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Por que recusamos os livros apócrifos?

por Artigo compilado - seg abr 15, 12:12 am

“Onde está escrito que os livros inspirados são 66?” Essa pergunta foi feita por dom Amaury Castagno, bispo da Diocese de Jundiaí, no então jornal A Tribuna de Jundiaí (SP), na edição de 31/10 a 06/11/1995, em uma matéria intitulada Perguntas Indiscretas. A matéria se constitui numa série de questionamentos que os católicos romanos devem dirigir aos protestantes.

Mesmo se não tivéssemos uma resposta bíblica para a referida pergunta, poderíamos respondê-la usando outra pergunta: “Onde está escrito que os livros inspirados são 73?”. É o método dos judeus, que o próprio Jesus usou, de responder uma pergunta com outra pergunta (Marcos 11.28-33 e Lucas 20.2-25).

O foco da discussão são os livros de 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque e os acréscimos ao livro de Ester e Daniel, num total de 73 livros em sua Bíblia. São acréscimos à Bíblia ou faltam livros em nossas Bíblias?

Esses livros sobressalentes nas versões católicas da Bíblia são chamados de livros apócrifos. A palavra “apócrifos” vem do grego apócrifos e significa “escondidos”. Essa literatura foi produzida numa época de agitação religiosa e política na vida do judaísmo, entre 300 a.C. e 100 d.C. Os rabinos chamavam esses livros de “os de fora”, ou seja, fora do Cânon Sagrado dos judeus. Cirilo de Jerusalém seguiu esse mesmo pensamento, simplesmente substituiu o termo usado pelos rabinos por “apócrifos”.

Os livros do Velho Testamento que adotamos são os mesmos aceitos pelos judeus, por nosso Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos. Desde muito cedo na História da Igreja havia discussões sobre esses livros. Agora cabe aqui uma pergunta: Por que a Igreja Católica Romana usou durante seus primeiros séculos esse mesmo Cânon, mudando-o somente após a Reforma Protestante, no Concílio de Trento? Por que ocorreu a necessidade de se acrescentar algo a uma lista que se mostrou satisfatória por tantos séculos?

Esses livros estavam presentes na Septuaginta, mas nunca fizeram parte das Escrituras hebraicas. O Sínodo de Jâmnia, concílio dos rabinos, realizado por volta do ano 100 d.C., portanto, depois do encerramento do Cânon dos judeus, debateu sobre a permanência de Provérbios, Eclesiastes, Cantares e Ester no Cânon Judaico. Nada foi modificado, o Cânon permaneceu inalterado.

O Terceiro Concílio de Cartago, em 397, propôs a inclusão desses livros no Cânon Sagrado, mas como de leitura adequada, mesmo assim Jerônimo resistiu. Eles foram incluídos na Vulgata, mas ocupando um lugar secundário, apresentando essa diferença entre os libris ecclesiastici e os libri canonici. Os reformadores reconheceram os apócrifos como indignos e contraditórios com as doutrinas dos livros canônicos. Em 1534 Martinho Lutero traduziu a Bíblia completa e incluiu os apócrifos com estes dizeres: “Apócrifos, isto é, livros que não são considerados iguais à Sagrada Escritura, porém sua leitura é útil e boa”. Em 1827, a British and Foreign Bible Society decidiu excluir os apócrifos de suas Bíblias e pouco depois os norte-americanos seguiram o mesmo padrão.

Esses livros apresentam erros históricos, geográficos, anacronismos. Ensinam doutrinas falsas e incentivam práticas divergentes das Escrituras inspiradas. O estilo destoa das Escrituras Canônicas e faltam o caráter divino e a autoridade profética. Filon, Josefo, o Sínodo de Jamnia, Orígenes, Cirilo de Jerusalém, Atanásio e muitos outros da patrística citaram tais livros, mas nenhum jamais fdeles reconheceu a sua autoridade.

O Cânon Hebraico constitui-se apenas do Velho Testamento, embora seu texto seja igual ao nosso Velho Testamento em português. Porém, é diferente apenas no seu arranjo. Os judeus consideram os livros de Samuel como se fossem apenas um livro, da mesma forma os livros dos Reis, das Crônicas, Esdras e Neemias, também os doze livros dos profetas menores como um só, sendo os nossos 39 livros reduzidos a 24, sem contudo alterar seu conteúdo.

A Bíblia hebraica, desde a época do ministério terreno do Senhor Jesus, estava dividida em três partes: Lei, Hagiógrafos (Escritos Sagrados) e Profetas, em hebraico Torah, Nevyim ve Chituvim, cuja sigla ainda hoje usada é Tanach. Segundo Josefo, essa era a mesma divisão da Bíblia do primeiro século:

“Temos somente vinte e dois que compreendem tudo o que se passou, e que se refere a nós, desde o começo do mundo até agora, e aos quais somos obrigados a prestar fé. Cinco são de Moisésque refere tudo o que aconteceu até sua morte, durante perto de três mil anos e a sequência dos descendentes de Adão. Os profetas que sucederam a esse admirávellegislador, escrreveram em treze outros livros, tudo o que se passou depois de sua morte até ao reinado de Artaxerxes, filho de Xerxes, rei dos persas e outros livros, contém hinos e cânticos feitos em louvor de Deus e preceitos para os costumes.

