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Ouvir a palavra: o primeiro passo na conversão

por Pr. Aureo Ribeiro - qua abr 02, 12:01 am

Jesus e nicodemus

Ouvir a palavra é o primeiro passo para a conversão. O capítulo 10 da carta de Paulo aos romanos dedica especial atenção à pregação da palavra para a salvação:

Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. (Rom 10. 13 a 17)

Um ensinamento extremamente valioso para nós é que, se aquele que ouve não crê e não aceita a palavra como ela é, isto é, não exerce fé naquela palavra que ouve, nada acontece com essa pessoa. O autor aos Hebreus, diz: “porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram”. Heb 4.2

Esse é o primeiro passo para o Novo Nascimento. Primeiramente, tem que existir a pregação das boas novas. É indispensável que haja uma palavra. Como ouvirão se não há quem pregue? O texto bíblico nos exorta que se não houver palavra, não houver pregação, não há salvação. Essa palavra, por sua vez, só produz resultado quando encontra fé naquele que ouve.

E onde entra o Espírito Santo nesse processo? Entendo que o Espírito Santo, após encontrar fé naquele que ouviu a Palavra, vai convencer aquela pessoa do estado pecaminoso que ela vive e da necessidade de crer no Senhor Jesus para salvação. Nesse ponto, começa a obra da regeneração em nossas vidas. Em João 16.8, lemos:

E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. (Jo 16.8)

Veja que esse processo de convencimento de pecado, convencimento da necessidade de se reconciliar com Deus (Rom 6.33) é feito pelo Espírito Santo. Eu fico extremamente inconformado e revoltado quando vejo igrejas inventando estratégias para converter o povo. Isso é besteira. A conversão é um processo que envolve 3 (três) elementos. Um pregador, um ouvinte e o Espírito Santo. A palavra precisa ser simples. Palavra de salvação. Quem convence o pecador, caso esse misture fé ao que ouve, é o Espírito Santo.

Desta forma, sem a ação do Espírito Santo não há Novo Nascimento.

Para ratificar essa ação do Espírito Santo no processo do Novo Nascimento, vou expor mais algumas ideias que reforçam essa doutrina e mostram essa verdade.

Em João 16:7-11, como já falado, Jesus descreve a obra do Consolador em relação ao mundo. O Espírito agirá como “promotor de Justiça”, por assim dizer, trabalhando para conseguir uma condenação divina contra os que rejeitam a Cristo.

Convencer significa levar ao conhecimento verdades que de outra maneira seriam postas em dúvida ou rejeitadas, ou provar acusações feitas contra a conduta. Os homens não sabem o que é o pecado, a justiça e o juízo; portanto, precisam ser convencidos da verdade espiritual. Por exemplo, seria inútil discutir com uma pessoa que declarasse não ver beleza alguma numa rosa, pois sua incapacidade demonstraria falta de apreciação pelo belo. Precisa ser despertado nela um sentido de beleza; precisa ser “convencida” da beleza da flor.

Da mesma maneira, a mente e a alma obscurecidas nada discernem das verdades espirituais antes de serem convencidas e despertadas pelo Espírito Santo. Ele convencerá os homens das seguintes verdades:

(a) O pecado de incredulidade. Quando Pedro pregou, no dia de Pentecoste, ele nada disse acerca da vida licenciosa do povo, do seu mundanismo, ou de sua cobiça; ele não entrou em detalhes sobre sua depravação para os envergonhar. O pecado do qual os culpou, e do qual mandou que se arrependessem, foi a crucificação do Senhor da glória; o perigo do qual os avisou foi o de se recusarem a crer em Jesus. Portanto, descreve-se o pecado da incredulidade como o pecado único, porque, nas palavras dum erudito, “onde esse permanece, todos os demais pecados surgem e quando esse desaparece todos os demais desaparecem”. É o “pecado mater”, porque produz novos pecados, e por ser o pecado contra o remédio para o pecado. Assim escreve o Dr. Smeaton: “Por muito grande e perigoso que seja esse pecado, tal é a ignorância dos homens a seu respeito que sua criminalidade é inteiramente desconhecida até que seja descoberta pela influência do Espírito Santo, o Consolador. A consciência poderá convencer o homem dos pecados comuns, mas nunca do pecado da incredulidade. Jamais homem algum foi convencido da enormidade desse pecado, a não ser pelo próprio Espírito Santo.”

