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Objetivos próprios da oração – 1 Tm 2.1-7

por Enviado por email - ter fev 18, 9:15 am

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Após a incumbência dada a Timóteo no capítulo 1, que indica a presença de falsos mestres como a razão da carta, Paulo passa agora a dar uma série de instruções específicas (2:1-7) sobre os objetivos próprios da oração; 2:8-15 sobre a conduta própria para a oração; 3:1-3 sobre as qualificações da liderança da igreja. Tudo isto leva diretamente a 3:14-15, onde Paulo repete seu propósito de escrever em termos do conhecimento dos crentes sobre a maneira de conduzir-se na família de Deus.

Considerando-se que não há referência específica aos falsos mestres, nestas três seções, muitas vezes se sugere que aquilo que está sendo dado nos dois capítulos é um primitivo manual eclesiástico, do tipo que seria necessário para colocar uma congregação em ordem – embora alguns tenham sugerido que o motivo de tal manual teria sido oferecer a ordem na igreja como o antídoto apropriado contra a heresia. De modo geral, porém, o ponto de vista do “manual eclesiástico” vê muito pouco relacionamento entre os capítulos 2 e 3 e a incumbência dada a Timóteo no capítulo 1.

Porém, uma vez que a nova seção começa com a conjunção “pois” (NIV, “então” ), implicando um resultado ou inferência daquilo que precede, parece muito mais provável que todo este material seja consequência direta do que ficou dito no capítulo 1. Isso significa que essas instruções são mais bem entendidas como reações à presença dos presbíteros heréticos, que arruinavam a igreja com seus erros e controvérsias. Com efeito, Paulo não determina em ponto algum que Timóteo deva pôr a igreja em ordem, como se pela primeira vez. Em cada caso as atividades parecem já estar presentes. O que Paulo está fazendo é outra coisa: Corrigir abusos de vários tipos. Por exemplo, pode admitir-se que os homens orem, e o façam com mãos “santas”, não “manchadas” pela ira ou por discussões.

Se assim for, então qual poderia ser o lugar deste primeiro parágrafo na argumentação? A resposta frequente é que a questão reside no v. 2, que se faça oração a favor dos governantes, de sorte que a igreja desfrute existência pacífica. Tem-se até sugerido que o que está em vista é uma atitude cristã correta para com o estado. Os vv. 4-7 são vistos, pois, como quase sem relação alguma com esse ponto, mas objetivam elaborar minúcias sobre um ponto secundário, apresentado no v. 1 (que se faça oração por todos os homens. Todavia, parece muito mais provável que se trate precisamente do contrário. A preocupação evidente que percorre todo o parágrafo tem que ver com o evangelho para todos (“ todos os homens” , vv. 1, 4-6). Segundo este ponto de vista, a frase isto é bom, no v. 3, refere-se à oração por todos os homens no v. 1, considerando assim o v. 2 como digressão – embora, como antes (1:12-17), bastante significativa. A melhor explicação para esta ênfase reside com os falsos mestres que, ou através da natureza esotérica, altamente especulativa de seu ensino (1:4-6) ou através do “judaísmo” desse mesmo ensino (1:7) ou do caráter ascético (4:3) estão promovendo uma mentalidade elitista ou exclusivista entre seus seguidores. O parágrafo inteiro ataca essa estreiteza.

2:1 / Embora esta sentença dê início claramente a algo novo, o pois (melhor, “portanto”) também a vincula ao que se passou antes. Mas o quê? Com toda probabilidade ele percorre todo o caminho de volta à incumbência dada em 1:3, mas agora, por via dos vv. 18-20. O que Paulo diz, pois, é: “Como insisti contigo, permanece em Éfeso para conter os falsos mestres. Agora exorto, portanto, antes de tudo, que… ” O antes de tudo sugere não tanto que a oração em si mesma seja a primeira coisa que necessita ser discutida, mas que fazer oração de todos os tipos por (a favor de) “todos os homens” é a questão de maior importância.

Usam-se quatro diferentes palavras para oração; contudo, as diferenciações muitas vezes feitas em geral são sutilíssimas. O problema de Paulo não é definir ou distinguir os vários tipos de oração que deveriam caracterizar o culto cristão, mas insistir em que orações de todos os tipos se façam… por todos os homens, com ênfase em todos. Os vv. 3-7 deixam claro este ponto.

