Palavras de Esclarecimento aos Internautas
O senhor Brito(Defensor das heresias do Adventismo), vêm a tempos lançando desafios aos irmãos evangélicos no tocante a debates bíblicos. Para isto, chegou até usar de pseudônimos com o intuito de enganar os irmãos. Recentemente o CACP lançou uma nota esclarecedora (Lobos na Internet) à comunidade evangélica com o fito de alertar os irmãos internautas, de modo que nenhum deles venham ser enredados pelos sofismas esposados por tais indivíduos. Em contrapartida, este senhor, lançou um desafio alardeando que nenhum dos institutos ou sites que ele entrou em contato respondeu suas perguntas. Na verdade, ele não esclarece que muito de suas charadas teológicas, já foram devidamente respondidas em outros debates em que este autor teve de demandar com este senhor. Mesmo assim, ele insiste ainda em lançar as mesmas e enfadonhas perguntas. Analisamos, e cabe aqui salientar, que a sua rejeição às verdades por nós apresentadas, não se dá tanto em nível de mente como em nível de vontade.
Todavia, vamos tentar aqui responder às suas indagações sabendo de antemão que suas pressuposições teológicas serão o árbitro pelo qual ele analisará nossas respostas.
Nosso amigo adventista alicerça sua teologia da “lei” em cima de pressupostos defeituosos a saber:
1. Que a lei mosaica como se apresenta na Bíblia é contínua.
2. Que a lei mosaica é eterna.
3. Que não há substancial diferença entre o “Velho Concerto” e a “Lei”.
4. Que tal lei se divide em duas: cerimonial e moral.
5. Que a Lei de Moisés ainda é valida para os cristãos dentro dos moldes da “Torah”.
6. Que na mudança da Velha Aliança para a Nova, conforme Jr. 31, não houve mudança de lei.
7. Que a lei de Cristo é a mesma “Lei de Deus” conforme dada no contexto da dispensação mosaica.
8. Que os cristãos estão obrigados a guardar tal lei dentro do contexto neotestamentario.
Partindo destas premissas foi que nosso amigo chegou a conclusão de que a lei veterotestamentaria ainda é vigente como norma para os cristãos. A bem da verdade, toda esta teologia da lei desemboca num só ponto; só possui um fim específico, qual seja: a guarda do sétimo dia – o sábado judaico.
O Decálogo Bíblico e o Novo Concerto—Ruptura ou Continuidade?
Nosso antagonista começa citando um trecho de um jornal evangélico tentando angariar apoio para sua tese de que a lei como esposada por ele é ensinada nas igrejas evangélicas e nas confissões de fé. Todavia, vale ressaltar que ao se tratar de assuntos polêmicos, fazer citações breves de pessoas, ainda que afins com a questão em pauta, não significa necessariamente que eles estão defendendo a tese em questão ou concordando com todos os pontos que a compõem. Isto é de praxe no meio adventista, veja por exemplo, o livro da srª. White, “O Grande Conflito” sobre a questão da guarda sabática. O apelo para as denominações históricas tampouco apóia tal idéia. Na verdade tais denominações não guardam o sábado mas o domingo. Lutero, Calvino, Wesley foram homens que não mediram palavras para exaltar a lei de Deus e concomitantemente, no mesmo fôlego, asseverar que o sábado fora cravado na cruz, sendo suplantado pelo “Dia do Senhor” o domingo. Outrossim, a validez teológica de uma tese necessariamente não insinua que um escritor da Bíblia formou as mesmas categorias de pensamento.
O cristão está sujeito à lei ? Caso esteja, em que sentido ? A Reforma tentou responder esta pergunta dizendo que a lei tem três uso:
1. Tem um uso social desde que exercita uma influência contendo a sociedade.
2. Tem um uso pedagógico desde que mostra o pecado e dirige o pecador a Cristo.
Lutero frisou mais o segundo uso da lei, enquanto Calvino colocou maior ênfase no terceiro uso da lei.
