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Os Dons do Espírito Santo Hoje

por cacp - seg maio 30, 3:15 pm

Dentre as insondáveis riquezas espirituais que Deus colocou à disposição da sua Igreja na terra, destacam-se os dons sobrenaturais do Espírito San­to, apresentados pelo apóstolo Paulo, em sua pri­meira epístola aos Coríntios, como agentes de po­der e de vitória desta mesma Igreja.

A Igreja é um organismo vivo, um fenômeno sobrenatural cujas origens estão no Céu. Como tal, ela possui uma responsabilidade igualmente sobre­natural, pelo que carece da operação sobrenatural do Espírito do Deus vivo. Foi por isso que Jesus, n pós sentar-se à direita do Pai, enviou o Espírito Santo como agente capacitador da Igreja, para le­va-la a cumprir a sua missão no mundo: At 2.33.

Devemos ter sempre em mente que o próprio Cristo não exerceu o seu ministério na sua própria torça, mas na força do Espírito Santo: Lc 4.18,19.

Os apóstolos, igualmente, a exemplo do seu Mes­tre, também levaram a cabo o seu próprio ministé­rio na força e poder do Espírito Santo. Todas as de­cisões da igreja primitiva partiam sempre do se­guinte princípio: “…pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…”, At 15.28.

Qual tem sido o erro de muitas das nossas igre­jas hoje, senão o de negligenciar o ministério sobe­rano, poderoso e determinante do Espírito Santo? Essas igrejas, ignorantes das grandes possibilida­des do Espírito Santo, condenam milagres sem pro­cesso, desprezam profecias sem consulta e ignoram a revelação sem a mínima razão. Como diz a Bíblia Sagrada: “…falando mal daquilo em que são igno­rantes…”, 2 Pe 2.12. Esquecem-se de que há quase dois mil anos, Jesus prometeu, de maneira categó­rica, que o Espírito Santo estaria conosco e nos guiaria a toda a verdade: Jo 16.13.

A igreja dos dias hodiemos jamais será uma igreja de visão de alcance novitestamentário, senão por meios novitestamentários.

As grandes conquistas da igreja dos primeiros cem anos da era atual, não foram alcançadas como o resultado de métodos e recursos teológicos empre­gados pelos apóstolos. Foram, sim, o resultado con­creto da operação sobrenatural do Espírito Santo na vida dos convertidos. O Espírito Santo foi o grande estrategista e comandante das conquistas realizadas. Onde quer que um crente fosse, aí ia a Igreja do Deus vivo, a caixa ressonante do Espírito.

Onde quer que o Espírito Santo fosse derrama­do, os doentes eram curados; revelações, profecias, línguas e interpretação eram vistas e ouvidas. Os dons do Espírito Santo eram a combustão que pu­nha em ação a dinâmica máquina da Grande Co­missão.

A Igreja de Cristo da nossa geração possui uma responsabilidade apostólica, e, para cumpri-la, ne­cessita dos grandes recursos espirituais, que são os dons do Espírito Santo.

  1. O QUE SÃO DONS DO ESPÍRITO SANTO?

Ao escrever sobre os dons do Espírito Santo no capítulo 12 da sua primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo usa dois vocábulos extraídos da língua grega, para descrever esses dons. O primeiro é pneumatika (v.l), traduzido por “dons espiri­tuais” no sentido de “coisas do Espírito”, conforme pode ser visto no contexto geral dos capítulos 12 a 14 da mesma epístola. O segundo vocábulo é charisma (v.4), traduzido por “dons”. De forma mais abrangente, significa: graça, favor, dom especial oriundo da graça divina.

O professor Antonio Gilberto define dons do Espírito Santo como sendo “uma dotação ou con­cessão especial e sobrenatural de capacidade divina para serviço especial na execução do propósito divi­no para a Igreja e através dela. Em resumo – “é uma operação especial e sobrenatural do Espírito Santo por meio do crente”. Numa definição mais resumida, Horton define os dons do Espírito Santo como sendo “faculdades da pessoa divina operando no homem”.

  1. OS DONS DO ESPÍRITO SANTO EM 1 CO­RÍNTIOS

Escreve o apóstolo Paulo que “…a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhe­cimento; a outro, no mesmo Espírito, fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, opera­ções de milagres; a outro, profecia; a outro, discer­nimento de espírito; a um variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las”, 12.8-10.

Vale ressaltar que os dons são do Espírito Santo e não daqueles através dos quais eles operam. A torneira não pode dizer de si mesma: “Eu produzo água”, pois isso seria uma inverdade. Quem produz água é a fonte. A torneira é apenas o canal através do qual a água flui.

Os dons são do Espírito, e, através deles, o Espí­rito opera em quem quer, como quer, quando quer e onde quer, com a finalidade precípua de edificar a Igreja, o corpo vivo de Cristo.

