também nos privam de muitas coisas, inclusive da liberdade que Jesus Cristo nos proporcionou. O trabalho de um apologista, tão execrado nos últimos tempos, é como de um agente de saúde, seja médico ou enfermeiro, que além de alertar e orientar sobre os perigos do vírus, receberam e entenderam a importância da vocação de correr contra o tempo, usando todos os meios possíveis, para restaurar a saúde de outras pessoas usando a Verdade como antídoto.

Mateus 24.10-13: Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.

A tão famosa (e igualmente denunciada) “Terceira Onda” chegou aos dias atuais. O início do surto partiu de Peter Wagner – teólogo americano que atuou por muito tempo na América do Sul, mais especificamente na Bolívia entre 1956 e 1971. Responsável pela chamada “Nova Reforma Apostólica”, onde deu a si mesmo e a outros o título de “Apóstolo”, também disseminou heresias como mapeamento espiritual, transferência de unção, quebra de maldições, ministério de cura e libertação, batalha espiritual, etc.

No Brasil, o vírus foi alastrado pelas teologias de Renê Terra Nova, Neusa Itioka, Valnice Milhomens, Rinaldo Seixas e tem ganhado muita força (e algumas mutações) através de Luiz Hermínio do MEVAM. Ao contrário do vírus que surgiu na China e tem se destacado por atingir principalmente os mais idosos, o vírus neopentecostal, tem atacado e contaminado, na sua ampla maioria, os mais jovens. Sujeitos como Deive Leonardo, Victor Azevedo e Tiago Brunet fazem parte dos atuais propagadores. Esses, como já é possível conferir nas redes sociais e em plataformas de vídeos, apresentam sintomas como a negação da inerrância bíblica, a afirmação de que a Bíblia não é necessariamente a Palavra de Deus e que, inclusive, somos pequenos deuses pois quando olhamos para Deus, somos tão justos, que não somos mais inferiores à Ele. Em casos mais pitorescos, como apresentado pelo jovem pastor Victor Azevedo, acredita-se que Jesus pecaria no Éden se estivesse no lugar de Adão.

Mais especificamente Luiz Hermínio, aquele que é o foco que atinge a nova geração, a contaminação é feita através de excessivas (excessivas mesmo) frases de efeito seguidas com um “tic-nervoso” movimentando o ombro para dar um ar mais espiritual. Segundo acreditam, só quem tem intimidade com o Espírito Santo é capaz de deter tantas frases assim. Apesar de um belo trabalho social apresentado pelo MEVAM, as heresias têm deixado marcas profundas e negativas na geração atual: cobertura espiritual, paternidade espiritual e outras “prisões” como essas.

Os ambientes de cultos são recheados de muita música, adoração escandalosa, que ultrapassa a desordem tão alertada por Paulo e que chega a beirar a balbúrdia: exatamente aquilo que impressiona e seduz jovens. Canções repetitivas. Quase que mantras influenciando a mentalidade dos jovens presentes que, como uma espécie de transe, afirmam ter os “louvores” como instrumento para alcançar a intimidade com Jesus. Quanto mais música, mais intimidade. Isso deu início também a uma geração de músicos que se preocupam exclusivamente com as emoções causadas pelas letras e a intensidade de volume e instrumentos nas músicas.

Mateus 7.21-23: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!’”

Para quem vivenciou e participou de ambientes como esses, é comum ter o momento do louvor musical como ápice do culto. A pregação do Evangelho fica para um segundo momento. Muitas vezes, a própria pregação perde, inclusive, para o momento de recados. São muitos recados engrandecendo o nome do ministério e a liderança. Muitas pessoas desistem do culto logo após os 30, 40 ou 50 minutos de recados, vídeos, fotos e mais comentários que enaltecem o ministério. Aliás, enaltecer o ministério e a liderança efusivamente é quase tão importante quanto respirar. É o efeito da tal “paternidade espiritual”. A honra que devemos aos nossos líderes é facilmente confundida com bajulação excessiva. De preferência, nas redes sociais. Esse é o combustível para reconhecimento e, até mesmo, quem sabe, uma possibilidade de um cargo eclesiástico no ministério.

Músicas antes, durante e depois de todo culto. Músicas intensas, frases marcantes e repetitivas e incontáveis lágrimas de uma emoção que não gera mudanças de mente e caráter, apenas emocionam alguns seguidores, da mesma forma fãs que saem de um show do Luan Santana, por exemplo. Amam a música, mas não o Deus da Música. Geralmente, são jovens que gostam de tocar algum instrumento e fazem isso sem o compromisso com Deus, mas pelo prazer de simplesmente tocar e ser reconhecido por isso. Se a música possuir uma letra que “fala alguma coisa de Deus”, melhor ainda! O testemunho e o caráter não são importantes para isso. Nesses ambientes, uma falsa profecia exposta pode ser claramente superada, mas errar um acorde durante o louvor, com certeza não.