O puritanismo da tradição reformada procurou na Bíblia diretrizes para a liturgia e governo da igreja. No entanto, devemos levar em conta o contexto em que isto ocorreu. Não podemos ignorar fatores importantes tais como: teológicos, sociais, e culturais da época. A principio os reformadores apelaram para esta questão porque seus oponentes estavam acusando-os de que a doutrina pregada por eles era permissiva, libertina. A Confissão de Augsburgo redigida por Melanchthon revela que os luteranos estavam ansiosos para enfatizar que o evangelho conduz a uma vida de boas obras em conformidade com a lei. Foi dentro do contexto de se opor ao antinomianismo exagerado que Melanchton cunhou a expressão “terceiro uso da lei”. Entretanto, foi em Genebra que Calvino demonstrou que a doutrina protestante produziria um zelo pela lei como resposta aos seus acusadores. E onde quer que o protestantismo fosse levado, refletia o regime duro de Genebra. Pois criam que somente obedecendo às leis eles seriam santificados. A santificação era o ponto forte dos puritanos. Já Lutero discutiu os Dez Mandamentos quando compôs seu “Catecismo”, onde mais tarde serviu de base para Calvino e Wesley em seus estudos sobre os dez mandamentos. Calvino possuía uma concepção de Deus tirada do AT, isto ajudou muito a elaborar sua tese da “Soberania de Deus”. Calvino e suas idéias legalistas foram frutos de sua época onde as pessoas cria que estavam seguindo a religião do Estado. Pois as leis do Estado deveriam se espelhar na lei de Deus. Calvino então implantou em Genebra leis rígidas pelas quais as pessoas deveriam se nortear, sendo ele o governador da cidade. Enquanto isso Lutero deixou os príncipes alemães guiar e organizar a religião em seus territórios. Houve não pequena divergência de Lutero com outros reformadores. Uma das polêmicas tratava justamente do lugar da lei na pregação. A igreja Anglicana também estava apegada a lei devido a religião estar casada com o Estado sendo que o Rei (anglicanismo na Inglaterra), o governo (calvinismo em Genebra) ou príncipe (luteranismo na Alemanha) era tanto a autoridade máxima política como religiosa naquela época. Isto pode se ver mais claramente em um tratado de Richard Hooker a favor da igreja oficial inglesa, onde sustenta que o fundamento é a lei dada por Deus, todos estavam sujeitos a lei do Rei e a lei divina. A obediência ao rei deveria ser dada por ser este o chefe tanto do Estado como da igreja. Urgi rememorar ainda, que um destaque maior dado à lei, foi devido à doutrina florense da Reforma. Ao contrário da teologia católica, os protestantes ensinavam que o teor das cartas paulinas da justificação, possuía um elemento jurídico. Termos como “Redenção”, “Propiciação”, “Reconciliação”, “Perdão”, “Justificação”, “Adoção”, “Testemunha”, “Julgamento”, “Acusação” e “Condenação” são conceitos jurídicos que estão todos relacionados à lei. Somente tendo este contexto como pano de fundo é que poderemos entender a elaboração das confissões de fé das igrejas históricas quanto ao uso da lei. Embora o zelo puritano tenha passado, contudo sua influência ainda permanece. É interessante saber que o adventismo começou em paises onde havia uma forte influencia puritana das igrejas históricas. Por ventura Guilherme Muller, um dos pioneiros do adventismo, não era deísta (o deismo dava muita ênfase a moral ética) e depois se tornou batista? Não começou ele estudando principalmente o livro de Daniel no AT ? Como percebemos, as confissões históricas de fé feitas naquela atual conjuntura traz em seu interior as tendências da época das quais estavam sujeitas. Pois a lei precisava ser enfatizada para dar estabilidade e credibilidade à lei do Estado. Pois bem, a declaração de nosso amigo de que a continuidade da lei “corresponde também ao pensamento de muitos líderes e autores cristãos do passado e do presente, sendo também a tese de credos e declarações de fé histórica das igrejas como a batista, metodista, episcopal, congregacional, presbiteriana, luterana, e outras”, não procede pelos motivos expostos acima.
Contudo, como já deixamos explicitada, a validez teológica de uma tese necessariamente não insinua que um escritor da Bíblia formou as mesmas categorias de pensamento. Infelizmente todo o silogismo dos reformadores no tocante ao uso excessivo da lei acabou numa apagogia! Quanto ao terceiro uso da lei, podemos dizer que o NT nunca insinua tal coisa, pois o papel “pedagógico” da lei só estava vigente até a vinda de Cristo, conforme o livro de Gálatas. Não existe nenhuma insinuação de que os que foram justificados por Cristo continuam precisando deste pedagogo para os guiar. Há o perigo de que a doutrina reformada do terceiro uso da lei devolverá para a crente ao que Paulo chama de estar “debaixo da lei”.