  1. DIVISÃO DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Para melhor apresentação dos dons do Espírito Santo, alguns estudiosos têm usado dividi-los da seguinte maneira:

Dons de revelação:

Palavra do conhecimento

Palavra da sabedoria

Discernimento de espíritos

3.2. Dons de poder:

Dons de curar

Operação de milagres

Dons de inspiração:

Variedade de línguas

Interpretação das línguas

Frank M. Boyd declarou que “a menos que os dons do Espírito sejam claramente definidos e cui­dadosamente classificados em primeiro lugar, seu propósito nâo será entendido e podem ser mal usa­dos; a glória do Senhor pode ser roubada; e a Igreja pode deixar de receber os grandes benefícios que es­ses dons devem trazer.”

  • Dons de revelação

Os dons de revelação são não somente necessá­rios, mas igualmente indispensáveis àqueles que cuidam do governo e orientação da Igreja do Senhor Jesus Cristo na terra. Desde os mais remotos dias do Antigo Testamento, esta categoria de dons este­ve em evidência no ministério dos juízes, dos sacer­dotes, dos reis e dos profetas condutores do povo de Deus – Israel.

3.1.1Palavra do conhecimento

Este dom tem sido definido como sendo a reve­lação sobrenatural dalgum fato que existe na men­te de Deus, mas que o homem, devido às suas natu­rais limitações, não pode conhecer, a não ser que o Espírito Santo lhe revele. Exemplos da manifesta­ção deste dom são encontrados no ministério de Sa­muel: 1 Sm 9.15,20; 10.22; Eliseu: 2 Rs 5.20,26; 6.8; Aías: 1 Rs 14.6; Jesus: Jo 1.48; 4.18; Lc 19.5; Mt 16.23; Pedro: At 5.3,4, e Paulo: At 27.23-25.

Através deste dom, os segredos do mais profun­do do coração são revelados, enquanto que obstácu­los ao desenvolvimento da Igreja são manifestos, e desmascarada toda e qualquer hipocrisia. Este dom 6 de grande importância para o ministério, pois pode apontar os maus obreiros, possíveis candida­tos ao ministério cristão.

De acordo com o registro bíblico, quando este dom era exercido, o extraordinário acontecia, como mostram os exemplos que se seguem:

– O rei de Israel foi avisado do perigo de destrui­ção por parte do rei da Síria: 2 Rs 6.9-12.

– Elias recebeu novo alento em meio à persegui­ção: 1 Rs 19.14-18.

– A hipocrisia de Geazi foi manifesta: 2 Rs 5.20- 27.

– A samaritana foi convencida da necessidade dum Salvador: Jo 4.18,19,29.

– Saul foi achado no meio da bagagem: 1 Sm 10.22.

– A necessidade de Saulo foi revelada a Ana- nias: At 9.11.

– Foi desmascarada a hipocrisia de Ananias e Safira: At 5.3.

– O local da celebração da Páscoa de Jesus e seus discípulos, foi indicado: Mc 14.13-15.

Este dom pode manifestar-se por diferentes meios, seja através da pregação no púlpito, da pro­fecia, do aconselhamento aos necessitados e aos que buscam orientação divina, ou mesmo através de sonhos.

Quando fui enviado para o meu primeiro campo de atividades pastorais, minha esposa ainda não ti­nha recebido a experiência do batismo com o Espí­rito Santo, razão por que fomos levados a orar mais intensamente durante os primeiros meses de nossa atividade naquele vasto campo.

Certa noite sonhei que me encontrava próximo a uma grande árvore junto à margem dum enorme lago. De momento, vi aquela árvore ser envolvida por uma enorme chama de fogo. Pelo que vi, lembrei-me da experiência de Moisés diante da sarça que ardia em fogo, mas que não se consumia. O milagre parecia repetir-se diante dos meus olhos. Olhando ao meu redor, vi que estava bem no meio dum capinai tão seco como jamais eu havia visto antes. De momento, vi que minha esposa se aproxi­mava de mim e me chamava para corrermos, antes que o fogo que envolvia aquela árvore se espalhasse pelo capinzal e viéssemos a ser queimados. Peguei minha esposa pelo braço e começamos a correr em direção à porteira daquela propriedade, que dava para uma estrada.

Quando começamos a correr, as chamas que en­volviam a árvore saltaram em forma de algodão nos meus pés, envolvendo-os. Pareciam algodão a meus pés, porém, era fogo de verdade, pois, onde quer que eu pisasse, começava um novo foco de incêndio que logo se espalhou por todo o capinai.

Quando chegamos à estrada, minha esposa ti­nha um dos seus braços completamente queimado, enquanto que o capinai ardia em chamas incontroláveis.

Ao acordar no dia seguinte, contei a ela o sonho e lhe disse: “Você será batizada com o Espírito Santo hoje”. Conforme havíamos previamente pro­gramado, realizamos, naquela noite, um culto de vigília numa das nossas congregações. Ali minha esposa recebeu o batismo com o Espírito Santo: cumpria-se, assim, o sonho que Deus me dera na noite anterior.

Outro exemplo da operação deste dom aconteceu com o Dr. Mordecai Ham, instrumento que Deus usou para conduzir Billy Graham a Cristo.