Vide ocorrido na Igreja Bola de Neve. Seu líder, Apóstolo Rina, é famoso por suas diversas práticas excêntricas. Segundo alguns líderes, essas práticas são criticadas pois não são compreendidas pelos seres naturais, somente pelos espirituais (eles). Em uma certa conferência do ministério, Rina levantou uma espada maçônica enquanto os pastores o erguiam em seus ombros como um ato profética, para delírio e emoção dos presentes. Em outra oportunidade, o intitulado Profeta Kevin Leal, figura tão frequente nos eventos do ministério, dizendo falar em nome de Deus, profetizou que o, até então secretário de Cultura, Roberto Alvim, seria um conselheiro sábio, não somente para o atual governo, mas para outros governos também. Além disso, o “profeta” afirmava também que Roberto Alvin era uma voz para a próxima geração e que influenciaria muitas leis e políticos do Brasil, pois havia recebido o “dom da sabedoria para a nação”. Como é sabido, Roberto Alvin foi demitido dias depois, após encenar uma reprodução ipsis literis de partes do discurso de Joseph Goebbels, ministro nazista da propaganda de Hitler. Esse episódio será facilmente superado pelos membros e líderes da igreja. Não se trata de algo importante. Afinal, qual o problema em errar uma profecia? Na próxima conferência, todos estarão presentes, atentos e ansiosos para ouvir o que Deus tem a dizer através do mesmo profeta.

Deuteronômio 18.20-22: Mas o profeta que ousar falar em meu nome alguma coisa que não lhe ordenei, ou que falar em nome de outros deuses, terá que ser morto’. “Mas talvez vocês se perguntem: ‘Como saberemos se uma mensagem não vem do Senhor?’ Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele.

Em outro caso que ficou bastante conhecido, o próprio Luiz Hermínio profetizou sobre um casal: um pastor e uma deputada federal. No cenário, elementos bastante conhecidos de ambientes que condicionam a mente das pessoas: música alta, emotiva, muitas pessoas sobre o palco, algumas histéricas e outras já posicionadas atrás dos envolvidos. Essas, estão preparadas, pois já esperam o famoso “cai-cai” seja pela imposição de mãos ou pelo soprar do profeta. Na plateia, jovens atentos e ansiosos pelo “mover sobrenatural” e já na expectativa dos apoiadores conseguirem segurar os envolvidos no momento da “queda pelo Espírito”. Dentre as afirmações da profecia direcionada ao pastor, uma é clara: “Vejo você viajar as nações”!

Infelizmente, o mesmo pastor que recebeu a profecia foi assassinado tempos depois. A esposa, que também estava na cena da profecia, é tratada como envolvida no crime. Filhos foram indiciados. Dentre mudanças de versões sobre o ocorrido, a polícia vê muitas contradições, além da hipótese de que o pastor possuía caso extraconjugal com uma das filhas adotivas do casal. O celular do pastor assassinado desapareceu da cena do crime e, horas depois, foi conectado ao wifi da casa de um senador no Rio de Janeiro. Após isso, também foi conectado na casa de um delegado federal em Brasília. O posicionamento dos líderes e membros em relação a falsa profecia citada é a mesma do caso contado anteriormente: “Simplesmente erros acontecem. Vida que segue”! Como em todos os casos, alguns já encontraram uma forma de contornar o que foi dito na profecia.

Falsos profetas geralmente são pessoas cativantes e simpáticas, mas seu real caráter é exposto no momento em que é confrontado. Na grande maioria das vezes, usam o argumento do amor de Cristo, como se tratasse de um amor que tudo aceita. Alguns, romantizam (e banalizam) esse argumento e dão créditos ao falso profeta. Como sempre, aquele que luta pela fé e zela pela sã doutrina é taxado como causador de confusão no Corpo de Cristo ao expor uma heresia. Num episódio que ficou conhecido nas redes sociais, uma página de conteúdo teológico expôs uma das heresias de Luiz Hermínio. A resposta do “apóstolo” chocou muitos dos seguidores (algumas palavras foram omitidas): “Seu puritanozinho de mer#@, quem autorizou usar meu nome e minha foto, para vomitar suas teologias? Há, desculpe, é que mer#@ pra mim é excremento, pra você deve ser um palavrão. Era seguidor que você queria? devia ter me pedido e eu te dava algum. Homens como você eu como no café da manhã todos os dias, e pra seu conhecimento, minha raiz é presbiteriana. Vcs são a vergonha do evangelho de amor, o amor de Cristo que não conhecem, precisam mesmo era levar uma surra.. seus meninos na fé, brincam com o nome das pessoas e se divertem com isso … seus BURROS, deveriam estar servindo o Reino de Deus em vez de gerar confusão no corpo de Cristo..”

