Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP

O Dilema dos 2300 Dias

Refutação do livro de Clifford Goldstein 1844 Made Simple (1844 Simplificado)

(Extraído: www.ellenwhite.com)

 

 "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado". Dan. 8:14

 

Os Adventistas do Sétimo Dia têm uma interpretação verdadeiramente singular de Daniel 8, diferente de qualquer outra denominação cristã. Este artigo examinará os ensinamentos adventistas do sétimo dia sobre Daniel 8 e a profecia dos 2300 dias.

O chifre pequeno de Daniel 8

Para entender os 2300 dias, devemos compreender a identidade do chifre pequeno de Daniel 8:9, porque é este chifre pequeno o que desolará o santuário durante 2300 dias. Os adventistas do sétimo dia ensinam que o chifre pequeno de Daniel 8 é o poder romano. O pioneiro e teólogo adventista J.N.Andrews escreve:

Em conseqüência, as atividades atribuídas a este "chifre pequeno" de Daniel 8:10-13, 23-25; 11:31; e 12:11 entende-se como que abrangendo Roma tanto pagã como papal em suas esferas de ação. (The Prophecy of Daniel, The Four Kingdoms, The Sanctuary, and the 2300 Days, pp. 69-70).

O guru adventista de profecia Urias Smith nos assegura que não tem nenhuma outra explicação possível:

Roma satisfaz todas as especificações da profecia. Nenhuma outra potência o faz. Por isso, Roma e nenhuma outra é a potência em questão. (Daniel and the Revelation, p. 162)

É verdade que somente Roma pode representar o chifre pequeno de Daniel 8? Examinemos a evidência!

Segundo os ensinamentos ASD, o chifre pequeno de Daniel 7 e o chifre pequeno de Daniel 8 são a mesma potência. Embora é verdade que ambas são descritas como chifres pequenos, logo descobriremos que a semelhança termina aí.

Primeiro, há uma importante troca de ênfase no livro de Daniel entre os capítulos sete e oito:

Daniel 7

Daniel 8

Potências mundiais representadas por bestas imundas

Potências mundiais representadas pelos animais de sacrifício do serviço do santuário. 

Escrito em aramaico um idioma gentio Isto poderia indicar que foi escrito para ser lido pelo mundo gentio

Escrito em hebraico. Isto poderia indicar que foi escrito para ser lido pelos judeus.

A ênfase profética se dirige ao mundo inteiro

Enfatiza os serviços do santuário judaico.

Estas diferenças indicam que, embora o capítulo 7 dê enfoque ao mundo em geral, o capítulo 8 se concentra sobre os acontecimentos futuros de interesse particular para Israel.

Diferenças entre os chifres pequenos de Daniel 7 e Daniel 8

Agora examinemos as diferenças específicas entre o chifre pequeno de Daniel 7 e o chifre pequeno de Daniel 8:

O chifre pequeno de Daniel 7

O chifre pequeno de Daniel 8

Está associado a uma besta que representa o quarto império.

Está associado a uma besta que representa o terceiro império.

Surge diretamente da cabeça da besta.

Surge de um chifre já existente.

Aparece em meio aos 10 chifres já existentes (o que, segundo a teologia ASD, ocorre depois que o quarto poder se dividiu em 10 partes).

Não nasce da cabeça do bode

É um poder recente, novo, que surge do corpo do antigo império e em meio de suas várias partes.

Sai de um dos quatro chifres da cabeça do bode

É um chifre que nasce de uma besta.

É um chifre que nasce de um chifre.

Arranca três chifres durante seu surgimento.

Não arranca nenhum chifre durante seu surgimento

Diz-se ser diferente dos outros 10 chifres, indicando que este chifre seria um poder novo e diferente.

Nada indica que este chifre seja novo ou diferente em maneira alguma.

As palavras aramaicas para chifre pequeno em 7:8 se traduzem precisamente como "outro chifre, um pequeno"

As palavras hebraica s para chifre pequeno em 8:9 se traduzem precisamente como "um chifre de pequeno tamanho".

É "maior que seus companheiros" (v.20). Em outras palavras, representa um poder mais forte que os que estão simbolizados pelos outros 10 chifres.

É um chifre que sai de um chifre, um "chifre de pequeno tamanho". É insignificante quando se compara com os quatro "chifres notáveis" e o chifre original alexandrino do bode.

Seu campo de influência é a totalidade do quarto império, pois surge da cabeça da besta e se converte no chifre dominante entre os outros dez chifres. 

Pertence somente a uma das quatro divisões do poder do bode. Sua atenção se restringe principalmente a uma província menor de uma divisão do império do bode, ou seja, a "terra gloriosa" do versículo 9, que é a Palestina.

Se levanta contra "o Altíssimo" e os "santos do Altíssimo". Estes são os santos de Deus através de todo o quarto império.

A malevolência é dirigida contra o povo judeu, seu sumo sacerdote, os sacrifícios, e o santuário. A atmosfera e o aspecto do capitulo 8 indicam uma batalha local e levítica. 

É óbvio que há muitas e significativas diferenças entre o chifre pequeno de Daniel 7 e o chifre pequeno de Daniel

8. Há também diferenças no momento em que as pontas chegam ao cenário da história.