Ouvi um amigo do Dr. Mordecai contar que cer­to dia esse impetuoso pregador, acompanhado dum grande grupo de obreiros, partiu para uma fazenda no interior dos Estados Unidos, onde haveria de realizar uma série de cultos. Para espanto de todos, os arreios de suas montarias foram todos furtados na noite após a chegada à fazenda. Como não sa­biam quem havia praticado tal ação, começaram a orar no sentido de Deus mover o ladrão a devolver tudo em tempo. Até a hora da realização do último culto, já haviam sido devolvidos quase todos os ar­reios, menos os do cavalo do próprio Dr. Mordecai.

O Dr. Mordecai estava pregando quando, de momento, baixou-se e panhou uma pedra que esta­va próximo à mesa que usava como púlpito, levan­tou-a e disse à grande multidão que o ouvia: “Bem senhores, os arreios dos cavalos dos meus compa­nheiros foram todos devolvidos, porém ainda fal­tam os arreios da minha montaria. Sei que o ladrão que os está retendo está aqui presente me ouvindo; não sei exatamente em que lugar desse auditório ele se encontra, mas vou atirar esta pedra a esmo, certo que o Espírito Santo há de guiá-la e fazê-la cravar na fronte desse ladrão.

Nesse momento levantou-se um homem e apressadamente saiu. Minutos depois, voltava tra­zendo os arreios do cavalo do Dr. Mordecai!

3.1.2. Palavra da sabedoria

Este dom é uma palavra (uma proclamação, uma declaração) de sabedoria, dada por Deus atra­vés da revelação do Espírito Santo, para satisfazer a necessidade de solução urgente dum problema particular. Não se deve confundi-lo, portanto, com a sabedoria num sentido amplo e geral. Não depen­de da habilidade cultural humana de solucionar problemas, pois é uma revelação do conselho divi­no. Nos domínios do ministério cristão, este dom se aplica tanto ao ensino da doutrina bíblica, quanto à solução de problemas em geral.

A manifestação deste dom pode ser evidenciada no caso dum jovem que foi enviado a pastorear uma igreja onde havia um seríssimo problema de discór­dia, o qual vinha desafiando vários pastores que por ali já haviam passado.

A igreja era formada por duas grandes famílias que viviam em constantes litígios, problema que já se vinha arrastando por vários anos. E, para resol­ver tão delicado assunto, o pastor entrou num regi­me de oração e jejum, pedindo a Deus a necessária sabedoria para dar solução ao caso. Foi assim que certo dia ele convocou uma reunião com a igreja, disposto a ouvir as partes litigantes. Levantando-se o líder duma das famílias, contou toda a sua história, e no final perguntou: “Pastor, nós temos ou não te­mos razão?” ao que o pastor respondeu: “Sim, os irmãos têm razão”. Levantou-se o líder da outra família, contou também a sua versão da história, e no final perguntou também: “Pastor, nós temos ou não temos razão?” ao que o pastor igualmente res­pondeu: “Sim, os irmãos têm razão.”

Nesse momento criou-se um tumulto, pois, já que o pastor tinha dado razão a ambos os lados, o que se sentia era que a disposição dele de solucio­nar tão grave problema iria terminar em fracasso. Mas foi nesse momento que ele reassumiu o contro­le da situação, restabeleceu a ordem no culto, e, to­mando a palavra, disse:

“Irmãos, tenho-vos ouvido e dado razão a am­bos os lados. Tenho observado que este problema ainda não foi resolvido exatamente porque ambos têm razão. Portanto, para que seja resolvido, faça­mos o seguinte: uma família fica com a razão e a outra fica com Jesus. Qual de vocês quer ficar com Jesus?” Como as duas famílias queriam ficar com Jesus, ambas perderam a razão e se reconciliaram, e a paz foi restabelecida na igreja.

Outro exemplo da manifestação deste dom é dado pelo saudoso escritor pentecostal Donald Gee, no seu livro “Acerca dos Dons Espirituais”. Ele narra a história de certa moça, na Rússia, que num domingo, quando ia assistir a um culto que se reali­zava ocultamente nas matas, foi interceptada pela polícia. Em resposta às perguntas do guarda, a moça respondeu que ia ouvir a leitura do testemu­nho de seu irmão mais velho. A polícia deixou-a passar, desejando-lhe felicidade e que recebesse uma boa porção da herança.

Ainda que haja certa vinculação entre este dom e a palavra do conhecimento, há uma diferença básica entre ambos. Sabedoria é a capacidade de raciocinar e de planejar com o uso do conhecimento e da experiência já adquiridos.

A distinção entre palavra da sabedoria e pala­vra do conhecimento, pode ser melhor explicada em face do seguinte acontecimento:

Certa igreja estava reunida num dos seus cultos habituais. Nem bem o culto havia começado, quan­do um dos mais simples membros foi possuído por um sentimento de convicção de que se aquele culto não fosse interrompido imediatamente, haveria de terminar em catástrofe. Ele levantou-se, pediu a palavra ao dirigente e contou o que sentia. Como este irmão era tido na conta dum crente de reco­nhecida piedade, o culto foi encerrado e a casa eva­cuada o mais rápido possível. Minutos depois o templo caiu desastrosamente.