Mateus 7:13-17: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”. “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.

Em ambientes assim, jovens são condicionados a aceitar tudo com a premissa da autoridade espiritual ou com a ameaça de cometer rebeldia, caso questionem. O ensino bíblico não é incentivado e a teologia é claramente descrita como um atraso, como “algo que impede o sobrenatural” ou com o famoso “te esfria”. Aqueles que realmente conheceram Jesus e se importam com o Evangelho, encontram forças para vencer esse vírus. Como consequência, enfrentarão o afastamento de todos que o cercavam. Amizades se desfazem e falsas acusações vêm. A difamação é a arma para afastar os ainda infectados de perto daquele que foi curado.

É sabido que muitos jovens possuem carência de amizades e encontram nesses lugares o círculo de amizades que necessitam. Com isso, as heresias se tornam algo irrelevante, pois o foco são as amizades e a manutenção desse círculo, não o Evangelho. Outros, se sustentam pelo fato de presenciarem eventos sobrenaturais. “Se presenciamos esse mover, esse ambiente, a música, a manifestação sobrenatural, então é óbvio que Deus está nisso”, alguns dizem. O uso de shofar, gritos no microfone, e expressões envolvendo as palavras “fogo” e “queimar” dão o toque necessário para envolver os adeptos desse movimento.

Ezequiel 14.1-4: Algumas das autoridades de Israel vieram e se sentaram diante de mim. Então o Senhor me falou: “Filho do homem, estes homens ergueram ídolos em seus corações e puseram tropeços ímpios diante de si. Devo deixar que me consultem? Ora, diga-lhes: ‘Assim diz o Soberano Senhor: Quando qualquer israelita erguer ídolos em seu coração e puser um tropeço ímpio diante do seu rosto e depois for consultar um profeta, eu o Senhor, eu mesmo, responderei a ele conforme a sua idolatria.

2 Tessalonicenses 2.7-12: A verdade é que o mistério da iniqüidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora o detém. Então será revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá pela manifestação de sua vinda. A vinda desse perverso é segundo a ação de Satanás, com todo o poder, com sinais e com maravilhas enganadoras. Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar. Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira, e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça.

A Palavra de Deus é o diagnóstico que temos. Ela é responsável por nos mostrar o que há de errado em nós mesmos e nos apontar a vontade do Senhor para seus filhos. O Espírito Santo está disponível para todo aquele que clama pela verdade. Muitas vezes, a verdade não é exatamente aquilo que esperávamos. O afastamento das Escrituras nos torna vulneráveis a acreditarmos e nos contaminar por ensinos antibíblicos. Mesmo que um anjo do céu nos pregue um evangelho diferente do Evangelho da Cruz e de renúncia, seja anátema!

Nossa luta não é contra pessoas, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Ore por essas pessoas. Ore para que elas se arrependam das suas práticas e abandonem as atitudes citadas, mas não deixe de questionar. Pessoas contaminadas, contaminam outras pessoas. Como dito no início desse artigo, a negligência gera consequências graves. Se você entendeu quem é Jesus, Seu Poder e Sua Obra Redentora, não se permita ser escravizado por falsas teologias e falsos profetas. Foi para a liberdade que Ele nos libertou.

Se você está em crise sobre a possibilidade de perder amizades ou de se desfazer de um ambiente que, aos poucos, foi te afastando de amigos verdadeiros e familiares, considere a possibilidade não serem amigos sinceros. Algumas pessoas são condicionadas a demonstrarem afeto apenas aos que fazem parte do mesmo lugar que frequentam. Esse afeto não deveria se acabar quando você deixa de participar desses ambientes. Mas acaba. E, definitivamente, caso você tenha sido contaminado por um falso ensino, a notícia é de que a cura está disponível. Dentre tudo que foi apresentado, o que realmente é importante para aquele que foi salvo pelo Criador de todas as coisas: frases de efeito, tic-nervosos, cenas e ambientes que manipulam as pessoas ou as coisas verdadeiras do Céu que constam na Palavra de Deus?

Autor: Mateus Costa, Ex-Aluno do CACP


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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