“Cumprir”: Exemplo de Perfeita Obediência ou Declaração de Fim de Vigência?
O senhor Brito comete sérios erros ao abordar o texto de Mateus 5:17 sobre o “fim da lei”. Sua derrocada se dá por não levar em conta alguns detalhes que não podem passar desapercebido.
1. Toda a sua exegese é baseada na concepção errônea da divisão da lei em moral e cerimonial.
2. Ele realça sua interpretação ao dizer que Jesus mandou-nos cumprir tal lei.
3. Que o contexto determina que essa lei é a lei moral do decálogo, pelo visto é isto que fica subtendido.
Perguntamos então: a lei foi abolida por Cristo ou não? E o mais importante: se caso foi, estão incluídos aí os dez mandamentos? Vamos então analisar o texto supracitado.
Antes porém, devemos levar em conta que o evangelho de Mateus foi escrito para uma comunidade judaica. Fora escrito para provar que as profecias do antigo testamento se cumpriram todas em Cristo, daí o emprego de expressões que são peculiares a este evangelho tais como: “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse...”. Esta declaração ocorre 16 vezes em todo o seu evangelho. Cristo ao proferir o Sermão do Monte estava ensinando aos judeus, pois o Sermão do Monte inclui o capítulo 5 e 7 inteiros. Mateus foi um hábil observador pois diz que: “Ao concluir Jesus este discurso, as multidões (de judeus) se maravilhavam da sua doutrina” Mat.7:28.
A bíblia nos diz que Jesus nasceu sob a lei (Gl.4:4-6; Lc.2:21-24,41). Portanto devia cumpri-la. Vez em quando vemo-lO incentivando as pessoas a cumprir a lei Mat. 19:17. É claro que quando Ele incentiva as pessoas a observância da lei mosaica Ele o faz dentro do espaço-tempo antes da cruz, portanto, sob o regime mosaico. Tanto é que Ele cumpriu a circuncisão, as festas, o sábado etc.... Não podemos perder de vista que Jesus estava sob toda a lei e não apenas sob parte dela. Se há algum incentivo da parte do mestre de cumprir a lei neste texto de Mateus, novamente, isto recai sob TODA a lei e não apenas parte dela, não se restringe só ao decálogo, como segue:
· Jesus fala de três mandamentos do decálogo; do 6o no vrs.21; do 7o no vrs.27; e do 3o no vrs.33.
· Jesus fala de mandamentos fora do Decálogo: vrs.38 – “Olho por olho”, que se encontra em Lv.24:20, que por sua vez fazia parte de normas jurídicas de antigas civilizações, conhecidas como “Lei de Talião” incorporada na Torá. 2) vrs.43 fala do amor ao próximo, que se encontra em Lv.19:18.
· Quando Jesus fala da lei, ele a aplica a todo Pentateuco ou a toda Lei (Mt.7:12; 11:13; 22:13; 22;40; Lc.16:16,29,31). A sua linguagem naquele episodio é toda judaica consentânea com os ritos da lei. Por isso menciona o “altar” e a “oferta” na terminologia cerimonial, como fatos em vigência.
Jesus falou que veio cumprir a Lei (Gl.4:4,5; Rm.10:4), inclusive o Decálogo. Assim, tendo-a cumprido deixa de ser obrigatório a sua observância para o cristão.
A correta interpretação da passagem em pauta é a seguinte: Não há nenhuma insinuação que diz que cada jota ou til da lei vão permanecer até que o céu e a terra passem, mas que não passarão “sem que tudo seja cumprido”. É o que se lê em Lc.16:16,17. Ora, tanto esta passagem como Mt.5:17-19 ensinam que em algum tempo a lei passará, isto é, logo que for cumprida. E Jesus disse que veio cumpri-la e ele a cumpriu integralmente Efésios 4:10. Se já cumpriu, a lei já passou, deixou de ser. O que Jesus asseverou não é o tempo que a lei havia de durar, mas a certeza do seu cumprimento (Lc.24:44; At.13:39; Ef.2:14).
Poderá perguntar nossos antagonistas: como a lei foi abolida sendo que Ele mesmo disse que não veio aboli-la, mas cumpri-la?!
