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Paulina Mercúrio: TJ fala como aceitou a Cristo

por cacp - sáb set 15, 5:51 pm

Ex- TJ fala como aceitou a Cristo como seu salvador

Desde que eu me entendi por gente já pertencia à seita Testemunhas de Jeová. Minha mãe estava grávida de mim quando aceitou um estudo bíblico com as TJs.

O meu pai é imigrante italiano e um pouco depois de chegar ao Brasil conheceu minha mãe. Mais tarde ele voltou à Itália e minha mãe seguiu-o logo depois. Por um período de quatro anos ele trabalhou na Suíça, e por conta disso estabeleceu residência naquele país, nação onde nasci.

Certo dia, um senhor visitou-o em casa, e disse-lhe que pertencia à Sociedade de Bíblias e Tratados que pesquisava as Escrituras Sagradas, e ofereceu a meu pai um estudo bíblico. Ele não se interessou, mas lhe indicou minha mãe, que lia muito a Palavra de Deus. Como ela não entendia muito bem o italiano, meu pai serviu-lhe de intérprete. Ela estava no quarto mês de minha gestação.

Em nove meses de estudo bíblico meu pai batizou-se em um congresso das TJs em Berna, no ano de 1966. Minha mãe batizou-se uns três anos depois, aqui no Brasil. Mas desde o começo, meu pai envolveu-se com a organização muito mais do que ela.

A primeira missão de meu pai foi a de “publicador”, ou seja, participar do “serviço de campo”, como pregador de porta em porta.

Depois de “publicador”, para o homem há o cargo de “servo ministerial” que corresponde à função de diácono nas igrejas evangélicas, e o de “ancião” que equivale ao cargo de pastor. As mulheres só podem almejar o serviço de “pioneiro”. Há três tipos deles: o “auxiliar” que trabalha 60 horas por mês na visitação de casa em casa ou nas praças públicas; o “regular” que cumpre 90 horas no trabalho de pregação nas casas, praças, etc.; o “especial”, uma tipo de missionário que executa 120 horas de trabalho por mês. É interessante notar que se a pessoa não cumpre as horas determinadas, ela não é considerada oficialmente “pioneiro”, e sim mero “publicador”. As testemunhas-de-Jeová esforçam-se muito na realização deste serviço.
A testemunha-de-Jeová precisa demonstrar que é zelosa e “teocrática”, ou seja, mostrar muito amor e interesse pela obra de Jeová.

Meu pai está como “publicador” e minha mãe desligou-se da organização que a considera “afastada”, o que não é a mesma coisa de “desassociada”.

Permaneci como testemunha-de-Jeová durante 24 anos, e saí em 1989.
Eu saía de casa em casa ainda bem pequena, aos oito anos de idade, falava com as pessoas e oferecia-lhes as nossas publicações.

Eu achava que realizava uma obra muito importante, pois falava da Nova Ordem prometida por Jeová para as pessoas semelhantes a ovelhas que, ao aceitarem a mensagem, sobreviveriam ao Armagedom e viveriam para sempre em um paraíso terrestre. Mas no fundo faltava-me algo, e eu não sabia que era o Espírito Santo para dirigir os meus passos.

Eu achava a organização extremamente correta. Portanto, não havia motivo para questionar, até quando desejei entender melhor a questão dos 144.000 e a vida para sempre na Terra.

Às vezes eu não sentia vontade de sair de casa para o trabalho de visitação, mas me sentia na obrigação de cumprir este dever, pois afinal de contas muitas vidas dependiam daquela palavra. Achava normal oferecer revistas, pois elas continham a mensagem da salvação.

Muitas vezes tinha vontade de usar só a Bíblia para falar com as pessoas e de entregar folhetos de graça, mas a obra não podia ser feita do jeito que eu queria.

Não existe imposição declarada, mas no fundo criamos uma expectativa de “colocar” o maior número possível de revistas principalmente os que são “pioneiros”. Acho mesmo que sem nos darmos conta, a “colocação” dos periódicos faz dos mesmos mais importantes que a própria pregação.

As pessoas não comemoram alguma data festiva com seus familiares, principalmente o dia de seu nascimento. A organização ensina que os únicos aniversários que a Bíblia cita foram marcados pela violência (morte do padeiro de Faraó revelada pelo sonho de José no Egito e decapitação de João Batista no aniversário de Herodes). Portanto, é errado comemorá-lo, principalmente por ter o objetivo de idolatrar o aniversariante. Só se pode comparecer a festas nupciais e comemorar aniversário de casamento, pois neste caso a honra é dada a um “arranjo de Jeová”.

Quando comecei a trabalhar fora, conheci uma colega que era da Igreja Batista. Eu a convidei várias vezes para ir ao Salão do Reino, mas ela sempre se recusava. De tanto eu insistir, ela foi. Durante a reunião eu não entendia porque ela se levantava do lugar várias vezes e demorava a voltar. Mais tarde ela me contou que em nenhum momento durante a reunião sentiu-se bem; por isso saiu várias vezes. Fiquei surpresa quando ela me disse fraternalmente que achou tudo aquilo “um absurdo”. Entristeci-me muito, pois achava que ela desprezava algo tão bom. Mas mesmo assim não fiquei com medo de me aprofundar e entender porque ela se sentia assim. Creio que o Espírito Santo já trabalhava em minha vida. Sentia-me incomodada e precisava de uma resposta.

