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Paulo ensinou a Tradição Oral?

por Artigo compilado - dom set 02, 8:09 pm

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Desesperada por não encontrar nada nos Evangelhos que lhe pudesse, ao menos de longe, fornecer arremedo de
argumento, no intuito de corroborar o seu raciocínio, a dogmática católica apresenta esta passagem bíblica extraída de Paulo:

“Assim, pois, Irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Tes. 2:15).

“Os Apóstolos”, conclui, “não nos transmitiram tudo por escrito; uma grande parte do seu ensino foi oral que nos chegou pela Tradição através dos séculos”.

Ao objetivo católico nesta Escritura saltam à vista os embargos. Vejamos:

O que significa o vocábulo “Tradição”?

O significado do vocábulo “tradições” nesse texto não é sinônimo da Tradição no conceito católico. Lá no original grego, o termo é paradoseis que tem o significado de doutrina ou ensinamentos para o caso.

Paradoseis é o conjunto das doutrinas ou o depósito exposto por Paulo aos fiéis. Este depósito que ele não recebeu de nenhum dos Doze e de ninguém, mas diretamente de Jesus Cristo (Gl. 1.9,11,12).

Ele não o recebeu de nenhum dos Doze e de ninguém, mas diretamente de Jesus Cristo(Gálatas 1.9, 11-12).
Paulo, portanto, depois de prevenir os tessalonicenses contra os deturpadores do Evangelho, inculca-lhes a necessidade de se manterem firmes nas doutrinas por ele ensinadas através também das suas pregações.

Ainda mais. O próprio texto ressalta a sintonia entre a pregação e a escrita das doutrinas ensinadas pelo mesmo Apóstolo. De maneira alguma ele sugere apoio a ensinamentos alheios ou diversos das Escrituras.

É de se levar em conta, outrossim, que esta Segunda Carta aos Tessalonicenses é o segundo documento de Paulo, escrito logo após a Primeira Carta aos mesmos destinatários, datada do ano 50 ou 51. É evidente, pois, que, no afã de preveni-los da “operação do erro” 2Tessalonicenses 2.11, o Apóstolo se reporte às doutrinas que oralmente ele havia ensinado quando de sua atribulada estada em Tessalônica porque “os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade” (Atos 17.5).

Seu curto ministério nesta localidade, porém, permitiu-lhe disputar numa sinagoga dos judeus “acerca das Escrituras”, pelo que alguns deles creram e se organizaram em igreja (Atos 1 7.1-4; 1a e 2a Tessalonicenses 1.1).

As cartas de Paulo contêm a mesma mensagem que ele transmitira oralmente?

Ao se referir Paulo aos seus ensinamentos por palavra não quer isto dizer que se constituíam eles em ensinamentos diferentes dos escritos em suas cartas. Tanto assim que, desejando prevenir os crentes contra as investidas de Satanás, adverte energicamente: “Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado” (2 Tessalonicenses 3.14).

Dos seus treze documentos, as duas pequenas Cartas à Igreja em Tessalônica são os dois primeiros. Evidentemente que, ao se referir às doutrinas que por palavra havia ensinado lá, não demonstra ser a Tradição Oral uma Fonte de Revelação, como querem os teólogos católicos.

Acresce outra observação de máximo destaque. É que Paulo, como Apóstolo, era órgão oficial, divinamente inspirado, da Revelação Divina que durou até a morte de João, o Apóstolo. Por conseguinte, e não implicando isto que sua pregação oral era diversa de sua pregação nas epístolas, pelo fato de ser a pregação de Paulo instrumento da Revelação Divina aos homens, não se há de concluir que outros gozem desta mesma missão e sua palavra também seja inspirada e até quando expõem doutrinas contrárias às Escrituras.

O catolicismo aprecia sobremaneira retirar um versículo do seu contexto e encaixá-lo a muque no cenário das suas heresias. E, como sempre, desta vez também falhou o seu arrazoado.

Paulo ensinou Tradição oral a Timóteo?

Insiste, porém, a dogmática católica e. no apogeu de seus estertores, vai buscar outro texto escriturístico no anseio de coonestar a sua Tradição. E arroga. como defesa desta sua falida fonte de doutrinas, as recomendações de Paulo a
Timóteo:

“Sei em quem tenho crido e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia. Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós” (2 Timóteo 1 .12-14).