(b) A justiça de Cristo. “Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais” (João 16:10). Jesus Cristo foi crucificado como malfeitor e impostor. Mas depois do dia de Pentecoste, o derramamento do Espírito e a realização do milagre em seu nome convenceram a milhares de judeus de que não somente ele era justo, mas também era a fonte única e o caminho da justiça. Usando Pedro, o Espírito os convenceu de que haviam crucificado o Senhor da Justiça (Atos 2:36, 37), mas também ele lhes assegurou que havia perdão e salvação em seu nome (Atos 2:38).

(c) O juízo sobre Satanás. “E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado” (João 16:11). Como se convencerão as pessoas na atualidade de que o crime será castigado? Pela descoberta do crime e seu subseqüente castigo; em outras palavras, pela demonstração da justiça. A cruz foi uma demonstração da verdade de que o poder de Satanás sobre a vida dos homens foi destruído, e de que sua completa ruína foi decretada. (Heb. 2:14,15; l João 3:8; Col. 2:15; Rom. 16:20.) Satanás tem sido julgado no sentido de que perdeu a grande causa, de modo que já não tem mais direito de reter, como escravos, os homens seus súditos. Pela sua morte, Cristo resgatou todos os homens do domínio de Satanás, devendo estes aceitar sua libertação. Os homens são convencidos pelo Espírito Santo de que na verdade são livres (João 8:36). Já não são súditos do tentador; já não são obrigados mais a obedecer-lhe, agora são súditos leais de Cristo, servindo-o voluntariamente no dia do seu poder. (Sal. 110:3.) Satanás alegou que lhe cabia o direito de possuir os homens que pecaram, e que o justo Juiz devia deixá-los sujeitos a ele. O Mediador, por outra parte, apelou para o fato de que ele, o Mediador, havia levado o castigo do homem, tomando assim o seu lugar, e que, portanto, a justiça, bem como a misericórdia, exigiam que o direito de conquista fosse anulado e que o mundo fosse dado a ele, o Cristo, que era o seu segundo Adão e Senhor de todas as coisas. O veredito final divino foi contrário ao príncipe deste mundo — e ele foi julgado. Ele já não pode guardar seus bens em paz visto que Um mais poderoso o venceu. (Luc. 11:21, 22.)

No processo do Novo Nascimento, além das obras do convencimento na vida do ser humano, o Espírito Santo é o elemento que trabalha para regenerar a velha criatura.

A obra criadora do Espírito sobre o espírito do homem (nascer do Espírito é no espírito do homem) ilustra-se pela obra criadora do Espírito de Deus no princípio sobre o corpo do homem.

Voltemos à cena apresentada em Gên. 2:7. Deus tomou o pó da terra e formou um corpo. Ali jazia inanimado e quieto esse corpo. Embora já estando no mundo, e rodeado por suas belezas, esse corpo não reagia porque não tinha vida; não via, não ouvia, não entendia. Então“Deus soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. Imediatamente tomou conhecimento, vendo as belezas e ouvindo os sons do mundo ao seu redor. Como sucedeu com o corpo, assim também sucede com nosso espírito. O homem está rodeado pelo mundo espiritual e rodeado por Deus que não está longe de nenhum de nós. (Atos 17:27.) No entanto, o homem vive e opera como se esse mundo de Deus não existisse, em razão de estar morto espiritualmente, não podendo reagir como devia. Mas quando o mesmo Senhor que vivificou o corpo vivifica a alma, faz seu espírito renascer, a pessoa desperta para o mundo espiritual e começa a viver a vida espiritual. Qualquer pessoa que tenha presenciado as reações dum verdadeiro convertido, conforme a experiência radical (Novo Nascimento), sabe que a regeneração não é meramente uma doutrina, mas uma realidade prática.

Por isso, Jesus Cristo alertou: “quem não nascer de novo não pode entrar no reino de Deus”.

Como está sua vida e sua experiência com Deus? Você é uma pessoa que já nasceu de novo?


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