Agradecidos a Deus por lhes ter preservado a vi­da, os crentes se lançaram à construção dum novo templo. Mas, não demorou muito para que esmore­cessem e interrompessem a obra. Por mais que o pastor os concitasse a continuar a construção, mais difícil ficava.

Num culto em que o pastor falava mais uma vez da necessidade de se concluir a construção, aquele mesmo irmão, levantou-se pedindo a pala­vra e começou a estimular os irmãos a continuar a “construção do templo. A certa altura, ele disse: .“Façamos de conta que todos nós tivéssemos morri­dos sob as ruínas do templo que ruiu; quanto fería­mos gasto pelo enterro de cada um de nós?” Conta­bilizado quanto teria sido pago, disse ainda esse simples irmão: “Irmãos, entreguemos aos cofres da igreja a importância que cada um de nós teria gasto com o seu próprio funeral e esta obra será concluí­da!”

Naquele momento todos foram convencidos a fazer isso, e a construção foi reiniciada e concluída em tempo recorde.

 

Na primeira parte da história vimos a manifes­tação da palavra do conhecimento, e na segunda, a palavra da sabedoria.

Este dom é ferramenta indispensável para o su­cesso do ministro no exercício do seu ministério de aconselhamento, e na solução de problemas espirituais, sociais e familiares dos membros em particu­lar, e da Igreja em geral.

3.1.3. Discernimento de espíritos

Através deste dom, Deus revela ao crente a fon­te e o propósito de toda e qualquer forma de poder espiritual. Através dele o Espírito Santo revelou a Paulo que tipo de espírito operava na jovem de Fili- pos (At 16.18) e fez Paulo resistir a Elimas, conde­nando-o à cegueira: At 13.11. Notemos que não se trata do “dom” de julgar ou fazer mau juízo dou­tras pessoas.

Este é sem dúvida um dos dons de maior valia para o ministro nos dias hodiemos, pois, em meio a tanta contrafação e imitação nos domínios da fé e da religião, o obreiro a quem falte este dom, estará em apuros, pondo em risco a integridade da dou­trina e da segurança do rebanho que Deus lhe con­fiou.

A grande valia deste dom é evidenciada ainda diante dos seguintes fatos:

– Satanás usa as Escrituras e as interpreta para o mal: Mt 4.6; Lc 4.10,11.

– Ele opera grandes sinais e prodígios: Mt 24.24; 2 Ts 2.9; Ap 16.14; 19.20.

– Ele tem poder de transformar-se em anjo de luz: 2 Co 11.14.

Na verdade, Satanás não cria nada; ele simples­mente deturpa aquilo que Deus criou. Portanto, para se distinguir quem está usando o que Deus criou, se Satanás ou se o próprio Deus, esse dom é de grande utilidade.

Há alguns anos, quando realizávamos cruzada evangélica numa cidade do Estado do Maranhão, num dos cultos noturnos aconteceu algo que mar­cou profundamente o meu ministério.

Após pregar naquela noite, fiz o apelo àqueles que desejassem aceitar a Jesus como Salvador. En­quanto assim procedia, vi um homem que vagava no meio da multidão, como se algo estranho o esti­vesse inquitando. Feita a oração pelos recém-decididos, chamei à frente as pessoas portadoras de enfermidades para que por elas eu orasse. Ao olhar a multidão compacta que se postava diante da pla­taforma, vi aquele mesmo senhor entre os que bus­cavam a cura para as suas enfermidades. Concluí­da a oração, verifiquei que ele começava a averme­lhar os olhos enquanto me fitava, e logo mostrou es­tar sofrendo um tremendo mal-estar.

Em seguida pedi que um dos obreiros, meus companheiros de equipe, descesse da plataforma e verificasse o que se estava passando com o cavalhei­ro. Voltando, disse-me que não pôde descobrir o que acontecia com o homem. Pedi que um segundo obreiro fosse, o qual, no entanto, desceu e voltou com a mesma resposta do primeiro. Assim, diante da incerteza quanto ao que acontecia, eu mesmo desci, e, num rápido diálogo com o estranho, o Espírito de

Deus fez-me entender que eu estava diante dum homem possesso por um demônio muito violento, que me dizia estar vindo do reino das cobras.

Quando voltei à plataforma, demorou pouco, o citado homem subiu ao meu encontro para matar- me, porém, pelo poder de Deus, foi lançado por ter­ra, caindo como morto, sendo depois levado para casa pelos seus familiares. Enquanto tudo isto acontecia sobre a plataforma, a multidão que atô­nita testemunhara tudo aquilo, foi dividida ao meio como por um raio, e naquele momento apareceu uma enorme cobra, de procedência ignorada, a qual foi pisoteada e morta por um rapaz que participava do culto. Mais ou menos cinco minutos depois, a multidão divide-se outra vez e outra grande cobra aparece sendo também morta pelo mesmo rapaz que matara a primeira.