Escreveu-se também tudo o que se passou desde Artaxerxes até os nossos dias, mas como não se teve, como antes, uma sequência de profetas, não se lhes dá o mesmo crédito que os outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal respeito, que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar, ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. Nós os consideramos como divinos, chamamo-los assim; fazemos profissão de observá-los inviolavelmente e morrer com alegria se for necessário, para prová-lo” (História dos Hebreus, Contra Apion, Livro I, capítulo 2, CPAD, Rio, 1992).

Dois pontos de fundamental importância encontramos nessa declaração de Josefo. Primeiro, os apócrifos são mencionados como não tendo o mesmo crédito dos demais. Convém lembrar que isso não é coisa dos protestantes. Trata-se, portanto, de um documento do final do primeiro século. Em segundo lugar, o historiador apresenta a mesma tríplice divisão que o Senhor Jesus mencionou em Lucas 24.44: “Convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos”. Os ‘Salmos’ representam os Hagiógrafos, pois encabeçam essa última parte, e que nesse Cânon não constam os apócrifos.

A seleção dos livros autorizados ocorreu depois do encerramento do Cânon Sagrado, obviamente não pode ser encontrado na Bíblia. Portanto, a pergunta do bispo está mal formulada ou é capciosa. Visto que os 27 livros do Novo Testamento estão fora de questão, pois são os mesmos das edições católicas da Bíblia. O problema reside no Velho testamento. O Senhor Jesus usou e citou o cânon dos judeus, com isso podemos afirmar que a própria Bíblia afirma ser composta de 66 livros.

Pr. Esequias Soares, Teólogo Apologista da CPAD, Assembleia de Deus Jundiaí/SP

 


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12 Comentários

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Comentários 1 - 12 de 12Primeira« AnteriorPróxima »Última
  1. As Igrejas Ortodoxas orientais se separaram da Igreja Católica no século XI. A despeito disso, elas aceitam os livros deutericanonicos. Então dizer que esses livros foram incluídos no Canon somente após Trento (sec. XVI) é um erro crasso.

    1. “ortodoxas orientais se separaram da Igreja Católica” 

      essa “rinha de aves” das primeiras seitas filhas do imperador Constantino pouco nos interessa.

      http://www.cacp.org.br/meditacoes-sobre-a-reforma-protestante/

    2. e não acrescente nada ao cânon protestante, senão te serão acrescentadas as pragas escritas no livro  Ap 22:18b.

  2. Fabricio, concordo com vc. Além do que os livros tidos como apócrifos pelos protestantes eram grandemente reconhecidos pelos judeus que viviam em outras comunidades fora de Israel

  3. osvaldo sex jan 29 at 11:47 pm
    amigo jcp o sr mesmo se condena no dito de apocalipse, pois colocou aí o termo protestante que não existe na Bíblia e foi inventado por um homem

    amigo “oswardo” refiro-me a tradução almeida ou similares protestantes a qual nos é canônica. 

    1. Oswardo, e não adianta o sr. vir com interrogações “perspicazes”, não nasci ontem, e alias, a nem palavra “Bíblia” também não tem na Bíblia. foi uma palavra inventada por homens. (biblos ou coleções livros). nós protestantes brasileiros, optamos pela Almeida. 

  4. osvaldo sex jan 29 at 11:59 pm  “reporte-se á igreja” 

    eu não sou da sua seita ICAR e jamais vou “reportar” a mesma. vai sonhando e espere sentado.
    a trad.Almeida não tem acrescentamentos ex-canônicos portanto não vale suas maldições, guarde isso para os seus deuterocanônicos. 

  5. osvaldosáb jan 30 at 12:05 am “medite sobre as palavras do padre Júlio Maria se o sr tem juízo'”

    eu jamais vou meditar a partir de padreco nenhum. isso nem no pior pesadelo. sonhe doido !
    se eu postular a partir de algum teólogo, o mesmo será de algum doutorado do protestante. 

    1. vai mandar ter juízo certos padrecos que dão vazão as noticias na TV e Jornais de abuso infantil as quais estamos fartos de saber. manda ter vergonha na cara. não casam, não gostam de mulher, e ficam aie fazendo asneiras por aie. e ainda tem a petulância de “reporte-se a igreja”

    2. osvaldo sáb jan 30 at 12:44 am doutorado não leva ao Espírito Santo, a Bíblia sim
      doutorado é coisa para quem quer ser erudito, não seguidor de Deus.

      ah é. por acaso “sua inspiração divina” mandou os seus certos padrecos ser pedófilos também?
      são seguidores de Deus? vai dormir.

  6. isso já foi-se. o que interessa agora, é que nós protestantes temos a Bíblia tradução portuguesa Almeida, e não abrimos mão, exceto de similares de mesmo conteúdo, e jamais comungaremos na mesma mesa com católico. JAMAIS. nem no pior pesadelo. 

  7. osvaldosáb jan 30 at 12:56 am discuta ideias não pessoas até porque protestante tb peca tudo por Jesus, nada sem Maria

    Maria não é deusa, isso só na sua cabeça de papa hóstia. e seu “jesus icar” é um deus morto, sempre está morto na cruz e precisa ser carregado no pescoço.

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