NOTÍCIA
Liga Norte se opõe a ensino islâmico em escolas
de Trento
A Liga Norte, partido com conotações xenófobas,
mostrou sua rejeição à possibilidade de se lecionar religião e cultura islâmica
nas escolas da província de Trento (norte) aos estudantes deste credo.
Erminio Boso, um dos conselheiros provinciais da Liga,
afirmou que "é necessário defender os valores cristãos" ao denunciar como os
muçulmanos fazem "uma invasão programada" de Trento, segundo publica hoje,
quinta-feira, a imprensa italiana.
Outro dos líderes de seu partido, Sergio Divina, destacou que "a tolerância não
é o mais adequado frente a culturas que não respeitam os direitos como a
islâmica".
A postura da Liga é apoiada por outros partidos da maioria conservadora, como o
Aliança Nacional (AN).
A proposta dos cursos, que seriam dados em horário extra-escolar, havia partido
do imã da mesquita de Trento, Abulkeir Breigheche, seguindo o desejo dos pais
dos alunos, que querem manter vivas suas próprias tradições.
Breigheche, que é também presidente da Associação muçulmana da região do
Trentino-Alto Adigio (fronteiriça com a Áustria) explicou que um experimento
similar já é feito com êxito em diversas localidade na Alemanha, e que na
província de Trento os muçulmanos representam 2 por cento do total de alunos.
"Em uma sociedade multicultural e multiétnica -disse- como a nossa é necessário
enfrentar a questão com seriedade e sem sectarismos".
Por sua vez, o presidente da província autônoma de Trento, Lorenzo Dellai,
comentou que o ensino de religião nas escolas é regulamentado pelo Estado
italiano, e que a possibilidade de incluir a religião islâmica como atividade
extra-escolar deve ser tomada de forma independente por cada centro.
Dellai pediu aos políticos que não propaguem "medos irracionais" e abordem a
questão com sensatez: "Trata-se de não renunciar a nossas tradições culturais e
ao mesmo tempo não ter medo da diversidade".
A Liga Norte, partido liderado por Umberto Bossi e que faz parte da coalizão
conservadora no Governo, já protagonizou diversas campanhas de caráter xenófobo,
como no início do ano quando pediu também em Trento a criação de vagões
separados nos trens para os imigrantes, alegando que estes não respeitavam "as
regras mais elementares de convivência cidadã".
Outra de suas iniciativas polêmicas foi uma proposta de lei -que não prosperou-
para que o crucifixo fosse pendurado de forma obrigatória em salas de aula e
repartições públicas.
Fonte: Ultimo Segundo 28/08