Ora, Jesus não veio destruir a lei dos judeus como pensavam os fariseus, antes, Ele veio dar-lhe o seu pleno cumprimento, tanto é, que Mateus usa o verbo “Pleroo” que tem sentido de máxima plenitude. Esta é a mesma palavra usada para dizer que Cristo “cumpriu” as profecias do AT (cf. Mat. 2:15,23 ; Lc. 24:44 ;Jo 19:36 ; At. 13:27) Duas palavras da família deste verbo são encontradas no NT a saber: Plerophoria - quer dizer “completa certeza” (Heb. 10:22) no sentido de levar algo a plena perfeição e o verbo Pleroma que tem o sentido de abundancia até transbordar (Efésios 3:19). Outrossim, o verbo “KATALUO” (abrogar = Fazer cessar a existência ou a obrigatoriedade de uma lei em sua totalidade) do latim “abrogare” usado por Mateus no v. 17, e que Jerônimo traduziu na vulgata por “Solvere” que por sua vez Matos Soares traduziu por ‘destruir” e Almeida por “abrogar” tem o sentido aqui de destruir uma lei sem ser cumprida. É desta maneira que ele não veio KATALUO (abrogar) a lei, mas veio PLEROO (cumpri-la).
No texto em lide Jesus afirma que veio cumprir a lei e os profetas. Assim como não veio destruir a lei e os profetas, Ele não veio abrogar a lei como não veio abrogar as profecias...todavia...ANTES QUE TUDO FOSSE CUMPRIDO.
Jesus cumpriu a lei como cumpriu as profecias. Ele cumpriu a lei e as profecias executando-as, realizando-as, satisfazendo-as. Pois foi circuncidado, absteve-se de carnes, compareceu às festas etc...
Pelo fato de terem sido cumpridas as profecias tiveram o seu fim (pois ninguém espera mais que Jesus nasça como homem em Belém, seja crucificado e ressuscite ao 3º dia), a lei da mesma maneira, teve em Cristo o seu fim “Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.” Rm. 10:4.
A lei teve seu fim sendo por Cristo cumprida, plenitudificada Nele. Sendo cumprida Nele, teve seu fim, foi abolida assim como o foram as profecias (Lc. 16:16,17). Deixaram de ter o seu propósito!
O senhor brito querendo defender ainda sua tese da lei moral afirma: “O cumprimento dos aspectos cerimoniais seria automático, e ocorreria na cruz, sem que isso afetasse a continuidade da lei moral, que não poderia ser abolida! Caso o fosse, teríamos o caos a nível individual e coletivo da igreja e da sociedade como um todo. Abolição do Decálogo? Não é absolutamente este o sentido do discurso de Cristo em todo o trecho dos capítulos 5 a 7 de Mateus”.
A lei moral não poderia ser abolida ? Esta afirmação é arbitrária, puro sofisma, baseada apenas na concepção errônea da divisão da lei em duas: lei cerimonial e lei moral. A questão é que este subterfúgio era estranho aos judeus que consideravam a lei como “una”, indivisível. Contudo, dentro desta lei una, existia suas prescrições morais, cerimoniais, civis etc. Ele fala sobre o elemento cerimonial da lei mencionando o “altar” e o “templo”, fala também no seu aspecto civil quando menciona “os juizes”, “o sinédrio”. Jesus ensinava a inviolabilidade da lei para todos estes aspectos da lei e não somente para o moral. Guardam-na por ventura os adventistas em sua totalidade como está neste contexto de Mateus ?
O decálogo foi abolido ?
O senhor Brito nos diz que há diferença entre “Concerto” e “Lei”. Diz que o que foi abrogado foi o “Antigo Concerto” e não a Lei, que para eles por motivo de conveniência são só os dez mandamentos. Fazem isto para escapar a clara refutação bíblica, pois a Bíblia diz explicitamente que o concerto foi abolido. Entretanto, a lei sempre foi uma parte inseparável do Concerto entre Javé e Israel. A lei é especificamente as estipulações da aliança. Os termos Concerto, Aliança e Pacto são usados de modos intercambiáveis. Assim também, lei e aliança são paralelas uma à outra, e usadas de modo intercambiável (Êxodo 34:28; II Reis 18:12; Salmos 78:10). Por estarem tão intimamente ligadas, infringir uma é quebrantar também a outra. A lei bem como a aliança trazia bênçãos e maldições. (Deuteronômio 4:13-9:9) Conseqüentemente mudando a Aliança ou Concerto muda-se também a Lei – mutatis mutantis – como de fato se deu..