Certo dia comentei a respeito de meu desejo de compreender melhor a questão dos 144.000 com um “superintendente de circuito” (ancião que visita as congregações de seis em seis meses enviado por Betel). Ele me disse que os tais eram especiais e pertenciam exclusivamente a Jeová. Mas isto não me satisfez e continuava cada vez mais angustiada. Outra questão que me fazia pensar muito era com respeito à vida eterna em nosso planeta. Havia aprendido na escola que o Sol é uma estrela e um dia deixaria de bilhar, como todo luminar. Então, se o astro-rei, que sustenta toda a vida na Terra, seria extinto, como seria possível a vida eterna na Terra?

Junto a estas questões, cresceu em mim a convicção de que não havia mais sentido pertencer a uma organização que não me dava respostas convincentes e não mais me satisfazia plenamente.

Eu estava acostumada ao convívio com as testemunhas-de-Jeová e a participar de todas as atividades que lhes eram propostas. Mas a paz e a alegria que Jesus Cristo concede-nos e torna-nos realmente felizes, nunca experimentei dentro da organização, embora achasse que lá se encontrava a verdade. Eu estava acostumada a um ambiente de pessoas que procuram ser honestas, fazer as coisas corretas, mas infelizmente não têm EXPERIÊNCIA COM DEUS, o qual está próximo de nós e pode realizar milagres em nossa vida.

As Testemunhas de Jeová apresentam-se como o único canal visível de Jeová na Terra. Por isso, nós achamos que servir à organização é agradável a Deus.

A testemunha-de-Jeová sente-se uma privilegiada de ter conhecido a “verdade”. As outras igrejas não têm o menor valor para ela, pois é-lhe ensinado que todas fazem parte da “Babilônia, a Grande”, termo bíblico que a organização afirma referir-se ao “Império Mundial da Religião Falsa”.

A testemunha-de-Jeová tem a convicção de que a TNM é a Bíblia “mais próxima dos originais” e as outras traduções contêm muitos erros que foram achados pela Sociedade Torre de Vigia.

A vasta maioria dos TJs não conhece a história de sua própria organização e, infelizmente, não tem interesse em conhecê-la; creio que isto se dá porque não lhe é incutida está necessidade, uma vez que lhe é ensinado como muito natural as mudanças de explicação sobre as doutrinas, apresentadas como “ajustes necessários”, em cumprimento do texto de Provérbios 4.18. Através desta estratégia as pessoas nem sempre estão preparadas para aceitar com naturalidade as mudanças doutrinárias como “nova luz”.

A testemunha-de-Jeová entende que apenas 144.000 pessoas, de dentro da organização, reinarão com Cristo no Céu. As demais pertencem à grande multidão e têm esperança terrena. Não há base exegética nem metodológica para esta crença. Ela é aceita porque a organização diz ser a certa.

O único que não foi contra à minha saída da organização foi o meu pai. Sou grata a ele por isso. Ele entende que eu tenho o direito de escolher e um dia verei que estou errada e então voltarei à organização. Meus irmãos deixaram de falar comigo um certo tempo e minha cunhada evitava-me. Minha mãe achava-se no direito de me criticar, sem contar que um dia para outro foi-me tirado o convívio de anos com os irmãos do Salão do Reino. Tinha amigos muito queridos que, de repente, não podiam mais falar comigo. Não foi fácil passar por isso, mas minha convicção de não querer mais pertencer à organização era maior que o desprezo que me deram. Afirmo mais uma vez que Deus já trabalhava em minha vida, pois só Ele poderia dar-me as forças para enfrentar aquela situação que me foi imposta.

Eu conheci Jesus através de uma amiga na faculdade. Ela se converteu em 1993 e em 1994 levou-me a uma igreja evangélica. Resisti um pouco a freqüentá-la, pois era difícil para mim ter a humildade de pertencer a uma denominação cristã e deixar de pensar que ela poderia pertencer à “Babilônia, a Grande”. Sou grata, muito grata a Deus por me ter trazido aos seus caminhos, definitivamente, em 1996. Hoje pertenço à Igreja Evangélica Assembléia de Deus.

Nada em nossa vida acontece por acaso. Sinto-me atualmente com a responsabilidade de evangelizar as TJs. Gostaria de me juntar a outros crentes com este propósito especifico. É preciso conhecermos bem nossas próprias crenças e, sempre que tivermos oportunidade, mostrar isto dentro da Bíblia à testemunha-de-Jeová que vem à nossa porta ou manter contato conosco de outra maneira. (2 Tm 2.15).

Sempre me lembro do desafio lançado em um artigo da revista Defesa da Fé: Estamos dispostos a fazer pela verdade o que as seitas realizam pela mentira?

Oremos para que as TJs compreendam que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, e não uma mera organização e é em Cristo que todos devem depositar a sua confiança.


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

2 Comentários

Comentários 1 - 2 de 2Primeira« AnteriorPróxima »Última
  1. Paulina, a paz de Cristo seja contigo. Eu queria poder saber mais sobre esta ceita. Poderia me ajudar em minhas pesquisas?
    Obrigado!!!

  2. Gostaria de frisar o grande número de membros desta seita afundados na depressão. So Jesus pode libertá-los deste emaranhado de ensinos hereges do Corpo Enganante.

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