Não havia mais dúvida de que havíamos testemu­nhado uma violenta batalha entre a luz e a força das trevas; batalha que foi vencida pelo Senhor, pois, no dia seguinte, em resposta às nossas ora­ções, o demônio foi expulso daquele homem e ele foi salvo e batizado com o Espírito Santo na manhã do último dia da cruzada. Desde então sempre que vi­sito aquela próspera igreja, sinto-me feliz por ver que o homem da história é agora um obreiro abne­gado e dedicado à santa causa do Senhor.

Em geral, estes três dons (de revelação), estão afetos ao ministério de governo da Igreja, e consti­tuem uma espécie de apoio à administração e edifi­cação da Igreja do Senhor, na terra.

3.2. Dons de poder

Os dons de poder formam o segundo grupo dos dons do Espírito Santo, e existem em função do su­cesso e do cumprimento da grande comissão dada por Jesus Cristo. Como o Evangelho é o poder de Deus, é natural que tenha a sua pregação confirma­da com sinais e maravilhas sobrenaturais, que rati­ficam esse Evangelho e lhe dão patente divina.

3.2.1. Dons de curar

No grego, tanto o dom (curar), como o seu efei­to, está no plural, o que dá a entender que existe uma variedade de modos na operação deste dom. Assim, um servo de Deus pode não ter todos os dons de curar, e, por isso, às vezes, muitos não são cura­dos por sua intercessão. Por exemplo, Paulo orou pelo pai de Publio, que se achava com febre e disen­teria, na ilha de Malta, e Jesus o curou (At 28.8), porém foi forçado a deixar o seu amigo Trófimo do­ente em Mileto: 2 Tm 4.20.

Como são diferentes os tipos de enfermidades, é evidente que há um dom de cura para cada tipo de enfermidade, sejam elas orgânicas, psicossomáticas ou de patogenia espiritual.

Um dos mais belos exemplos de homens de quem o Espírito Santo se apodera, através dos dons de curar, foi sem dúvida Smith Wigglesworth, falecido em 1946, com 87 anos. De um simples bombeiro hi­dráulico que era, veio a se tornar num dos mais fa­mosos pregadores leigos da Inglaterra.

Tão grande era a simpatia que Smith Wiggles­worth exercia em benefício dos que sofriam, que chegou a ser conhecido como o “Grande Coração” (lembrando uma das personagens do sonho de João Bunyan, narrado no livro “O Peregrino”).

Dentre o grande número de casos de pessoas que foram ajudadas por esse humilde servo de Deus, ci­temos apenas um, relatado pelo próprio Sr. Smith:

“Recebi diversos telegramas e cartas pedindo- me que fosse orar por certa moça em Londres. Não me explicaram de que se tratava; eu sabia apenas que ela estava muito angustiada. Ao chegar a casa, o pai e a mãe da enferma me seguraram pela mão e romperam em choro. Então me levaram até o andar de cima, onde me apontaram a porta dum quarto e voltaram. Ao entrar nesse quarto, presenciei a cena mais triste que jamais tinha visto: quatro homens robustos seguravam no chão uma linda moça, cuja roupa já estava rasgada de lutar com eles.

“Ao entrar e olhar nos olhos da moça, ela os vol­veu, sem poder falar. Estava nas mesmas condições do homem que, ao ver Jesus, saiu do túmulo para estar com Ele. Logo ao chegar-se a Jesus, os demô­nios falaram. Os demônios que estavam na moça falaram também, dizendo: ‘Nós te conhecemos. Não podes nos expulsar; somos muitos’.

“Respondi-lhes: ‘Sim, sei que sois muitos, mas o Senhor Jesus vai expulsar-vos a todos’. Foi um momento maravilhoso, um momento em que so­mente Jesus podia enfrentar a situação. O poder que dominava a moça era tão grande; que, automa­ticamente, ela se virou, libertando-se dos quatro homens musculosos que a seguravam- O Espírito do Senhor sobreveio-me em grande poder e avan­cei, fitei o rosto da moça e vi o poder do maligno; os olhos dela cintilavam cheios do próprio poder dos demônios. Instintivamente, clamei: ‘Sei que sois muitos, mas vos mando no nome de Jesus que saiais, agora mesmo’. Ela começou imediatamente a vomitar. Dentro duma hora vomitou trinta e sete espíritos imundos e cada vez que o fazia dava o nome do espírito que lançava. No mesmo dia ficou perfeitamente sã.”

A operação dos dons de curar tem aberto muitos corações incrédulos à em Jesus Cristo, confirman­do que Ele é o mesmo, ontem, hoje e eternamente.

3.2.2. Operação de milagres

Ambas as palavras aparecem no original grego, no plural, o que sugere que há uma variedade de modos de milagres e de atos de poder. Por milagres ou maravilhas, entende-se todo e qualquer fenôme­no que altera uma lei preestabelecida. “Milagres” e “Maravilhas”, são plurais da palavra “poder” em Atos 1.8, que significa: atos de poder grandiosos, sobrenaturais, que vão além do que o homem pode ver.