Veja que a abolição do Antigo Concerto é declarada pelo escritor do livro de Hebreus, nestes termos:
“Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente quanto é mediador dum melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas. Porque, (se aquele primeiro fora irrepreensível), nunca se teria buscado lugar para o segundo. Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei um Novo Concerto. Não segundo o concerto que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não permaneceram naquele meu concerto, eu para eles não atentei, diz o Senhor... Dizendo Novo Concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar” (Hb.8:6-9,13)
“Então disse: eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo” (Hb.10:9).
Vejamos então as escrituras segundo as quais os 10 mandamentos integravam o Antigo Concerto.
1. “Então o Senhor vos falou do meio do fogo; e a voz das palavras ouviu, porém, além da voz, não viste semelhança nenhuma. Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt.4:12-13).
2. “Subindo eu ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas do concerto que o Senhor fizera convosco, então fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; pão não comi, e água não bebi; e o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus, aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, estando reunido todo povo” (Dt.9:9-10).
3. “Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras; porque conforme ao teor destas palavras tenho feito concerto contigo e com Israel. E esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras do concerto, os dez mandamentos. (Êx.34:27,28).
4. “Nela pus a arca em que estão as tábuas da aliança que o Senhor fez com Israel (IICr.6:11)
“...Nada havia na arca senão só as duas tábuas, que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel” (IICr.5:10)
O escritor bíblico usa uma figura de linguagem chamada “Sinédoque” onde toma o “todo pela parte” e a “parte pelo todo”. O escritor aos hebreus nos diz que o “Antigo Concerto” foi ABOLIDO e diz também que este antigo concerto era OS DEZ MANDAMENTOS. Observe nos quatro exemplos acima que OS DEZ MANDAMENTOS É O PRÓPRIO CONCERTO.
Paulo não deixa resquícios de duvida quanto a isso em II Cor.3:6-11. Veja:
“O qual nos fez também capazes de ser ministros dum novo testamento, não da letra (lei), mas do espírito; porque a letra (lei) mata, e o espírito vivifica. E se o ministério da morte, gravado com letras de pedras (os 10 mandamentos), veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podia, fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto(que representava o velho pacto), a qual era transitória. Como não será maior glória o ministério do Espírito? Porque, se o ministério da condenação (aqui referindo-se aos 10 mandamentos) foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça. Porque também o que foi glorificado nesta parte não foi glorificado, por causa desta excelente glória. Porque, se o que era transitório foi para glória(os 10 mandamentos), muito mais é em glória o que permanece”, (o parêntese é nosso).
Aqui não há como fugir da realidade, o apóstolo Paulo chama categoricamente os 10 mandamentos de “Ministério da morte” e os taxa como transitórios. Este último verso claramente declara que o que foi com glória haveria de acabar. Agora, para saber o que se acabou, perguntemos: O que foi para glória? O verso 7 nos dá a resposta: “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória..”. Que lei foi gravada em pedras pelo dedo de Deus? A resposta só pode ser uma: OS DEZ MANDAMENTOS. Leiamos:
1. “O Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco...” (Dt.9:10).
2. “Então, disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá, e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos...” (Êx.24:12).
3. “Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, o os escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt.4:13).
Sim, o antigo Concerto juntamente com o decálogo foi abolido e com ele o sábado que fazia parte do decálogo, este ensinamento é bem claro à luz da Bíblia e irrefutável.
O Novo Mandamento Que Era Bem Antigo
Ainda no afã de sustentar a tese da “continuidade da lei” mosaica, este senhor tenta convencer-nos de que os “mandamentos de Jesus” ou a “lei de Cristo” nada mais é do que a velha lei do Sinai em roupagens novas. Mas isto é querer deitar “vinho kainós (novo) em odres velhos” e “remendo novo em vestidos rotos”, não podemos remendar as velhas leis do Sinai na Nova Aliança!
Era mister que havendo um novo concerto, teria que haver, forçosamente, uma nova lei. É claro, que o mandamento para amar estava na lei de Moisés e sob esta perspectiva, podemos dizer que não há nada de novo. No entanto, existe algo totalmente novo neste mandamento que é o “amar como eu vos amei”. Este amor é determinado num ponto de referência histórico no espaço-tempo. É o novo amor definido pela cruz de Cristo. Somente assim nós podemos compreender quando Paulo fala em Efésios 5:2,25 sobre este amor: “Maridos amai vossas esposas assim como Cristo amou a Igreja”. Paulo não aponta como exemplo o Deuteronômio ou Levítico, mas Cristo.