Nesta perícope encontramos duas vezes mencionado o vocábulo “depósito”. A primeira vez no versículo 12, onde significa a confiança do Apóstolo em Deus, que não falta em Suas promessas. Todos os seus trabalhos, todos os seus sofrimentos, culminados agora em sua prisão em Roma nas vésperas da sua morte, se constituíram num riquíssimo depósito entregue nas mãos do Senhor, como num maravilhoso relicário, de onde esplenderiam todos os seus galardões, como de urna fonte inexaurível. A segunda, no verso 14. Para qualquer leitor desprovido de preconceitos, esta passagem bíblica no panorama das relações de Paulo com Timóteo salienta o cuidado especialíssimo do Apóstolo em preservar o “depósito” (paratheke) isento de macular-se com as fábulas e doutrinas vãs.

O Apóstolo teve de enfrentar aguerridas lutas contra os “falsos irmãos” (Gálatas 2.4). os judaizantes que perturbavam os crentes com palavras e transtornavam as suas almas (Atos 15.24) porque deturpavam a pureza do Evangelho, imiscuindo-lhes doutrinas espúrias. Além, pois, de missionário entre os gentios, Paulo teve de sustentar esta batalha imensa para o que contou com a cooperação pronta e eficaz de Timóteo. do qual “davam bom testemunho os irmãos” (Atos 16.2).Qual o significa do termo “depósito”?

O vocábulo grego paralheke empregado por Paulo é de alta significação por ser, no seu tempo, um termo técnico da linguagem jurídica entre os gregos. romanos e judeus. Paratheke (“depósito”) indicava um tesouro valioso confiado pelo seu proprietário à guarda de um amigo de irrestrita confiança. que se obrigava a guardá-lo) e a restitui-lo. não lhe sendo lícito, ainda, utilizar-se dele em proveito pessoal ou na conformidade do seu bel-prazer. Severas penas, outrossim, se impunham aos que violassem as normas da absoluta fidelidade exigidas nesse caso do paratheke ou “depósito”.

Pois bem! Paulo, escrevendo ao seu caríssimo Timóteo, exorta-o à fidelidade na guarda deste paraiheke divino, que é a doutrina do Evangelho, não permitindo, em hipótese alguma, que fosse eivada de retoques, desvios ou fábulas.

Certa ocasião, quando foi à Macedônia, Timóteo permaneceu em Efeso para advertir alguns “que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim” (1 Timóteo 1 .3-4).
Além de preservar o “bom depósito” ou paratheke, nesta emergência, competia a Timóteo a habilidade de selecionar homens capazes e firmes na fé, aptos para ensinar.

“Aplica-te à leitura, a exortação, ao ensino… Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina… O Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da fé… Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós (lª Timóteo 4.l3, l6,2O,2l – 2ªTimóteo 1.14).

Lembra a Timóteo em sua Primeira Carta de que “nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (4.1); suplica-lhe que rejeite “as fábulas profanas e de velhas caducas” (4.7); recomenda-Lhe que persistisse em ler (4.13) e na Segunda Carta assemelha a Janes e a Jambres, que resistiram a Moisés, os que resistem à verdade, sendo “homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé” (3.8) e agora. nas vésperas de sua morte em Roma, de onde remetera esta Carta a Timóteo, concita-o: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na .Iustiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (3.14-17).

Todas estas recomendações de Paulo visavam exatamente preservar a pureza do Evangelho, a genuinidade da doutrina, a fidelidade da guarda do “bom depósito”, do paratheke, contra a intromissão de ensinamentos espúrios por parte dos judaizantes insubordinados e impostores, bem como de outros inovadores e corruptores.

Os textos que a dogmática católica arrola em defesa de sua Tradição militam desfavoráveis à sua pretensão de corromper a limpidez do “bom depósito” ou paratheke. Incorre ela, outrossim. em anátema, consoante advertência do mesmo Apóstolo aos falsos irmãos, quando escreveu aos gálatas:

“Se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.9).
Nem em nome de uma outra pretensa e utópica fonte de revelação extra-bíblica pode-se acrescentar ou retirar nada às Sagradas. Escrituras a menos que se queira incorrer no desagrado do Senhor como acontece à dogmática católica, pervertedora da Revelação Divina.

É de se pasmar que quase toda a teologia clerical esteja lastreada sobre essa base de areia movediça. E um castelo de cartas que, com um sopro, se derruba, mas vem, através dos séculos, se constituindo na arma mais eficaz do inferno para desviar as almas de Jesus Cristo. o nosso único e todo-suficiente Salvador.

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