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Paulo como candidato ao pastorado

por Pedro Carbone Filho - ter jan 14, 2:39 pm

Apóstolo Paulo

Queridos irmãos em Cristo,

Como candidato ao pastorado dessa amada igreja, quero, antes de mais nada, me apresentar. Não sei se correspondo ao tipo físico idealizado por vocês. Imagino que muitos esperam (e exigem) um pastor jovem, com 1,80m de altura, louro, porte atlético e olhos azuis. Sou baixo, meio careca, já tenho mais de 50 anos e não gozo de boa saúde. Pelo contrário, sofro de miopia, aliás, estou precisando consultar um bom oftalmologista. Quem sabe, nessa cidade exista um, não é mesmo?

Para aqueles que exigem que a esposa do pastor seja a eterna presidente da União Feminina (ou Mulher Cristã em Ação), a organista e a regente do Coral, de preferência tudo ao mesmo tempo, tenho uma grande novidade. Sou o que chamam por aí de “pastor solteirão”, por motivos que não vêm ao caso no momento.

Apesar de ter nascido numa cidade importante, ser de família rica e influente, fui obrigado a abandonar tudo por amor a Cristo. Atualmente dependo exclusivamente da generosidade de algumas igrejas que fundei e pastoreei. Tenho a impressão de que muitos membros de uma dessas igrejas não simpatizam comigo, porque falo muito em dízimos e ofertas para o sustento de missões. Mas, o que fazer? A minha obrigação é orientar o rebanho sobre esses aspectos da mordomia cristã, não acham? Enquanto isso, eu não tenho casa própria nem carro. Quando necessário, para não ser pesado à igreja, faço alguns “bicos” com a finalidade de reforçar o meu parco orçamento. Para terem uma idéia, já fui fabricante de barracas de “camping”.

Irmãos, infelizmente não pude cursar nenhuma faculdade teológica ou mesmo um desses seminários tão comuns em todo o Brasil. Se quiserem saber a verdade, confesso que nem tenho carteirinha da Ordem dos Pastores Batistas. Antes de me entregar a Cristo, já sabia muito mais da Bíblia do que muito crente velho, modéstia à parte, graças aos estudos particulares que fiz com um velho professor de escola bíblica, quando professava a religião dos meus pais. Depois tive uma experiência pessoal com Jesus Cristo, a qual me marcou profundamente para o resto da vida. Foi aí que, em contato direto com o Mestre, orientado pelo Espírito Santo e podendo contar com o auxílio de vários servos de Deus, consegui me preparar espiritual e doutrinariamente para exercer o ministério.

É verdade que já fui acusado de provocar confusões nas cidades por onde passei. A Justiça me mandou diversas vezes para a cadeia, onde fui torturado pela Polícia. Em outra ocasião, uma multidão enfurecida tentou me linchar e teria conseguido o seu intento se a Polícia não interviesse. Pelo menos nesse caso, os homens da lei foram instrumentos da vontade divina, embora isso me tenha custado mais de 2 anos de prisão preventiva, sem julgamento formal. Sou grato a Deus, pois pude testemunhar de Cristo atrás das grades. Lembro-me daquele dia em que alguns inimigos me atacaram de repente, à traição, e só escapei com  vida porque o Senhor enviou alguns irmãos (verdadeiros anjos) em meu socorro. Em resumo, não sou benquisto na maioria das cidades deste estado, por causa do meu zelo em pregar o Evangelho. Fiquei sabendo que alguns membros de uma igreja por onde passei me acusam de ser áspero no modo de falar, orgulhoso, pedante, autoritário e arrogante. Queixam-se de que eu frequentemente estou pregando sobre pecado, disciplina, responsabilidade cristã e santificação, e muito pouco sobre as delícias do céu. Consideram-me um louco ou pelo menos um fanático, duvidando da minha sanidade mental. Numa igreja, após minha saída, formaram-se grupinhos, cada um partidário de um pastor ou de um missionário famoso. Felizmente não chegou a haver divisão, graças a Deus, mas a autoridade e a autenticidade do meu ministério foram colocadas em discussão porque eu não falava línguas estranhas, embora eu seja um poliglota. Reconheço que tive desentendimentos com colegas de pastorado, tendo como pano de fundo a visão da obra missionária e a postura ministerial.

Quero deixar bem claro, amados irmãos, que não sou um grande “batizador”, desses que gostam de exibir números e estatísticas. Devo ter batizado, quando muito, somente umas duas ou três famílias convertidas. O meu ministério é o da pregação da palavra de salvação. Se os irmãos almejam um pastor vitalício ou pelo menos para os próximos 10 anos, devem pensar duas vezes antes de decidirem pelo convite a minha pessoa. Também devem orar muito, pois se o Espírito Santo me enviar para outra igreja ou para outro campo missionário, quem sou eu para lhe resistir?  Dessa forma (como vocês já devem saber), nunca permaneci mais do que 2 anos à frente de um pastorado local. Sou autor de alguns livretos sobre doutrina e vida cristã, bem como sobre aconselhamento pastoral (que vocês já devem ter lido), embora não tenha recebido um tostão de direitos autorais, mesmo porque esse não é o meu objetivo. Há quem diga que os meus escritos são difíceis de entender e por isso torcem o sentido das minhas palavras. Que o Espírito Santo tenha liberdade para orientar e esclarecer os seus entendimentos!  Outros dizem que o meu grande defeito é falar muito, ou melhor, pregar sermões longos demais.  Não é bem assim, mas se vocês desejam um pastor que só fale 30 minutos, por favor, não me convidem. Certa vez preguei várias horas seguidas… Teve gente que dormiu, roncou, escorregou e caiu do banco…

Finalizando, prezados irmãos, gostaria de enfatizar que não pretendo mudar o meu modo de ser e de anunciar o Evangelho. Vou continuar sendo rigoroso para com as heresias e um ferrenho disciplinador daqueles que não não dão bom testemunho da fé que professam. Dependendo do caso, não hesitarei em repreendê-los em público. Repito, se me convidarem para exercer o pastorado dessa igreja, deverão me aceitar com todos os defeitos que possuo.

Sinceramente em Cristo,

Apóstolo Paulo


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