Ao longo de todo o NT podemos ver que o comportamento do cristão será determinado pelo que Cristo fez e não pelo que o decálogo proibia ou proíbe . O imperativo moral novo flui de um evento remissório novo. O mandamento diz para nós perdoarmos como Cristo nos perdoou, é para nós amarmos como Cristo nos amou. Não aponta a velha lei mosaica como referência...
Será que a palavra Kainós em grego ajuda nossa compreensão ? Sim. O adjetivo K’ainós (novo) quase sempre significa “previamente desconhecido”, “completamente novo” “de uma nova espécie” com a idéia de maravilhoso, inaudito (Léxico Greco-Inglês do Novo Testamento e Literaturas cristãs primitivas – Walter Bauer) Essa mesma palavra aparece em Hebreus 8:8 para aludir ao Novo Concerto o qual é inteiramente DIFERENTE do Sinai, também é a mesma palavra usada na Septuaginta (LXX) em Jeremias 31:31. Ora, esta aliança da qual fala a Bíblia não é uma aliança com “renovado significado”, mas é nova inteiramente. É a mesma palavra no original para aludir ao “novo” nome do crente, a nova Jerusalém, o novo cântico no céu (Apc. 2:17; 3:12; 14:3), tudo isto fala de algo novo realmente. E é até hilário dizer, mas este mandamento do “amor” citado por nosso antagonista, não se encontrava entre os dez mandamentos, tido pelos ASD como a lei moral, mas dentro do livro da lei que ficava ao lado da arca, tido como a lei cerimonial!
DEBAIXO DA LEI DE CRISTO OU DO EVANGELHO
Moises era o mediador do Antigo Concerto (Gal. 3:19), por isso sua lei é chamada “a lei de Moises” (Mac. 4:4; Atos 15:5). E porque Cristo é o mediador da Nova Aliança (Heb. 12:24), sua lei é chamada de “a lei de Cristo” (Gal. 6:2).
Paulo, o apóstolo, faz a seguinte afirmação jogando luz nesta questão:
“Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse eu debaixo da lei (embora debaixo da lei não esteja), para ganhar os que estão debaixo da lei; para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.” I Co. 9:20,21
Veja que Paulo não diz que estava debaixo da lei mosaica como afirma afoitamente nosso amigo adventista quando diz: “O mesmo Paulo que acentuou estar “debaixo da lei de Cristo”, num contexto em que indica ser esta a mesma “lei de Deus (ver 1 Cor. 9:21)”
O que realmente Paulo disse ?
A lei não deve ser separada do seu contexto histórico no qual foi transmitida ao povo de Israel. Ela não era uma legislação independente ao grande ato redentor do Êxodo. O sistema ético inteiro do VT foi estruturado e colorido pelo evento do Êxodo. O caráter circunstancial do evento do Êxodo foi que determinou o modo pelo qual Israel deveria viver. Os dez mandamentos foi prefaciado por uma declaração de Deus ressaltando seu ato redentor “Eu sou o Deus que Te tirou do Egito” Ex. 20:2. Deus através da aliança tinha se tornado o seu Deus , Rei, Marido, Membro do Concerto, por isto ele se torna o seu, Deus, Libertador, Protetor, Salvador; com uma condição: “Não terás outros deuses diante de mim” v. 3. O Deut. está repleto com estes indicativos-imperativos “seus próprios olhos viram todas estas grandes obras que o Senhor fez” (Deut. 6:20-24; 7:7-11;11:7,8 6) No VT a essência da obediência era “recordar”, “lembrar” e “recitar” as obras redentoras de Deus (Sl. 66, 78, 106). A religião deles era se lembrar dos grandes feitos de Deus, por isso eles deveriam guardar o sábado, as festas, os jubileus, pentecostes, oferecer animais, dar o filho primogênito pois “Se lembra que você era escravo no Egito e que o Senhor o tirou de lá com uma mão poderosa e um braço estendido” (Deut. 5:15).
Então, o código ético de Israel foi fundamentado na história remissória do Êxodo e colorido por ela.