A operação de milagres só acontece em relação às operações de Deus (Mt 14.2; Mc 6.14; G14.5 e Fp 3.21) ou de Satanás: 2 Ts 2.7,9; Ef 2.2. Portanto, este dom opera especialmente em conexão com o conflito entre Deus e Satanás.

Nesses atos de poder de Deus que infligem der­rota a Satanás, poderíamos incluir o juízo de ce­gueira sobre Elimas, o mágico (At 13.9-11), e a ex­pulsão de demônios. Também pode ser classificado como milagre o resultado da operação divina na cura de determinadas enfermidades, para as quais ainda não há remédio, como por exemplo: certos ti­pos de câncer, alguns tipos de cegueira, surdez, mudez, e determinados tipos de paralisia etc.

Havendo chegado à época dos foguetes para a lua, do computador eletrônico, das comunicações via satélite, das viagens em velocidade supersônica e da TV em cores, cabe-nos perguntar: – Será possí­vel a realização de milagres, hoje? – Tendo em vista que Deus é o mesmo e que o homem ainda necessita de algo que está acima das suas possibilidades e não poucas vezes acima da natureza, é lógico crer que milagres ainda acontecem hoje.

A capacidade de ação de Deus nunca esteve condicionada ao tempo e ao espaço, mas à capaci­dade humana de crer naquilo que Deus diz. Ontem, hoje e sempre prevalece a declaração divina: “Se creres verás…”, Jo 11.40.

3.2.3.

O dom da fé envolve uma fé especial, diferente da fé para salvação, ou da fé que é mostrada por Paulo como aspecto do fruto do Espírito: G15.22. O dom da fé traduz uma fé especial e sobrenatural, verdadeiro apelo a Deus no sentido de que Ele intervenha, quando todos os recursos humanos se têm esgotado. Foi este o tipo de fé com o qual foram dotados os grandes heróis mostrados na galeria de Hebreus capítulo 11.

Por ter sido dotado desta fé especial, Abraão “em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfra­queceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por increduli­dade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus: E estando certíssimo de que o que Ele tinha prome­tido também era poderoso para o fazer”, Rm 4.18- 21.

A história do evangelismo e das missões moder­nas está pontilhada de narrativas da maneira como Deus agiu em resposta ao apelo deste dom, mani­festo através de leigos, de pastores e de evangelis­tas sinceros.

3.3. Dons de inspiração

Este é o terceiro e último grupo dos nove dons do Espírito Santo registrados pelo apóstolo Paulo no capítulo 12 da sua primeira epístola aos Coríntios. Ao contrário dos dois primeiros grupos de dons, em geral exercidos pelo ministério responsá­vel pela administração da Igreja, este último grupo tem se feito experiência comum para os crentes em geral.

3.3.1Variedade de línguas

Variedade de línguas é a expressão falada e sobrenatural duma língua nunca estudada pela pessoa que fala; uma palavra enunciada pelo poder do Espírito Santo, não compreendida por quem fa­la, e usualmente incompreensível para o ouvinte. Nada tem a ver com a facilidade de assimilar línguas estrangeiras (poliglotismo): tampouco tem a ver com o intelecto. E a manifestação da mente de Deus por intermédio dos órgãos da fala do ser humano (glossolalia).

Como este livro traz um capítulo inteiro sobre esse dom, toma-se desnecessário acrescentar qual­quer outra informação aqui.

3.3.2Interpretação das línguas

O dom de interpretação de línguas é o único cuja existência ou função depende de outro dom – a variedade de línguas. Consequentemente, não ha­vendo o dom de variedade de línguas, não pode ha­ver a interpretação de línguas.

“Interpretação” aqui não é a mesma coisa que tradução. A interpretação geralmente alonga-se mais que a simples tradução.

Vale a pena ressaltar a importância de nos pre­cavermos dum ensino aritmético quanto aos três dons de inspiração, muito comum nos nossos dias, a ensinar que línguas + interpretação é = a profe­cia. É evidente que são muitos os riscos a que está sujeito este ensino.

Partindo do ensino de Paulo de que “…quem fala em outra língua, não fala a homens, senão a Deus…” (1 Co 14.2), “’…mas o que profetiza fala aos homens” (1 Co 14.3), temos de aceitar que é Deus quem fala através do profeta à congregação. Assim o ensino de que línguas + interpretação é = a profecia não se harmoniza com o ensino de Paulo, pelas seguintes razões:

– Quem fala em outra língua, fala a Deus. A direção da fala é vertical, homem – Deus: sempre no sentido de baixo para cima e nunca de cima para baixo.

– Ainda que não seja uma tradução palavra por palavra, a interpretação tem de se manter fiel à língua estranha falada, tanto no seu conteúdo quanto na sua direção, pois é de se esperar que a in­terpretação continue sendo o homem falando com Deus.

– Partindo do princípio de que profecia é Deus falando a alguém (Deus – homem), de cima para baixo e nunca de baixo para cima, há grande diferença de direção entre o dom de profecia e o de línguas e a interpretação de línguas.