2:2 / “Orações” de todos os tipos “por todos os homens” também incluem as autoridades governamentais – reis e por todos os que exercem autoridade. Podia ser, é claro, dada a natureza das coisas em Éfeso, que o acréscimo se refira aos que exercem autoridade na igreja. Mas o emprego de reis, mais o contexto todo, implica que todos quantos governam (o imperador, os oficiais provinciais, os magistrados locais) são objetos apropriados da oração cristã. Nisto não há nada de novo: Orações e sacrifícios em favor das autoridades pagãs têm longa história no judaísmo (veja nota).

Paulo agora acrescenta um motivo para que se ore em favor das autoridades pagãs: para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda piedade e honestidade. Para muitos eruditos, isto parece terrivelmente burguês, egoísta mesmo. Mas, de novo, talvez reflita as atividades dos falsos mestres, que não somente causam ruptura (“desinquietando”) à igreja, mas também levando o evangelho e a igreja a perder sua reputação lá fora (veja esp. 3:7; 5:14; 6:1; cp. Tito 2:5, 8; 3:1-3). O objetivo aqui não é, portanto, que os cristãos tenham uma vida isenta de problemas ou de aflições (o que dificilmente se enquadra no ponto de vista de 2 Timóteo 1:8 e 3:12), mas que devem viver de tal modo que “o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (6:1).

Esta maneira de compreender é apoiada por dois outros fatores: Primeiro, em 1 Tessalonicenses 4:11-12 Paulo emprega linguagem idêntica (“Procurai viver quietos”) pelo mesmo motivo (“para que andeis honestamente para com os que estão de fora”), onde “intrometidos” estão atrapalhando as coisas (cp. 2 Tessalonicenses 3:11 com 1 Timóteo 5:13); e, segundo, as expressões: em toda piedade (eusebeia) e honestidade (semnotes); (melhor, “conduta apropriada”, conforme GNB), que é peculiar a essas cartas no conjunto dos escritos paulinos (exceto quanto a Filipenses 4:8, (semnes), relaciona-se com o comportamento que pode ser visto. Nesses pontos, esperaríamos “justiça” (dikaiosyne) e “santidade” (hagiosyne) em Paulo, se a ênfase fosse sobre nosso relacionamento com Deus ou sobre a justiça interna.

O termo eusebeia (paralelamente com seu verbo e advérbio é de crucial importância nessas cartas. Na conversação popular significava mais ou menos o que religião significa hoje no linguajar do povo. Para muitos é difícil imaginar Paulo usando tal palavra, que pertence ao helenismo e ao judaísmo helenístico (veja especialmente Eclesiástico e 4 Macabeus), para descrever ou a fé cristã ou o comportamento cristão. Mas a resposta a isto, como se dá com muitos desses termos nas EP (veja a Introdução), está com os falsos mestres. Com toda a probabilidade, esta é a palavra deles, que Paulo emprega para neutralizá-los (cp. o uso de sabedoria em 1 Coríntios 1-3).

Deveríamos notar também que a atitude para com o estado refletida nesta passagem está em perfeito acordo com Romanos 13:1-5. A oração em favor de tais autoridades deve ser feita, precisamente, para que os crentes, incluindo os presbíteros, vivam sua fé de modo livre, perante os “de fora” (3:7). Mas esse ponto, não obstante, é ligeira digressão, motivada pela menção de oficiais pagãos.

2:3-4 / Paulo volta agora à sua preocupação central, orações de todos os tipos “por todos os homens”. O motivo? Porque Deus deseja que todos os homens se salvem. Que isto é bom, e agradável diante de Deuspodia, naturalmente, referir-se ao conteúdo do v. 2. Mas a cláusula relativa no v. 4 indica outro entendimento. Isto é bom, diz Paulo; isto é, orações “por todos os homens” é bom, e agrada a Deus nosso Salvador, precisamente porque o Deus que nos salvou (nosso Salvador) deseja que sua salvação alcance todas as pessoas.