Assim também, ao longo de todo o NT, podemos ver que o comportamento do cristão será determinado pelo que Cristo fez. O código moral do NT flui do evento redentor de Cristo na Cruz. Ora, Cristo se tornou a lei para o crente. Podemos ilustrar isto da seguinte maneira: Uma pessoa que mora no Iraque e passa morar nos EUA, não está mais sujeita à lei do Iraque, mas à lei americana. Ele não deve mais obediência à legislação, constituição e a bandeira iraquiana! Agora ele é um cidadão americano! Prestando obediência a uma nova lei, embora algumas normas da lei iraquiana esteja contida (em certo aspecto) na lei americana (adultério, assassinato, roubo). Mas pode alguém objetar: “Paulo não disse que a lei é boa, justa e santa Rm. 7:12? Sim, ela continua santa, justa e boa, mas nós não estamos mais sujeitos a ela Rm. 6:14. A lei do marido não deixa de ser boa depois que ele morre, mas a mulher já não está mais sujeita a ela, mesmo sendo boa Rom. 7.
O que a Tora era para o judeu, Cristo é para o Cristão. Por exemplo, quando Paulo confrontou o problema de imoralidade sexual em Corinto, ele não condenou tal conduta baseando-se na lei de Moises. Ele argumentou do ponto de vista de sua união com Cristo (1 Cor. 6:15-20). Quando Pedro errou em Antioquia e teve de ser reprovado publicamente, Paulo não condenou a conduta dele na base da lei de Moises. Ele os confrontou com a Lei de Cristo “eles não estavam agindo de acordo com a verdade do evangelho” (Gal. 2:14).Para Paulo, pecado é tudo que não provem da fé evangélica Rm. 14:23. A típica pergunta adventista soa como trovão agora: “Então podemos matar, roubar, adulterar, cobiçar já que não estamos debaixo da lei ? Nossa resposta é: nós não cumprimos tais mandamentos porque estão incluídos nos dez mandamentos. Em primeiro lugar, estes pecados estão todos incompatíveis com o evangelho que mostra como os crentes deveriam agir para com aqueles para quem Cristo morreu. Em segundo lugar, estes pecados estão todos condenados por revelação, até mesmo entre os gentios Rm. 2:15. Quando Paulo condena os gentios pelos seus pecados ele o faz não baseando-se nos dez mandamentos, mas pelo fato deles já conhecerem a “justiça de Deus” 1:32. Contudo, a lei de Cristo não pode ser reduzida a um jogo impessoal de regras e ordens, tipo livro-texto como era a lei para os judeus. Por outro lado, enquanto estivermos aqui na terra temos que ter algum mandamento escrito de maneira concreta para aplicar a lei de Cristo em situações especificas. Entretanto, a devoção do cristão e sua obediência é dirigida não para um código escrito mas para uma pessoa. Que Cristo tomou o lugar da Tora é evidente em várias partes das escrituras. Falando de Cristo, Moisés profetiza que viria um profeta depois dele, e era para este profeta e não para Moises que as pessoas deveriam se voltar Deut. 18:18. No monte da transfiguração Deus ordenou a ouvir Jesus e não Moises Lc. 9:35. A lei de Moises era apenas um professor até Cristo vir Gl. 3:24,25,26. Os rabinos diziam que a lei era a sabedoria de Deus, o caminho, a vida, a água e o maná no deserto, mas os apóstolos aplicaram tudo isto a Cristo. Veja: O que o Judaísmo fez com a lei, a Igreja o transferiu para Cristo. Observe que o que o decálogo e o sábado eram para o Judaísmo, o próprio Cristo se tornou para o cristão. Isto fica claro quando nós fazemos a seguinte comparação:
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A LEI
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CRISTO
“e te darei por aliança do povo” (Isa. 42:6; 49:8 Mat. 26:26-28). |
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Cristo é " a Testemunha " fiel e verdadeira (Apoc. 1:2; 3:14). |
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Jesus é a Palavra (João 1:1) |
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Jesus é o Sinal dado à Igreja (Isa. 7:14; Lucas 2:34; 11:30). Também é dito que o Espírito dele é o Sinal (Efésios 1:13; 4:30). |
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Cristo é o nosso descanso (Matt. 11:28), e o evangelho nos convida a entrar no seu descanso pela fé em Jesus (Heb. 4:3, 9-11). |
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No NT deveríamos nos lembrar de Cristo (Lucas 22:19 |
Assim, de maneira ampla, a evidência textual tipológica demonstra a grande verdade deste simples fato aqui exposto, qual seja, que Jesus Cristo substituiu a Torá. Isto demonstra de maneira maravilhosa como a lei é abolida e imediatamente substituída pela Lei de Cristo. É abolida porque Cristo se torna a norma e a regra de vida para o crente, se torna Ele mesmo, “A Lei”. Não tenho mais nada a ver com a lei, pois morri para ela, no entanto vivo por Cristo, para Cristo e em Cristo (Gl. 2:19,20). Se eu quiser saber como devo viver não vou ter com a lei mas com Cristo (Ef. 4:20,21).