Este ensino, sincero sem dúvida, mas que não se apoia nas Escrituras, deve ter surgido devido ao fato de haver muitos elementos comuns entre o dom de interpretação de línguas e o dom de profe­cia. Por haver peculiaridades comuns a ambos es­ses dons, não implica em que eles sejam absoluta­mente iguais quanto à sua maneira de manifesta­ção.

O dom de interpretação de línguas revela o po­der, a riqueza, a soberania e a sabedoria de Deus. Por certo que este dom não implica em que haja al­gum tipo de conhecimento do idioma por parte do intérprete.

A interpretação de línguas é em si mesma um dom tão miraculoso quanto o é o próprio dom de variedade de línguas.

  • Profecia

A profecia é uma manifestação do Espírito de Deus e não da mente do homem, e é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso: 1 Co 12.7.

Embora o dom da profecia nada tenha a ver com os poderes normais do raciocínio humano, pois é algo muito superior, isso não impede que qual­quer crente possa exercitá-la: “Porque todos pode­reis profetizar, um após outro, para todos aprende­rem e serem consolados”, 1 Co 14.31.

Ainda que nalguns casos o dom da profecia pos­sa ser exercido simultaneamente com a pregação da Palavra, é evidente que esse dom é dotado de um elemento sobrenatural, não devendo, portanto, ser confundido com a simples habilidade de pregar o Evangelho.

Dada a importância desse dom em face dos de­mais dons espirituais, e dentro do contexto da dou­trina pentecostal, necessário se faz uma análise cuidadosa, no sentido de conceituá-lo no seio da Igreja hoje.

O apóstolo Paulo adverte os crentes a procurar “com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1 Co 14.1); isto por razões que ele mesmo enumera:

Porque “o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação… O que profeti­za edifica a igreja”, 1 Co 14.3,4.

“Edificação”, “exortação” e “consolação” são os três elementos básicos da profecia, são a razão de ser e de existir desse dom. É evidente que isto contraria a crença tão popular entre nós, de que o prin­cipal elemento da profecia é o preditivo (predição do futuro). Certamente, que tanto o Antigo quanto o Novo Testamento contêm numerosas profecias preditivas, muitas das quais já se cumpriram, e ou­tras estão se cumprindo, e outras ainda se hão de cumprir. No entanto, no conteúdo geral das Escri­turas, o elemento preditivo da profecia é relativa­mente o menor.

Porque “se todos profetizarem, e algum in- douto ou infiel entrar, de todos é convencido, de to­dos é julgado. Os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verda­deiramente entre vós”, 1 Co 14.24,25.

Há algo mais que precisamos ter em mente quanto ao dom de profecia e o seu uso na Igreja hodiemamente:

O dom de profecia nunca deve exercer propó­sitos diretivos ou de governo sobre a Igreja. No Anti­go Testamento, Israel era governado por reis e o culto era dirigido pelos sacerdotes, mas nunca por alguém que se tivesse distinguido por um ministé­rio cem por cento profético. Os profetas eram ape­nas colaboradores na condução do povo. 0 mesmo aconteceu com a Igreja do Novo Testamento: o seu governo sempre esteve sob a responsabilidade dos presbíteros ou bispos, ou pastores, mas nunca sob a responsabilidade de profetas.

Escreveu o missionário Eurico Bergstén, que “quando alguém, por meio de profecia, penetra na direção da igreja, mostra que é dominado por in­fluências estranhas. Abre-se, então, uma porta para a perturbação… Quando alguém se faz ‘orácuIo de profeta’, para responder a perguntas e orien­tar os crentes, está usando indevidamente o dom de profecia… O dom de profecia não atinge, nesta dispensação, a faixa de consulta, pois tem uma outra finalidade: a edificação da Igreja”.

b) Devido a possíveis abusos quanto ao uso do dom da profecia, este dom está sujeito a análise e a consequente julgamento. Recomenda o apóstolo Paulo: “…falem dois ou três profetas, e os outros julguem”, 1 Co 14.29.

Paulo arremata suas advertências quanto ao dom de profecia, dizendo: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor”, 1 Co 14.37.

O dom de profecia não deve ser desprezado (1 Tm 4.14), mas despertado (2 Tm 2.16), a fim de que a Igreja seja enriquecida: 1 Co 1.57.

  1. FALSOS CONCEITOS QUANTO AOS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Através dos anos têm se desenvolvido as mais variadas e absurdas teorias a respeito dos dons do Espírito Santo, dentre as quais se destacam as se­guintes:

4.1. Os dons eram restritos à era apostólica

Os que defendem esta teoria afirmam que os si­nais sobrenaturais e os dons do Espírito Santo, fo­ram enviados com o propósito exclusivo de confir­mar a divindade de Jesus, e autenticar os primeiros pregadores do Evangelho e sua mensagem. Argu­mentam também que a necessidade de tais mani­festações sobrenaturais cessaram depois de com­pletado o Novo Testamento.