A designação Deus nosso Salvador (veja a nota sobre 1:1) acentua que Deus é o originador do acontecimento salvífico (cf. Filipenses 1:28; 1 Tessalonicenses 5:9) e que Paulo e a igreja já o experimentaram. Contudo, nem a nossa salvação, nem a de uns poucos elitistas satisfaz a Deus, porque Deus deseja que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. O objetivo do texto é claro: O evangelho, por sua própria natureza, conforme Paulo argumentará nos vv. 5-6, é universal em seu raio de ação, e qualquer estreitamento dessa abrangência por uma teologia truncada ou por “doutrinas” que apelam à curiosidade intelectual de uns poucos não é o evangelho de Cristo. E dizer que Deus deseja (não que “quer” e, portanto, deve acontecer) que todas as pessoas sejam salvas não implica em que todos (todas as pessoas) serão salvas, em face de 3:6; 4:2; ou 4:10, p. e.), nem em que a vontade de Deus seja de certo modo frustrada, uma vez que nem todas, deveras, são salvas. A preocupação é com a abrangência universal do evangelho em contraste com alguma forma de exclusivismo herético ou estreiteza.

Salvação, nesta sentença, acha-se intimamente vinculada a chegar ao conhecimento da verdade. Isso não quer dizer que a salvação já não é uma resposta da fé (veja disc. sobre 1:15-16) mas que, especialmente no contexto dos falsos ensinos, a salvação tem também seu aspecto cognitivo, ao conhecimento da verdade, isto é, ouvir e captar a mensagem do evangelho (cp. 3:15; 4:3; 2 Timóteo 3:8; 4:4; Tito 1:1).

2:5-6a / Paulo oferecerá agora como evidência a favor de que “Deus deseja que todos os homens se salvem” algumas afirmações teológicas comumente sustentadas, talvez oriundas de uma primitiva formação de credo – embora parte da presente linguagem seja dele próprio. A declaração divide-se em três partes: a unidade de Deus, Cristo como mediador, e a morte de Cristo como garantidora da redenção. Deve-se notar que as três partes sustentam a insistência de Paulo quanto à abrangência universal da salvação.

Há um só Deus. Esta declaração reflete a afirmação judaica fundamental acerca de Deus (veja Deuteronômio 6:4; cp. 1 Coríntios 8:4). Sua intenção original no AT era acentuar a unidade de Deus, vis-a-vis o politeísmo em derredor de Israel. Infelizmente, porém, muitas vezes a doutrina chegou a ser usada de modo exclusivista: “Ele é nosso Deus e toma cuidado dos seus”. Mas, na base da intenção original, e do que Paulo acentua aqui, estava o fato de que um só Deus não somente significava que não havia outros deuses, mas que ele é, portanto, um só Deus sobre todos os povos.

E há um só Mediador entre Deus e os homens (lit., “um só é o Mediador entre Deus e a humanidade”). A pressuposição desta linha em relação com a primeira é a pecaminosidade universal da humanidade, que necessita de ajuda externa a fim de relacionar-se retamente com um só Deus a quem ela rejeitou. O problema apresentado aqui não é somente que a raça humana necessita de mediação com Deus (a pressuposição), mas que o próprio Deus a proveu. A palavra “mediador” havia sido algumas vezes aplicada a Moisés no judaísmo (p.e., Fílon, Moses 2.166), como aquele que “mediava” a lei com o povo de Deus, noção a que Paulo parece aludir negativamente em Gálatas 3:19-20. Aqui, ou no próprio credo antes de Paulo usá-lo, o pano de fundo reside na idéia de um “negociador” que “estabelece uma relação que de outra maneira não existiria” (TDNT, vol. 4, p. 601). Jesus Cristo é o “Deus Mediador”, que reconcilia a humanidade caída com um só Deus, a saber, quem medeia entre Deus e os homens.

A frase Cristo Jesus, homem acentua tanto a sua total identificação com todos os homens como ser ele o único ser humano de quem se podia dizer: ele é o Homem (anthropos, o termo genérico, e não aner, que expressa o gênero masculino). Isto parece refletir o uso que Paulo faz da imagem Adão-Cristo no qual o Senhor se torna o “homem” representativo da Nova Aliança, como Adão o era da Antiga.