Um Confronto Decisivo—Velho Concerto e Novo Concerto
Hebreus 8:10 - essa lei de que fala o texto não tem nada que ver com a lei mosaica e o dia de sábado. É uma nova lei; a lei que Cristo veio trazer que por sua vez é superior v. 6, sem defeito v.7, nova v. 8, escrita nos corações v. 10, e o verso 13 diz: “Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer.”
O Salmos 40:8 diz: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.”. A interpretação adventista se torna insustentável, pois caso essa lei fosse a da Antiga Aliança não haveria necessidade de Deus tornar escreve-la nos corações, pois como diz o Salmo supracitado “a tua lei está dentro do meu coração”. Ora, se a antiga Lei já estava escrita nos corações dos homens seria até supérfluo tornar repetir o mesmo conceito em Jeremias 31:33. Até mesmo os Gentios possuíam tal lei em seus corações segundo o apostolo Paulo diz em Romanos 2:15. A questão é que a nova aliança ou novo concerto, pacto ou lei é realmente o que diz “NOVA” E não está de maneira alguma sugerindo que o sábado estaria embutido em tal aliança que seria totalmente “Nova”, simplesmente por que o sábado fazia parte daquelas coisas que eram transitórias na lei, prova disso é que não existe nenhum mandamento por referência ou inferência que obrigue os cristãos à guarda do “Shabbath” judaico no Novo Testamento.
O senhor Brito arrazoando diz: “O contexto destas passagens (todo o capítulo de Hebreus 8 e 10) claramente define que se aplicam ao novo “Israel” de Deus, aqueles da dispensação cristã. Afinal, o novo concerto é agora disponível a todos, judeus e gentios, pois o muro de separação foi desfeito com a abolição da “lei cerimonial”—não da “lei moral” (Efé. 2:11 a 22).” Ora, ele novamente deduz sua exegese baseando-se no seus pressupostos de lei moral e lei cerimonial, totalmente alheio ao texto bíblico. Esta parede de separação era TODA lei e não parte dela. É interessante notar que o que mais distanciava os judeus dos gentios, eram basicamente quatro fatores, a saber: seu monoteísmo, as leis alimentares, a circuncisão e o sábado.
O SABADO FAZ PARTE DA NOVA ALIANÇA ?
É claro que a ultima Questão do nosso amigo parece ser um argumento bumerangue. O NT é claramente o cumprimento da profecia de Jr. 31:31. Nessa nova aliança, como já ficou sobejamente demonstrado, temos a lei de Cristo e não mais a lei mosaica, pois esta fora abolida por completo, com decálogo e tudo (incluindo o sábado dentro do decálogo). Nesta Nova Aliança ou Novo Concerto os outros nove mandamentos são novamente reiterados mas descaracterizados da roupagem original (cultural, circunstancial) da qual foi dada a Israel. Veja que os 10 mandamentos como um código de lei e o sábado, só eram determinados aos judeus, mas os sabatistas insistem falsamente em dizer que os 10 mandamentos são para todo o gênero humano.
Se a lei do Sábado fosse uma lei moral pretendida para todo o gênero humano, então,:
As mesmas palavras do decálogo nos falam claramente que os mandamentos só eram para as pessoas judias!
Imagine que os 10 mandamentos fosse uma carta postal com remetente e endereço. A agência postal poderia determinar facilmente quem seria o destinatário. Veja como:
Desafio nosso amigo a provar:
· Onde, na Nova Aliança e debaixo da Lei de Cristo, está a ordem de Jesus ou algum dos apóstolos para guardarmos (nós os cristãos gentios), o sábado judaico.
· Onde, na Nova Aliança, os apóstolos ensinaram a termos a lei como regra de vida.
· Onde, na Bíblia uma referencia que aponta a lei como dividida em duas: moral e cerimonial.
A Bíblia é enfática ao dizer que o sábado foi abolido na cruz Col. 2:14-16.
Presb. Paulo Cristiano da Silva
Vice Presidente do CACP