 

  • Os dons hoje são habilidades naturais

Isto é, Deus premia algumas pessoas privilegia­das, dando-lhes dotes especiais. Por exemplo: pes­soas com a habilidade fora do comum para linguís­tica, como Rui Barbosa, têm o dom de línguas e de interpretação; quem tem mãos habilidosas e gran­de capacidade como cirurgião, tem o dom de curar; quem mostra erudição na pregação, tem o dom da profecia; e assim por diante.

  • Os dons são inalcançáveis

Os que advogam esta interpretação, dizem que os dons são tão grandiosos e santos na sua essência, que ninguém está suficientemente preparado para merecê-los; portanto ninguém os possui.

  1. OS DONS ESPIRITUAIS SÃO PARA A IGRE­JA HOJE

É evidente que as três teorias supramencionadas, comuns nos escritores antipentecostais, não podem subsistir, porque se contradizem com aquilo que a Bíblia e a experiência cristã dizem sobre o as­sunto, como vemos a seguir.

Não há nenhuma evidência em o Novo Testa­mento de que os dons do Espírito Santo foram res­tritos à era apostólica, nem que eles sejam habili­dades naturais aos mais inteligentes, ou mesmo que sejam tão santos em si que ninguém seja sufi­cientemente puro para merecê-los.

Pelo modo como o assunto é tratado nas epísto­las apostólicas, conclui-se que os dons espirituais são para a Igreja hodiema. Esta opinião é comun­gada por famosos teólogos e por muitas igrejas da atual geração.

O teólogo suíço, Karl Barth, escrevendo sobre as manifestações extraordinárias do Espírito Santo no contexto de 1 Coríntios 13, diz: “…na falta delas, há razão para perguntar se por orgulho ou por preguiça a comunidade como tal se furtou talvez a essa con­cessão, falsificando assim o seu relacionamento com o Senhor, aniquilando-o, por se tratar de uma relação nominal e não real”.

Emil Brunner escreveu que “o milagre do Pentecoste, e tudo o que está incluído nos charismata, os dons do Espírito, não deve ser abrandado a um puritanismo teológico”.

A Igreja Presbiteriana Unida, nos Estados Uni­dos, num dos seus documentos de 1971, sobre “A Obra do Espírito Santo”, declara: “…não podemos seguir o ponto de vista de alguns teólogos no senti­do de que os dons puramente sobrenaturais cessa­ram com a morte dos apóstolos. Não parece existir base exegética para tal suposição. Cremos que o Espírito Santo está testemunhando à Igreja que ela deveria estar ‘orando e suspirando’ pelo ministério do Espírito e suas manifestações, pois, com dema­siada frequência, a dimensão carismática está sen­do reduzida a nível da dinâmica psicológica e posta de lado como uma aberração emocional”.

O Relatório de 1974 do Painel sobre doutrina da “Church of Scotland” intitulado “O Movimento Carismático Dentro da Igreja Escocesa”, diz: “Des­de que Deus finalmente falou em Cristo, o que sem dúvida cessou foram as revelações. O que não ces­sou, segundo as Escrituras, foi a promessa dos dons. A promessa em Marcos foi para ‘aqueles que creem’, e esta é uma promessa válida para todos os tempos e até o fim dos tempos. Não há nada nas Escrituras que possa limitá-la ao ‘início’ do Evan­gelho…”

Num breve “Sumário de Conclusão”, o mesmo Painel estabelece:

“Os dons do Espírito Santo devem ser operados. Onde houver esperança; a Igreja pode perfeitamen- te ser galardoada com uma medida maior e mais evidente desses dons do que o seria uma igreja que há tempos acredita que eles tenham cessado.”

Os escritores antipentecostais se habituaram a citar 1 Coríntios 13.10:

“Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado”.

Foi daí que extraíram o absurdo ensino de que os dons espirituais cessariam logo após fossem con­cluídos os escritos do Novo Testamento.

A respeito deste assunto de 1 Coríntios 13.10, escreve o Dr. Russell Norman Champlin, no seu “Novo Testamento Interpretado”:

Não existe aqui, obviamente, nenhuma refe­rência ao cânon das Escrituras do Novo Testamen­to, como a ‘perfeição’ que esperamos. Esta inter­pretação é uma invenção do século XX para obter um texto de prova para ensinar que os dons, neces­sariamente, deveriam ter acabado ao fim da era apostólica. A ‘perfeição’ do texto é adequadamente descrita: Nesta perfeição ‘conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido’, v.12… O cânon das Escrituras, claramente, não trouxe tais condições. Paulo está é antecipando a perfeição que a segunda vinda de Cristo trará… Precisamos da manifestação de todos os dons espirituais, tanto hoje em dia como em qualquer outra época; porquanto a nossa era se caracteriza pelo materialismo e pela mais profunda impiedade. Os dons espirituais deveriam fortalecer a igreja e fazer dela um poder neste período, contando que todos venham genuinamente da parte do Espírito Santo.”

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LIVRO: A DOUTRINA PENTECOSTAL HOJE – CPAD, RAIUMUNDO F. DE OLIVEIRA


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