O qual se deu a si mesmo em resgate por todos (todas as pessoas). Esta cláusula torna explícito o que estava apenas implícito nas duas primeiras cláusulas, revelando o motivo de Paulo citar o todo. O desejo de Deus de que todos sejam salvos evidencia-se no próprio credo, com sua declaração de que a morte de Cristo foi para todos os homens. O evangelho, portanto, potencialmente provê salvação para todas as pessoas, porque o auto-sacrifício expiatório de Cristo foi “em favor de” (hypertodos os homens. De modo eficaz, é claro, a salvação acaba sendo “principalmente dos fiéis” (4:10).

A cláusula está muito próxima como conceito; não, porém, na linguagem real de Marcos 10:45, e talvez reflita uma forma helenizada desse ditado. Dar-se a si mesmo por nós é modo tipicamente paulino de referir-se ao auto-sacrifício de Cristo na cruz (Gálatas 1:4; 2:20; Efésios 5:2). Como resgate traduz um substantivo, antilytron, que pode significar ou um “resgate” (que envolve “pagamento”) ou “redenção” (no sentido do Êxodo de livramento da escravidão). Em Marcos 10:45, e também aqui, a última é preferida (bem como em Tito 2:14).

Como muitas vezes acontece, portanto, quando descreve a obra de Cristo (cp. Romanos 3:24-25; 1 Coríntios 1:29; 6:11), Paulo usa uma rica combinação de metáforas, sendo que esta declaração de credo não constitui exceção. Mas a questão toda é sua potencialidade para todos os homens.

2:6b / A vírgula colocada antes das palavras para servir de testemunho a seu tempo reflete de modo correto uma tentativa de traduzir bem uma frase difícil, que parece estar em óbvia desconexão gramatical com o que veio antes. Literalmente diz: “testemunho a seu próprio tempo” (aqui o autor emprega o neutro, em inglês, “its” [“seu”] “ou his” [“seu”, pronome pessoal masculino] – N. do T. ). “Testemunho” evidentemente está em justaposição com o todo dos vv. 5-6a. “A seu tempo”, que se repetirá em 6:15 e Tito 1:3, implica que na “história da salvação” o tempo propício para Deus mostrar misericórdia a todas as pessoas acaba de chegar, conforme se testemunhou na morte de Cristo, que foi “por todos os homens”.

2:7 / Com um golpe final Paulo sublinha a questão do parágrafo: oração por todos porque Deus quer que todos sejam salvos. Desta vez ele assim o faz reafirmando o propósito de seu próprio ministério. A sentença está vinculada ao “testemunho” mencionado no v. 6: Para isto, a saber, para dar testemunho da obra redentora global de Cristo, o próprio Paulo foi designado pregador e apóstolo… e mestre dos gentios na fé e na verdade. A palavra pregador, que ocorre somente aqui e na passagem paralela de 2 Timóteo 1:11, nos escritos de Paulo, designa o apóstolo como anunciador de boas novas. Embora ele acompanhe pregador com apóstolo, a ênfase nesta sentença não recai sobre seu apostolado como tal, mas sobre o fato de ser ele mestre dos gentios, o que capta o tema da abrangência universal da redenção. Isto se demonstra pela repentina inserção do protesto: digo a verdade, não minto (cp. Romanos 9:1; 2 Coríntios 11:31) antes de mestre dos gentios. Tal arroubo enfático, que quase com certeza tenciona acentuar o que se segue, e não o que precede, parece de todo fora de lugar, exceto quanto à necessidade de a igreja em Éfeso ouvir com clareza que o ministério do próprio Paulo como mestre (não apóstolo) dos gentios na fé e na verdade também demonstra o âmbito universal do evangelho. Esta última frase em particular pareceria sugerir alguma forma de exclusivismo judaico como sendo o âmago do problema (cp. esp. Tito 1:10-16).

A expressão na fé e na verdade no final da frase na versão ECA aparece como tentativa de clarificar uma conclusão desta sentença, que me parece obscura. A expressão literalmente diz: “mestre dos gentios na fé e na verdade”, como na ECA. Pode referir-se ou à maneira de Paulo cuidar de seu ministério (mestre fiel, cheio de integridade) ou à esfera desse ministério (mestre dos gentios quanto à fé e à verdade). Embora a primeira se ajuste bem à ênfase da sentença, é mais provável que Paulo tenciona a última (cp. o uso de “verdade” no v. 4), a fim de que a sentença termine não sobre uma observação acerca de si mesmo, mas do seu evangelho. Desse modo, a NIV toma as duas palavras como sendo quase iguais, a verdadeira fé, que neste caso devem ser entendidas como para contrastar com o exclusivismo dos falsos mestres.

