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Por fé e lucro, ‘EI’ promove onda de destruição

Registro de 17 de julho de 2001 mostra iraquianos trabalhando no sítio arqueológico de Nimrud, a 35 km de Mosul, no Iraque

Registro de 17 de julho de 2001 mostra iraquianos trabalhando no sítio arqueológico de Nimrud, a 35 km de Mosul, no Iraque

O grupo extremista islâmico autodenominado “Estado Islâmico” (EI) começou a destruir mais um sítio arqueológico no norte do Iraque, segundo fontes curdas.

A antiga cidade de Hatra foi fundada durante o império parta, há mais de dois mil anos, e é considerada pela Unesco, órgão da ONU, um patrimônio histórico da humanidade.

No início desta semana, militantes do grupo haviam começado a demolir as ruínas da cidade de Nimrud, antiga capital do império assírio fundada no século 13 a.C..

O “EI” também divulgou na semana passada um vídeo em que destruía artefatos assírios em um museu em Mosul, cidade localizada a 30km de Nimrud.

Relatos também dão conta de que extremistas incendiaram uma biblioteca na mesma cidade, junto com mais de 8 mil manuscritos.

Essa onda de destruição de patrimônios históricos e culturais gerou revolta entre autoridades e pesquisadores.

“Eles estão apagando nossa história”, disse o arqueologista iraquiano Lamia al-Gailani.

Falsos deuses

Para extremistas, estátuas e outros símbolos promovem a apostasia

No controle de grandes áreas na Síria e no Iraque, o grupo extremista segue uma vertente radical da sharia (lei islãmica) segundo a qual estátuas são usadas para idolatrar falsos deuses.

Ao mesmo tempo, o “EI” pôs à venda alguns artefatos no mercado negro, transformando antiguidades em uma importante fonte de renda para o grupo, junto com o petróleo e sequestros.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, prometeu punir os responsáveis.

“Esses bárbaros, terroristas criminosos estão tentando destruir o patrimônio da humanidade”, disse Abadi.

“Vamos perseguí-los para fazer com que paguem por cada gota de sangue derramada no Iraque e pela destruição da civilização do Iraque.”

Força política e cultural

O império parta era uma grande força política e cultural no Iraque antigo.

No seu auge, no século 2 a.C., seu território cobria uma região que hoje vai do Paquistão à Síria.

Localizada a 110km a sudoeste de Mosul, Hatra era uma cidade fortificada que resistiu a ataques do império romano graças às suas muralhas e torres.

Segundo Said Mamuzini, do Partido Democrata Curdo, os militantes começaram a destruí-la com pás.

“A cidade de Hatra é grande, e muitos artefatos daquela era estavam protegidos em seu interior”, explicou Mamuzini, acrescentando que extremistas já haviam retirado o ouro e a prata que havia no local.

Museu em Mosul também foi destruído por militantes

Crime de guerra

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou a destruição um “crime de guerra”, disse seu porta-voz.

Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU proibiu todo o comércio de artefatos históricos vindos da Síria e acusou militantes do grupo extremista de saquear a herança cultural para aumentar sua capacidade de “organizar e realizar ataques terroristas”.

“Isso deixa claro que nada está à salvo da limpeza cultural em curso no país”, afirmou Irina Bokova, diretora da Unesco.

Esta não é a primeira vez que patrimônios históricos da humanidade são destruídos por extremistas.

Em 2013, militantes no Mali incendiaram bibliotecas onde eram guardados manuscritos históricos.

E, em 2001, o Talebã explodiu estatuas conhecidas como os Budas de Bamiyan, que datavam do século 6.

Extraído do site http://noticias.uol.com.br/ em 07/03/2015

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