Embora não seja a questão exata de Paulo neste parágrafo, essas palavras funcionam como uma das mais significativas passagens sobre missões/evangelização do NT. O motivo de Paulo ser designado pregador das boas novas aos gentios é o mesmo por que a igreja deve sempre estar envolvida em missões. E inerente ao próprio caráter de Deus, o qual deseja que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade, e inerente à obra redentora de Cristo, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos. É, portanto, incumbência do povo de Deus proclamar as boas novas.

 

Notas Adicionais #5

2:1 / As primeiras três palavras traduzidas por oração neste versículo podem ter matizes e sentido ligeiramente diferentes, mas na realidade as três apenas significam “oração”. As duas primeiras, deesis e proseuche, são sinônimos intercambiáveis no NT (p.e., cp. 1 Tessalonicenses 1:2, proseuche, com Filipenses 1:4, deesis, e quando aparecem separadas, são traduzidas por “oração”. A palavra que significa intercessão aparece de novo em 1 Timóteo 4:5 e geralmente é traduzida por “oração” (embora o contexto dê a entender que a oração é de ações de graças!). Nesta lista, porém, ela pode bem inclinar-se para “intercessão”. Ações de graças (eucharistiai) é expressão sugerida para referir-se à eucaristia, mas é certo que se trata de anacronismo. A mais antiga tentativa para traçar linhas tênues entre essas palavras foi feita por Orígenes, On Prayer 14; ele foi seguido, dentre outros, por Bernard, Hendriksen e Barclay.

A ênfase clara do parágrafo paulino reside no âmbito universal da salvação, como se vê na repetição de pantas(“todos os homens”) nos três pontos-chave do parágrafo (vv. 1,4, 6). Seria discriminação sexual enganosa e desnecessária alguém imaginar que ECA e NIV (bem como outras versões) traduzam todos os homens nos vv. 1, 4 e 6 não incluindo as mulheres.

2:2 / Os textos judaicos seguintes falam sobre os judeus orando, ou oferecendo sacrifícios, em favor das autoridades: Esdras 6:9-10; 1 Macabeus 7:33; Letter of Aristeas 44-45; Pirke Aboth 3:2; Jos. Wars 2. 196. Veja também autores cristãos do 1º e 2º séculos: 1 Clemente 60:4-61:1; Tertuliano, Apologia 30.

2:3-4 / Há, naturalmente, uma longa história de ênfase teológica na igreja gerada por esta sentença. Grande parte dela procede do ponto de vista agostiniano-calvinista, que parece estar em desacordo com o sentido claro do texto. Várias sugestões têm sido apresentadas, como todos significando “todos os tipos de” (isto é, pessoas de todas as raças e situações) ou “todos os eleitos”. Grande parte desta discussão tem sido levada adiante à parte do contexto de Paulo e, por isso, supõe que o texto deve ter em vista algum tipo de pronunciamento teológico, ou então que determinado autor já teria à mão sua própria teologia, antes de abordar o texto, sendo a exegese aqui apenas uma escaramuça contra o texto. Tudo se aplica ao v. 6 também.

2:5-6a / Na segunda linha do credo, a estrutura do grego que, como em nossa “tradução” literal, tem a partículakai (“e”, “também”) após a palavra um, permite a possibilidade de a declaração enfatizar a divindade de Cristo. Isto é, oum só Deus e também o único mediador, com o nome Cristo Jesus, o homem encarece sua humanidade. Veja I. H. Marshall, “The Development of the Concept of Redemption in tile New Testament”, p. 166.

Para análise das palavras “resgate, redenção” no NT, veja L. L. Morris, The Apostolic Preaching of the Cross, pp. 9-59; D. Hill, Greek and Hebrew Meanings, pp. 49-81, cuja influência se evidencia nessas páginas, e o ensaio de Marshall acima mencionado.

2:7 / Há um eu enfático na sentença de Paulo aqui (oculto na ECA), mas o verbo está na voz passiva, indicando que seu ministério não foi de sua própria escolha, mas de Deus.

Gordon D. Fee

Fonte: Novo Comentário Bíblico Contemporâneo1 e 2 Timóteo, Tito, pp. 71-79


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